Fui ativista estudantil (1967/68). Militante clandestino (1969/70). Preso político (1970/71). Tenho travado o bom combate, lutando por um Brasil mais justo, defendendo os direitos humanos, combatendo o autoritarismo.

Sou jornalista desde 1972. Crítico de música e de cinema. Cronista. Poeta. Escritor. Blogueiro.

Tentei e não consegui eleger-me vereador em São Paulo. Mas, orgulho-me de ter feito uma campanha fiel aos objetivos nortearam toda a minha vida adulta: a construção de uma sociedade igualitária e livre, tendo como prioridades máximas o bem comum e a felicidade dos seres humanos.

Em que a exploração do homem pelo homem seja substituída pela cooperação solidária do homem com os outros homens. Em que sejam finalmente concretizados os ideais mais generosos e nobres que a humanidade vem acalentando através dos tempos: justiça social e liberdade.

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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A IGREJA UNIVERSAL ESTÁ ESTENDENDO SEUS TENTÁCULOS PARA O ESPORTE. VAMOS PERMITIR?

Seus padrões éticos não estavam à altura...  do PFL! Mas, ele serve para o Ministério de Dilma.
Como considero um desperdício de tempo acompanhar o noticiário policial, não conhecia os antecedentes do pastor George Hilton, o novo ministro dos Esportes. Então, o relato do jornalista Bernardo Mello Franco, na edição dominical da Folha de S. Paulo (vide íntegra aqui), veio bem a calhar:
"No primeiro mandato de Dilma, o ministério se notabilizou por repassar dinheiro público a ONGs ligadas ao PC do B. No segundo, pertencerá ao PRB, sigla controlada pela Igreja Universal. Antes de nomear sua nova equipe, a presidente disse que consultaria o Ministério Público para prevenir escândalos. Bastaria ter usado o Google para evitar a instalação de uma bomba-relógio no governo às vésperas da Rio-2016.
A Polícia Federal já flagrou Hilton em um aeroporto com 11 caixas de dinheiro vivo, somando R$ 600 mil. O episódio provocou sua expulsão do antigo PFL, que não se notabilizava pelo rigor ético com os filiados.
Como estas pessoas avaliariam o novo ministro?
Ao transmitir o cargo, o comunista Aldo Rebelo recebeu o pastor com uma citação bíblica. Entre todos os textos sagrados, escolheu uma parábola sobre a multiplicação das moedas. 'Creio que Vossa Excelência entregará 10 moedas a partir das 5 que está recebendo', disse.
...Para quem já conseguiu ser expulso do PFL e vaiado na posse da nova chefe, o céu é o limite".
O veterano Jânio de Freitas (vide íntegra aqui) completou o quadro, acrescentando um detalhe importantíssimo, o de que não se trata de uma iniciativa isolada, mas sim de uma escalada da Igreja Universal para fazer do esporte brasileiro seu novo feudo
"Se o pastor George Hilton não foi parar no Ministério dos Esportes por habilitação para o cargo, muito menos o foi por acaso ou descuido. Em Minas, o governador Fernando Pimentel entregou a Secretaria de Esportes a um pastor. Geraldo Alckmin nomeou um pastor para sua Secretaria de Esportes.
Os três são pastores da igreja Universal. São partes de uma nova extensão do plano político-religioso comandado pelo bispo Macedo, que reformula e amplia os seus objetivos no Brasil.
Só na aparência o Estado do Rio ficou fora dos domínios da Universal. A Secretaria de Esportes do governo Pezão foi dada a um jovem filho de Sérgio Cabral, o que significa entendimento com a igreja de Macedo".
O novo homem forte do esporte brasileiro. Cruz, credo!
MAIORES CULPADOS PELO MINEIRAZO
O GOVERNO E A REDE GLOBO!

É repulsiva a atitude dos governos que compram o apoio de bancadas fisiológicas distribuindo cargos e/ou propinas. E aberrante a incidência na mesma prática por parte do PT, partido que passou a vida inteira prometendo moralizar a política brasileira.

Então, não me omitirei quando o esporte brasileiro corre o risco de passar por outros vexames terríveis, em função de estar agora sendo entregue à sanha predatória dos mercadores da fé.

Afirmo que os principais culpados pela pior catástrofe do futebol brasileiro em todos os tempos foram o governo federal e a Rede Globo. Com forte possibilidade de repetirmos o papelão nas Olimpíadas de 2016 e nas eliminatórias do Mundial de 2018.

Por que? Simplesmente porque era só o que se poderia esperar de um José Maria Marin à frente da CBF. E, como os clubes brasileiros só não vão à falência graças à magnanimidade da viúva e à grana da TV, muitas maneiras havia para enxotá-lo antes que causasse tantos danos ou, pelo menos, impor-lhe a convocação dos melhores profissionais para a comissão técnica da Seleção Brasileira, ao invés das mais reluzentes relíquias do passado. O que não houve foi vontade política, ou interesse.

O sargentão que nos levou à derrota anunciada de 2014...
Além de medíocre até a medula e flagrantemente anacrônico, Marin tinha contra si um currículo horroroso, de lambe-coturnos dos ditadores: como deputado federal, discursou elogiando o tocaieiro de Marighella, o monstruoso delegado Sérgio Paranhos Fleury, além de haver pedido providências contra a infiltração comunista na TV Cultura (tais providências, como se sabe, redundariam no assassinato de Vladimir Herzog).

O omisso Aldo Rebelo, o estranho no ninho anterior, nem sequer preservou a presidenta Dilma Rousseff da saia justa de aparecer em solenidades e fotos ao lado de tão desmoralizada figura, o notório Zé da Medalha.

O que se poderia esperar de Marin, se não a entrega da Seleção a um técnico que, por não ter acompanhado a evolução tática do futebol mundial, vinha de uma década de retumbantes fracassos? A era dos sargentões ficara para trás, o novo perfil dos treinadores os aproximava mais dos enxadristas, conforme alertei já em dezembro de 2012 (vide aqui):
"Luiz Felipe Scolari, o mais conspícuo representante da velha e rústica escola cujo prazo de validade expirou com a revolução catalã, é unanimidade negativa entre os boleiros dos grandes clubes..."
E, em julho de 2013, quando a conquista da irrelevante Copa das Confederações iludia os torcedores brasileiros e intimidava comentaristas esportivos sem brios para marcharem contra a corrente --preferiram amenizar suas críticas e fazerem média com a galera, confortavelmente instalados em cima do muro--, eu cantei a bola (vide íntegra aqui):
...e o que nos conduzirá à próxima derrota anunciada.
"...Felipão, no Palmeiras, passava vexame após vexame quando enfrentava times treinados por técnicos mais atualizados... Na Copa do Mundo, a falta de um estrategista no banco tende a ser fatal".  
Depois, em outubro de 2013, cometi o erro de, mesmo prevendo a derrota anunciada, acreditar que nosso pobre escrete chegasse pelo menos à final (vide aqui):
"...o futebol atual depende --e muito!-- da inteligência com que o treinador dispõe as suas peças em campo, visando maximizar o aproveitamento da contribuição que os valores individuais tenham a oferecer para o desempenho coletivo. A estratégia hoje ganha jogos e ganha copas. Então, ficarmos entregues a quem é nulo como estrategista (Felipão) e a quem apenas sabe copiar as estratégias alheias (Carlos Alberto Parreira) nos encaminha diretamente para um novo maracanazo...".
mineirazo da semifinal de 2014 acabaria sendo infinitamente pior que o maracanazo da final de 1950. E agora, com vendilhões comandando o templo e outro técnico jurássico no banco, o Brasil poderá inclusive deixar de ser o único país participante de todos os Mundiais da Fifa. 

Há tempo de sobra para evitar-se o pior, desde que Dilma Rousseff passe a respeitar a paixão dos brasileiros pelo esporte, ao invés de encarar o Ministério respectivo como moeda de troca de segunda categoria no balcão de negócios da Praça dos Três Poderes. 

Delenda est George Hilton!!! (*)

*  Utilizo a exortação célebre de Catão, o Antigo no sentido figurado, claro. Não pretendo que George Hilton seja destruído mas, tão somente, destituído. Ele, Kátia Abreu, Gilberto Kassab e Joaquim Levy acrescentariam muito ao ministério com suas ausências...

POSTS RECENTES DO BLOGUE NÁUFRAGO DA UTOPIA (clique p/ abrir):
O MELHOR DO NÁUFRAGO: O WESTERN ITALIANO, QUE FLERTAVA COM A REVOLUÇÃO...
SUPLICY: UM GULLIVER EM MEIO AOS LILIPUTIANOS POLÍTICOS E MORAIS...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

ELEITORADO QUERIA O NOVO. TEVE DE SE CONTENTAR COM O MENOS VELHO

Na eleição para prefeito de São Paulo havia duas certezas:
  • a chegada de José Serra no 2º turno;
  • sua derrota final.
Os sucessivos e cada vez mais insatisfatórios mandatos dos tucanos e seus aliados, no Estado e na cidade de São Paulo, saturaram o eleitorado. Com enorme rejeição, Serra jamais conseguiria remar contra esta maré. Seu eleitorado cativo só lhe permitiria levar a disputa para a prorrogação, tornando-se, a partir daí, presa fácil para o adversário.

Mais: os eleitores ansiavam pelo  novo.

Muito se falará sobre o talento que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem para eleger postes, mas a sorte desempenhou papel importante.

O espaço da novidade foi imediatamente ocupado por Celso Russomanno, beneficiando-se do prestígio televisivo e do apoio da Igreja Universal.

Sua arrancada fulminante impediu que um  novo  mais consistente (e menos identificado com a velha podridão) se afirmasse.

Nas duas semanas que antecederam o 1º turno, a propaganda do PT desconstruiu Russomanno, explorando episódios do seu passado e plantando na cabeça do eleitor a idéia de que ele iria encarecer o transporte coletivo. Não era bem isto, mas só candidato tolo faz propostas complicadas, que podem ser voltadas contra si, tendo pouco tempo no horário eleitoral para as explicar.

O esvaziamento do balão Russomanno, em cima da hora, não deu aos eleitores oportunidade para se direcionarem a outro  novo. O caminho ficou aberto para  o triunfo de Fernando Haddad.

A esquerda consequente fez campanha pelo voto nulo no 2º turno e tem um resultado apreciável para exibir: 500.578 votos (7,26%).

Somados aos votos em branco (299.224, 4,34%) e à abstenção (1.722.880, 19,99%), são quase três eleitores em cada dez (29,2%) que não viram motivos para votar nem em Haddad (3.387.720, 39,3%), nem em Serra (2.708.768, 31,4%).

Lembrem-se: estamos num país em que  O VOTO NÃO É FACULTATIVO (!), TENDO-SE MANTIDO, MESMO DEPOIS DA REDEMOCRATIZAÇÃO, SEU AUTORITÁRIO CARÁTER COMPULSÓRIO (!!) ATÉ A AVANÇADA IDADE DE 70 ANOS (!!!). Então, tais números evidenciam um enorme desânimo e insatisfação com as opções predominantes.

E que predominam exatamente porque o jogo é de cartas marcadas: os maiores partidos usam e abusam do poder econômico, além de praticamente monopolizarem o horário gratuíto.

De quebra, dão um jeito de fazer com que sejam cancelados os debates televisivos QUANDO TEMEM UMA ALTERAÇÃO DO QUADRO ELEITORAL. Foi o que a TV Record fez nos dois turnos e a Globo no 1º turno.

Ou seja, o sistema aprendeu como evitar que uma nova Luíza Erundina conquiste um governo importante, o que é fundamental para o deslanche de um pequeno partido.

Se já tivesse tal expertise em 1988, o PT levaria muito mais tempo para crescer e talvez não estivesse hoje, paradoxalmente, em condições de barrar os herdeiros dos seus ideais de outrora, como acaba de fazer na cidade do Rio de Janeiro, onde sua opção política foi, simplesmente, IMORAL.

sábado, 29 de setembro de 2012

QUEM CHOCOU O OVO DA SERPENTE?

O trabalho de conclusão de curso da minha esposa foi sobre a Igreja Universal.

As informações que ela coletou e algumas que nâo pôde utilizar por motivos vários --principalmente para evitar retaliações contra suas fontes, pois se trata de gente perigosa-- me chocaram. Ofereci-o até, como livro, a duas editoras católicas, que não quiseram comprar a briga.

Também me incomoda que as evidências gritantes de crimes, contidas nas denúncias de promotores e numa série de reportagens irrefutáveis que O Estado de S. Paulo publicou em meados da década retrasada, não tenham desembocado em condenações e em medidas efetivas para proteger as vítimas --as que são privadas até do último centavo e as que perdem a saúde ou a vida por acreditarem em orientação médica de quem não é médico.

Pude, ainda, constatar que Edir Macedo é muito eficiente naquilo a que se propôs, o que o torna personagem das mais temíveis ao estender seus tentáculos para a política.

Então, fiquei estarrecido e indignado ao ler a notícia abaixo da Folha de S. Paulo, confirmando que, independentemente do  efeito Russomanno, o PT continuará favorecendo o crescimento do  partido da Igreja Universal, cuja criação foi estimulada pelo Lula.


É o que nunca me passou pela garganta no caso do ex-presidente: ele raciocina unicamente em função de conveniências políticas imediatas e menores. Quer que o PT vença eleições, pouco ligando para o fato de que um partideco reacionário por ele estimulado poderá um dia se tornar um partidão de características nazistóides e com influência extremamente nefasta na política brasileira.

Muitos colocam Lula nas alturas porque conduziu o PT à Presidência da República e colocou algumas migalhas a mais na mesa dos pobres.

Omitem, no entanto, que seu pragmatismo tosco levou à desideologização e descaracterização do PT, privando o Brasil de um partido revolucionário que poderia torná-lo um país igualitário, ao invés de um dos mais desiguais do planeta; e um país que oferecesse qualidade de vida ao seu povo, ao invés do que ostenta Índice de Desenvolvimento Humano tão ínfimo.

Governando numa conjuntura internacional extremamente favorável ao Brasil, Lula fez bem menos do que poderia, pois cumpriu religiosamente o pacto firmado com o grande capital em 2002, no sentido de manter as linhas mestras da política econômica neoliberal de FHC.

Está na hora de tomarmos dos capitalistas para distribuirmos ao povo, ao invés de apenas distribuirmos ao povo a merreca de que os capitalistas admitam abrir mão.

Delfim Netto, outro que Lula jamais deveria aceitar como companheiro de jornada, dizia, no tempo da ditadura, que era preciso esperarmos pacientemente o bolo crescer, para que depois pudesse ser dividido. 

Já cresceu, mas continuamos vendo a divisão por um binóculo. Enquanto permanecermos de braços cruzados, esperando a boa vontade dos que usurpam os frutos do trabalho alheio, não passaremos de pobres coitados.

Revolucionário existe para tornar o povo o sujeito da História. A diferença é enorme com os que querem mantê-lo na eterna dependência de homens providenciais, votando no partido que lhe oferece um tiquinho a mais do que as outras forças políticas, ao invés de exigir tudo a que tem direito.

Eis o esclarecedor texto do repórter Bernardo Mello Franco:


O PT pretende poupar a Igreja Universal de ataques caso Fernando Haddad passe ao segundo turno contra o líder Celso Russomanno (PRB), cujo partido é controlado pela denominação.

Os petistas temem uma retaliação da TV Record ao governo Dilma Rousseff e devem usar o ministro da Pesca, Marcelo Crivella (PRB), para negociar um pacto de não agressão na disputa.

Além disso, o ex-presidente Lula costurou a aproximação entre o PT e a igreja do bispo Edir Macedo e incentivou a criação da sigla aliada.

O vínculo do partido de Russomanno com a igreja do bispo Edir Macedo tem sido usado por José Serra (PSDB) e Gabriel Chalita (PMDB) como principal arma contra o líder das pesquisas.

Haddad, no entanto, tem evitado a polêmica. Limita-se a criticar, de forma genérica, o uso de máquinas religiosas em campanhas rivais.

"Nossa linha será desconstruir Russomanno pela ausência de propostas, sem entrar nessa coisa de igreja", diz o deputado estadual Simão Pedro, que integra a coordenação da campanha petista.

Bispo licenciado da Universal e ex-executivo da Record, o presidente do PRB, Marcos Pereira, diz estar "certo" de que o PT não usará a igreja contra seu candidato.

"Eles já optaram por não fazer isso", afirma. "Se o PT tentar dizer que as nossas propostas são falhas, é aceitável. O que não pode é levar essa questão da religião."

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

NASCE UM MONSTRO

Está na Folha de S. Paulo:
"O candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, recebeu ontem uma oração do apóstolo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo.

Também ouviu o ministro da Pesca, Marcelo Crivella, dizer que os evangélicos não dependem do governo e defender o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal.

Senador licenciado pelo PRB, Crivella é sobrinho de Macedo e um dos bispos da Universal no alto escalão da sigla de Russomanno".
Os personagens citados nesta notícia dão uma boa idéia do que Russomanno realmente representa.  Dize-me com quem andas...

Estevam Hernandes foi acusado, em dezembro de 2006, de estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro pela Justiça brasileira, que bloqueou seus bens e os da  bispa  Sônia Hernandes.

Antes de ser preso no Brasil, o casal fugiu para os EUA e foi detido pelo FBI na alfândega da Flórida, por estar contrabandeando US$ 56 mil. Até uma Bíblia estava sendo usada para ocultar a grana.

Os dois tiveram de usar aquelas tornozeleiras de monitoração eletrônica ao deixarem a prisão sob fiança.

Confessaram-se culpados e a pena foi de 10 meses de prisão. A Justiça dos EUA também determinou o fechamento de todos os templos da Igreja Renascer, com exceção da sede, rebatizada como Reborn in Christ.

Apesar do empenho de vários promotores, a Justiça brasileira ainda não tomou decisão semelhante --nem mesmo quando o teto de um templo malconservado desabou em 2009 na zona sul paulistana, matando nove coitado, e surgiram fortes suspeitas de que a fiscalização teria sido subornada.

Edir Macedo foi preso em 1992 sob acusações de charlatanismo, curandeirismo e envolvimento com tráfico de drogas. Nem mesmo as reportagens consistentes, fundamentadas e acachapantes de O Estado de S. Paulo conseguiram fazer com que o caso avançasse na Justiça, nem que a ficha caísse para os fiéis.

Idem quando o Jornal Nacional levou ao ar, em 1995, um vídeo mostrando como Macedo ensinava seus pastores a depenarem os crédulos e como ele festejava a receita auferida. Fez lembrar o Tio Patinhas nadando na piscina de dinheiro...

Voltou ao noticiário policial em 2009: o Ministério Público de São Paulo o acusou de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Safou-se no ano seguinte, não por ter provado inocência, mas porque a investigação foi considerada ilegal.

Quanto a Marcelo Crivella, seu grande momento às avessas foi quando convenceu o Governo Federal a colocar tropas do Exército no Morro da Providência (RJ) para favorecer seu projeto eleitoreiro Cimento Social, em 2008. Os militares entregaram três jovens para serem executado por uma facção criminosa, a repercussão foi horrorosa e Crivella, até então um dos candidatos favoritos para a Prefeitura, não chegou nem no 2º turno.

Com madrinhas como estas ao lado do berço, os perspicazes logo concluirão que estamos assistindo é uma reprise do filme trash de 1974, Nasce um monstro...

sábado, 15 de setembro de 2012

A ELEIÇÃO PAULISTANA ESTÁ SENDO UM TRIÂNGULO DAS BERMUDAS

O quadro eleitoral em São Paulo é desalentador.

O cavalo de Tróia das  empresas  (ou seria melhor dizer  gangues?) que atuam no mercado religioso encaminha-se para o 2º turno, já que as duas máquinas políticas mais poderosas desistiram de o tentarem derrubar desde já.

vira-casaca  e o  bebê de proveta  lançam sua munição mais pesada um contra o outro, apostando nas muitas vulnerabilidades do  explorador da fé acidental. Acreditam que, chegando lá, o vencerão facilmente no confronto final.

É uma aposta arriscada e que, no passado, muitas vezes teve resultados catastróficos --como catastrófica indubitavelmente seria a afirmação dos neopentecostais como força política de primeira grandeza, consequência óbvia se o tiro sair pela culatra.

A última chance de escaparmos deste  triângulo das Bermudas  são os debates eleitorais.

Se algum dos restantes sair-se muito bem, poderá atropelar na reta final, aproveitando a evidente falta de entusiasmo do eleitorado com o  bobo, o  mau  e o  feio  (a identificação com o filme famoso de Sergio Leone só não é total porque nem mesmo na acepção sarcástica do mestre do bangue-bangue à italiana o Fernando Haddad poderia ser considerado  bom, embora caia como uma luva quanto à maldade do Russomanno e à feiúra do Serra...).

Torço para que o companheiro Carlos Giannazi assuma-se como o candidato realmente antípoda do  sistema, a exemplo do Lula dos bons tempos. Assim, na pior das hipóteses, deixará sua marca impressa em cores vivas; e, para nós, a luta não acabará em outubro nem em novembro. Trata-se apenas de uma batalha e o que queremos é ganhar a guerra.

Que Giannazi, enfim, marque a diferença em termos ideológicos, pois jamais vai conseguir grande destaque numa disputa de quem virá a ser o melhor administrador em termos convencionais. Aí prevalecem inevitavelmente os que têm mais tempo no horário eleitoral e maior exposição na mídia.

A chance que lhe resta é uma só: convencer os eleitores de que se trata do único capaz de resgatar São Paulo das garras dos poderosos, evitando que a administração municipal continue priorizando negócios & negociatas em detrimento dos cidadãos.

Para quem sabe das coisas, trata-se do óbvio ululante. Os debates serão a última oportunidade para o Giannazi tornar o eleitorado ciente disto.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

CELSO RUSSOMANNO + EDIR MACEDO = POLITIZAÇÃO DA RELIGIÃO

Com indesculpável atraso, acabo de tomar conhecimento da MELHOR análise 
sobre o fenômeno Russomanno publicada nas tribunas  conceituadas  
(avalio a minha como alternativa): a de Alberto Dines (foto),
 lenda viva da resistência jornalística brasileira à ditadura militar.

Recomendo com entusiasmo e subscrevo cada palavra.

NINGUÉM TENTA EXPLICAR O 
"MILAGRE" RUSSOMANNO 

É jovem (56 anos), viúvo, razoável pinta, arrumado, verbo solto, experimentado repórter de TV (no popularíssimo Aqui, Agora, do SBT). Já teve votações espetaculares como deputado federal, a primeira em 1994 (pelo PSDB). Depois de tucano experimentou ser corvo de Paulo Maluf, agora é uma águia macedista, alado seguidor do bispo Edir Macedo, imperador do PRB e da Igreja Universal do Reino de Deus.

Celso Russomanno lidera com folga há algumas semanas a disputa pela prefeitura paulistana onde enfrenta simultaneamente, e sem estresse, duas feras eleitorais – José Serra e Lula da Silva.

Opinionistas, politólogos, musas acadêmicas, pesquisólogos e especialistas em eleições acham que o fenômeno não se aguenta nas pernas, e talvez por isso sequer tentam interpretações mais originais para explicá-lo. Já se falou em desgaste da polarização PT-PSDB, em cara nova, neopopulismo, cacarequismo, nova classe média etc., etc. As acusações de corrupção, falsidade ideológica e outras tantas do Código Penal não colam em Russomanno.

Poucos analistas se animam a tocar na explicação fundamental: a formidável politização da religião. Não é a defesa do consumidor que dá robustez à candidatura de Russomanno. É o apoio da maior organização evangélica neopentecostal da América Latina – e talvez a maior do mundo.

Rumo ao passado

A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) é uma potência política, econômica, midiática. Edir Macedo, seu fundador, é incomparavelmente mais poderoso do que foi o reverendo coreano Sun Myung Moon, apóstolo da Igreja da Unificação, falecido há dias.

Mesmo que Mitt Romney seja eleito presidente dos EUA e convertido em líder de uma superpotência mundial, Edir Macedo continuará como papa de uma congregação global articulada pelo fanatismo e pelo fundamentalismo.

Colocar Russomanno no centro de uma guerra santa é temerário, mas talvez seja exatamente este o tríplice sonho de Edir Macedo – ser perseguido pela Santa Madre Igreja, desembaraçar-se de Lula e aniquilar a grande imprensa que tanto o incomoda. Isso explica a superficialidade das análises midiáticas sobre a arrancada de Celso Russomanno. Melhor fingir de avestruz, comer areia, do que enfrentar as manadas das seitas político-religiosas iluminadas por holofotes de neon.

Falar no poder da IURD significa trazer para a ribalta o poder recôndito do Opus Dei, hoje um dos polos do poder político brasileiro que a esquerda teima em ignorar e à direita não interessa badalar.

Estamos viajando a galope em direção à Idade Média. Seu ícone, bem penteado e bem vestido, não precisa de novas mídias nem de redes sociais; sua força está contida numa mensagem de apenas 19 caracteres: votem em Russomanno. (Fonte: Observatório da Imprensa)

domingo, 9 de setembro de 2012

UNIVERSAL USA TEMPLO COMO COMITÊ. LEI ELEITORAL PROÍBE

A Folha de S. Paulo tem abordado em suas reportagens a contaminação da campanha política paulistana pela poderosa rede de exploração da fé que atua em São Paulo (e no Brasil inteiro) por culpa das autoridades omissas.

Motivos legais há de sobra para enquadrar-se toda essa gente no crime de estelionato; muitos, também no de curandeirismo; afora delitos complementares como a lavagem de dinheiro, que está para este novo tipo de gangsterismo como a sonegação de impostos estava para Al Capone.

E, se a lei relativa a lavagem cerebral fosse atualizada para abarcar a evolução do conhecimento científico nas últimas décadas, sem dúvida se aplicaria também aos manipuladores que depenam coitadezas tornados incapazes de se defenderem por si próprios, até lhes arrancarem o último centavo.

É óbvio que deve existir algum interesse menos nobre por trás da diligência atual da Folha. Sempre há. 

O que importa é se as reportagens estão ou não sendo conduzidas com correção jornalística (e tudo indica que estejam), ao exporem tais procedimentos ilícitos, que desvirtuam a campanha e têm de ser rigorosamente apurados pelo TRE.

A reportagem da Folha deste domingo caracteriza o uso ilegal e espúrio, para atividades políticas, de imóveis que alegadamente abrigam templos religiosos e, como tais, são inclusive beneficiados por isenção fiscal.

Com isto é infringida, p. ex., a Lei nº 9.504, de 30/09/1997, cujo artigo 24 estabelece:
É vedado, a partido e candidato, receber direta ou indiretamente doação em dinheiro ou estimável em dinheiro, inclusive por meio de publicidade de qualquer espécie, procedente de:
VIII - entidades beneficentes e religiosas
Tal restrição foi mantida na Lei nº 11.300, de 10/05/2006.

O templo e a kombi: ilegalidade flagrada.
Como a aquisição ou aluguel de imóvel para funcionamento de um comitê eleitoral é "estimável em dinheiro", a burla da lei eleitoral é evidente. Leiam e constatem:
"O principal templo da Igreja Universal do Reino de Deus em São Paulo vem sendo usado pela campanha do candidato do PRB à prefeitura, Celso Russomanno, como um tipo de comitê informal.

O estacionamento do templo da av. João Dias, em Santo Amaro (zona sul), é ponto de encontro de equipes que saem diariamente para fazer campanha nas ruas. À tarde, retornam ao local para devolver materiais de campanha como bandeiras e adesivos.

O partido de Russomanno é comandado por pastores e bispos da Universal, e alguns deles ocupam os principais cargos da coordenação de sua campanha...

A Folha acompanhou quando cerca de 50 cabos eleitorais chegaram ao local, anteontem, por volta de 17h30. Bandeiras em mãos, eles entraram pela lateral do prédio, que dá acesso ao estacionamento, frequentado por fiéis que vão aos cultos.

Os trabalhadores, todos jovens, se dirigiram a uma mesa caraterizada como sendo da Força Jovem Brasil, grupo da juventude da Universal.

Eles formaram filas para deixar ali as bandeiras, que foram colocadas em duas peruas 'adesivadas' com propaganda de Russomanno e do pastor Jean Madeira, líder da Força Jovem, que concorre à Câmara pelo PRB.

Os veículos estavam estacionados dentro do templo.
No interior do prédio, a reportagem foi convidada para trabalhar na campanha de Russomanno por um jovem. Ele ofereceu R$ 150 por semana para uma jornada diária de sete horas. Disse que o pagamento é feito no local.
O cabo eleitoral afirmou ainda que, caso a oferta fosse aceita, ele poderia ser encontrado no próprio estacionamento da igreja após o culto, do qual iria participar.

Questionados se trabalhavam para a campanha do candidato a prefeito ou do pastor Madeira, os cabos eleitorais disseram que eram funcionários de Russomanno.
Eles portavam alguns materiais de propaganda exclusivos do candidato, como adesivos com a inscrição 'sou padrinho' de Russomanno.

Os jovens disseram que atuam no largo 13 de Maio. No momento em que a reportagem esteve no templo, eles participavam de uma reunião em que se discutia a escala de trabalho nas ruas..."

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A AMEAÇA RUSSOMANNO: O QUE É QUE EU VOU DIZER LÁ EM CASA?!

O bordão do locutor esportivo Sílvio Luiz cai como uma luva neste momento em que o eleitorado paulistano se mostra propenso a repetir a bobagem que fez elegendo Jânio Quadros prefeito e votando maciçamente nele para governador e presidente; assim como quando votou maciçamente em Fernando Collor para presidente.

Foram outras candidaturas de aparentes  outsiders, cuja filiação a partidos nanicos ajudou a criar a ilusão de que marchavam contra a corrente, dispostos a confrontar as elites políticas que o eleitorado não suportava mais.

Ledo engano. A podridão foi a mesma, acrescida de turbulências causadas pela insuficiência dos seus esquemas de sustentação.  

O primeiro perdia votações importantes no Congresso e tentou virar a mesa, mas sua tentativa amadoresca de golpe de estado não só deu com os burros n'água, como colocou o país na direção de uma longa ditadura.

Quanto ao Collor, acabou defenestrado porque, mesmo tendo as forças dominantes no parlamento contra si, cometeu erros primários como o de manter um tesoureiro que deixava as digitais impressas em todas as ilegalidades.

O que se poderá esperar caso a principal cidade do país caia nas garras de um partido fantasmagórico chamado PRB, cavalo de tróia dos mais vorazes exploradores da fé? Que o  mensalão  vire   dizimão?

Pior: o tal PRB está menos na linha do PDC de Jânio, pequeno porém decente, e mais na do PRN de Collor, que foi um típico  partido gazua  para arrombar os cofres públicos.

Celso Russomanno tem outra semelhança marcante com Collor: antes de vestir a pele de cordeiro, fez parte das piores alcatéias.

No caso de Collor, a Arena --partido que dizia amém às atrocidades da ditadura militar.

No caso de Russomanno, o PFL --para o qual migraram os arenosos que queriam perpetuar-se no poder em plena redemocratização.

O primeiro posava de caçador de marajás, o que fez da bela canção do Milton Nascimento, "Caçador de mim", uma piada pronta.

O segundo se beneficia da candura de eleitores gratos pela existência de espaços para a defesa do consumidor na TV e incapazes de perceber que o mérito não é do apresentador. Trata-se do mesmo tipo de gente que hostiliza vilãos de telenovela quando os encontra na rua.

Depois de passar pelo PFL, PSDB, PPB e PP, Russomanno viu a luz: melhor do que ser mero coadjuvante nos grandes partidos ou ter como padrinho um Paulo Maluf já descendo a ladeira é pedir a benção a Edir Macedo, garantindo, de cara, os votos de um rebanho de mesmerizados.

Ou, mesmo que  rebanho  seja um coletivo um tanto impróprio neste caso, de  avestruzes: afinal, enterraram a cabeça na areia quando as evidências gritantes de estelionato estavam sendo escancaradas pela imprensa (com direito a um vídeo repulsivo de  celebração do butim).

Tais zumbis certamente fechariam os olhos aos podres do passado de Russomanno. Eleitorado cativo é bom ponto de partida para qualquer candidatura.

Ter a seu dispor uma rede de TV também ajuda --e muito! Começando pela permanência no ar até cinco meses antes das eleições, o que pode não ser ilegal mas, sem dúvida, é imoral. Os candidatos sem beneplácito da  máquina de fazer doidos  que o digam.

E, se certos métodos dão tão certo em atividades empresariais do segmento religioso, por que não aplicá-los com o mesmíssimo fim nas do segmento político? 

Então, deve estar tendo grande serventia para Russomanno o know-how de figurões da Igreja Universal, como o  bispo  Marcos Pereira (presidente nacional do PRB e seu coordenador de campanha) e o  pastor  Vinicius Carvalho (presidente estadual do PRB e responsável por sua agenda do candidato).

Isto para não falar do tesoureiro  Aildo Rodrigues Ferreira...

Quem não aprende com as lições da História, está fadado a passar de novo pelas mesmas agruras e tragédias. 

E também por alguns vexames.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

DISSECANDO O DEBATE ELEITORAL, SEM PAPAS NA LÍNGUA

Debates eleitorais me provocam a mesma reação que, em tempos idos, um grande escritor teve ao ver um filme de Hollywood.

Desavisadamente, ele aceitou uma encomenda de roteiro. Mas, não frequentava cinemas nem tinha a menor idéia da besteirinha que dele esperavam. 

Os produtores, gentilmente, convidaram-no para assistir, na cabine, a uma fita mais ou menos na linha daquela que pretendiam fazer. Depois de uns 10 minutos ele foi embora, perplexo e enojado. Abandonou, claro, o projeto. Jamais desceria tanto.

No debate de candidatos a prefeito promovido na 2ª feira (3) pela Folha de S. Paulo e Rede Manchete, fiquei com pena do companheiro Carlos Giannazi, obrigado a tentar abrir caminho em meio a tantas imposturas e tantos farsantes.

A maior de todas imposturas, claro, é o fingimento de que o prefeito seja uma espécie de gerentão que toma conhecimento e supervisiona pessoalmente cada ação administrativa, com liberdade para decidir o que bem entender. Eu vou fazer, eu vou acontecer, no meu governo isto, no meu governo aquilo... que comédia de mau gosto!

Trata-se de uma ilusão forjada para  adequar a política ao consumismo que, como mola-mestra do capitalismo terminal e putrefato dos dia de hoje, é o canto de sereia que nos arrasta para as profundezas da depressão econômica e das catástrofes ambientais.

Os candidatos não passam de produtos e como tais são vendidos, quase sempre por meio de propaganda enganosa. Uns garantem que não são cavalo de tróia dos mercadores da fé, outros que ficaram alheios à corrupção com a qual estão, isto sim, amalgamados. Quem consome cervejas associando-as a mulheres gostosas e não vê diferença entre os repulsivos bancos e as doces crianças, talvez engula também os protestos de inocência desses patéticos canastrões.

Governantes, sob o capitalismo, são meros títeres do poder econômico, obrigados a obedecer caninamente àqueles que realmente mandam. Quanto maior a importância da decisão a ser tomada, menor é a sua autonomia. Cuidam do acessório e fazem o que deles se espera no fundamental.

Eleições se travam entre grupos de interesses, representados pelos partidos. O que conta, em última análise, são as agremiações e as barganhas que elas acertam ou intermediam, não as características pessoais dos que são pinçados para aparecer na vitrine. Talvez um dia se chegue à perfeição de escolhê-los nas agências de modelos.

AVALIAÇÃO DOS INTÉRPRETES

Haddad não tem o charme de Chris Sarandon
e o eleitorado vai cravar-lhe uma estaca
Uma das minhas tarefas, quando atuava em assessorias de comunicação, era treinar sapos empresários para que parecessem garbosos príncipes ao darem entrevistas. Tinha ganas de vomitar quando um desses tacanhos ganhadores de dinheiro aparentava brilhantismo repetindo uma frase que eu criara para ele (às vezes tendo de a explicar pacientemente, pois o energúmeno não captava seu sentido...).

Então, avaliando criticamente as  interpretações, considero que se desincumbiu bem do seu papel Celso Russomanno, lobo quase perfeito em sua pele de cordeiro graças à experiência adquirida na TV. Mas derrapou ao deixar transparecer homofobia quando disse que seu partido aceita ATÉ  homossexuais. [Aliás, o que mais se poderia esperar de um partideco que aceita ATÉ pastores eletrônicos dedicados ao estelionato, curandeirismo, lavagem cerebral e instigação do ódio?]

Fernando Haddad lembra fisicamente o vampirão do primeiro A hora do espanto (interpretado por Chris Sarandon), só que sem o charme. A agência de modelos teria dúzias de opções melhores para sugerir. Ao vivo e em cores, com sua total falta de jeito e de carisma, desconstrói a enganação que os marqueteiros laboriosamente criam.

Ouso antecipar que não vai ser ele o adversário do Russomanno no segundo turno, pois se apresentará canhestramente em todos os debates; nesse aí não há Duda Mendonça que dê jeito. Anotem e me cobrem depois.

José Serra é carta fora do baralho. O monopólio de poder tucano no estado e na cidade cansou, a retórica do Serra mais ainda e, para piorar, ele carrega uma mala sem alça chamada Gilberto Kassab. Doravante só conseguirá eleger-se deputado federal, como o Maluf.

José Serra não assusta mais ninguém: final
melancólico de quem já travou o bom combate
Cruelmente, o comentarista Fernando Rodrigues notou que Serra muito fez para simular jovialidade aos 70 anos, mas ficou é parecendo gagá ao trocar as bolas, confundindo o dirigente do PRB ao qual Russomanno se referira:
"...é o candidato com a idade mais avançada. Luta para parecer demonstrar vigor. De maneira subliminar, emitiu um sinal oposto".
Ex-presidente da UNE e ex-exilado político (quem te viu, quem te vê...) deveria mirar-se no exemplo dado por Plínio de Arruda Sampaio no último pleito presidencial. Não tentou em momento algum disfarçar sua condição de octogenário. Perdeu a eleição, mas ganhou respeito e admiração, além de sair com a dignidade intacta. Como não forçou a barra subindo em skates, deles não despencou.

Soninha Francine é outra que está brigando com a certidão de nascimento. Faz caras e bocas de uma moçoila de 18 anos, mas tem 45. Não deveria insistir no estereótipo MTV. As pessoas percebem.

Fez-me lembrar Heloísa Perissé, fingindo ter um terço de sua idade real (46), ao contracenar com os realmente jovens em O diário de Tati (o que um bom pai não suporta por suas princesas?!).

Levy Fideles é candidato de si mesmo e mais ninguém; deve gostar muito de sua imagem no espelho.

Paulinho da Força se esforça, mas a referência à pequena bancada do PSOL foi infame. Lênin provocou risos no primeiro semestre de 1917, ao afirmar que seu minúsculo Partido Bolchevique estava pronto para assumir as responsabilidades do poder na Rússia. No semestre seguinte ele provou que estava.

Este é o verdadeiro palco para os candidatos
de esquerda: aqui Giannazi prevalece
Gabriel Chalita é o simpático galã com que o Lula sonhava ao impor a candidatura de um eterno coadjuvante (Haddad). Poderá vir a ser a cara nova para a qual o eleitorado se voltará, até porque seus passaralhos de professores no passado não pegam tão mal quanto as  ligações perigosas  e projetos disparatados do Russomanno.

Quanto ao Giannazi, tem trajetória irrepreensível, uma história edificante (quantos, hoje em dia, prefeririam ser expulsos do partido do que trair seus eleitores e suas convicções?) e representa aos que travamos o bom combate. 

Ele é o que o Serra um dia foi e os demais nunca foram nem serão: um personagem de envergadura histórica. 

Mas, ao que tudo indica, não conseguirá sobressair como é necessário  se continuar respeitando as regras de um jogo de cartas marcadas. 

Com suas promessas mirabolantes, imagens recauchutadas/maquiladas por marqueteiros, máquinas políticas poderosas e investimentos maciços em propaganda (uma frase imortal do Zé Celso Martinez Correa: "Os publicitários são filhos de Goebbels"), os candidatos do sistema conseguirão convencer o eleitorado de que serão melhores prefeitos, tendo como referencial o perfil desideologizado de prefeito que a indústria cultural martela dia e noite.

Eu tentaria me apresentar aos telespectadores como a alternativa: o prefeito dos humilhados, ofendidos, explorados e excluídos, em contraposição aos que não passam de candidatos... a humildes serviçais dos poderosos. 

Está na hora de ouvirmos a palavra revolução orgulhosamente proferida num desses debates de TV, como o objetivo final dos nossos esforços. Os ventos de mudança, aliás, sopram em nosso favor. 

Como disse um dos maiores heróis deste país que tão poucos produziu, cabe-nos ousar lutar, ousar vencer, assumindo o que temos de melhor e o que mais nos diferencia desses farsantes: somos revolucionários!