Fui ativista estudantil (1967/68). Militante clandestino (1969/70). Preso político (1970/71). Tenho travado o bom combate, lutando por um Brasil mais justo, defendendo os direitos humanos, combatendo o autoritarismo.

Sou jornalista desde 1972. Crítico de música e de cinema. Cronista. Poeta. Escritor. Blogueiro.

Tentei e não consegui eleger-me vereador em São Paulo. Mas, orgulho-me de ter feito uma campanha fiel aos objetivos nortearam toda a minha vida adulta: a construção de uma sociedade igualitária e livre, tendo como prioridades máximas o bem comum e a felicidade dos seres humanos.

Em que a exploração do homem pelo homem seja substituída pela cooperação solidária do homem com os outros homens. Em que sejam finalmente concretizados os ideais mais generosos e nobres que a humanidade vem acalentando através dos tempos: justiça social e liberdade.

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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

RUI FALCÃO TENTA FORÇAR SUA SAÍDA DO PT: ZÉ DIRCEU É VÍTIMA DA HIPOCRISIA.

Com o título de Dirceu é pressionado por Rui Falcão a sair do PT, mas diz que ninguém o tira, a colunista social Mônica Bergamo publicou a seguinte nota na Folha de S. Paulo desta 4ª feira, 11:
"A situação de José Dirceu no PT chegou a um impasse. O presidente do partido, Rui Falcão, diz abertamente a vários interlocutores que o ex-ministro deveria se desfiliar da legenda. Fundador da agremiação, Dirceu recebe os recados. E responde: do PT ele não sai, do PT ninguém o tira. 
USO PESSOAL 
Falcão, que chegou a ser explícito em uma entrevista à Folha ao afirmar que se 'ocorrer' uma condenação Dirceu deve se desfiliar do partido, tem dito que o fato de as acusações estarem ligadas a desvio de dinheiro para uso pessoal torna a situação do ex-ministro insustentável".
Detesto ver um ser humano com passado ilustre em desgraça, abandonado pelos seus. Mantive-me reticente com relação ao Zé Dirceu durante o processo do mensalão porque a rede chapa branca insistia em proclamar sua inocência e inocente eu sabia que ele não era. Então, preferi calar.

Mas, quando se evidenciou que ele estava sendo degradado pelo PT, manifestei minha estranheza num artigo que continuo considerando totalmente válido, este aqui. 

E agora ocorreu-me ter deixado de abordar um aspecto importante da questão, então o farei em seguida.

Se o Zé ora é tratado como a Geni da canção célebre do Chico Buarque, isto se deve à constatação de que desviou dinheiro para seu bolso --além dos cofres do partido, como outros fizeram. Aqueles continuam recebendo solidariedade e desagravos, enquanto a ele querem ver o mais longe possível.

Ora, isto não passa de uma deturpação da postura adotada amplamente pelas organizações de esquerda no século passado: considerávamos aceitável tomar dinheiro dos grandes capitalistas para promover a revolução, o que não podíamos era lesar os assalariados, os pequenos e médios empreendedores, nem o Estado, pois seria apropriarmo-nos dos impostos pagos pelo povo.

O PT parece estar mantendo uma parte deste pacote e descartando outras. Apossou-se de recursos que deveriam estar sendo aplicados pelo Estado em benefício da população e o fez não para aplicar na revolução, mas sim para permanecer mais tempo no poder, com seus governos que podem, quanto muito, ser qualificados de reformistas (aqueles que apenas introduzem pequenas melhoras no capitalismo, tendo desistido de extirparem a exploração do homem pelo homem).

Há muito tempo deixou de lado as bandeiras anticapitalistas e, neste ano da desgraça de 2015, chegou ao cúmulo de aderir ao neoliberalismo como tábua de salvação, após ter gerado uma gravíssima crise econômica para a qual parece não encontrar uma saída pela esquerda. 

Se na hora do aperto vale socorrer-se com o receituário do Milton Friedman, por que o PT passou tanto tempo execrando suas teses? E no que Dilma Rousseff se diferencia afinal, de Margaret Thatcher, Ronald Reagan e Augusto Pinochet, três que poderiam igualmente alegar terem recorrido ao neoliberalismo por falta de solução melhor? 

Finalmente: o que nós, revolucionários, tradicionalmente aceitávamos como justificável era a expropriação da grana da burguesia para utilizá-la na revolução. Algo bem diferente de esquerdistas beneficiarem-se de uma associação ilícita  (vantajosa para os dois lados) com máfias empresariais sem estarem encaminhando revolução nenhuma.

E, se o butim não ia diretamente para os seus bolsos, servia para sustentar o projeto de poder do PT, do qual também auferiam vantagens pessoais. A diferença me parece ser apenas entre a sutileza e a falta de.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

EDITORAL DA "FOLHA" EXPRESSA A FÚRIA DOS PODEROSOS FACE AO FRACASSO DO ARROCHO FISCAL

Os editoriais da Folha de S. Paulo não cheiram nenhum perfume que agrade ao olfato dos melhores seres humanos; nem, na maioria das vezes, fedem. Ficam mais nas obviedades e platitudes, no nem sim, nem não, muito pelo contrário...

São raros os contundentes como o provável campeão de rejeição em todos os tempos --aquele  que, baixando o cassete em Hugo Chávez, en passant minimizou o terrorismo de estado imposto ao Brasil pelos golpistas de 1964, qualificando-o de ditabranda.

Então, chama a atenção o tom exacerbado, cuspindo fogo, que a Folha adotou nesta 6ª feira (24) para deplorar o malogro do arrocho fiscal do Joaquim Levy:
"O Brasil está à deriva num mar tempestuoso. O lamentável desfecho do debate acerca das contas públicas acentuou a sensação de que ninguém controla o leme desse gigantesco transatlântico.
Acho que entendi errado aquelas teses do Friedman
Reduzir a meta de economia de gastos em 2015 foi o menor dos males, pois já estava clara a impossibilidade de o setor público destinar R$ 66,3 bilhões para abater a dívida ao final deste ano de aguda recessão. A magnitude da revisão e sobretudo o modo como se desenrolou é que recendem a capitulação.
O novo objetivo [saldo positivo de R$ 8,7 bilhões] já surge com uma cláusula que perdoa seu descumprimento e admite deficit de até R$ 17,7 bilhões.
Premia-se a irresponsabilidade do Congresso...
 ...à exceção do Ministério da Fazenda, os atores institucionais relevantes para a condução da política econômica se sentem livres para boicotar o ajuste.
...Perfilam-se entre os sabotadores os líderes do Congresso e do Judiciário, o ministro da Casa Civil, o titular do Planejamento e a própria presidente da República, cuja inépcia se ressalta a cada decisão importante que tem a tomar...
...Se quiser recuperar a confiança maculada, Dilma Rousseff precisa decidir-se sobre o rumo a seguir e agir resolutamente. Chega de sustentar uma equipe desarmônica de ministros. Aos sabotadores a mensagem deve ser clara: ou submetem-se ou deixam o governo".
Ou seja, a Folha apresenta o ministro da Fazenda como uma Chapeuzinho Vermelho cercada de lobos por todos os lados. Nem uma palavra a respeito de sua falta de estatura para o cargo: Levy não passa de um economista menor, sem brilho acadêmico, que atuou quase sempre em governos e, como mero coadjuvante, em instituições como o FMI e o Banco Central Europeu, nelas aprendendo a priorizar invariavelmente os interesses do capital financeiro, em detrimento da felicidade e até da sobrevivência dos seres humanos. 

Mesmo no Bradesco (cujo diretor-presidente, Luiz Carlos Trabuco, indicou-o para Dilma após recusar a proposta de ele próprio assumir a Pasta) só servia para cuidar da gestão de ativos de terceiros, um tentáculo menor do polvo.

Tem as simpatias da direita em geral por ser um neoliberal de corpo e alma, mas inspira desconfiança no chamado mercado por ter um currículo meia-boca. Se era para impor aqui uma política de austeridade igualzinha àquela que tem desgraçado nações como a Grécia, por que a Dilma não chamou logo o Delfim Netto? Seus valores ideológicos são tão execráveis quanto os do Levy, mas possui a expertise que falta ao patético e (agora) fracassado Chicago (office) boy...

Querer ficar bem com a direita...
O fiasco era a chamada caçapa cantada, não só pela resistência dos que se beneficiam do loteamento do Estado e mamam nas suas tetas, mas também por um motivo que venho  apontando desde a campanha: a política econômica que os poderosos exigiam (essa que está aí) JAMAIS poderia ser implantada pelo PT, que a vinha rechaçando veementemente desde seus longínquos primórdios, na segunda metade da década de 1970, quando Lula liderava as grandes greves do ABC paulista. Não se pode pisar num passado destes, destruindo a própria identidade do petismo.

O PT poderia, simplesmente, haver disputado a eleição de forma leal, sem desconstruir Marina Silva com uma satanização de fazer inveja a Joseph Goebbels. Provavelmente perderia, deixando para sua filha pródiga a espinhosa tarefa de mergulhar o País numa recessão para fazer a vontade dos grandes capitalistas.

Ou ter, uma vez reeleita Dilma, feito exatamente o que prometera: não se vergar aos bancos e ao patronato em geral. Os austericídios já consumados são provas eloquentes de que o emagrecimento forçado proposto por Friedman e imposto por Thatcher, Reagan, Pinochet, Merkel, etc., NÃO FUNCIONA!!! Leva as nações à anorexia, mandando-as para a UTI. 

...e com a esquerda não funciona mais, portanto...
Já passou da hora de os países imolados no altar do capital começarem a unir-se para reagirem, e o Brasil poderia desempenhar um papel de destaque num processo desses. Isto, sim, seria coerente com o que o partido proclamou no seu manifesto de fundação: 
"O PT nasce da decisão dos explorados de lutar contra um sistema econômico e político que não pode resolver os seus problemas, pois só existe para beneficiar uma minoria de privilegiados".
O que o PT jamais poderia é ter adotado uma retórica de esquerda para salvar (na bacia das almas) uma eleição praticamente perdida e depois aplicar a política econômica da direita mais impiedosa. É POR ISTO QUE NÃO CONSEGUE CONTROLAR O LEME DO TAL TRANSATLÂNTICO E A REJEIÇÃO A DILMA HOJE ALCANÇA NÍVEIS ESTRATOSFÉRICOS!

A melhor saída para o buraco em que se meteu será voltar a ser fiel aos seus ideais:
  • exonerando Levy e outros estranhos no ninho como Kátia Abreu e George Hilton;
  • dando uma guinada de 180º na política econômica; e 
...chegou a hora de escolher um lado.
  • retirando a coordenação política das mãos fisiológicas de Michel Temer (Lula é o ÚNICO quadro de que o PT dispõe para exercer tal papel num momento crítico como o atual). 
Desta forma, ou viraria o jogo ou, pelo menos, perderia por razões defensáveis e posicionado do lado certo, o dos explorados. 

segunda-feira, 22 de junho de 2015

DUAS OPÇÕES DESASTROSAS DO PT: O JOGO SUJO CONTRA MARINA E TER IGNORADO O "VOLTA LULA!".

A ficha já deve estar caindo para os petistas que me satanizaram ou ignoraram durante a última campanha eleitoral: era eu quem via mais longe, não os jenios que dirigem o partido.  

Bom conhecedor do que seja um arrocho fiscal, uma recessão e de como se comporta o povo brasileiro quando seu bolso fica vazio, eu adverti: já que lhe faltava coragem política para tentar trilhar caminho diferente do da ortodoxia econômica do capitalismo, então melhor seria o PT, pelo menos,  não continuar na Presidência da República em 2015/2018, deixando para outra força qualquer o mico de acertar as contas públicas arrancando o couro e o sangue dos explorados.

Surgiu uma chance de sair do Palácio do Planalto sem grandes traumas: perder para os tucanos seria duro de engolirem, mas a entrada da Marina Silva na disputa facilitava tudo.

Filha pródiga do petismo, ela não era, então, exacerbadamente hostil ao seu partido de origem, nem levava jeito de, num mandato presidencial, adquirir solidez política. Exatamente por conta do desagrado no qual incorre quem faz o serviço sujo do capitalismo, a tendência seria a de não conseguir se reeleger nem fazer seu sucessor, deixando o caminho aberto para Lula voltar garbosamente em 2018.

Sabe-se lá o porquê --suspeito que todos os bons companheiros pendurados nos infinitos cabides do governo e das estatais ou beneficiários de boquinhas hajam tido peso determinante em tal insensatez--, o PT preferiu fincar os dentes no osso, desconstruindo Marina com uma das campanhas eleitorais mais mentirosas, manipulatórias e sórdidas já vistas no Brasil.

Resultado: está tendo ele próprio de degradar-se, impondo aos brasileiros um pacote de odiosas medidas de austeridade que parecem copiadas de Margaret Thatcher, Ronald Reagan e Augusto Pinochet. 

Ao fazer aquilo que tanto repudiava e vinha execrando há mais de três décadas, o PT desmoralizou a si próprio e ao restante da esquerda (pois o cidadão comum dificilmente diferencia a força majoritária das outras tendências, vê tudo como uma coisa só).

Antes do 2º mandato completar um semestre, a recessão do Levy já fez a rejeição a Dilma subir aos píncaros: segundo pesquisa recém-divulgada pelo DataFolha, 65% dos brasileiros a veem como "ruim" ou "péssima", contra míseros 10% que ainda a apoiam.

E o pior ainda está para vir. Não existe a mais remota dúvida de que a recessão vai se agravar (a única incógnita é se virará ou não depressão); nem de que a situação só vai começar a melhorar em 2017 --e isto na mais benigna das hipóteses. O período de penúria poderá durar ainda mais. 

Pelo andar da carruagem, se não renunciar nem for impedida, Dilma só por milagre escapará de passar à História como campeã absoluta de impopularidade presidencial, pior ainda do que o Sarney e o Collor. 

Neste momento, já é um cadáver político. Talvez o cinema se inspire nela para fazer o primeiro filme sobre presidente zumbi... 

Quanto a Lula, que deveria conquistar um terceiro mandato com um pé nas costas, seu prestígio também despenca a olhos vistos. Se o 1º turno fosse hoje, tomaria uma sova do Aécio Neves: 35% a 25%, ficando a Marina com 18%.

E ainda corre o risco de dar com os costados numa prisão, pagando o preço da imprevidência: o mandato que não buscou na última eleição poderá lhe fazer muita falta. O Paulo Maluf, que agora é seu amigo desde criancinha, poderia tê-lo instruído a este respeito.

Aliás, se tal mandato fosse o presidencial, estaríamos, pelo menos, com um governante carismático e politicamente hábil, alguém que talvez conseguisse convencer o povão a suportar melhor a fase de vacas magras.

Todas as vezes em que o "volta Lula!" pareceu ganhar força, eu manifestei simpatia pela substituição da cabeça de chapa, pois via como o pior cenário possível e imaginável termos uma presidenta tão fraca num período tão complicado como o que se desenhava. Dilma quis porque quis o bis. Para quê? Para cumprir funções cerimoniais enquanto o Levy e o Temer governam? Será que seu sonho de menina era tornar-se rainha da Inglaterra?

Mais: terão os grãos petistas, no ano passado, adotado estratégias sugeridas pelo Felipão? Pois a obstinação em vencerem a qualquer preço uma eleição na qual a vitória nada traria de bom está destruindo o partido: perdeu a classe média, o povão a está seguindo, perderá o poder, tende a encolher acentuadamente nas próximas eleições e é bem provável que sua componente de esquerda migre. A consequência desse 1x7 político e moral será sua definitiva descaracterização e a marcha para a irrelevância..

Quanto a nós, da esquerda, voltamos à estaca zero, tendo de começar de novo a empurrarmos a pedra para o topo da montanha, sem sequer sermos respeitados como éramos em 1980. É desalentador.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

VITÓRIA DE PIRRO NA CALADA DA MADRUGADA

O horário avançado não é desculpa: faltou aos parlamentares a iluminação da consciência.
O que mais me choca no governo do PT é seu pragmatismo tosco e obtuso. Desde a reviravolta na campanha presidencial de 2014 provocada pela morte de Eduardo Campos, o partido aboliu o pensamento estratégico e passou a ser movido pelo imediatismo dos apetites. Principalmente, sua fome avassaladora de poder.

Fez campanha sórdida e falaciosa contra Marina Silva, tornando-a para sempre inimiga. Reforçou, assim, a própria dependência dos apoios que necessita comprar, seja com cargos, seja com liberação de verbas, seja em espécie por debaixo do pano. 

Não dialoga com as forças afins, prefere discutir preço com os que antes eram inimigos e o continuariam sendo se tivessem caráter para tanto. Só que, identificando-se cada vez mais com as práticas podres da política oficial, cava a cova na qual acabará sendo enterrado.

O que começou mal só poderia mesmo acabar pior...
Fez campanha sórdida e falaciosa contra Aécio Neves, como se a esquerda tivesse o direito de ganhar eleições utilizando as mentiras e os abusos de poder característicos da direita. 

Não tem. Pois a esquerda almeja muito mais do que as meras vitórias eleitorais; existe para impulsionar uma transformação profunda da sociedade.  E só conseguirá concretizá-la incutindo esperanças nos explorados e organizando-os para a defesa dos seus direitos, não tangendo-os bovinizados para as cabines de votação.

Voltamos aos tempos em que se ganhavam eleições distorcendo as falas e intenções dos adversários, como em 1945, quando o brigadeiro Eduardo Gomes jamais disse que não precisava dos votos dos marmiteiros, mas a mentira mil vezes martelada acabou passando por verdade, à maneira de Goebbels.

Quase sete décadas depois, foi com mentiras tipo Marina Silva come na mão de uma banqueira e Aécio vai extinguir o bolsa-família que se desqualificaram os principais adversários. Continuamos sendo o país do eterno retorno.

Pior ainda foi o passa-moleque aplicado na esquerda independente (aquela que não oscila na órbita palaciana nem se deixa seduzir por boquinhas), aliciada pela candidatura governamental a golpes de alarmismo.

Vox populi, vox Dei (1)
Reais ou supostos intelectuais parecem ter acreditado candidamente que Marina e Aécio seguiriam o figurino neoliberal na condução da política econômica, enquanto Dilma jamais se avassalaria ao grande capital. 

Ledo engano. O Ministério anunciado para o segundo mandato, em termos ideológicos, arrancaria aplausos entusiásticos de Margaret Thatcher e Ronald Reagan; se alguma restrição houvesse, seria apenas quanto à insignificância pessoal e profissional dos novos titulares. 

Ainda na categoria estelionato eleitoral, era dado como favas contadas que os dois vilões-mores, e apenas eles, entregariam as Pastas da área econômica a representantes de bancos, grandes indústrias e agronegócio. Gente como Joaquim Levy, Armando Monteiro e Kátia Abreu. Só rindo pra não chorar...

Vitórias a qualquer preço, conquistadas por diferença mínima em países nos quais a posse e mau uso da máquina governamental têm influência máxima, possuem o inconveniente de desunirem tais nações. É praticamente inevitável que os derrotados, quando acreditam não terem sido licitamente vencidos, tentem reverter o quadro.

Se, ademais, são eles que predominam nos estados pujantes, a encrenca é maior ainda. Como Marx cansou de demonstrar, são os países e/ou regiões com forças produtivas mais desenvolvidas que determinam o rumo que todos acabarão por seguir, não os grotões.

Vox populi, vox Dei (2)
De um jeito ou de outro, o poder econômico, nos países capitalistas, acaba se impondo ao poder político. A alternativa? Em médio e longo prazos, só existe uma: a revolução. No curto prazo, o PT esfalfa-se para retardar o inexorável --sem, contudo, ousar romper o pacto mefistofélico que firmou em 2002, quando se domesticou para que lhe permitissem governar. 

Salta aos olhos que há um grande esquema político sendo montado para impedir a presidenta Dilma Rousseff pela via constitucional. Só falta a definição de qual será o motivo alegado no pedido de impeachment.

O PT acaba de travar batalha insana para evitar que o descumprimento de diretrizes orçamentárias pudesse ser tal motivo. Mas, o vergonhoso resultado da refrega consagrou um casuísmo escandaloso, o efeito retroativo que jamais poderia servir como tábua de salvação para quem não fez a lição de casa no momento certo. Algo tão estapafúrdio que me fez lembrar o causo contado por Sebastião Nery, o nosso grande nome do folclore político. 

O todo poderoso coronel de um cafundó nordestino assistia a um jogo de futebol disputadíssimo e, no apagar das luzes, acontece um pênalti a favor dos visitantes. Os atletas da casa se revoltam, o campo é invadido, o coronel acaba tendo de decidir a questão. E dá o veredito: "O pênalti tem de ser cobrado, sim! Só que a nosso favor..."

Preocupado apenas com as aparências e formalismos legais, o governo não se dá conta dos estragos que a batota fiscal produziu em sua imagem.

Vox populi, vox Dei (3)
Nem percebe que os partidários do impeachment não desistirão, apenas vão escolher outro motivo. Gilmar Mendes tenta prover um, o petrolão oferece infinitas possibilidades. Mas dia, menos dia, esse bloco sairá à rua. Não vai dar pra segurar.

Estancar o processo de impeachment no nascedouro, evitando que ele tramite no Congresso, será a pior solução possível, pois vai tanger os opositores para a via verdadeiramente golpista. Bateriam de imediato na porta dos quartéis.

O melhor será a batalha se travar no terreno da legalidade democrática, ou seja: 
  • que o impeachment vingue e se dê posse a Michel Temer (argh!), como manda a Constituição;
  • ou que o impeachment seja apreciado, votado e rejeitado, o que dará à Dilma a credibilidade para governar que não tem neste momento.
É esta a batalha que o PT deveria travar, ao invés de perseguir sofregamente vitórias de Pirro na calada da madrugada.