Fui ativista estudantil (1967/68). Militante clandestino (1969/70). Preso político (1970/71). Tenho travado o bom combate, lutando por um Brasil mais justo, defendendo os direitos humanos, combatendo o autoritarismo.

Sou jornalista desde 1972. Crítico de música e de cinema. Cronista. Poeta. Escritor. Blogueiro.

Tentei e não consegui eleger-me vereador em São Paulo. Mas, orgulho-me de ter feito uma campanha fiel aos objetivos nortearam toda a minha vida adulta: a construção de uma sociedade igualitária e livre, tendo como prioridades máximas o bem comum e a felicidade dos seres humanos.

Em que a exploração do homem pelo homem seja substituída pela cooperação solidária do homem com os outros homens. Em que sejam finalmente concretizados os ideais mais generosos e nobres que a humanidade vem acalentando através dos tempos: justiça social e liberdade.

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terça-feira, 24 de outubro de 2017

MINO CARTA SE VÊ COMO DEUS REVELANDO A VERDADE SAGRADA. E O RESTO DO MUNDO O VÊ COMO NAPOLEÃO DE HOSPÍCIO.

Incorrigível, Mino Carta volta a engrossar o lobby italo-brasileiro na caça a Cesare Battisti, em besteirol  publicado na Carta Capital e reproduzido pela Folha de S. Paulo, com o evidente objetivo de influenciar a decisão que a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal tomará amanhã (24), ou salvando o escritor da tramoia eivada de ilegalidades com que se pretende entregá-lo à vendeta italiana ou repetindo a ignóbil decisão adotada em 1936, quando autorizou a extradição de Olga Benário para a Alemanha nazista.

Quando li o texto do Mino, tão rancoroso quanto inconsistente, pensei até em refutá-lo ponto por ponto. Mas, isto caberia caso houvesse algo a refutar. Não há nada. 

É uma narrativa que não se sustenta em evidência nenhuma, testemunha nenhuma, comprovação nenhuma, citação nenhuma. Apenas na megalomania desmedida de um indivíduo que pensa ser tão superior aos comuns mortais a ponto de apenas dar a público o que, no seu entender, é a verdade definitiva e incontestável, ponto final. Chamavam-no, não sem um tanto de ironia, de imperador, mas ele já ultrapassou tal estágio. Agora seu discurso é de quem, intimamente, acredita ser Deus. Pena que, para a maioria dos leitores dotados de espírito crítico, ele não passe de um Napoleão de hospício...

Eis a tábua dos 10 mandamentos ditados por Mino Carta para serem entregues à plebe ignara, que os deve aceitar sem o mais ínfimo questionamento, decorá-los e depois repeti-los com muita fé e devoção:
1º que os biógrafos estão todos errados e o Cesare não teria nascido e sido criado numa família comunista;
2º que, também na contramão de tudo que autores isentos já publicaram, ele teria sido um criminoso comum antes de politizar-se na prisão; 
3º que, nos anos de chumbo, a Itália teria continuado a ser um Estado democrático de Direito e não a democracia com áreas cinzentas a que se referiu com muita propriedade Tarso Genro (havia eleições, as instituições funcionavam, mas a Justiça e a polícia agiam como nas piores ditaduras, o que foi reconhecido até pelo grande Norberto Bobbio); 
4º que não teriam ocorrido arrependimentos arrancados sob torturas na Itália, sendo, portanto, mentirosos todos quantos denunciaram maus tratos, todos os que os documentaram e todas as entidades de defesa dos direitos humanos que cansaram de protestar contra as sevícias e as mortes delas decorrentes; 
5º que os jovens militantes de esquerda não teriam aderido à luta armada em razão do seu profundo desencanto com a traição histórica cometida pelo Partido Comunista Italiano ao se mancomunar com a reacionária, corrupta e mafiosa Democracia Cristã, mas sim por instigação da eterna vilã, a CIA (!!!); 
6º que Battisti não correria perigo se extraditado para a Itália, embora carcereiros tenham declarado à imprensa que ansiavam por matá-lo e um ministro de Estado haja afirmado quase a mesma coisa, babando de ódio; 
7º que os processos italianos dos anos de chumbo teriam sido "conduzidos por uma Justiça independente dentro de um conceito democrático inquestionável", embora as leis de exceção vigentes naquele melancólico período possibilitassem até que um suspeito permanecesse em prisão preventiva (sem haver sofrido condenação nenhuma, portanto) durante 10 anos e meio (!!!), tendo sido revogadas quando a Itália acordou de sua histeria antibrigadista; 
8º que os Proletários Armados pelo Comunismo assaltariam "para garantir seu sustento (!!!) e não para retaliar ultradireitistas culpados de atos violentos (nem nos delírios dos promotores italianos encontramos afirmação tão estapafúrdia, é a história reescrita ao sabor dos preconceitos!): 
9º que o relatório mais tendencioso jamais apresentado por um ministro em toda a história do STF, o de Cezar Peluso 100% contra Battisti, em 2009, teria sido um "impecável pronunciamento"; 
10º e que eu, apelidado de "setores da chamada esquerda nativa", teria encarado o "terrorismo como um movimento de resistência similar à luta armada em que alguns brasileiros se engajaram contra a ditadura" (o que nunca declarei, tendo apenas constatado que aqueles equivocados contestadores italianos, levados ao desespero pela traição histórica do PCI, sofreram uma repressão que, em tudo e por tudo, se assemelhou ao festival dos horrores dos DOI-Codi's e aos julgamentos farsescos que tinham lugar nas auditorias militares).
Já que o Mino não se deu sequer ao trabalho de tentar comprovar qualquer um destes disparates (tarefa impossível!), deixo aos leitores as conclusões. Que necessidade eu teria de repisar o que já é do conhecimento de todos os que procuram informar-se com autores isentos?

Encerro com a reedição de um artigo meu de abril de 2014, que considero muito relevante neste instante, por dizer tudo que se precisa saber sobre a autoridade moral que Mino Carta não tem para deitar falação sobre Cesare Battisti:

"ENQUANTO MALHÃES LANÇAVA CORPOS EM RIOS, 
MINO CARTA BATIA BUMBO PARA MÉDICI"

Em 1970 ele escrevia editoriais puxando o saco...
Quando Mino Carta fez de sua revista um house organ no pior sentido da palavra, infestando-a de textos panfletários e lobistas que secundavam a caça a Cesare Battisti deflagrada por Silvio Berlusconi, cansei de desafiá-lo para defender sua postura inquisitorial numa polêmica.

Adivinhava que se acovardaria, como sempre se acovardou. 

Já amarelara em 2004, quando uma repórter da Carta Capital me entrevistou sobre o 25º aniversário da Lei da Anistia e ele ordenou, na enésima hora, que fossem suprimidas todas as referências ao meu nome. 

Também naquela ocasião mandei uma veemente contestação da atitude despótica que, com a mesma prepotência dos censores da ditadura, ele tomou.

Em vão: não deixou que publicassem, nem respondeu. Estava ciente de que todo seu poder de nada valeria num confronto de textos, pois eu pulverizaria facilmente sua algaravia pomposa. 

A que se devia tal antipatia gratuita? É simples: ele odeia os contestadores de 1968. Sempre nos detestou. Como boa parte dos comunistas da velha guarda, naquele ano decisivo ele se posicionou, junto com os partidões da Itália e da França, do outro lado da barricada. Entre as forças da ordem e os jovens rebeldes, ficou com as primeiras.
...do ditador mais sanguinário de todos.

E contraiu ódio eterno pelos verdadeiros esquerdistas, que expuseram a cumplicidade dos PC's com a burguesia (o PC francês tudo fez para minar o apoio dos operários à revolução que já estava nas ruas, enquanto o italiano compartilhou o poder com ninguém menos que a Democracia Cristã, podre até a medula).

Então, mesmo sem ter identificação ou simpatia pelo Demétrio Magnoli, não posso deixar de aplaudir as estocadas certeiras que ele deu no Mino Carta, na Folha de S. Paulo.

Começa citando a ode ao golpe de 1964 que o próprio Mino fez publicar na Veja de 1º de abril de 1970 (ou seja, o editorial que ele assinava com suas iniciais, MC), ajudando os milicos a soprarem as seis velinhas:
"Propostos como solução natural para recompor a situação turbulenta do Brasil de João Goulart, os militares surgiram como o único antídoto de seguro efeito contra a subversão e a corrupção (...). 
Mas, assumido o poder, com a relutância de quem cultiva tradições e vocações legalistas, eles tiveram de admitir a sua condição de alternativa única. E, enquanto cuidavam de pôr a casa em ordem, tiveram de começar a preparar o país, a pátria amada, para sair da sua humilhante condição de subdesenvolvido. Perceberam que havia outras tarefas, além do combate à subversão e à corrupção —e pensaram no futuro"
Como polemista, Magnoli fez picadinho...
Hoje, muitos companheiros desavisados mostram deferência e respeito por esse sujeitinho que via os Ustras e Curiós como "único antídoto de seguro efeito contra a subversão e a corrupção" (exatamente a desculpa esfarrapada que utilizaram para a usurpação do poder), atribuía-lhes relutância em incidirem nas práticas hediondas (todos que passamos pelas câmaras de tortura podemos afiançar que, sádicos como eram, eles extraíam visível prazer do que faziam), louvava a preocupação deles com o futuro (qual, a de assegurarem a própria impunidade antes de serem enxotados?) e a firmeza com que botavam "a casa em ordem" (nela impondo a paz dos cemitérios!)

Espero que doravante passem a ser mais seletivos em suas devoções, não engolindo gato por lebre.

Enfim, está certíssimo o Magnoli ao jogar na cara do Mino o seguinte:
"Enquanto Paulo Malhães lançava corpos em rios, Mino Carta batia bumbo para Médici.
...do lobista do Berlusconi.
A censura não tem culpa: os censores proibiam certos textos, mas nunca obrigaram a escrever algo.  
Os proprietários da Abril não têm culpa (ou melhor, são culpados apenas pela seleção do diretor de Redação): segundo depoimento (nesse caso, insuspeito) de um antigo editor da revista e admirador do chefe, hoje convertido, como ele, ao lulismo, Carta dispunha de tal autonomia que os Civita só ficavam sabendo do conteúdo da Veja depois de completada a impressão".
Desta vez, mesmo que encontre uma insuspeitada e até agora inexistente coragem, de nada lhe adiantará. Não existe resposta nem justificativa possível.

domingo, 6 de abril de 2014

"ENQUANTO MALHÃES LANÇAVA CORPOS EM RIOS, MINO CARTA BATIA BUMBO PARA MÉDICI"

Quando Mino Carta fez de sua revista um house organ no pior sentido da palavra, infestando-a de textos panfletários e lobbistas que secundavam a caça a Cesare Battisti deflagrada por Silvio Berlusconi, cansei de desafiá-lo para defender sua postura inquisitorial numa polêmica.

Adivinhava que se acovardaria, como sempre se acovardou. 

Já amarelara em 2004, quando uma repórter da Carta Capital me entrevistou sobre o 25º aniversário da Lei da Anistia e ele ordenou, na enésima hora, que fossem suprimidas todas as referências ao meu nome. 

Também naquela ocasião mandei uma veemente contestação da atitude despótica que, com a mesma prepotência dos censores da ditadura, ele tomou.

Em vão: não deixou que publicassem, nem respondeu. Estava ciente de que todo seu poder de nada valeria num confronto de textos, pois eu pulverizaria facilmente sua algaravia pomposa. 

A que se devia tal antipatia gratuita? É simples: ele odeia os contestadores de 1968. Sempre nos detestou. Como boa parte dos comunistas da velha guarda, naquele ano decisivo ele se posicionou, junto com os partidões da Itália e da França, do outro lado da barricada. Entre as forças da ordem e os jovens rebeldes, ficou com as primeiras. 

E contraiu ódio eterno pelos verdadeiros esquerdistas, que expuseram a cumplicidade dos PC's com a burguesia (o PC francês tudo fez para minar o apoio dos operários à revolução que já estava nas ruas, enquanto o italiano compartilhou o poder com ninguém menos que a Democracia Cristã, podre até a medula).

Então, mesmo sem ter identificação ou simpatia pelo Demétrio Magnoli, não posso deixar de aplaudir as estocadas certeiras que ele deu no Mino Carta, na Folha de S. Paulo deste sábado (5).

Começa citando a ode ao golpe de 1964 que o próprio Mino fez publicar na Veja de 1º de abril de 1970 (ou seja, o editorial que ele assinava com suas iniciais, MC), ajudando os milicos a soprarem as seis velinhas:
"Propostos como solução natural para recompor a situação turbulenta do Brasil de João Goulart, os militares surgiram como o único antídoto de seguro efeito contra a subversão e a corrupção (...). Mas, assumido o poder, com a relutância de quem cultiva tradições e vocações legalistas, eles tiveram de admitir a sua condição de alternativa única. E, enquanto cuidavam de pôr a casa em ordem, tiveram de começar a preparar o país, a pátria amada, para sair da sua humilhante condição de subdesenvolvido. Perceberam que havia outras tarefas, além do combate à subversão e à corrupção --e pensaram no futuro"
Hoje, muitos companheiros desavisados mostram deferência e respeito por esse sujeitinho que via os Ustras e Curiós como "único antídoto de seguro efeito contra a subversão e a corrupção" (exatamente a desculpa esfarrapada que utilizaram para a usurpação do poder), atribuía-lhes relutância em incidirem nas práticas hediondas (todos que passamos pelas câmaras de tortura podemos afiançar que, sádicos como eram, eles extraíam visível prazer do que faziam), louvava a preocupação deles com o futuro (qual, a de assegurarem a própria impunidade antes de serem enxotados?) e a firmeza com que botavam "a casa em ordem" (nela impondo a paz dos cemitérios!).

Espero que doravante passem a ser mais seletivos em suas devoções, não engolindo gato por lebre.

Enfim, está certíssimo o Magnoli ao jogar na cara do Mino o seguinte:
"Enquanto Paulo Malhães lançava corpos em rios, Mino Carta batia bumbo para Médici. A censura não tem culpa: os censores proibiam certos textos, mas nunca obrigaram a escrever algo. Os proprietários da Abril não têm culpa (ou melhor, são culpados apenas pela seleção do diretor de Redação): segundo depoimento (nesse caso, insuspeito) de um antigo editor da revista e admirador do chefe, hoje convertido, como ele, ao lulismo, Carta dispunha de tal autonomia que os Civita só ficavam sabendo do conteúdo da Veja depois de completada a impressão".
Desta vez, mesmo que encontre uma insuspeitada e até agora inexistente coragem, de nada lhe adiantará. Não existe resposta nem justificativa possível.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

GASPARI REPETE AS FALÁCIAS DAS VIÚVAS DA DITADURA

De vez em quando o Elio Gaspari toma emprestado o chapéu do Reinaldo Azevedo ...
Elio Gaspari, napolitano radicado no Brasil há quase sete décadas, é um homem de esquerda que, em 1968 e anos seguintes, abominava os movimentos contestatórios que sacudiam o mundo. 

Assim como o genovês Mino Carta, mantinha-se devoto do comunismo desvirtuado e burocratizado que  se desmanchava no ar, esfarelando-se sob o impacto das duas grandes primaveras, a de Paris e a de Praga. Virou as costas à juventude mais combativa que o Brasil já produziu e está resmungando até hoje contra quem verdadeiramente lutou, enquanto seus camaradas se omitiam e até sabotavam a resistência heroica que uns poucos Davis opúnhamos à legião de Golias da ditadura militar.

Nunca esquecerei o desgosto que nos causava receber notícias de morte ou torturas de companheiros queridos, simultaneamente com relatos dos esforços mesquinhos da direção do PCB para convencer seus militantes a não nos apoiarem em nenhuma circunstância, a não nos darem abrigo, a dificultarem o acesso a jornalistas de esquerda que poderiam fornecer-nos informações vitais, a não nos disponibilizarem médicos nas emergências, etc.

Chegou até a fazer publicar no principal jornal do partido (Voz Operária, se bem me lembro) a calúnia de que o comandante Carlos Lamarca seria instrumento da CIA. Sentíamo-nos esfaqueados nas costas pelos velhos stalinistas --que, como os leopardos, não perdiam as pintas, hostilizando os adversários pertencentes ao seu próprio campo com virulência muito maior do que a dedicada aos inimigos de classe.

Do ponto de vista moral, nosso martírio significou, para os Minos e os Gasparis, uma fragorosa e contundente derrota, com a qual não se conformam até hoje.  Por mais que eles nos tentem diminuir, somos muito respeitados pelas novas gerações, como os filhos do Brasil que não fugiram à luta.

Eu acrescentaria: salvando a honra do nosso país como os resistentes franceses salvaram a da nação deles. Nem uns nem outros fomos realmente vitoriosos, mas Jean Moulin e seus valorosos companheiros evitaram que a França ficasse para sempre identificada com o colaboracionismo do Marechal Pétain; e nós, que o Brasil ficasse identificado com os especuladores favorecidos pelo  milagre  econômico, tão escandalosamente eufóricos com sua prosperidade repentina quanto indiferentes ao festival de horrores que transcorria sob seus narizes.

Uma dor de cotovelo que atravessou as décadas explica a rancorosa cruzada movida em passado recente pelo Mino contra o perseguido político Cesare Battisti, sem nunca haver tido a dignidade de reconhecer que sua motivação real eram as antigas desavenças entre o (por ele) tão estimado Partido Comunista Italiano e os agrupamentos mais à esquerda.
A perseguição desmedida a Battisti só serviu para desmoralizar Mino 

No fundo, Mino continua até hoje furibundo com os revolucionários que confrontavam verdadeiramente a burguesia, enquanto o PCI traía suas bandeiras históricas, firmando um compromisso podre com a Democracia Cristã e ajudando a salvar o capitalismo.

Battisti era, para ele, um símbolo daquele repúdio generalizado ao aburguesamento do PCI. Incapaz de autocrítica, Mino não admite até hoje que o fracasso e decadência do  partidão  de lá se deveram exatamente aos conluios com os inimigos de classe, não à atuação dos  autênticos  que acertadamente repudiavam tais conluios (mas, levados ao desespero, acabaram incorrendo em excessos nefastos como o assassinato de Aldo Moro).

Gaspari, por sua vez, continua (tanto tempo depois!) furibundo com os  autênticos  de cá, por não nos termos resignado à impotência enquanto o PCB tentava  civilizar  a ditadura. 

Longe demais das ruas e próximo demais dos gabinetes palacianos, o  partidão  brasileiro sonhava com os militares abdicando do poder em benefício de lideranças paisanas como o governador de São Paulo, Abreu Sodré.

Daí ter convencido Sodré a comparecer e até a discursar nas festividades do 1º de maio de 1968, quando acabou sendo escorraçado do palanque a pedradas pelos trabalhadores do ABC e Osasco, com o apoio do movimento estudantil.

O historiador  vacilão  não nos perdoa por termos atrapalhado os planos conciliatórios do PCB, na verdade quiméricos; naquele tempestuoso 1968, a  linha dura militar acabaria prevalecendo de qualquer maneira sobre a turma do deixa disso!, nem que tivesse de forjar outras farsas como os atentados terroristas do guru maluco Aladino Felix (por ela controlado -- vide aqui).

Vale lembrarmos, p. ex., que o principal pretexto para a imposição do AI-5 adveio de um discurso totalmente sem importância que Márcio Moreira Alves proferiu, apenas para constar nos anais, numa sessão da Câmara Federal transcorrida às moscas. Sua diatribe inócua passaria totalmente despercebida se um jornalista de direita não a tivesse divulgado. E foi pra lá de exagerado o empenho da ditadura em cassar seu mandato. Tudo não passou de uma crise fabricada, enfim. 

Mas Gaspari quer porque quer culpar-nos pela radicalização do regime, nem que tenha de fazer eco às mais imundas falácias das viúvas da ditadura. Os velhos rancores o desnorteiam.

O EPISÓDIO 'ALGOZ E VÍTIMA'
Gaspari teve de indenizar Dulce Maia por falsa acusação 

Foi assim que, em 2008, Gaspari assumiu as mágoas da vítima casual de um atentado contra o consulado estadunidense em São Paulo, ocorrido quatro décadas antes: Orlando Lovecchio Filho teve o azar de estar estacionando seu carro no Conjunto Nacional, em plena madrugada, quando explodiu um petardo lá deixado.  

Indignado com a reparação que a Comissão de Anistia acabava de conceder a um suposto partícipe do atentado, Gaspari escreveu um folhetim lacrimoso sobre a diferença entre o montante a ele outorgado e o valor (inferior) recebido por sua suposta vítima. 

A polêmica provocada por Gaspari terminou miseravelmente para ele (veja mais detalhes aqui):
  • ficou esclarecido que o dito algoz  (Diógenes Carvalho) não era algoz, pois acusado falsamente;
  • Dulce Maia, também inocente da acusação que Gaspari lhe fez, processou-o e obteve vitória exemplar na Justiça;
  • constatou-se que, além de errar a identidade de dois dos quatro autores do atentado, Gaspari também o imputara à organização errada (tinha sido uma ação da ALN, e não da VPR); e
  • o único dos quatro ainda vivo lembrou haver sido processado por Lovecchio, vencendo a batalha jurídica por ter provado documentalmente que a perna do dito cujo não fora amputada em função do ferimento em si, mas sim porque a repressão ditatorial interrompera seu tratamento de emergência para interrogá-lo, só o devolvendo aos médicos quando a gangrena se estabelecera irreversivelmente.
Gaspari tinha duas opções:
  • desqualificar resistentes que, em extrema inferioridade de forças, confrontavam uma ditadura atroz e, no caso específico, não pretenderam atingir ninguém, tanto que programaram o atentado para horário inóspito; ou
  • soltar os cachorros contra um regime que arrancava um cidadão gravemente ferido de uma UTI  por mera suspeita de que fossem um militante atingido pela própria bomba. 
Ter escolhido o primeiro alvo diz muito sobre seu caráter.

Pior: omitiu a informação jornalisticamente mais importante de todo o episódio, aquela que comprovava a negação de socorro por parte de agentes do Estado. A responsabilidade das autoridades é sempre maior que a de particulares.

AGORA, UM DESCALABRO HISTÓRICO
Foi deplorável contrapor à passeata dos 100 mil um episódio tão menor  

O tiro pela culatra de 2008 não lhe bastou como lição: neste domingo (30), Gaspari voltou à carga, recriminando o esquecimento de um episódio menor (talvez por já ter saturado a todos, de tanto que foi explorado pela rede de propaganda ultradireitista) e contrapondo-o a outro infinitamente maior:
"No dia 26 de junho de 1968 aconteceram duas coisas. Às 4h30, de madrugada, o soldado Mario Kozel Filho, de 18 anos, estava na guarita de sentinela do QG do 2º Exército, no parque do Ibirapuera, e viu uma caminhonete C-14 vindo em direção ao portão do quartel. Desgovernada, ela parou num muro. O soldado foi ver o que era, e a C-14, com 50 quilos de dinamite, explodiu e matou-o. Horas depois, numa bela tarde do Rio, a passeata [dos 100 mil] saiu pela avenida.
Seis meses depois o governo baixou o AI-5, ninguém foi para a rua, e o Brasil entrou no seu pior período ditatorial. Não foi a passeata que levou a isso. Ela era o fim de um ciclo. A bomba e o interesse do governo em subverter a precária ordem constitucional da época foram o início de outro.
...Festejando-se a memória da passeata, varreu-se para baixo do tapete a lembrança de um erro catastrófico. Passaram-se 45 anos e centenas de pessoas que participaram de atos terroristas se maquiaram como combatentes da causa democrática. Lutavam contra uma ditadura, em busca de outra, delas".
Esta ação, sim, foi da VPR. E no Congresso de Mongaguá, em abril/1969, a organização decidiu nunca mais reagir de forma tão pueril às provocações do inimigo (um comandante militar, em declarações à imprensa, qualificara os resistentes de  covardes, desafiando-os a irem enfrentá-lo  como homens  no seu quartel). 

Tais demonstrações de força foram, dali em diante, vetadas, tanto que a VPR se negou a fornecer a um grupo menor a dinamite por ele solicitada para mandar pelos ares a estátua do Duque de Caxias no Dia do Soldado de 1969.

A morte de Kozel constituiu-se mesmo num  erro catastrófico, até porque o recruta incidentalmente atingido não passava de um pobre coitado. Mas, nem de longe teve a importância que Gaspari lhe atribui, praticamente colocando-a no mesmo plano da maior e mais emblemática manifestação de protesto contra a ditadura dos generais.

Quando os cidadãos pegam em armas para confrontar tiranias, invariavelmente ocorrem incidentes deste tipo. A Resistência Francesa, p. ex., errou muito mais do que a brasileira, sem que a ninguém ocorra jogar-lhe isto na cara. Os franceses são gratos a quem correu riscos e se martirizou por eles.
Outro pretexto para o AI-5

Quanto à  presunção de que a ditadura  entrou no seu pior período  por causa de uns poucos atentados que passavam quase batidos quando as massas contestavam o arbítrio nas ruas, trata-se de uma falácia que Gaspari tomou emprestada das  viúvas da ditadura, sempre à procura de atenuantes para os massacres e atrocidades do regime militar.

A ordem, na verdade, foi inversa: a partir do  interesse do governo em subverter a precária ordem constitucional da época, foram pinçados, aqui e ali, pretextos para submeter o país ao totalitarismo absoluto. Tudo serviu: os atentados realmente cometidos pela esquerda, os que a própria ditadura forjou, o discurso incauto de Márcio Moreira Alves e a recusa do Congresso em entregar sua cabeça, uma reportagem de capa famosa da revista Veja denunciando as torturas, etc.

E, com o Brasil praticamente sob estado de sítio, só restou aos resistentes o caminho da luta armada, cujas fileiras, até então numericamente insignificantes, foram em muito ampliadas, recebendo centenas de militantes antes dedicados ao trabalho de massas. Consequentemente, o que era secundário, quase irrelevante, em 1968, passou para o primeiro plano em 1969.

Outra falácia que Gaspari tomou emprestada dos Ternumas da vida  é a de que os resistentes lutávamos por outra ditadura. Historiador relapso, ele  esquece  que havia de tudo entre nós, inclusive católicos indignados com os  pecados  da repressão e dignos defensores da legalidade constitucional, passando por um sem-número de tendências da esquerda. O único ponto em comum era o repúdio à ditadura. 

Nós, da VPR, acreditávamos que, no  day after, seria criado um parlamento com a participação de todos os agrupamentos que haviam combatido o regime militar, para a definição das politicas a serem adotadas. Tínhamos clara consciência de que, inexistindo uma força dominante, as decisões deveriam ser consensuais,  jamais impostas, para não haver o risco de cedermos a tentações autoritárias.

Finalmente, as perguntas que não querem calar:
  • por que Gaspari nos execra tanto por supostas e não concretizadas intenções, havendo uma infinidade de crimes efetivamente cometidos e provados, um número tão elevado de ações genocidas e hediondas da ditadura para ele deplorar?
  • por que Gaspari se escandalizou tanto com dois episódios infelizes que para nós representaram exceções, se as torturas foram sempre  regra  para a ditadura e as execuções de prisioneiros indefesos também viraram  regra, a partir de 1971? Uma ou outra situação que fugiu do controle deve ser mais recriminada do que massacres sistemáticos, levados a cabo como uma política de Estado?
Guiado por suas frustrações, Mino Carta fez patética figura durante o Caso Battisti; e Elio Gaspari se desmoraliza cada vez que lança suas catilinárias contra os resistentes que pegaram em armas, invariavelmente acabando por ecoar, como papagaio, a mais rançosa retórica da extrema-direita. 

Ambos deveriam procurar catarse no divã do analista, não no teclado.

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

QUEM SÃO OS MAIS CANALHAS DA IMPRENSA CANALHA?

No capítulo que Carlos Lungarza dedicou à mídia impressa em Os cenários ocultos do Caso Battisti --livro da Geração Editorial que será lançado nesta 5ª feira (6), a partir das 19 horas, na Livraria Cultura do Shopping Bourbon, no bairro paulistano da Pompéia--, merecem especial destaque suas críticas contundentes, mas justificadíssimas, aos três piores vilãos midiáticos durante a empreitada que ele apropriadamente qualificou de   inquisição tropical: o jornal Folha de S. Paulo e as revistas veja e Carta Capital.

Vale a pena reproduzir os principais trechos do Lungarzo, com alguns comentários meus no rodapé. Os intertítulos também são meus.

O JORNAL DA DITABRANDA E SEU LOBBISMO INÚTIL

A Folha de S.Paulo, um dos jornais favoritos das elites, foi grande propagandista da ditadura de 1964 e ativa colaboradora logística, emprestando seus caminhões aos comandos militares de tortura, que os usaram para deslocar cadáveres dos mortos em tormentos (1). 'Converteu-se' à democracia na década de 1980, quando a repressão já não produzia lucros (2). 

Atualmente, debocha dos defensores de direitos humanos e oferece suas páginas aos genocidas militares aposentados. O jornal insulta e usa palavras como  terrorista  para quem não é nem foi. Além disso, enfatiza todos os fatos negativos que encontra sobre o caso Battisti, mas omite os fatos positivos apresentados por fontes fidedignas.

Em 19 de janeiro de 2009, o jornal ofereceu seu melhor espaço ao magistrado italiano Armando Spataro, que contou uma versão dos fatos mais iníqua que a dos autos italianos.

A Folha.com (versão eletrônica do jornal) deu apoio 'implícito' aos vingadores, como Alberto Torregiani, o filho do ourives, cujas opiniões receberam ampla difusão (3), muitas das quais a seção latino-americana da Ansa teve o pudor de não publicar. Entre janeiro de 2009 e fevereiro de 2010, a Folha.com divulgou quinze das 'reflexões' do jovem Torregiani.

...O jornal cometeu alguns 'erros' de tradução. Durante uma fala da escritora Fred Vargas, na edição de 2 de fevereiro de 2009, a Folha On line traduziu a expressão 'militants de gauche' (militantes de esquerda), usada pela romancista, com um termo 'um pouco' diferente: terroristas. Já não se fazem tradutores como antigamente!

...A Folha, como outros órgãos fraternos, ficou furiosa quando, em 8 de junho de 2011, Battisti foi solto pelo STF. Mas o esforçado jornal não desprezou as novas chances de tumulto.

Uma delas foi uma reportagem humilhante de Battisti, que um repórter do jornal conseguiu flagrar aproveitando-se de seu parentesco com a pessoa que gentilmente hospedava o escritor (4).

Outra foi uma notícia inventada, segundo a qual o lançamento do último livro de Battisti, Ao pé do muro, que seria apresentado em São Paulo, havia sido cancelado  sine die  pelo próprio escritor.

A Folha impressa usou seus espaços mais caros e até duas matérias editoriais (5) para publicar compactos libelos contra o refúgio de Battisti, a favor de sua extradição e contra qualquer 'bastardo' que sugerisse que o linchado era inocente.

O FEDOR NAUSEABUNDO DA MARGINAL PINHEIROS

O semanário Veja, do grupo Abril, vende cerca de um milhão de exemplares às classes média e alta e veicula matérias com poucos dados e muito comentário. O magazine combate os movimentos sociais e étnicos, os grupos de direitos humanos, os apoiadores do ensino popular e outros similares.

Também estimula o linchamento em geral, ridiculariza as garantias jurídicas e ovaciona os grupos de extermínio da polícia. Alguns de seus colunistas têm traços psiquiatricamente disfuncionais, um fato que é infrequente na mídia escrita brasileira.

O magazine é especialista em 'surpresas', como notícias sobre corrupção e conspirações baseadas em dossiês não verificáveis. Uma amostra da laia de seu pessoal foi a tentativa de um jornalista de invadir o quarto de um ex-ministro num hotel. Chama a atenção sua extrema agressividade contra seus inimigos, usando termos injuriosos ou ridicularizando formas de comportamento, atividades profissionais, vida privada e até deficiências pessoais.

Um blogueiro da versão eletrônica da Veja, Augusto Nunes, edita a seção Sanatório Geral, onde 'interna' seus desafetos (6), como se as doenças mentais, caso existissem, fossem motivo de chacota. Em novembro de 2009, publicou sarcasmos contra a defesa de Battisti pelo senador Eduardo Suplicy, estimulando leitores anônimos que escreveram comentários irreproduzíveis. Um deles propôs atacar o parlamentar fisicamente quando andava pela rua.

PECADO CAPITAL DA CARTA: PERSEGUIR A ESQUERDA AUTÊNTICA

Carta Capital é um semanário com cerca de 90 mil exemplares que, desde 1994 até o começo do caso Battisti, foi elogiado por leitores jovens que “não eram de esquerda e não sabiam”.

Seu fundador foi o italiano Demétrio Carta, dito  Mino.

A Carta defende um estado nacionalista modernizante, gerido por uma espécie de aliança de classes com hegemonia empresarial, e antagoniza o imperialismo americano e os capitalistas ligados a ele. Parece ideologicamente afim com o ex-comunismo italiano (7) e apoia o PT no Brasil. Quem conhece o jornalismo latino-americano vai achar sua posição muito semelhante à do conhecido comunicador argentino Jacobo Timerman (1923-1999).

A Carta foi o segundo veículo mais empenhado numa intensa campanha contra Battisti. A revista despejou ataques sem pausa em todos os seus números durante vários meses. Eles iam contra os políticos que apoiavam o italiano, os advogados da defesa, os movimentos de solidariedade, os juristas progressistas, as organizações humanitárias e os escritores franceses, especialmente Fred Vargas. Além de rixas pessoais e desafetos ideológicos, os textos mostravam velhos rancores da Itália dos anos 1970, e até de conflitos europeus, como o tradicional desconforto dos italianos com os franceses.

Essa campanha foi marcada por exageros e críticas fora de contexto, mas também por alguns dados inventados. Várias matérias atribuíram a grupos afins aos PAC delitos de homicídio (p. ex., o do delator Guido Rossa), cujos autores, segundo os próprios italianos, eram das Brigadas Vermelhas. Alguns artigos escrutaram a vida pregressa e privada de Battisti em fatos alheios à política. O ímpeto foi tão forte que chegaram a criticar a obra literária de Fred Vargas.

O colunista mais qualificado, Walter F. Maierovitch, disse que, sendo Fred Vargas uma romancista, o que se poderia esperar dela eram dados romanceados, desprezando o fato de que ela é premiada pesquisadora em história e arqueologia.

Maierovitch é o mais inteligente desse grupo, como demonstrou, em 14 de outubro de 2011, ao declarar, com visível amargura, que a provocação do procurador federal em Brasília, Hélio Heringer, pedindo a anulação do visto de Battisti e sua deportação a um terceiro país, era 'lamentavelmente' inviável.
  1. E, principalmente, para vigiar locais e emboscar resistentes, já que, percebendo a presença de viaturas policiais, eles teriam mais tempo para reagir e tentar escapar.
  2. A "conversão" se deu, na verdade, em meados da década de 1970, quando Golbery do Couto e Silva, o estrategista do (prestes a ser empossado) ditador Ernesto Geisel encontrou no aeroporto o sócio principal do Grupo Folha, Otávio Frias de Oliveira, aproveitando para antecipar-lhe que haveria uma distensão política e convinha ao jornal adotar uma postura mais ousada, não deixando que o concorrente O Estado de S. Paulo,  opositor ferrenho da ditadura a partir da promulgação do AI-5, surfasse sozinho na nova onda.
  3. Eu denunciei a parcialidade e as mentiras de Torregiani neste artigo, além de escrever à própria agência Ansa e aos veículos da nossa imprensa que estavam acolhendo tais falácias. Ninguém respondeu e outras matérias similares seriam publicadas adiante.
  4. Episódio no qual consegui uma rara admissão de culpa por parte do jornal da  ditabranda, conforme relato neste artigo.
  5. Um desses editoriais foi publicado no próprio dia do início do julgamento do pedido de extradição italiano por parte do STF e tinha clara intenção de intimidar os ministros. Mas, neste caso, o lobbismo só funcionou em parte, tangendo as primeiras decisões do Supremo mas não impedindo que, no final, o castelo de cartas desabasse.
  6. Trata-se de um plágio descarado do cemitério dos mortos-vivos do  cabôco Mamadô, para o qual o cartunista Henfil despachava os reaças nos saudosos tempos d'O Pasquim. Quanto ao Augusto Nunes, que presidia o centro acadêmico da ECA/USP quando nela ingressei (1972), é um Carlos Lacerda em miniatura: começou na esquerda e  endireitou  cada vez mais, vestindo a camisa dos seus empregadores, como o clã Mesquita do vetusto  Estadão. Mas, havendo oferta excessiva na praça de escribas dispostos a lamberem os sapatos dos burgueses, sua carreira foi declinando até chegar ao fundo do poço: blogueiro da veja
  7. É uma revista que não leva o nome do dono por acaso: Mino Carta erige suas paixões e idiossincrasias em linha editorial. Sendo admirador fervoroso do antigo Partido Comunista Italiano, é, coerentemente, inimigo furibundo dos agrupamentos mais à esquerda e dos veteranos da luta armada nos dois continentes. Mas, seus defeitos vão além da megalomania e espírito revanchista: insincero, nunca admitiu para seus leitores o real motivo de sua perseguição inquisitorial a Cesare Battisti, qual seja o de ser o escritor um remanescente das batalhas que a esquerda autêntica italiana travou contra o aburguesamento do PCI; intolerante, retirou-se do próprio blogue por não suportar as contestações dos internautas; e pusilâmine, várias vezes fingiu ignorar os desafios que o Rui Martins e eu lhe lançamos, para debater com um de nós o Caso Battisti (chegou a trombetear triunfalmente que o Zé Dirceu esquivara-se de um confronto com ele, mas emudeceu quando ofereci-me para substituir o Zé, disposto a duelar nas mesmíssimas condições).