Fui ativista estudantil (1967/68). Militante clandestino (1969/70). Preso político (1970/71). Tenho travado o bom combate, lutando por um Brasil mais justo, defendendo os direitos humanos, combatendo o autoritarismo.

Sou jornalista desde 1972. Crítico de música e de cinema. Cronista. Poeta. Escritor. Blogueiro.

Tentei e não consegui eleger-me vereador em São Paulo. Mas, orgulho-me de ter feito uma campanha fiel aos objetivos nortearam toda a minha vida adulta: a construção de uma sociedade igualitária e livre, tendo como prioridades máximas o bem comum e a felicidade dos seres humanos.

Em que a exploração do homem pelo homem seja substituída pela cooperação solidária do homem com os outros homens. Em que sejam finalmente concretizados os ideais mais generosos e nobres que a humanidade vem acalentando através dos tempos: justiça social e liberdade.

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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

OS 5 ANOS DE UM BLOGUE DE RESISTÊNCIA

O blogue Náufrago da Utopia completa cinco anos de existência nesta 5ª feira, 8.

No post inaugural (vide aqui), com a sinceridade habitual, eu admiti que nunca almejara ser blogueiro, mas fora uma opção alternativa quando minhas maiores metas não deslancharam:
"Em novembro/2005, ao lançar meu livro de estréia, 'Náufrago da Utopia', acreditava ter desimpedido os caminhos para meu projeto maior: propor um novo ideário para a esquerda, retomando, num contexto mais propício, as propostas neo-anarquistas da geração 68. Mas, passados dois anos e meio, nada marchou como esperava.
O 'Náufrago' não concretizou seu potencial, mantendo-se apenas como um cult para algumas dezenas de pessoas e uma referência para alunos e professores de História.
Não encontrei espaço para meu  great come back  à grande imprensa, sonho que jamais abandonei. Só que, como nunca, as tribunas estão hermeticamente fechadas para os articulistas de esquerda, salvo os que construíram sua reputação num passado distante e continuarão sendo suportados enquanto durarem, mas não substituídos.
Vai daí que a nova utopia singra os mares meio sem rumo, incapaz de encontrar seu porto seguro".
Na minha visão daquele momento, um blogue de verdade serviria para ir acumulando forças, à espera de dias melhores. O que eu tinha, O Rebate, era apenas um depósito dos textos que eu redigia semanalmente para o site coletivo homônimo. Decidi fazer as coisas direito, produzindo textos diários, para conquistar um público mais amplo e mantê-lo interessado.

O projeto acabou me encantando, pois veio ao encontro de outra antiga paixão: os circuitos marginais. Quantos esforços desenvolvemos, na década de 1970, para difundir nossas obras diretamente às pessoas, escapando do controle da indústria cultural! 

As precárias coletâneas que editávamos com tiragem de mil exemplares continuam pegando pó na minha estante, como marcos de uma fase talvez ingênua, mas muito gratificante. O que encarávamos como resistência cultural era, também, uma forma de travarmos o bom combate. Se não produziu resultados mais expressivos, ao menos ajudou-nos a manter a sanidade, durante as terríveis trevas ditatoriais.

Então, aos poucos, o blogue foi tomando forma.

De um lado, cumprindo meu dever de sobrevivente de uma guerra trágica, defendi a memória da resistência à ditadura militar e prestei tributo aos companheiros que nela lutaram, aproveitando todas as oportunidades para lembrar seus nomes e seus feitos, honrando seu sacrifício. 

Muitas informações sequer registradas em livros estão presentes no blogue, pois, mais que o antigo Repórter Esso, posso me considerar uma  testemunha ocular da História: estava no palco dos acontecimentos e os observei com os olhos do jornalista que viria a me tornar, tanto quanto com o olhar do militante em ação (para ser absolutamente sincero, eles ficaram impressos na minha memória, mas os desafios imediatos exigiam tanto de mim que  só os pude digerir, interpretar e aprofundar depois, no recesso compulsório, qual sejam as intermináveis horas que tinha para preencher nos cárceres militares, passada a fase dramática das torturas).

Também resgatei e trouxe para o blogue o melhor da minha experiência  jornalística, chegando a digitar e atualizar longos textos que escrevera profissionalmente, como o dedicado à época de ouro da MPB, tão extenso que fui obrigado a dividi-lo em cinco posts.

E, se nunca se criaram as condições para lançar meu sonhado livro teórico com mínima possibilidade de atingir um público mais amplo do que as poucas centenas de leitores que habitualmente consomem tais obras (veneno  para as livrarias) no Brasil, fui colocando no blogue, pouco a pouco, tudo que eu tinha para dizer. Talvez sejam irrelevâncias, talvez ainda venham servir para apontar caminhos às novas gerações de revolucionários. 

Mas, ao alertar para as terríveis ameaças que o capitalismo nos inflige, ao sobreviver muito além de sua  vida útil, tornando-se cada vez mais parasitário e nefasto, creio ter, pelo menos, cumprido o papel de estimular discussões extremamente necessárias. Poucos se dão conta de quão grande é o risco da  espécie humana não subsistir por mais um século, nem da premência com que precisamos agir, para salvarmos a humanidade da extinção. O meu papel eu tenho cumprido.

Finalmente, o Náufrago serviu como tribuna para as muitas lutas que tenho travado, algumas vitoriosas, outras não. Esta é a sua faceta mais conhecida, daí eu considerar dispensável estender-me no assunto. 

Basta mencionar que, além dos aproximadamente 250 diferentes textos redigidos ao longo da cruzada pela liberdade de Cesare Battisti, o blogue defendeu o ex-etarra Joseba Gotzon, vítima menor do mesmo espírito revanchista da direita européia; Julian Assange, Bradley Manning e Edward Snowden, que escancararam para o mundo a nudez do rei; a iraniana Sakineh Ashtiani, quase-vítima da intolerância medieval; o cineasta Roman Polanski, quase-vítima do moralismo mais rançoso. o movimento estudantil em geral e os universitários da USP em particular (pois submetidos a controle policial como nos piores tempos da ditadura militar); e outros humilhados e ofendidos no dia a dia brasileiro.   

Acredito que o balanço seja positivo. E peço encarecidamente aos companheiros e amigos que ajudem a difundir o acervo nele armazenado, pois não basta plantarmos as sementes, elas precisam ser irrigadas. E a colheita almejada está muito além do alcance dos meus esforços pessoais.
POSTS DA RETROSPECTIVA DOS 5 ANOS (clique p/ abrir):

quarta-feira, 3 de julho de 2013

BRASIL RECUSA ASILO A SNOWDEN. VOLTAMOS A SER QUINTAL DOS EUA?

A notícia é da Folha de S. Paulo e tem como título Brasil ignora solicitação de asilo de delator americano.

Começa errada, pois rotular Edward Snowden de delator é alinhar-se com a infame posição do governo estadunidense, colaborando com a estigmatização de um justo.

Se um governo comete flagrantes ilegalidades, como a de espionar em massa seus próprios cidadãos, qualquer homem digno que  tome conhecimento deste delito, funcionário ou não, tem o direito e até o dever de denunciar a ilicitude. Snowden, portanto, é DENUNCIANTE, não delator. Nada fez que justificasse prisão; merecia, isto sim, medalhas, porque HERÓI ele é. 

Assim como Julian Assange e Bradley Manning também são incontestáveis HERÓIS da luta pela transparência das ações governamentais. Os três colocaram sua liberdade e sua sanidade em risco para exporem os terríveis abusos de poder cometidos por altas autoridades dos EUA. 

Quem deveria ser processado é, para começar, o diretor da Agência de Segurança Nacional dos EUA, general Keith Alexander. E todos os funcionários que obedeceram a suas ordens arbitrárias. E o próprio presidente Barack Obama, se ficar provado que teve conhecimento prévio desta arapongagem em larga escala e a autorizou.

Em fuga pelo mundo, Snowden ora se encontra num aeroporto de Moscou. A Rússia se recusa a entregá-lo aos EUA e até admite sua permanência, desde que se sujeite a uma imposição para ele inaceitável: a de nada fazer que venha a  prejudicar  o governo estadunidense. Ou seja, que aceite ser manietado em benefício da tranquilidade de terroristas de estado.

Tentando conseguir um asilo sem tal condicionante, ele mandou carta a 21 países, inclusive o nosso.

Segundo a Folha, o porta-voz do Itamaraty, Tovar Mendes declarou o seguinte:
"O Brasil não vai reagir à carta com pedido de asilo. Nem sequer considerará seu mérito, pois ele circulou em carta genérica. A concessão de asilo não é feita de modo automático. O cidadão sequer está em uma embaixada do Brasil".
Trata-se de uma repulsiva evasiva burocrática para não honrar a tradição brasileira de acolher perseguidos políticos de todos os quadrantes e de todas as ideologias. Conforme lembrou o combativo jornalista Laerte Braga, alguns dos piores vilões da extrema-direita, como George Bidault, Marcelo Caetano e Alfredo Stroessner, "foram recebidos com loas e protegidos enquanto viveram".

Para o Laerte, "a diferença entre Dilma Roussef e FHC é apenas a saia". Eu não iria tão longe, mas deixo registrada minha mais profunda indignação com esta  saída pela tangente, uma maneira enviesada de fugir às responsabilidades que nossa dignidade nacional impõe. Teremos voltado, em pleno governo do PT, a ser quintal dos EUA?!

sábado, 18 de agosto de 2012

O IMPORTANTE É RESISTIRMOS À DESUMANIZAÇÃO... SEMPRE!

Ontem me deu branco: não consegui imaginar nada de realmente relevante para postar neste blogue de campanha.

Enquanto isto, o texto que coloquei no meu tradicional Náufrago da Utopia (vide aqui) foi um dos meus melhores deste ano, ao tratar o Caso WikiLeaks como ele merece: fazendo galhofa.

Simplesmente não dá para levarmos a sério um antigo império que hoje ameaça uma pequena nação com um ato de guerra por causa... da camisinha que Assange deixou de usar numa relação sexual consentida!

O velho espírito do Pasquim faz falta nos comentários políticos de hoje. Eu tento preencher tal lacuna, sem o brilhantismo dos meus ícones, claro, mas com aplicação.

Quem quiser lições de como escancarar o que há de ridículo por trás do noticiário, leia os vários volumes do Festival de Besteiras que  Assola o País, do inesquecível Sérgio Porto. Ou O ato e o fato, do Carlos Heitor Cony. Ou as compilações dos textos seminais do Pasquim.

Precisamos reagir à camisa de força com que o sistema tenta engessar a campanha política: a fixação obsessiva em propostas administrativas, o que equivale a tirar-se o foco da insanidade e decrepitude do capitalismo como um todo.

Não são detalhes que têm de ser corrigidos. E o capitalismo que tem de ser colocado em xeque pois, enquanto existir, as pessoas continuarão sendo exploradas, excluídas e injustiçadas. É simples assim.

Não podemos cair nessa esparrela do sistema. Sabemos muito bem o que tem de ser feito, mas o que realmente nos falta é poder para o fazermos. E o sistema está aí exatamente para evitar que algum dia o tenhamos.

P. ex., o que há de mais urgente e necessário no estado de São Paulo do que o impeachment do governador que ordenou a barbárie no Pinheirinho, desacatou uma ordem judicial para cumprir a outra que lhe agradava (por vir ao encontro do seu propósito de limpar a área para os especuladores imobiliários) e foi o responsável último pelo sequestro de um idoso ferido para escondê-lo do noticiário (vide aqui)?

Se já seria inaceitável Ivo Teles da Silva haver falecido como consequência da truculência policial, pior, muito pior, foi terem-no confinado num hospital sem anuência (e nem sequer conhecimento) da família. 

Jamais poderíamos ter deixado passar praticamente em branco um episódio como este, em que o Governo Alckmin repetiu as práticas dos piores estados totalitários. Não basta a denúncia à Comissão de Direitos Humanos da OEA, cuja decisão poderá ser ignorada de novo, assim como o está sendo a relativa ao extermínio dos militantes do PCdoB no Araguaia.

Nem que fosse por desencargo de consciência, deveríamos ter tentado o impeachment.

Então, é ESTA a mensagem que devemos levar à população: 
  • somos os que tentaremos impedir as injustiças, acabar com a desigualdade;
  • somos os que tomaremos sempre a defesa do povo sofrido contra as infâmias dos poderosos, e, em última análise, contra a perversidade intrínseca do capitalismo.
Eu poderia até alinhavar umas 50 propostas de campanha, se quisesse. Recuso-me a fazê-lo, pois não é este o motivo pelo qual os eleitores devem (ou não) votar em mim.

O que eu tenho a oferecer-lhes é uma trajetória de mais de quatro décadas de lutas. Já provei suficientemente minha coerência e a minha capacidade de fustigar e até derrotar o inimigo, mesmo em recentes situações de grande inferioridade de forças.

Há quem acredite me atingir dizendo que não votará em mim. Como se ganhar uma eleição fosse o objetivo mais importante da minha vida.

Não é. Trata-se de um passo certo a dar neste instante, para conseguir maior amplitude de atuação; como também seria batalhar pelo resgate da verdade histórica em plena Comissão da Verdade.

Já lutei muito contra o sistema escorado nos circuitos alternativos, como a internet. Constato agora que, para aumentar meu poder de fogo, preciso levar a luta para dentro do sistema. 

Como os revolucionários somos sempre os prejudicados, desfavorecidos, perseguidos, discriminados, estigmatizados, caluniados e  injustiçados, só nos resta tentarmos arrombar as portas, todas as portas, pois jamais elas serão franqueadas para nós.

Não podemos temer as derrotas. Sabia que a minha anticandidatura à Comissão da Verdade só teria sucesso por milagre. E não ignoro a dificuldade em eleger-me sem fazer concessões à espetacularização e esterilização  da política, o grande truque da indústria cultural. 

Se o do diabo é fingir que não existe, o da mídia é fingir que não efetua a mais avassaladora e mesmerizante lavagem cerebral.

O importante é a atitude e o exemplo, não o resultado. 

O importante é lutarmos... SEMPRE! É resistirmos à desumanização... SEMPRE!