Fui ativista estudantil (1967/68). Militante clandestino (1969/70). Preso político (1970/71). Tenho travado o bom combate, lutando por um Brasil mais justo, defendendo os direitos humanos, combatendo o autoritarismo.

Sou jornalista desde 1972. Crítico de música e de cinema. Cronista. Poeta. Escritor. Blogueiro.

Tentei e não consegui eleger-me vereador em São Paulo. Mas, orgulho-me de ter feito uma campanha fiel aos objetivos nortearam toda a minha vida adulta: a construção de uma sociedade igualitária e livre, tendo como prioridades máximas o bem comum e a felicidade dos seres humanos.

Em que a exploração do homem pelo homem seja substituída pela cooperação solidária do homem com os outros homens. Em que sejam finalmente concretizados os ideais mais generosos e nobres que a humanidade vem acalentando através dos tempos: justiça social e liberdade.

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

VICTOR LULENSTEIN OPTOU POR DESTRUIR SUA CRIATURA IMPERFEITA

A facção dilmista tudo fez para que o PT salvasse Eduardo Cunha no Conselho de Ética, pois este era o preço a ser pago para que o dito cujo não tocasse adiante o impeachment presidencial.

A facção lulista tudo fez para que o PT detonasse Cunha, com a consequência óbvia.

Qual a lógica?

Quanto maior for a duração da agonia de Dilma, mais se acentuará a desmoralização do partido, pulverizando as chances de Lula na eleição de 2018.

Se ela cair depressa haverá uma mexida no quadro e, caso o novo governante fracasse, é bem possível que Lula volte daqui a três anos nos braços do povo, erigido em salvador da Pátria.

Então, como na novela célebre de Mary Shelley e no filme ora em cartaz, Victor Frankenstein (ou seria Lulenstein?) optou por destruir sua criatura imperfeita.

A SEQUELA DO ESTELIONATO ELEITORAL: O BRASIL ESTÁ INGOVERNÁVEL HÁ 11 MESES.

Não sendo jurista, prefiro me manifestar sempre em consonância com o espírito de Justiça, que Platão dizia ser inerente ao ser humano.

Desde que Dilma Rousseff foi reeleita por pequena margem –38,16% dos eleitores votaram nela, 35,74% em Aécio Neves e 26,10% (abstenções, brancos e nulos) não se animaram a votar em ninguém–, considero sua vitória ilegítima.

O motivo, claro, é o clamoroso estelionato eleitoral. Quantos dos seus 54.501.117 eleitores a teriam escolhido se soubessem que, assim agindo, não estariam escapando do aperto de cinto e das vacas magras? 

A propaganda enganosa petista foi muito eficiente em convencer os incautos de que os adversários abririam as portas do inferno enquanto Dilma botaria pra correr os demônios da ganância. 

Mas, quando ela empossou um neoliberal como ministro da Fazenda, autorizando-o a socar goela dos brasileiros adentro um ajuste recessivo, os perfumes caros de Dilma não conseguiram mais encobrir o odor de enxofre: nem o mais crédulo dos otários é capaz de acreditar que ela só decidiu dar tal guinada de 180º após o 5 de outubro, dia do 2º turno. 

É repulsivo que, em 2014, se tenha cometido tamanha vigarice com o eleitorado, como se o relógio da História houvesse voltado a 1945, quando uma frase deturpada do brigadeiro Eduardo Gomes (ele jamais afirmou que não precisava do voto dos marmiteiros) foi espalhada pelo País inteiro, tendo considerável peso na vitória do general Eurico Gaspar Dutra.

Ao longo dos 11 meses deste desastroso 2º mandato de Dilma foram intensas as pressões da facção lulista e de quase toda a esquerda, no sentido de que ela exonerasse Joaquim Levy e passasse a governar de acordo com as bandeiras históricas do partido; mas encontraram sempre ouvidos moucos. Quem faz a cabeça dela é Luís Carlos Trabuco, o presidente do Bradesco, que nos momentos cruciais aconselha Dilma a continuar arrastando o Brasil para o inferno, de braços dados com o trapalhão Levy.

Então, como ela teimosamente resiste a cumprir as promessas de campanha e isto já gerou a pior recessão brasileira em décadas, com tendência a agravar-se cada vez mais, o processo de impeachment é muito bem-vindo: ou vai fazer com que seja um presidente de direita a governar segundo o ideário da direita, deixando de confundir os brasileiros e de destruir a esquerda, ou forçará Dilma a uma correção de rumo indispensável para salvar seu mandato.

Quanto ao impeachment ter ou não embasamento legal, é paradoxal que o hiper-estelionato eleitoral por ela cometido não constitua motivo suficiente para seu impedimento, mas um mini-estelionato talvez preencha os requisitos constitucionais: trata-se das pedaladas fiscais, que também serviram para iludir o eleitorado, pois a maquilagem das contas públicas impediu que seu descontrole servisse de munição de campanha para os adversários.

Mas, isto é uma discussão para juristas, e a experiência histórica nos ensina que impeachment é uma decisão eminentemente política tanto que a justificativa alegada para o de Fernando Collor acabou não subsistindo no Supremo Tribunal Federal, que, contudo, só a rechaçou quando a perda do mandato já era fato consumado e superado.

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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

VITÓRIA DE PIRRO NA CALADA DA MADRUGADA

O horário avançado não é desculpa: faltou aos parlamentares a iluminação da consciência.
O que mais me choca no governo do PT é seu pragmatismo tosco e obtuso. Desde a reviravolta na campanha presidencial de 2014 provocada pela morte de Eduardo Campos, o partido aboliu o pensamento estratégico e passou a ser movido pelo imediatismo dos apetites. Principalmente, sua fome avassaladora de poder.

Fez campanha sórdida e falaciosa contra Marina Silva, tornando-a para sempre inimiga. Reforçou, assim, a própria dependência dos apoios que necessita comprar, seja com cargos, seja com liberação de verbas, seja em espécie por debaixo do pano. 

Não dialoga com as forças afins, prefere discutir preço com os que antes eram inimigos e o continuariam sendo se tivessem caráter para tanto. Só que, identificando-se cada vez mais com as práticas podres da política oficial, cava a cova na qual acabará sendo enterrado.

O que começou mal só poderia mesmo acabar pior...
Fez campanha sórdida e falaciosa contra Aécio Neves, como se a esquerda tivesse o direito de ganhar eleições utilizando as mentiras e os abusos de poder característicos da direita. 

Não tem. Pois a esquerda almeja muito mais do que as meras vitórias eleitorais; existe para impulsionar uma transformação profunda da sociedade.  E só conseguirá concretizá-la incutindo esperanças nos explorados e organizando-os para a defesa dos seus direitos, não tangendo-os bovinizados para as cabines de votação.

Voltamos aos tempos em que se ganhavam eleições distorcendo as falas e intenções dos adversários, como em 1945, quando o brigadeiro Eduardo Gomes jamais disse que não precisava dos votos dos marmiteiros, mas a mentira mil vezes martelada acabou passando por verdade, à maneira de Goebbels.

Quase sete décadas depois, foi com mentiras tipo Marina Silva come na mão de uma banqueira e Aécio vai extinguir o bolsa-família que se desqualificaram os principais adversários. Continuamos sendo o país do eterno retorno.

Pior ainda foi o passa-moleque aplicado na esquerda independente (aquela que não oscila na órbita palaciana nem se deixa seduzir por boquinhas), aliciada pela candidatura governamental a golpes de alarmismo.

Vox populi, vox Dei (1)
Reais ou supostos intelectuais parecem ter acreditado candidamente que Marina e Aécio seguiriam o figurino neoliberal na condução da política econômica, enquanto Dilma jamais se avassalaria ao grande capital. 

Ledo engano. O Ministério anunciado para o segundo mandato, em termos ideológicos, arrancaria aplausos entusiásticos de Margaret Thatcher e Ronald Reagan; se alguma restrição houvesse, seria apenas quanto à insignificância pessoal e profissional dos novos titulares. 

Ainda na categoria estelionato eleitoral, era dado como favas contadas que os dois vilões-mores, e apenas eles, entregariam as Pastas da área econômica a representantes de bancos, grandes indústrias e agronegócio. Gente como Joaquim Levy, Armando Monteiro e Kátia Abreu. Só rindo pra não chorar...

Vitórias a qualquer preço, conquistadas por diferença mínima em países nos quais a posse e mau uso da máquina governamental têm influência máxima, possuem o inconveniente de desunirem tais nações. É praticamente inevitável que os derrotados, quando acreditam não terem sido licitamente vencidos, tentem reverter o quadro.

Se, ademais, são eles que predominam nos estados pujantes, a encrenca é maior ainda. Como Marx cansou de demonstrar, são os países e/ou regiões com forças produtivas mais desenvolvidas que determinam o rumo que todos acabarão por seguir, não os grotões.

Vox populi, vox Dei (2)
De um jeito ou de outro, o poder econômico, nos países capitalistas, acaba se impondo ao poder político. A alternativa? Em médio e longo prazos, só existe uma: a revolução. No curto prazo, o PT esfalfa-se para retardar o inexorável --sem, contudo, ousar romper o pacto mefistofélico que firmou em 2002, quando se domesticou para que lhe permitissem governar. 

Salta aos olhos que há um grande esquema político sendo montado para impedir a presidenta Dilma Rousseff pela via constitucional. Só falta a definição de qual será o motivo alegado no pedido de impeachment.

O PT acaba de travar batalha insana para evitar que o descumprimento de diretrizes orçamentárias pudesse ser tal motivo. Mas, o vergonhoso resultado da refrega consagrou um casuísmo escandaloso, o efeito retroativo que jamais poderia servir como tábua de salvação para quem não fez a lição de casa no momento certo. Algo tão estapafúrdio que me fez lembrar o causo contado por Sebastião Nery, o nosso grande nome do folclore político. 

O todo poderoso coronel de um cafundó nordestino assistia a um jogo de futebol disputadíssimo e, no apagar das luzes, acontece um pênalti a favor dos visitantes. Os atletas da casa se revoltam, o campo é invadido, o coronel acaba tendo de decidir a questão. E dá o veredito: "O pênalti tem de ser cobrado, sim! Só que a nosso favor..."

Preocupado apenas com as aparências e formalismos legais, o governo não se dá conta dos estragos que a batota fiscal produziu em sua imagem.

Vox populi, vox Dei (3)
Nem percebe que os partidários do impeachment não desistirão, apenas vão escolher outro motivo. Gilmar Mendes tenta prover um, o petrolão oferece infinitas possibilidades. Mas dia, menos dia, esse bloco sairá à rua. Não vai dar pra segurar.

Estancar o processo de impeachment no nascedouro, evitando que ele tramite no Congresso, será a pior solução possível, pois vai tanger os opositores para a via verdadeiramente golpista. Bateriam de imediato na porta dos quartéis.

O melhor será a batalha se travar no terreno da legalidade democrática, ou seja: 
  • que o impeachment vingue e se dê posse a Michel Temer (argh!), como manda a Constituição;
  • ou que o impeachment seja apreciado, votado e rejeitado, o que dará à Dilma a credibilidade para governar que não tem neste momento.
É esta a batalha que o PT deveria travar, ao invés de perseguir sofregamente vitórias de Pirro na calada da madrugada.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

CULPAR MARINA PELAS IRREGULARIDADES NO JATINHO DO PSB É "APELAÇÃO IMORAL"

Sempre detestei o aviltamento das campanhas eleitorais, que os obcecados em vencerem a qualquer preço transformam em batalha de tortas de lama ou festival de chutes na virilha dos adversários.

Já desmascarei a torpeza da rede de propaganda petista ao trombetear que a Marina Silva estaria sendo apoiada pelo Itaú, quando, na verdade, ela conta apenas com os préstimos voluntários de uma herdeira Setúbal que jamais exerceu atividade de banqueira nem apita nada nas decisões do grupo.

Tais invencionices colam no candidato e, depois de um certo tempo, todos começam a repeti-las como papagaios, sem a mínima noção de quem as colocou em circulação. Foi o caso da afirmação imputada ao brigadeiro Eduardo Gomes na eleição presidencial de 1945, de que ele recusava o voto dos marmiteiros (pejorativo de operários). A frase verdadeira de Gomes foi: "Não necessito dos votos dessa malta de desocupados que apoia o ditador para eleger-me presidente da República!".

Disse e repito que a política oficial me causa profundo tédio, tal o descompasso entre as mudanças mais do que necessárias e as miudezas de que se ocupam governantes resignados a não confrontarem o poder econômico. Mas, quando as campanhas descambam para o jogo sujo descarado e desbragado, isto me incomoda, talvez como consequência de já ter sido e continuar sendo até hoje muito prejudicado na vida por outro tipo de jogo sujo.

Então, registro mais um desmascaramento de falácia, desta vez por parte do veterano jornalista Jânio de Freitas, em sua coluna desta 3ª feira (26) na Folha de S. Paulo, cuja íntegra pode ser acessada aqui.

Tão apavorados ficaram petistas e tucanos com a entrada pra valer de Marina no páreo sucessório que se uniram para tentar imputar-lhe responsabilidade pessoal em irregularidades na posse e utilização do avião da tragédia. Houve quem falasse até em impugnação da candidatura dela, um grotesco wishful thinking.

Jânio --que geralmente mostra, digamos, mais simpatia pelas posições petistas-- é, sobretudo, um profissional honesto. Então, tal baixaria também o deixou indignado. E ele a pulverizou:
"...Ainda antes da queda, aquele avião já era portador de um risco desastroso para as pretensões políticas de Eduardo Campos. Com provável corresponsabilidade dele ou não, tanto faz.
Sejam quais forem os esclarecimentos vindouros, se causarem surpresas não estará entre elas o nome de Marina Silva. A composição que a comprometeu com a campanha foi muito posterior à inclusão do jato nas atividades de Eduardo Campos e do PSB. A cobrança que Aécio Neves faz de explicações de Marina Silva, sobre as suspeitas de irregularidades no uso do jato, é mais do que imprópria: é uma apelação imoral. E pior porque justificada por Aécio como contrapartida às cobranças sobre a construção do aeródromo em Cláudio -MG. Aí já é também falsificação de equivalências".
Eu só acrescentaria que a "apelação imoral" partiu da rede virtual petista e Aécio, percebendo que lhe poderia ser útil também, pegou o bonde andando.

Os opostos só se atraem quando um deles ou ambos estão sendo oportunistas e imorais. É o mesmo caso da utilização sistemática, por parte dos petistas, das catilinárias destrambelhadas contra Marina que não pára de lançar o colunista mais reacionário da revista mais reaça do Brasil.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

MEU NOME É ALEXANDRE. MAS, PODE ME CHAMAR DE CRISTIANO.

O pior de tudo são as facadas nas costas
Em 1950, os três principais candidatos à Presidência da República eram Getúlio Vargas (PTB), ex-ditador de inspiração nazifascista que a mão oculta dos EUA contribuíra para expelir do poder ao fim da II Guerra Mundial, daí ter assumido o nacionalismo como seu novo figurino político, com o apoio oportunista do PCB (convenientemente esquecido de que fora a principal vítima da bestialidade de Filinto Müller e sua polícia política); o brigadeiro Eduardo Gomes, que conferia alguma respeitabilidade ao moralismo rançoso da UDN por ser, pessoalmente, um homem íntegro; e Cristiano Machado (PSD), deputado mineiro em duas Constituintes.

Percebendo que as chances de Cristiano eram ínfimas, muitos líderes do PSD mantiveram seu apoio formal a ele, mas, por baixo do pano, favoreceram descaradamente a candidatura de Vargas. Foi como se originou o uso da palavra cristianização para, no jargão político, designar candidatos traídos pelos próprios partidos na campanha eleitoral.

O mais novo exemplar desta fauna é o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, com quem o PT (leia-se Lula) contava para, finalmente, enxotar os tucanos do Palácio dos Bandeirantes, no qual estão empoleirados há duas décadas.

Mas, ao constatar que a candidatura de Padilha dificilmente decolaria, o partido oPTou (lembram-se dos adesivos? Bons tempos...) por sua cristianização, igualmente descarada.

Qualquer semelhança...
Primeiramente, estimulou a decisão do PSD de Gilberto Kassab, de trair Alckmin e apoiar o peemedebista Paulo Skaf; e do PP de Paulo Maluf, de renegar a aliança já firmada com Padilha, pulando para o galho do Skaf.

O tiro de misericórdia veio com a entrevista do ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, à Rede Brasil Atual, cuja íntegra pode ser acessada aqui

Berzoini simplesmente informa que o PT adotará uma posição de neutralidade em relação às duas candidaturas, a própria e a peemedebista, evitando indispor-se com a segunda, pois (admite, mais uma vez descaradamente) pretende apoiá-la no 2º turno. Leiam e constatem:
"Onde há mais de um [candidato da base governista], nós temos que definir como nós vamos nos relacionar sem atrapalhar as campanhas de cada um (...). Em São Paulo, não haverá uma escolha, haverá o reconhecimento de que nós temos duas candidaturas fortes. (...) Hoje, uma delas se apresenta com mais intenção de votos (...), mas nós acreditamos que isso é muito dinâmico e não necessariamente se manterá assim. Vamos trabalhar tanto a relação com a campanha do Skaf quanto com a campanha do Padilha.
Não ter conflito é o desejo. Isso se constrói. (...) No primeiro [turno], cada um tem de buscar todas as positividades possíveis. No segundo, dependendo de quem for, se estabelece o contraditório. Então não há razão a priori para ficar Skaf procurando problema com o Padilha e o Padilha com o Skaf"
Berzoini: "Nós temos duas candidaturas fortes".
Ou seja, o candidato da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, além de ser mais rico (seu patrimônio pessoal declarado cresceu 60% desde a última eleição, estando hoje na casa de R$ 17,7 milhões), mais simpático aos ricos, mais charmoso e melhor situado nas pesquisas eleitorais, contará com a neutralidade do partido que detém o poder federal e com a certeza de que o candidato do dito cujo evitará bater pesado nele, pois a ordem para o Padilha é não ficar "procurando problema (...) com o Skaf".

O que lhe restará, como trunfo para tentar virar este jogo de cartas marcadas? Apenas o programa Mais Médicos (que é polêmico em demasia para ser trombeteado ad nauseam em campanha, havendo risco de, sob contra-ataque dos adversários, tornar-se um tiro no pé). Pois, quase desconhecido, Padilha é samba de uma nota só.

Nos bons tempos, o PT só vinha aqui para protestar.
Poderia, certamente, unir os eleitores petistas em torno de si lembrando que o partido nasceu das refregas com a Fiesp e que Skaf é um inimigo de classe por excelência. Só mesmo na geleia geral brasileira os ditos defensores dos trabalhadores se mancomunam descaradamente (o termo é novamente obrigatório...) com os baluartes do patronato.

Mas, se as mãos do cristianizado Padilha estarão atadas pela política de não-agressão ordenada por Berzoini, que chances ainda lhe restam? Nenhuma. Seria melhor desistir de uma vez, dando ao PT liberdade para celebrar desde já o pacto mefistofélico com o grande capital, se este é seu desejo.

Sartre dizia que fazer política é enfiar a mão no sangue e na m... Finda a ditadura, sobrou a segunda, cada vez mais abundante, pois o descaramento não tem limite. 

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