Fui ativista estudantil (1967/68). Militante clandestino (1969/70). Preso político (1970/71). Tenho travado o bom combate, lutando por um Brasil mais justo, defendendo os direitos humanos, combatendo o autoritarismo.

Sou jornalista desde 1972. Crítico de música e de cinema. Cronista. Poeta. Escritor. Blogueiro.

Tentei e não consegui eleger-me vereador em São Paulo. Mas, orgulho-me de ter feito uma campanha fiel aos objetivos nortearam toda a minha vida adulta: a construção de uma sociedade igualitária e livre, tendo como prioridades máximas o bem comum e a felicidade dos seres humanos.

Em que a exploração do homem pelo homem seja substituída pela cooperação solidária do homem com os outros homens. Em que sejam finalmente concretizados os ideais mais generosos e nobres que a humanidade vem acalentando através dos tempos: justiça social e liberdade.

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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A IGREJA UNIVERSAL ESTÁ ESTENDENDO SEUS TENTÁCULOS PARA O ESPORTE. VAMOS PERMITIR?

Seus padrões éticos não estavam à altura...  do PFL! Mas, ele serve para o Ministério de Dilma.
Como considero um desperdício de tempo acompanhar o noticiário policial, não conhecia os antecedentes do pastor George Hilton, o novo ministro dos Esportes. Então, o relato do jornalista Bernardo Mello Franco, na edição dominical da Folha de S. Paulo (vide íntegra aqui), veio bem a calhar:
"No primeiro mandato de Dilma, o ministério se notabilizou por repassar dinheiro público a ONGs ligadas ao PC do B. No segundo, pertencerá ao PRB, sigla controlada pela Igreja Universal. Antes de nomear sua nova equipe, a presidente disse que consultaria o Ministério Público para prevenir escândalos. Bastaria ter usado o Google para evitar a instalação de uma bomba-relógio no governo às vésperas da Rio-2016.
A Polícia Federal já flagrou Hilton em um aeroporto com 11 caixas de dinheiro vivo, somando R$ 600 mil. O episódio provocou sua expulsão do antigo PFL, que não se notabilizava pelo rigor ético com os filiados.
Como estas pessoas avaliariam o novo ministro?
Ao transmitir o cargo, o comunista Aldo Rebelo recebeu o pastor com uma citação bíblica. Entre todos os textos sagrados, escolheu uma parábola sobre a multiplicação das moedas. 'Creio que Vossa Excelência entregará 10 moedas a partir das 5 que está recebendo', disse.
...Para quem já conseguiu ser expulso do PFL e vaiado na posse da nova chefe, o céu é o limite".
O veterano Jânio de Freitas (vide íntegra aqui) completou o quadro, acrescentando um detalhe importantíssimo, o de que não se trata de uma iniciativa isolada, mas sim de uma escalada da Igreja Universal para fazer do esporte brasileiro seu novo feudo
"Se o pastor George Hilton não foi parar no Ministério dos Esportes por habilitação para o cargo, muito menos o foi por acaso ou descuido. Em Minas, o governador Fernando Pimentel entregou a Secretaria de Esportes a um pastor. Geraldo Alckmin nomeou um pastor para sua Secretaria de Esportes.
Os três são pastores da igreja Universal. São partes de uma nova extensão do plano político-religioso comandado pelo bispo Macedo, que reformula e amplia os seus objetivos no Brasil.
Só na aparência o Estado do Rio ficou fora dos domínios da Universal. A Secretaria de Esportes do governo Pezão foi dada a um jovem filho de Sérgio Cabral, o que significa entendimento com a igreja de Macedo".
O novo homem forte do esporte brasileiro. Cruz, credo!
MAIORES CULPADOS PELO MINEIRAZO
O GOVERNO E A REDE GLOBO!

É repulsiva a atitude dos governos que compram o apoio de bancadas fisiológicas distribuindo cargos e/ou propinas. E aberrante a incidência na mesma prática por parte do PT, partido que passou a vida inteira prometendo moralizar a política brasileira.

Então, não me omitirei quando o esporte brasileiro corre o risco de passar por outros vexames terríveis, em função de estar agora sendo entregue à sanha predatória dos mercadores da fé.

Afirmo que os principais culpados pela pior catástrofe do futebol brasileiro em todos os tempos foram o governo federal e a Rede Globo. Com forte possibilidade de repetirmos o papelão nas Olimpíadas de 2016 e nas eliminatórias do Mundial de 2018.

Por que? Simplesmente porque era só o que se poderia esperar de um José Maria Marin à frente da CBF. E, como os clubes brasileiros só não vão à falência graças à magnanimidade da viúva e à grana da TV, muitas maneiras havia para enxotá-lo antes que causasse tantos danos ou, pelo menos, impor-lhe a convocação dos melhores profissionais para a comissão técnica da Seleção Brasileira, ao invés das mais reluzentes relíquias do passado. O que não houve foi vontade política, ou interesse.

O sargentão que nos levou à derrota anunciada de 2014...
Além de medíocre até a medula e flagrantemente anacrônico, Marin tinha contra si um currículo horroroso, de lambe-coturnos dos ditadores: como deputado federal, discursou elogiando o tocaieiro de Marighella, o monstruoso delegado Sérgio Paranhos Fleury, além de haver pedido providências contra a infiltração comunista na TV Cultura (tais providências, como se sabe, redundariam no assassinato de Vladimir Herzog).

O omisso Aldo Rebelo, o estranho no ninho anterior, nem sequer preservou a presidenta Dilma Rousseff da saia justa de aparecer em solenidades e fotos ao lado de tão desmoralizada figura, o notório Zé da Medalha.

O que se poderia esperar de Marin, se não a entrega da Seleção a um técnico que, por não ter acompanhado a evolução tática do futebol mundial, vinha de uma década de retumbantes fracassos? A era dos sargentões ficara para trás, o novo perfil dos treinadores os aproximava mais dos enxadristas, conforme alertei já em dezembro de 2012 (vide aqui):
"Luiz Felipe Scolari, o mais conspícuo representante da velha e rústica escola cujo prazo de validade expirou com a revolução catalã, é unanimidade negativa entre os boleiros dos grandes clubes..."
E, em julho de 2013, quando a conquista da irrelevante Copa das Confederações iludia os torcedores brasileiros e intimidava comentaristas esportivos sem brios para marcharem contra a corrente --preferiram amenizar suas críticas e fazerem média com a galera, confortavelmente instalados em cima do muro--, eu cantei a bola (vide íntegra aqui):
...e o que nos conduzirá à próxima derrota anunciada.
"...Felipão, no Palmeiras, passava vexame após vexame quando enfrentava times treinados por técnicos mais atualizados... Na Copa do Mundo, a falta de um estrategista no banco tende a ser fatal".  
Depois, em outubro de 2013, cometi o erro de, mesmo prevendo a derrota anunciada, acreditar que nosso pobre escrete chegasse pelo menos à final (vide aqui):
"...o futebol atual depende --e muito!-- da inteligência com que o treinador dispõe as suas peças em campo, visando maximizar o aproveitamento da contribuição que os valores individuais tenham a oferecer para o desempenho coletivo. A estratégia hoje ganha jogos e ganha copas. Então, ficarmos entregues a quem é nulo como estrategista (Felipão) e a quem apenas sabe copiar as estratégias alheias (Carlos Alberto Parreira) nos encaminha diretamente para um novo maracanazo...".
mineirazo da semifinal de 2014 acabaria sendo infinitamente pior que o maracanazo da final de 1950. E agora, com vendilhões comandando o templo e outro técnico jurássico no banco, o Brasil poderá inclusive deixar de ser o único país participante de todos os Mundiais da Fifa. 

Há tempo de sobra para evitar-se o pior, desde que Dilma Rousseff passe a respeitar a paixão dos brasileiros pelo esporte, ao invés de encarar o Ministério respectivo como moeda de troca de segunda categoria no balcão de negócios da Praça dos Três Poderes. 

Delenda est George Hilton!!! (*)

*  Utilizo a exortação célebre de Catão, o Antigo no sentido figurado, claro. Não pretendo que George Hilton seja destruído mas, tão somente, destituído. Ele, Kátia Abreu, Gilberto Kassab e Joaquim Levy acrescentariam muito ao ministério com suas ausências...

POSTS RECENTES DO BLOGUE NÁUFRAGO DA UTOPIA (clique p/ abrir):
O MELHOR DO NÁUFRAGO: O WESTERN ITALIANO, QUE FLERTAVA COM A REVOLUÇÃO...
SUPLICY: UM GULLIVER EM MEIO AOS LILIPUTIANOS POLÍTICOS E MORAIS...

domingo, 12 de agosto de 2012

OUTRO MOTIVO DO MEU INGRESSO NA 'POLÍTICA OFICIAL'

Eis algo que escrevi, há cinco semanas, no artigo Mamet, a perspicácia e a 'gansa' dos ovos de ouro (íntegra aqui):
"...quando o médico do Santos reconheceu que a volta precipitada de Paulo Henrique Ganso aos gramados poderia ter prejudicado sua recuperação de uma cirurgia, saltava aos olhos que havia algo de errado. Soltar uma informação destas à imprensa poderia até custar seu emprego. Por que o fez?
Só havia uma explicação plausível: Ganso retornou cedo demais por decisão de quem não tinha o direito de decidir. Ou seja, alguém assumiu o risco de prejudicá-lo por considerar mais importante ganhar do Corinthians na Copa Libertadores.
Deu no que deu. O atleta, visivelmente sem condições de jogo, teve atuação apagadíssima. E o Santos ficou sem a a vaga na final. Perda total.
O doutor, certamente, temia ser responsabilizado caso Ganso não tivesse condições físicas para atender à convocação olímpica, então quis deixar bem claro:  a culpa não foi minha..."
A suíte está neste texto do pós-derrota olímpica do UOL:
"Submetido a uma artroscopia no joelho no final de maio, Paulo Henrique Ganso viajou a Londres abaixo da sua melhor condição física. Atuou no segundo tempo das duas primeiras partidas e, quando poderia ser titular contra a Nova Zelândia, acabou vetado por dores musculares. Não foi cortado pelo departamento médico e ficou no banco nas quartas, semi e final, porém sem ser utilizado por Mano Menezes. Acabou liberado para voltar ao Brasil neste sábado e está fora do amistoso de quarta-feira com a Suécia."
Este é um bom exemplo de como a experiência jornalística nos capacita a escutar o que não foi dito, a ler o que não foi escrito. A verdade dificilmente está explicitada no texto, então, se a quisermos apreender, temos de garimpá-la no subtexto, nas entrelinhas.

Não tenho bola de cristal nem dons premonitórios, mas minha taxa de acerto em prognósticos supera a de quase todos os videntes.O que costuma me angariar mais antipatia do que qualquer outra coisa.

É que as pessoas costumeiramente preferem ler/escutar aquilo que vem ao encontro dos seus desejos, não análises realistas que os contrariem. Mantêm até hoje uma  relação mágica  com a palavra escrita.

Então, amaldiçoam quem lhes antecipar aquilo que salta aos olhos, como o fato de que os principais acusados do  mensalão  já estavam condenados antes do julgamento começar ou o de que o poltrão Manuel Zelaya não tinha  cojones  para conduzir à vitória  a luta (justa) contra o golpe em Honduras

Outro texto marcante foi o que escrevi há exatos quatro anos (!), Um violeiro só não faz verão (íntegra aqui). Naquele momento eu já tinha certeza absoluta de que, sem revogar-se a anistia de 1979 --para o que precisaríamos do apoio do Governo Lula--, os torturadores da ditadura morreriam de velhos sem sofrerem nenhuma punição efetiva: 
"...[há uma] evidente relutância do presidente Lula em respaldar a iniciativa do ministro Tarso Genro [no sentido de que fossem apurados os crimes cometidos pelos torturadores]. Era óbvio que ele preferiria apaziguar os militares, como acabou fazendo.

É igualmente óbvio que, sem o apoio do Executivo, jamais conseguiremos encarcerar os torturadores. Então, só nos restarão as ações declaratórias, de efeito puramente moral".
O que eu pretendia, evidentemente, não era ser ave de mau agouro, mas sim estimular a adoção de uma linha de ação alternativa, que não desembocasse na derrota por mim prevista --e hoje consumada. A esquerda preferiu outros caminhos, eu não tinha poder para sozinho alterar o rumo dos acontecimentos, então ter feito muito antes a avaliação correta só me trouxe sentimento de impotência.

Meu consolo é o de que, pelo menos no Caso Battisti, minhas previsões serviram de algo, principalmente no sentido de desestimular a adoção de estratégias e táticas desastradas.

E um dos motivos para eu entrar na  política oficial  é tentar adquirir poder para eu mesmo tornar mais úteis meus prognósticos acertados.

Foi a mesmíssima atitude que tomei ao criar o blogue Náufrago da Utopia, em 08/08/2008.

Até então contentava-me a espalhar na web meus textos, que eram publicados em várias tribunas da esquerda. Quando, contudo, algumas dessas tribunas se fecharam para mim como consequência do velho monolitismo stalinista, decidir investir no meu próprio espaço, para nunca mais depender de quem pudesse, a qualquer momento, tentar me censurar.