Fui ativista estudantil (1967/68). Militante clandestino (1969/70). Preso político (1970/71). Tenho travado o bom combate, lutando por um Brasil mais justo, defendendo os direitos humanos, combatendo o autoritarismo.

Sou jornalista desde 1972. Crítico de música e de cinema. Cronista. Poeta. Escritor. Blogueiro.

Tentei e não consegui eleger-me vereador em São Paulo. Mas, orgulho-me de ter feito uma campanha fiel aos objetivos nortearam toda a minha vida adulta: a construção de uma sociedade igualitária e livre, tendo como prioridades máximas o bem comum e a felicidade dos seres humanos.

Em que a exploração do homem pelo homem seja substituída pela cooperação solidária do homem com os outros homens. Em que sejam finalmente concretizados os ideais mais generosos e nobres que a humanidade vem acalentando através dos tempos: justiça social e liberdade.

domingo, 7 de outubro de 2012

EU SOU UM HOMEM SINCERO

"Yo soy un hombre sincero
De donde crece la palma,
Y antes de morirme quiero
Echar mis versos del alma.

Yo vengo de todas partes,
Y hacia todas partes voy:
Arte soy entre las artes,
En los montes, monte soy.

Yo he visto al águila herida
Volar al azul sereno,
Y morir en su guarida
La vibora del veneno."

(José Martí)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

MENSAGEM FINAL DA CAMPANHA, NA HORA DA DECISÃO

Para quem tem uma longa estrada atrás de si, o aniversário convida à reflexão, a fazer um inventário dos sonhos concretizados, pendentes e desfeitos.

Mais ainda quando, como é o meu caso, ocorre exatamente na véspera de um dia decisivo: no domingo saberei se o meu último sonho terá sido, parafraseando meu velho amigo Raulzito, um sonho que sonhei só ou um sonho que se sonha junto e vira realidade.

Como estou desde os 17 anos empurrando pedras para o topo da montanha e várias vezes elas despencaram (algumas de forma extremamente sofrida, como quando tantos  imprescindíveis  se imolaram numa guerra impossível de ser vencida), não encaro uma eventual derrota como tragédia. O importante é lutarmos pelos objetivos corretos, de forma íntegra e dando o melhor de nós.

Até porque os combatentes da justiça social e da liberdade perseguimos um ideal milenar, sem que a vitória até agora nos sorrisse. Aproximamo-nos e distanciamo-nos dela, apenas. A humanidade irmanada na priorização do bem comum e do pleno atendimento das necessidades humanas continua existindo apenas na imaginação de poetas como John Lennon, de profetas como Karl Marx e de bravos guerreiros como Che Guevara.

Não existe, contudo, nada de mais nobre a que dedicarmos nossa existência. Quem trava o bom combate e o faz como bom combatente é o sal da Terra, o arauto da solidariedade e o portador da esperança.

Os que nos propomos a desempenhar tal papel não nascemos prontos. Tentamos construirmo-nos como homens novos ao longo da jornada, conscientes de que as pessoas estarão sempre atentas, avaliando nossos sonhos pelo que fizermos. Ninguém sonhará junto se nós mesmos não nos mostrarmos à altura dos ideais que professamos.

Então, refleti muito antes desta incursão tardia pela política convencional. Estava consciente de que me exporia à incompreensão de alguns e à desqualificação por parte de outros; e que a mentalidade clubística ainda predominante na esquerda me faria, deixando de ser independente, perder espaços e tribunas na internet.

Havia, no entanto, valores mais importante a considerar do que meus ônus pessoais.

Desde 2007 eu vinha denunciando os balões de ensaio fascistizantes na capital paulista. Com os tucanos e seus aliados monopolizando os governos estadual e municipal, a cidade se torna, cada vez mais, o laboratório no qual se testam as fórmulas para um novo totalitarismo, aferindo-se a resistência da sociedade ao estado policial.

A escalada autoritária veio intensificando-se de ano a ano:
  • as  invasões bárbaras  da USP começaram com o ingresso das mais truculentas tropas de choque da Polícia Militar em algumas situações e acabaram com a ocupação permanente da Cidade Universitária, evocando os piores tempos da ditadura militar;
  • a repressão da Marcha da Maconha também representou uma volta àquele passado infame em que se atentava impunemente contra a liberdade de expressão e de manifestação;
  • a forma como dependentes químicos foram escorraçados da cracolândia a pontapés fez lembrar o próprio nazismo;
  • na desocupação do Pinheirinho, chegou-se ao absurdo de desconsiderar uma ordem judicial para cumprir outra e de sequestrar um idoso para que a imprensa não constatasse seu estado lastimável após o espancamento sofrido (com a agravante de que ele faleceria três semanas depois);
  • a prática, adotada pela PM sob as vistas grossas do governo do Estado, de maquilar execuções a sangue-frio como mortes decorrentes de resistência à prisão tem merecido repúdio universal;
  • a designação de oficiais da reserva da PM para gerirem 30 das 31 subprefeituras paulistanas implica a adoção da mentalidade policial no trato dos problemas sociais e para fins de controle político, com os excessos intimidatórios já sendo notados na periferia e bairros pobres (a vandalização do Sarau do Binho é um exemplo).
A DECISÃO DE LEVAR A LUTA AO CAMPO DO INIMIGO

A influência exercida pela web no Caso Battisti só se repetiu no episódio da proibição da Marcha da Maconha, quando os saudosos do arbítrio foram obrigados a recuar. Mas, mostrou-se insuficiente nos demais casos, principalmente o do Pinheirinho, quando havia gritantes motivos para se exigir o impeachment do governador Alckmin, mas nem sequer foi tentada uma mobilização neste sentido (embora eu tenha lançado sucessivas exortações e estimulado de todas as maneiras tal iniciativa).

Então, levando em conta o menor impacto atual das redes sociais em batalhas importantíssimas e o fato de estar sendo boicotado pela grande imprensa (que, macartista como nunca, fechou-se para mim como profissional e nem sequer permite que meu nome seja citado como personagem histórico e participante de acontecimentos atuais), decidi abrir uma segunda frente, levando a luta para o campo do inimigo.

Qualquer que seja o resultado do pleito, não me arrependo. Era o que havia a ser feito. Quando portas se fecham, os revolucionários temos de abrir outras, jamais deixando que nos reduzam à impotência. Cumpri o meu papel.

Também acredito ter contribuído para aclarar noções sobre como deve comportar-se um candidato de esquerda em processos eleitorais que, no nosso caso, devem ser encarados sempre como oportunidades táticas para acumulação de forças e não como objetivos estratégicos.

Por mais que este conceito seja tido como axiomático em termos teóricos, a compulsão de vencer a qualquer preço acaba contaminando muitos companheiros, que incorporam acriticamente as práticas das campanhas dos candidatos do sistema, em todos os sentidos:
  • buscando evidenciar-se melhor do que eles na gestão das miudezas paroquiais, quando nossas campanhas devem ser sempre ideológicas, por princípio e até por eficácia (correndo na mesma faixa dos direitistas e reformistas, sempre perderemos para seus recursos e sua máquina de comunicação infinitamente superiores);
  • personalizando as campanhas como eles fazem, o que vem ao encontro da intenção da burguesia e sua indústria cultural, de desideologizar as eleições, tornando-as semelhantes à escolha de ítens para consumo;
  • e até repetindo a prática repulsiva de convidar os eleitores a votarem em alguém apenas por ser filhote deste ou daquele, e não por ter as melhores aptidões e antecedentes na luta revolucionária.
Do meu pai herdei o exemplo, os princípios morais e a educação que ele, com tanto sacrifício me proporcionou. Nunca precisei de outros pais, nem os procurei. Desde os 17 anos venho escrevendo minha própria história.

E é ela que deve justificar, ou não, a escolha dos eleitores e o apoio dos companheiros que ainda venham a contribuir para uma arrancada final.

No fundo, trata-se de mais uma luta de Davi contra Golias. Mesmo quando todas as carta parecem estar todas marcadas contra nós, temos de manter o ânimo e lutar até o fim. Às vezes, como no Caso Battisti, o aparentemente impossível acontece.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

COMPANHEIROS, PRECISO DE VOCÊS!

Minha campanha para a vereança de São Paulo continua dependendo do apoio de companheiros que julguem importante quebrarmos a espinha dos reacionários e golpistas, detendo a escalada autoritária em São Paulo.

O artista gráfico Eliseu de Castro Leão, que há três décadas mora e trabalha na Itália, solidariamente produziu ótimos folhetos; eles estão à disposição dos interessados que o solicitarem a lungaretti@gmail.com

Se alguém tiver amigos/conhecidos influentes na mídia convencional ou alternativa, não custa nada propor que noticiem minha campanha. 

Outras possibilidades são as de divulgar a carta destinada ao eleitorado em geral (copiar daqui) e o vídeo que, solidariamente e por iniciativa própria, o poeta Marcelo Roque criou (disponibilizado em http://youtu.be/f76HdD34Arg).

terça-feira, 2 de outubro de 2012

BOICOTE DO JORNAL DA DITABRANDA É IMORAL

Os dirigentes municipais do PSOL decidiram não questionar juridicamente o boicote da Folha de S. Paulo à coligação PSOL/PCB, ao organizar  seletivamente  o debate de candidatos a vereador que vai realizar na tarde desta 3ª feira (2) e publicar no próximo domingo.

Segundo o parecer legal que embasou tal decisão, não prevaleceriam neste caso as regras dos debates em rádio e TV. Seria encarado juridicamente como uma mera coleta de informações para a produção de um texto jornalístico.

Trata-se, enfim, de mais uma iniciativa discricionária que, mesmo não sendo ilegal, é flagrantemente imoral.

Democracia não existe sem oportunidades iguais para todos; daí eu nunca ter considerado verdadeiramente democrática a sociedade que o capitalismo desenha, na qual o poder econômico prevalece de forma esmagadora sobre Executivo, Legislativo, Judiciário e imprensa.

Não só a coligação PSOL/PCB, mas também as candidaturas do PSTU e do PCO deveriam estar presentes em todos os debates. Contra as duas últimas, contudo, havia o  pretexto  de não terem deputados federais. Daí eu ter centrado fogo no direito moral espezinhado de quem os tem, estando habilitado mesmo à luz dos critérios casuísticos estabelecidos para evitar o crescimento e afirmação de agremiações engendradas  na contramão do sistema.

Quanto ao veículo de imprensa cujo  reizinho, usando as prerrogativas de dono da bola , impõe regras a seu bel-prazer, está esquecendo mais uma vez os pomposos princípios do seu Manual de Redação, que afirma ser o "jornalismo crítico" um "princípio editorial da Folha". Eis a postura nele recomendada aos profissionais da casa:
"O jornal não existe para adoçar a realidade, mas para mostrá-la de um ponto de vista crítico. Mesmo sem opinar, sempre é possível noticiar de forma crítica. Compare fatos, estabeleça analogias, identifique atitudes contraditórias e veicule diferentes versões sobre o mesmo acontecimento. A Folha pretende exercer um jornalismo crítico em relação a todos os partidos políticos, governos, grupos, tendências ideológicas e acontecimentos".
Ganha um doce quem me explicar como se pode ser crítico sobre a eleição para a Câmara Municipal deixando de fora do debate e das notícias dele decorrentes a coligação que tem as propostas mais diferenciadas, praticamente um contraponto às dos cinco partidos que realmente têm direito de participar e ao sexto (o do prefeito Gilberto Kassab) que estará presente  porque Deus quer.

Retórica à parte, a Folha da Manhã continua sendo a mesmíssima empresa que cedia viaturas para o serviço sujo da repressão, durante a ditadura militar; e a Folha de S. Paulo continua sendo o mesmíssimo jornal que um dia ousou qualificar de  ditabranda  a ditadura mais bestial a que este país já foi submetido. Leopardos nunca perdem as pintas...

Reitero minha exortação a todos os companheiros de esquerda e a todos os verdadeiros democratas, no sentido de que manifestem seu inconformismo enviando mensagens à ombudsman. Mesmo que não haja resultados práticos, não devemos deixar essas infâmias passarem batidas. Resignarmo-nos, jamais! Eis as formas de protestar:
  • e-mail para ombudsman@uol.com.br;
  • telefonema para 0800 0159000; e
  • carta para al. Barão de Limeira 425, 8ºandar, São Paulo, SP CEP 01202-900, a/c Suzana Singer/ombudsman ou pelo fax 0/xx/11 3224-3895

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O JORNAL DA DITABRANDA FAZ JOGO MAIS SUJO AINDA NAS ELEIÇÕES. VAMOS PROTESTAR!

A Folha de S. Paulo noticia nesta 2ª feira (01/10) que pretende promover amanhã um debate entre candidatos a vereador das "cinco principais coligações nas eleições municipais deste ano e o partido do prefeito, Gilberto Kassab", quais sejam: Luíza Nagib Eluf (PMDB), Andrea Matarazzo (PSDB), Ricardo Young (PPS), Nabil Bonduki (PT), José Police Neto (PSD) e Celso Jatene (PTB).

A exclusão da coligação PSOL/PCB seria arbitrária e inaceitável.

Cientifiquei de imediato nosso candidato a prefeito Carlos Giannazi e o presidente do Diretório Muncipal paulistano, Maurício Costa, além de requerer a intervenção da ombudsman Suzana Singer, qualificando a iniciativa de "extremamente antidemocrática e, provavelmente, ilegal".

Exorto todos os companheiros de esquerda a manifestarem seu inconformismo com mais este ato de evidente discriminação contra as forças políticas combativas deste País. Eis os canais para se contatar a Suzana Singer:
  • e-mail para ombudsman@uol.com.br;
  • telefonema para 0800 0159000; e
  • carta para al. Barão de Limeira 425, 8ºandar, São Paulo, SP CEP 01202-900, a/c Suzana Singer/ombudsman ou pelo fax 0/xx/11 3224-3895

domingo, 30 de setembro de 2012

'VOCÊ PODE DIZER QUE EU SOU UM SONHADOR, MAS NÃO SOU O ÚNICO" (Lennon)

Apesar da superioridade artística de Caravaggio ...
No sábado ensolarado, fui ao chamado  vão do Masp  para gravar uma última imagem para a eleição 2012: candidatos do PSOL balançando os braços ao som do jingle de campanha.

Fizeram umas 30 tomadas para depois escolherem a melhor, com a câmara percorrendo, de extremo a extremo, a fileira de companheiros.

Não sei se na que aproveitarem estarei sendo focalizado no instante final, quando emendei no gesto de "vem pra cá!" a saudação do Poder Negro e do dr. Sócrates.

Foi inspiração de momento. Deu vontade de fazer, fiz, para deixar bem claro qual o tipo de chamamento que estou fazendo. É para a luta que eu chamo as pessoas, sempre...

Embora fosse de manhã, dividimos espaço com centenas de interessados na exposição  Caravaggio e seus seguidores, pelo último dia em cartaz.

Não sou nenhum obtuso insensível às artes plásticas; admiro muitas obras e já divulguei pintores e galerias. Mas, nunca ficaria tanto tempo numa fila para ver o original de uma tela que está ao alcance de uns cliques no computador.

Talvez porque não me sinta à vontade em museus e pinacotecas. Há veneração respeitosa no ar, como nas igrejas. Jamais pertenci a esse time.

Num daqueles ridículos questionários para fins eleitorais, taquei  umbandista  como minha religião. Verdadeiramente não tenho nenhuma, nem certeza aboluta da existência ou inexistência de Deus.

Mas, como os cultos afrobrasileiros sofrem frequentes ataques dos hitlerzinhos zumbis  e sempre curti os pontos de umbanda como música, resolvi não ficar em cima do muro. Mesmo porque, se eu decidisse adotar alguma religião, seria alegre, cheia de ritmos e de cores, jamais uma das soturnas. Sou chegado à vida, não à morte.

Enquanto esperava que a tropa se reunisse, resolvi distribuir meus folhetos para os que esperavam que a bilheteria abrisse.

...os Delacroix são melhor inspiração para nós.
Encontrei um nariz empinado atrás do outro, como se estivesse tentando entregar-lhes um verme.

E mentiam: "Não voto aqui". Ninguém votava em São Paulo. Mas, como eu não vira nenhum ônibus de excursão despejando estetas, desconfiei.

Tirei a prova dos nove: a alguns que recusavam, expliquei que não era nenhum tarefeiro de partido, mas sim o próprio candidato, defensor dos direitos humanos há 45 anos. Aí pegavam.

Irritado, deixei escapar da mão um folheto que veio rasgado; tive preguiça de o apanhar. Veio um chato atrás e ironicamente me devolveu com um "o senhor deixou cair".

Ah, bom! O perfil ficou completo.

São pessoas que descreem da política e da própria possibilidade de mudarmos as relações de poder no mundo; não movem uma palha para tornarmos realidade as utopias; querem apenas fazer parte da torre de marfim de uma sociedade desigual e desumana; ter seus êxtases em público para serem admirados pelos iguais; e aliviar a consciência com besteirinhas como a separação de vidros e plásticos nas lixeiras, como se dependesse dessas miudezas a salvação do planeta.

Meu maior sonho é ver outra primavera como a de 1968, quando a arte estava nas ruas e nós a tomávamos nas mãos, empunhando-a como bandeira.

Com uma pontinha de esperança de que ainda terei a chance de entrar no Masp e fazer o que Godard fez naquele Festival de Cannes que coincidiu com a  primavera de Paris: "derrubar as prateleiras/ as estátuas, as estantes,/ as vidraças, louças, livros, sim!"

Até lá, procurarei minha turma nos saraus da periferia, que é onde a arte está viva e fervilhante. Não nos mausoléus da avenida Paulista.

sábado, 29 de setembro de 2012

QUEM CHOCOU O OVO DA SERPENTE?

O trabalho de conclusão de curso da minha esposa foi sobre a Igreja Universal.

As informações que ela coletou e algumas que nâo pôde utilizar por motivos vários --principalmente para evitar retaliações contra suas fontes, pois se trata de gente perigosa-- me chocaram. Ofereci-o até, como livro, a duas editoras católicas, que não quiseram comprar a briga.

Também me incomoda que as evidências gritantes de crimes, contidas nas denúncias de promotores e numa série de reportagens irrefutáveis que O Estado de S. Paulo publicou em meados da década retrasada, não tenham desembocado em condenações e em medidas efetivas para proteger as vítimas --as que são privadas até do último centavo e as que perdem a saúde ou a vida por acreditarem em orientação médica de quem não é médico.

Pude, ainda, constatar que Edir Macedo é muito eficiente naquilo a que se propôs, o que o torna personagem das mais temíveis ao estender seus tentáculos para a política.

Então, fiquei estarrecido e indignado ao ler a notícia abaixo da Folha de S. Paulo, confirmando que, independentemente do  efeito Russomanno, o PT continuará favorecendo o crescimento do  partido da Igreja Universal, cuja criação foi estimulada pelo Lula.


É o que nunca me passou pela garganta no caso do ex-presidente: ele raciocina unicamente em função de conveniências políticas imediatas e menores. Quer que o PT vença eleições, pouco ligando para o fato de que um partideco reacionário por ele estimulado poderá um dia se tornar um partidão de características nazistóides e com influência extremamente nefasta na política brasileira.

Muitos colocam Lula nas alturas porque conduziu o PT à Presidência da República e colocou algumas migalhas a mais na mesa dos pobres.

Omitem, no entanto, que seu pragmatismo tosco levou à desideologização e descaracterização do PT, privando o Brasil de um partido revolucionário que poderia torná-lo um país igualitário, ao invés de um dos mais desiguais do planeta; e um país que oferecesse qualidade de vida ao seu povo, ao invés do que ostenta Índice de Desenvolvimento Humano tão ínfimo.

Governando numa conjuntura internacional extremamente favorável ao Brasil, Lula fez bem menos do que poderia, pois cumpriu religiosamente o pacto firmado com o grande capital em 2002, no sentido de manter as linhas mestras da política econômica neoliberal de FHC.

Está na hora de tomarmos dos capitalistas para distribuirmos ao povo, ao invés de apenas distribuirmos ao povo a merreca de que os capitalistas admitam abrir mão.

Delfim Netto, outro que Lula jamais deveria aceitar como companheiro de jornada, dizia, no tempo da ditadura, que era preciso esperarmos pacientemente o bolo crescer, para que depois pudesse ser dividido. 

Já cresceu, mas continuamos vendo a divisão por um binóculo. Enquanto permanecermos de braços cruzados, esperando a boa vontade dos que usurpam os frutos do trabalho alheio, não passaremos de pobres coitados.

Revolucionário existe para tornar o povo o sujeito da História. A diferença é enorme com os que querem mantê-lo na eterna dependência de homens providenciais, votando no partido que lhe oferece um tiquinho a mais do que as outras forças políticas, ao invés de exigir tudo a que tem direito.

Eis o esclarecedor texto do repórter Bernardo Mello Franco:


O PT pretende poupar a Igreja Universal de ataques caso Fernando Haddad passe ao segundo turno contra o líder Celso Russomanno (PRB), cujo partido é controlado pela denominação.

Os petistas temem uma retaliação da TV Record ao governo Dilma Rousseff e devem usar o ministro da Pesca, Marcelo Crivella (PRB), para negociar um pacto de não agressão na disputa.

Além disso, o ex-presidente Lula costurou a aproximação entre o PT e a igreja do bispo Edir Macedo e incentivou a criação da sigla aliada.

O vínculo do partido de Russomanno com a igreja do bispo Edir Macedo tem sido usado por José Serra (PSDB) e Gabriel Chalita (PMDB) como principal arma contra o líder das pesquisas.

Haddad, no entanto, tem evitado a polêmica. Limita-se a criticar, de forma genérica, o uso de máquinas religiosas em campanhas rivais.

"Nossa linha será desconstruir Russomanno pela ausência de propostas, sem entrar nessa coisa de igreja", diz o deputado estadual Simão Pedro, que integra a coordenação da campanha petista.

Bispo licenciado da Universal e ex-executivo da Record, o presidente do PRB, Marcos Pereira, diz estar "certo" de que o PT não usará a igreja contra seu candidato.

"Eles já optaram por não fazer isso", afirma. "Se o PT tentar dizer que as nossas propostas são falhas, é aceitável. O que não pode é levar essa questão da religião."