Fui ativista estudantil (1967/68). Militante clandestino (1969/70). Preso político (1970/71). Tenho travado o bom combate, lutando por um Brasil mais justo, defendendo os direitos humanos, combatendo o autoritarismo.

Sou jornalista desde 1972. Crítico de música e de cinema. Cronista. Poeta. Escritor. Blogueiro.

Tentei e não consegui eleger-me vereador em São Paulo. Mas, orgulho-me de ter feito uma campanha fiel aos objetivos nortearam toda a minha vida adulta: a construção de uma sociedade igualitária e livre, tendo como prioridades máximas o bem comum e a felicidade dos seres humanos.

Em que a exploração do homem pelo homem seja substituída pela cooperação solidária do homem com os outros homens. Em que sejam finalmente concretizados os ideais mais generosos e nobres que a humanidade vem acalentando através dos tempos: justiça social e liberdade.

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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

ELEITORADO QUERIA O NOVO. TEVE DE SE CONTENTAR COM O MENOS VELHO

Na eleição para prefeito de São Paulo havia duas certezas:
  • a chegada de José Serra no 2º turno;
  • sua derrota final.
Os sucessivos e cada vez mais insatisfatórios mandatos dos tucanos e seus aliados, no Estado e na cidade de São Paulo, saturaram o eleitorado. Com enorme rejeição, Serra jamais conseguiria remar contra esta maré. Seu eleitorado cativo só lhe permitiria levar a disputa para a prorrogação, tornando-se, a partir daí, presa fácil para o adversário.

Mais: os eleitores ansiavam pelo  novo.

Muito se falará sobre o talento que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem para eleger postes, mas a sorte desempenhou papel importante.

O espaço da novidade foi imediatamente ocupado por Celso Russomanno, beneficiando-se do prestígio televisivo e do apoio da Igreja Universal.

Sua arrancada fulminante impediu que um  novo  mais consistente (e menos identificado com a velha podridão) se afirmasse.

Nas duas semanas que antecederam o 1º turno, a propaganda do PT desconstruiu Russomanno, explorando episódios do seu passado e plantando na cabeça do eleitor a idéia de que ele iria encarecer o transporte coletivo. Não era bem isto, mas só candidato tolo faz propostas complicadas, que podem ser voltadas contra si, tendo pouco tempo no horário eleitoral para as explicar.

O esvaziamento do balão Russomanno, em cima da hora, não deu aos eleitores oportunidade para se direcionarem a outro  novo. O caminho ficou aberto para  o triunfo de Fernando Haddad.

A esquerda consequente fez campanha pelo voto nulo no 2º turno e tem um resultado apreciável para exibir: 500.578 votos (7,26%).

Somados aos votos em branco (299.224, 4,34%) e à abstenção (1.722.880, 19,99%), são quase três eleitores em cada dez (29,2%) que não viram motivos para votar nem em Haddad (3.387.720, 39,3%), nem em Serra (2.708.768, 31,4%).

Lembrem-se: estamos num país em que  O VOTO NÃO É FACULTATIVO (!), TENDO-SE MANTIDO, MESMO DEPOIS DA REDEMOCRATIZAÇÃO, SEU AUTORITÁRIO CARÁTER COMPULSÓRIO (!!) ATÉ A AVANÇADA IDADE DE 70 ANOS (!!!). Então, tais números evidenciam um enorme desânimo e insatisfação com as opções predominantes.

E que predominam exatamente porque o jogo é de cartas marcadas: os maiores partidos usam e abusam do poder econômico, além de praticamente monopolizarem o horário gratuíto.

De quebra, dão um jeito de fazer com que sejam cancelados os debates televisivos QUANDO TEMEM UMA ALTERAÇÃO DO QUADRO ELEITORAL. Foi o que a TV Record fez nos dois turnos e a Globo no 1º turno.

Ou seja, o sistema aprendeu como evitar que uma nova Luíza Erundina conquiste um governo importante, o que é fundamental para o deslanche de um pequeno partido.

Se já tivesse tal expertise em 1988, o PT levaria muito mais tempo para crescer e talvez não estivesse hoje, paradoxalmente, em condições de barrar os herdeiros dos seus ideais de outrora, como acaba de fazer na cidade do Rio de Janeiro, onde sua opção política foi, simplesmente, IMORAL.

sábado, 29 de setembro de 2012

QUEM CHOCOU O OVO DA SERPENTE?

O trabalho de conclusão de curso da minha esposa foi sobre a Igreja Universal.

As informações que ela coletou e algumas que nâo pôde utilizar por motivos vários --principalmente para evitar retaliações contra suas fontes, pois se trata de gente perigosa-- me chocaram. Ofereci-o até, como livro, a duas editoras católicas, que não quiseram comprar a briga.

Também me incomoda que as evidências gritantes de crimes, contidas nas denúncias de promotores e numa série de reportagens irrefutáveis que O Estado de S. Paulo publicou em meados da década retrasada, não tenham desembocado em condenações e em medidas efetivas para proteger as vítimas --as que são privadas até do último centavo e as que perdem a saúde ou a vida por acreditarem em orientação médica de quem não é médico.

Pude, ainda, constatar que Edir Macedo é muito eficiente naquilo a que se propôs, o que o torna personagem das mais temíveis ao estender seus tentáculos para a política.

Então, fiquei estarrecido e indignado ao ler a notícia abaixo da Folha de S. Paulo, confirmando que, independentemente do  efeito Russomanno, o PT continuará favorecendo o crescimento do  partido da Igreja Universal, cuja criação foi estimulada pelo Lula.


É o que nunca me passou pela garganta no caso do ex-presidente: ele raciocina unicamente em função de conveniências políticas imediatas e menores. Quer que o PT vença eleições, pouco ligando para o fato de que um partideco reacionário por ele estimulado poderá um dia se tornar um partidão de características nazistóides e com influência extremamente nefasta na política brasileira.

Muitos colocam Lula nas alturas porque conduziu o PT à Presidência da República e colocou algumas migalhas a mais na mesa dos pobres.

Omitem, no entanto, que seu pragmatismo tosco levou à desideologização e descaracterização do PT, privando o Brasil de um partido revolucionário que poderia torná-lo um país igualitário, ao invés de um dos mais desiguais do planeta; e um país que oferecesse qualidade de vida ao seu povo, ao invés do que ostenta Índice de Desenvolvimento Humano tão ínfimo.

Governando numa conjuntura internacional extremamente favorável ao Brasil, Lula fez bem menos do que poderia, pois cumpriu religiosamente o pacto firmado com o grande capital em 2002, no sentido de manter as linhas mestras da política econômica neoliberal de FHC.

Está na hora de tomarmos dos capitalistas para distribuirmos ao povo, ao invés de apenas distribuirmos ao povo a merreca de que os capitalistas admitam abrir mão.

Delfim Netto, outro que Lula jamais deveria aceitar como companheiro de jornada, dizia, no tempo da ditadura, que era preciso esperarmos pacientemente o bolo crescer, para que depois pudesse ser dividido. 

Já cresceu, mas continuamos vendo a divisão por um binóculo. Enquanto permanecermos de braços cruzados, esperando a boa vontade dos que usurpam os frutos do trabalho alheio, não passaremos de pobres coitados.

Revolucionário existe para tornar o povo o sujeito da História. A diferença é enorme com os que querem mantê-lo na eterna dependência de homens providenciais, votando no partido que lhe oferece um tiquinho a mais do que as outras forças políticas, ao invés de exigir tudo a que tem direito.

Eis o esclarecedor texto do repórter Bernardo Mello Franco:


O PT pretende poupar a Igreja Universal de ataques caso Fernando Haddad passe ao segundo turno contra o líder Celso Russomanno (PRB), cujo partido é controlado pela denominação.

Os petistas temem uma retaliação da TV Record ao governo Dilma Rousseff e devem usar o ministro da Pesca, Marcelo Crivella (PRB), para negociar um pacto de não agressão na disputa.

Além disso, o ex-presidente Lula costurou a aproximação entre o PT e a igreja do bispo Edir Macedo e incentivou a criação da sigla aliada.

O vínculo do partido de Russomanno com a igreja do bispo Edir Macedo tem sido usado por José Serra (PSDB) e Gabriel Chalita (PMDB) como principal arma contra o líder das pesquisas.

Haddad, no entanto, tem evitado a polêmica. Limita-se a criticar, de forma genérica, o uso de máquinas religiosas em campanhas rivais.

"Nossa linha será desconstruir Russomanno pela ausência de propostas, sem entrar nessa coisa de igreja", diz o deputado estadual Simão Pedro, que integra a coordenação da campanha petista.

Bispo licenciado da Universal e ex-executivo da Record, o presidente do PRB, Marcos Pereira, diz estar "certo" de que o PT não usará a igreja contra seu candidato.

"Eles já optaram por não fazer isso", afirma. "Se o PT tentar dizer que as nossas propostas são falhas, é aceitável. O que não pode é levar essa questão da religião."

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

NASCE UM MONSTRO

Está na Folha de S. Paulo:
"O candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, recebeu ontem uma oração do apóstolo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo.

Também ouviu o ministro da Pesca, Marcelo Crivella, dizer que os evangélicos não dependem do governo e defender o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal.

Senador licenciado pelo PRB, Crivella é sobrinho de Macedo e um dos bispos da Universal no alto escalão da sigla de Russomanno".
Os personagens citados nesta notícia dão uma boa idéia do que Russomanno realmente representa.  Dize-me com quem andas...

Estevam Hernandes foi acusado, em dezembro de 2006, de estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro pela Justiça brasileira, que bloqueou seus bens e os da  bispa  Sônia Hernandes.

Antes de ser preso no Brasil, o casal fugiu para os EUA e foi detido pelo FBI na alfândega da Flórida, por estar contrabandeando US$ 56 mil. Até uma Bíblia estava sendo usada para ocultar a grana.

Os dois tiveram de usar aquelas tornozeleiras de monitoração eletrônica ao deixarem a prisão sob fiança.

Confessaram-se culpados e a pena foi de 10 meses de prisão. A Justiça dos EUA também determinou o fechamento de todos os templos da Igreja Renascer, com exceção da sede, rebatizada como Reborn in Christ.

Apesar do empenho de vários promotores, a Justiça brasileira ainda não tomou decisão semelhante --nem mesmo quando o teto de um templo malconservado desabou em 2009 na zona sul paulistana, matando nove coitado, e surgiram fortes suspeitas de que a fiscalização teria sido subornada.

Edir Macedo foi preso em 1992 sob acusações de charlatanismo, curandeirismo e envolvimento com tráfico de drogas. Nem mesmo as reportagens consistentes, fundamentadas e acachapantes de O Estado de S. Paulo conseguiram fazer com que o caso avançasse na Justiça, nem que a ficha caísse para os fiéis.

Idem quando o Jornal Nacional levou ao ar, em 1995, um vídeo mostrando como Macedo ensinava seus pastores a depenarem os crédulos e como ele festejava a receita auferida. Fez lembrar o Tio Patinhas nadando na piscina de dinheiro...

Voltou ao noticiário policial em 2009: o Ministério Público de São Paulo o acusou de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Safou-se no ano seguinte, não por ter provado inocência, mas porque a investigação foi considerada ilegal.

Quanto a Marcelo Crivella, seu grande momento às avessas foi quando convenceu o Governo Federal a colocar tropas do Exército no Morro da Providência (RJ) para favorecer seu projeto eleitoreiro Cimento Social, em 2008. Os militares entregaram três jovens para serem executado por uma facção criminosa, a repercussão foi horrorosa e Crivella, até então um dos candidatos favoritos para a Prefeitura, não chegou nem no 2º turno.

Com madrinhas como estas ao lado do berço, os perspicazes logo concluirão que estamos assistindo é uma reprise do filme trash de 1974, Nasce um monstro...

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

ENCAIXOTANDO RUSSOMANNO

O bom jornalista Gilberto Dimenstein tocou num ponto interessante em seu artigo Russomanno está debochando?. Mas, nossas conclusões diferem um pouco.

Comecemos pelo Dimenstein:
"Geralmente (quase sempre, aliás) planos de governo e promessas de campanha quase se confundem em sua inutilidade. São apenas peças para atrair votos. Muitas das 'propostas' são elaboradas não por técnicos, mas por marqueteiros.

Uma vez eleito, o candidato é limitado pela realidade dos números --e os eleitores logo esquecem, afinal, resignam-se, 'todos os políticos são iguais'. Celso Russomanno, porém, parece estar conseguindo debochar ainda mais o que já é debochado.

Cobrado nos debates por não ter um programa, requentou (isso para ser generoso) um programa que entregou, por obrigação, ao tribunal eleitoral. Nenhuma --e nenhuma aqui não é força de expressão-- meta detalhada em números.
Algumas possibilidades, todas complicadas para quem se diz defensor dos direitos do consumidor:
  1. Ele não imaginava que iria tão longe na disputa eleitoral e que seria cobrado nos debates;
  2. Não acha plano de governo importante;
  3. Não acha que o eleitor ache plano de governo importante. E, portanto, tanta faz como tanto fez;
  4. Não dispõe de gente qualificada para, no mínimo, inventar um plano de governo.
Deveríamos inventar um Código de Defesa do Eleitor".
Russomanno deve mesmo ser combatido como o pior dos candidatos à Prefeitura paulitana, nem tanto pelo que é --não passa de um oportunistazinho que, por si só, nunca voaria alto--, mas por servir como  cavalo de Tróia  para Edir Macedo, este sim um vilão considerável, daqueles que constroem impérios do mal. Versão brasileira do  satânico Dr. Moon.

Todos os alarmes já deveriam ter soado quando se verificou a união de algumas empresas religiosas que, via de regra, competem encarniçadamente pelos otários a serem depenados. 

Se os vendilhões do templo somarem permanentemente as forças, como já fazem suas bancadas no Congresso, muita coisa ruim poderá acontecer. Afinal, têm um exército de zumbis para colocar nas ruas, o que hoje falta a quase todos os partidos, inclusive os de esquerda.

Hitler também era insignificante quando começou a discursar em cervejarias, daí ter sido tão subestimado. Deu no que deu.

Intolerância: o príncipio...
E alguns de seus truques estão sendo bisados, como a demonização de qualquer grupo como espantalho contra o qual unir o rebanho. Naquele tempo eram os judeus, agora são os devotos do cultos afrobrasileiros, os gays, os defensores do direito das mulheres ao aborto, etc. Nada se cria, tudo se copia.

Mesmo assim, sou obrigado, por minhas convicções, a fazer uma meia-defesa do Russomanno: plano de governo não tem mesmo importância nenhuma!

Trata-se de uma das muitas imposturas que a indústria cultural martela na cabeça dos eleitores, no sentido de reduzir as eleições a um mero cotejo de bonequinhos de ventríloquos a recitarem o blablablá dos marqueteiros, propostas mirabolantes e miudezas paroquiais.

O governador Geraldo Alckmin, evidentemente, não colocou na sua proposta de governo que detonaria os coitadezas da cracolândia e do Pinheirinho, nem que concederia à PM  licença para matar  (salvo no período eleitoral, quando, para salvar as aparências, age como acaba de agir: substituiu sofregamente um comandante da Rota que ele mesmo empossara e de cujos antecedentes --envolvimento no Massacre do Carandiru-- tinha a obrigação de estar ciente, não podendo alegar surpresa quando ocorre um mais do que previsível aumento da taxa de  homicídios oficializados).

O que deveria realmente ser considerado pelos eleitores é o programa do partido. Havendo um comprometimento com valores políticos e ideológicos bem definidos, o papel do eleito seria esforçar-se ao máximo para traduzir tais princípios na prática administrativa.

...e o fim.
Mas, claro, não interessa ao sistema fortalecer os partidos, pois os de esquerda teriam consistência muito maior. Então, a lavagem cerebral midiática é toda ela no sentido de  personalizar  a escolha.

O que vem ao encontro da cultura consumista: assim como se opta por uma marca de sabão, opta-se por um candidato. E ambos são embalados e promovidos da mesmíssima forma.

Então, melhor do que cobrar um plano de governo do Russomanno seria cobrar-lhe uma explicação pormenorizada sobre o que o atraiu no programa do PFL, no do PSDB, no do PPB/PP e no do PRB, já que são partidos com diretrizes e ideologias bem diferentes; por que saiu de um e ingressou no outro; se o atual é definitivo ou será trocado ao sabor das conveniências, etc.

Duvido que ele conseguisse encontrar alguma argumentação plausível para justificar sua ziguezagueante trajetória, típica de quem é movido pela ambição e por convicções.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

SAMPA QUER ELEGER UM NOVO CONSERVADOR. ARGH!

O jornalista Paulo Francis estava certíssimo ao qualificar a sociedade de consumo de  inferno pamonha, ou  bocó. Acertou na mosca.

Até a segunda metade do século passado, as criticadas elites procuravam, pelo menos, tornar o cidadão comum melhor do que era. Podia-se, claro, discordar do tipo de melhora que tinham em mente, mas não do conceito de que nossa jornada na Terra deva ser evolutiva. Não nascemos prontos, construímo-nos ao longo da vida.

A sociedade de consumo modificou para pior, bem pior, tal equação.

Os homens deixaram de ser tratados como cidadãos. Passaram a ser encarados, isto sim, como  consumidores. Não são mais  gente, são  mercado.

Então, não se questionam mais seus desejos. Se alguém estiver querendo comprar, haverá alguém disposto a vender. Literalmente  tudo, seja às escâncaras ou por baixo do pano.

Em termos psicológicos, isto significa, simplesmente, que as pessoas são mantidas numa eterna infância. Não superam mais o narcisismo inicial. Não encontram mais a justa medida entre o que querem e o que podem. Não aprendem que sua felicidade depende da felicidade dos outros, que sua satisfação e seu prazer serão muito mais completos se compartilhados.

Ao mesmo tempo, os objetos de consumo pelos quais tanto anseiam nunca são plenamente satisfatórios. E as vítimas da engrenagem infernal do sistema passam a vida inteira correndo atrás do que jamais obtêm, adquirindo o que não precisam e trabalhando sofregamente sem que haja justificativa real para tanto estresse e tanto enfarte.

Este é o motivo maior do declínio da esquerda nas últimas décadas. O que oferecíamos era uma perspectiva de sociedade melhor, na qual as pessoas se tornariam melhores: era o ideal do homem novo. 

Os consumistas passam a vida apaixonados pelo próprio umbigo e querendo ter o mundo como espelho, pois anseiam pateticamente por verem-se nele refletidos. Não o pretendem melhorar, o que gostariam é de melhorar a própria posição numa sociedade desumana e injusta. Vai daí que hoje são bem poucos os que se dispõem a dedicar a vida aos grandes ideais.

Há meio século a Escola de Frankfurt previu que chegaríamos exatamente a este  inferno pamonha, no qual os indivíduos perderiam o controle sobre suas próprias vidas, sem nem mesmo atinarem com os motivos de sua infelicidade, mesmerizadas pela influência atordoante da indústria cultural.

O que fazer? --indagaria Lênin.

Herbert Marcuse apostava que tal manipulação cientificamente implementada seria capaz de evitar que a maioria formasse uma consciência crítica, mas não que acontecessem, em determinadas circuntâncias, explosões espontâneas de revolta. Não dá para represar-se tudo. E as contradições insolúveis do capitalismo estão aí para fornecerem os estopins de tais explosões espontâneas; caso da crise econômica global.

Como nós, da esquerda, devemos nos comportar nos  intervalos  entre tais explosões espontâneas, nas marés vazantes, quando as massas não estiverem dispostas a nos acompanharem em voos mais altos?

É uma questão crucial.

Podemos manter a coerência com nossos ideais e, mesmo não influindo decisivamente nos acontecimentos políticos, continuarmos contestando as injustiças sociais, as formas mais sofisticadas de exploração do homem pelo homem que hoje predominam, a desumanização que o capitalismo promove e barbárie à qual nos conduz. Assim, estaremos nos qualificando para liderar contingentes mais amplos quando estes acordarem do coma induzido pelo sistema.

Há os que preferem combater o monstro com as armas do monstro, acreditando que não se tornarão monstruosos. No entanto, acabam é igualando-se ao que combatem. Não mudam o mundo; são mudados pelo mundo.

CANDIDATURAS IDEOLÓGICAS x CANDIDATURAS DE CONSUMO

Se o que os eleitores
queriam era um monstro...
É chocante, p. ex., vermos as eleições se tornarem uma disputa de quem melhor se encaixa no perfil de candidato identificado exatamente pelos métodos que as empresas utilizam para avaliar a viabilidade de  produtos: pesquisas qualitativas e as inferências dela extraídas pelos analistas.

Na eleição paulistana, o  produto  assim determinado como o de maior aceitação potencial no mercado seria um candidato ao mesmo tempo  novo  e  conservador.

Isto explica o empenho do Lula em impor o Fernando Haddad, que nem de longe tem a  cara do PT, mas se encaixa na imagem do  novo.

O PMDB também apostou numa figura de galã de telenovela, Gabriel Chalita.

O PSDB pensou que desse para maquilar o (hoje) conservador José Serra, fazendo-o parecer bem mais novo do que é. Botou-o para pedalar, para subir em skates, para bater pênaltis, etc., mas a mágica besta não funcionou: ele quase caiu do skate,  isolou  o sapato e mergulhou o ridículo, tornando-se o alívio cômico da campanha na internet.

Como já tinha a preferência  de cabresto  dos evangélicos zumbificados e dos videotas acostumados a vê-lo posar de paladino dos consumidores, o  novo conservador  para o qual o eleitorado está pendendo é Celso Russomanno.

Pior: com parcela substancial de votos tradicionalmente petistas.

Então, é hora de o PT fazer uma profunda reflexão sobre se compensou abandonar as candidaturas ideológicas e aderir às  candidaturas de consumo.

...encontraram:  esta imagem
atesta o acerto da escolha.
Antigamente, quem votava no PT era por acreditar nos ideais e posturas do PT. O partido era o fator decisivo.

Agora, o candidato petista é propagandeado da mesmíssima forma e faz as mesmíssimas promessas mirabolantes dos centristas, direitistas e dos meros fisiológicos. Não tem mais sequer os cabos eleitorais voluntários, precisa contratar tarefeiros.

Então, quando a figura não convence, como o insosso Haddad, o atual eleitorado petista migra insensivelmente para um antípoda ideológico como o Russomanno.

E, se um dia houver crise grave, nestes tristes trópicos em que o golpismo nunca se torna prática definitivamente sepultada, jamais lutará pelo governante que escolheu.

O grande Plínio de Arruda Sampaio certa vez colocou o dedo na ferida: valeu a pena o PT ter chegado à Presidência com o compromisso de manter intocada a política econômica neoliberal, ou seja, limitado a gerenciar os negócios capitalistas como um FHC o faria?

Da mesma forma, não seria melhor, vencendo ou perdendo a eleição, educar o eleitorado, tentando convencê-lo de que precisa, isto sim, de um  contestador, pouco importando se novo ou velho?  Pois, prostrando-nos desta forma aos humores momentâneos das massas, o que faremos quando a maré for fascista? Escolheremos um candidato que seja clone do Mussolini?!

Há dois milênios, Jesus Cristo já dizia que não: "O que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?" (Mateus, 26:16).

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A ESQUERDA DEVE PRIORIZAR SEMPRE A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Quando decidi disputar minha primeira eleição aos 62 anos --idade que já terei completado no 1º turno--, levei em conta fatores:
  • políticos, principalmente o imperativo de lutarmos contra o processo de fascistização em São Paulo, que tende a servir como modelo para todo o País;
  • pessoais, por tratar-se de uma oportunidade para furar o bloqueio macartista que a grande imprensa me impõe, como profissional e como personagem histórico; e
  • o caráter didático que minha campanha poderia ter, ao resgatar valores essenciais da esquerda da minha geração, hoje quase esquecidos.
Dei, p. ex., máximo destaque a algo que no passado era o óbvio ululante para revolucionários formados na tradição marxista ou anarquista: que nossa participação no Legislativo e Executivo, sob o capitalismo, tem caráter eminentemente tático, servindo para acumularmos forças e prepararmos a transição revolucionária, mas não se constituindo, jamais, num objetivo em si!

Só por ter chamado a atenção para esta postura fundamental, minha campanha terá valido a pena.

Igualmente importante está sendo a ênfase que dou à união da esquerda anticapitalista, pois hoje só conseguiremos exercer uma influência marcante no processo político se atuarmos como bloco. Seria exagero dizer que unidos venceremos, mas, com certeza, somando forças obteremos algumas vitórias, ponto de partida para sairmos da atual condição de coadjuvantes.

Desunidos, pelo contrário, perderemos todas as paradas. Rivalidades clubísticas pertencem ao universo das torcidas de futebol, não ao nosso. O que conta, para nós, é o objetivo maior de transformação da sociedade.

Neste sentido, proponho uma reflexão sobre as três candidaturas que encabeçam as pesquisas eleitorais.

Vencedor, José Serra manteria a parceria fascistizante com o governador Geraldo  Opus Dei  Alckmin. Seria mais do mesmo. Mais tropas de choque na USP, mais Pinheirinhos, mais pobres e doentes sendo escorraçados para favorecer os grandes empreendedores imobiliários (aqueles que financiam  generosamente  a campanha de quase todos os candidatos promissores do  sistema).

Celso Russomanno agregaria um componente ainda mais nefasto ao processo, além dos balões de ensaio totalitários que têm marcado os sucessivos governos dos tucanos e seus aliados: a emergência de um perigosíssimo populismo de direita. É um pesadelo pensarmos no que acontecerá se as más bandeiras estiverem sendo carregadas, na periferia e nos bairros pobres, pelo exército de zumbis cegamente submissos aos pastores eletrônicos.

Os vendilhões do templo, ao menos, limitavam-se a tocar seus negócios. A versão atual vai além, vandalizando templos umbandistas, perseguindo gays, querendo impor à sociedade uma tutela moral medievalista... e hostilizando a esquerda, como fez ao chantagear a presidente Dilma Rousseff. A bancada evangélica condicionou seu apoio ao projeto de criação da Comissão da Verdade à não participação de veteranos da resistência no colegiado. Jesus Cristo e sua vara estão fazendo muita falta...

Quanto a Fernando Haddad, que os companheiros da esquerda petista reflitam friamente: pode-se dele esperar uma firme oposição à escalada autoritária ou ficará no habital meio termo dos governos do PT no século 21? Ele é homem, p. ex., para desmontar o dispositivo de estado policial que Kassab sorrateiramente implantou, começando pela imediata exoneração dos 30 subprefeitos (num total de 31) que são oficiais da reserva da PM?

Então, repito minha exortação do 1º turno de 2010: quem vê no capitalismo o principal entrave à felicidade dos homens e a maior ameaça à sobrevivência da humanidade, tem de ser coerente, prestigiando os candidatos que assumem explicitamente posição contrária à desigualdade capitalista e favorável à transformação revolucionária: Carlos Giannazi (PSOL), Ana Luíza (PSTU) e Anaí Caproni (PCO).

Voto útil pode fazer sentido no 2º turno, para barrar uma candidatura nefasta como o foi a de José Serra e seu vice troglodita na última eleição presidencial, apoiada até pelas  viúvas da ditadura.

Mas, é importante priorizarmos, no 1º turno, o crescimento da esquerda autêntica em São Paulo, até para servir como estímulo à adoção de uma postura mais combativa por parte do próprio PT --o qual, vale lembrar, ficou devendo reações bem mais contundentes às  blitzkriegs  da dupla Alckmin/Kassab.

sábado, 15 de setembro de 2012

A ELEIÇÃO PAULISTANA ESTÁ SENDO UM TRIÂNGULO DAS BERMUDAS

O quadro eleitoral em São Paulo é desalentador.

O cavalo de Tróia das  empresas  (ou seria melhor dizer  gangues?) que atuam no mercado religioso encaminha-se para o 2º turno, já que as duas máquinas políticas mais poderosas desistiram de o tentarem derrubar desde já.

vira-casaca  e o  bebê de proveta  lançam sua munição mais pesada um contra o outro, apostando nas muitas vulnerabilidades do  explorador da fé acidental. Acreditam que, chegando lá, o vencerão facilmente no confronto final.

É uma aposta arriscada e que, no passado, muitas vezes teve resultados catastróficos --como catastrófica indubitavelmente seria a afirmação dos neopentecostais como força política de primeira grandeza, consequência óbvia se o tiro sair pela culatra.

A última chance de escaparmos deste  triângulo das Bermudas  são os debates eleitorais.

Se algum dos restantes sair-se muito bem, poderá atropelar na reta final, aproveitando a evidente falta de entusiasmo do eleitorado com o  bobo, o  mau  e o  feio  (a identificação com o filme famoso de Sergio Leone só não é total porque nem mesmo na acepção sarcástica do mestre do bangue-bangue à italiana o Fernando Haddad poderia ser considerado  bom, embora caia como uma luva quanto à maldade do Russomanno e à feiúra do Serra...).

Torço para que o companheiro Carlos Giannazi assuma-se como o candidato realmente antípoda do  sistema, a exemplo do Lula dos bons tempos. Assim, na pior das hipóteses, deixará sua marca impressa em cores vivas; e, para nós, a luta não acabará em outubro nem em novembro. Trata-se apenas de uma batalha e o que queremos é ganhar a guerra.

Que Giannazi, enfim, marque a diferença em termos ideológicos, pois jamais vai conseguir grande destaque numa disputa de quem virá a ser o melhor administrador em termos convencionais. Aí prevalecem inevitavelmente os que têm mais tempo no horário eleitoral e maior exposição na mídia.

A chance que lhe resta é uma só: convencer os eleitores de que se trata do único capaz de resgatar São Paulo das garras dos poderosos, evitando que a administração municipal continue priorizando negócios & negociatas em detrimento dos cidadãos.

Para quem sabe das coisas, trata-se do óbvio ululante. Os debates serão a última oportunidade para o Giannazi tornar o eleitorado ciente disto.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A DIFÍCIL JORNADA DE QUEM EXIGE RESPEITO AOS SEUS DIREITOS NO BRASIL

Quem acompanha minha trajetória, sabe que fui levado à penúria e quase tive minha vida destruída em 2004/5, por conta da INÉPCIA, ARROGÂNCIA, DESCASO e/ou PERSEGUIÇÃO de várias burocracias do Estado.

Seja por minhas convicções políticas, seja por estar sempre contestando consistentemente as decisões de funcionários que acreditam estar acima do Bem e do Mal, seja por coincidências e azares, o certo é que o raio, no meu caso, cai sempre no mesmo lugar.

Quando consegui fazer prevalecer meu direito na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e lancei um livro que me valeu alguma notoriedade, acreditei que tivesse deixado esse passado sofrido  para trás.

Ledo engano! Voltei a ter problemas de todo tipo, sendo, p. ex., INJUSTIÇADO CLAMOROSAMENTE pela Receita Federal, que decidiu contra mim uma pendência em que a outra parte era um ÓBVIO SONEGADOR, o qual me lesara e a muitos outros, fazendo-nos arcar com os tributos que a ele cabiam.

O pior de tudo está sendo a absurda morosidade do processo com que tento obter no STJ um direito LÍQUIDO E CERTO, que já foi reconhecido em vários outros casos idênticos. 

Quando a maratona chegava ao fim, com o único desfecho juridicamente plausível, uma decisão estapafúrdia do novo relator fez os trâmites retroagirem a uma etapa há muito superada, acolhendo argumentação que o titular anterior já havia rechaçado e, no julgamento de mérito, nove ministros, por unanimidade, desconsideraram. Um sozinho, mal acabado de chegar, desfez o que seus colegas fizeram ao longo de quatro anos!

Então, como a atual Lei do Inquilinato é 100% desequilibrada em favor dos locadores, que podem pedir um imóvel apenas porque querem, sem darem justificativa nenhuma e passando por cima do direito de idosos e crianças à moradia, vejo-me diante do imperativo de desocupar meu lar até o último dia do ano e sem ter como o fazer, já que a lentidão do STJ (mandado de segurança inconcluso depois de 68 meses é uma aberração, um estupro do direito do cidadão à Justiça!) priva-me dos recursos de que tanto necessito neste instante.

Mesmo assim, toco adiante minhas lutas, pois elas sempre foram o foco principal da minha existência.

Pois não é que até na campanha eleitoral me choco com barreiras estapafúrdias?!

Por uma questão de princípio, decidi não privar minha família dos recursos tão escassos neste instante. Invisto meu tempo e meus esforços, mais nada.

Pensei em apenas imprimir alguns folhetos e distribuir pela cidade. E, tendo recebido duas pequenas doações de campanha, preparava-me para xerocopiar a primeira leva, no melhor estilo artesanal.

Na semana passada, contudo, trombei com um gerente irredutível da Caixa Econômica Federal: ele acredita que as contas jurídicas eleitorais estejam submetidas às mesmas regras das jurídicas comuns e só admite liberar talão de cheques (único meio admitido de movimentação de uma conta eleitoral) havendo um depósito mínimo de R$ 500!

Apelei várias vezes à ouvidoria da CEF, por e-mails, mensagens no Fale Conosco e telefonema, lembrando o que dispõe a Lei nº 9.504, de 30/09/1997: 
"Art. 22:

§ 1º Os bancos são obrigados a acatar o pedido de abertura de conta de qualquer partido ou candidato escolhido em convenção, destinada à movimentação financeira da campanha, sendo-lhes vedado condicioná-la a depósito mínimo."
A redação do § 1º do Art. 22 foi modificada pela Lei nº 12.034, de 29/09/2009, tornando-se mais explícita ainda:
"Art. 22:

§ 1º Os bancos são obrigados a acatar, em até 3 (três) dias, o pedido de abertura de conta de qualquer comitê financeiro ou candidato escolhido em convenção, sendo-lhes vedado condicioná-la à depósito mínimo e à cobrança de taxas e/ou outras despesas de manutenção."
Ou seja, fica claríssima a intenção do legislador de não colocar nenhum tipo de obstáculo ao pleno exercício da democracia --o que, sem dúvida, ocorrerá se for estabelecida uma diferenciação entre os candidatos com doadores pródigos e os candidatos que recebem as parcas doações dos pobres.

De nada adiantou. A ouvidoria parece disposta a gastar até o último dia, dos 15 (!!!) que se reserva para analisar os casos a ela submetidos. Se não está apta a dar soluções urgentes para questões urgentes, de que serve, afinal?!

Também me queixei ao TSE e a resposta foi patética: aconselharam-me a recorrer à ouvidoria da CEF!

A arraigada tradição autoritária brasileira, expressa no olímpico descaso com que os cidadãos são tratados pelas grandes organizações, serve como combustível para a carreira de espertalhões como Celso Russomanno.

É fácil passar-se por D. Quixote quando os moinhos são mesmo dragões. Um povo indefeso acaba não distinguindo os defensores interesseiros daqueles que realmente se preocupam com ele; fica grato a quem lhe concede, como CARIDADE, o que na verdade é DIREITO.

Sem o beneplácito dos poderosos e sua mídia (muito pelo contrário!), SÓ ME RESTA DAR UM EXEMPLO PESSOAL DE DEFESA DOS DIREITOS QUE TODOS TEMOS, POUCOS CONHECEM E SÃO MENOS AINDA OS QUE SABEM COMO OS EXIGIR. 

Mesmo que várias vezes acabe prejudicado e injustiçado. Mas, eu não saberia viver de outra maneira. 

Num país mais kafkiano ainda do que a Áustria-Hungria de Kafka, escolho ser um Joseph K. que não se resigna à força maior e luta sempre até o fim.

P.S.: na tarde de 4ª feira, 12, a Ouvidoria da CEF me comunicou que o talão estava ao meu dispor.

domingo, 9 de setembro de 2012

UNIVERSAL USA TEMPLO COMO COMITÊ. LEI ELEITORAL PROÍBE

A Folha de S. Paulo tem abordado em suas reportagens a contaminação da campanha política paulistana pela poderosa rede de exploração da fé que atua em São Paulo (e no Brasil inteiro) por culpa das autoridades omissas.

Motivos legais há de sobra para enquadrar-se toda essa gente no crime de estelionato; muitos, também no de curandeirismo; afora delitos complementares como a lavagem de dinheiro, que está para este novo tipo de gangsterismo como a sonegação de impostos estava para Al Capone.

E, se a lei relativa a lavagem cerebral fosse atualizada para abarcar a evolução do conhecimento científico nas últimas décadas, sem dúvida se aplicaria também aos manipuladores que depenam coitadezas tornados incapazes de se defenderem por si próprios, até lhes arrancarem o último centavo.

É óbvio que deve existir algum interesse menos nobre por trás da diligência atual da Folha. Sempre há. 

O que importa é se as reportagens estão ou não sendo conduzidas com correção jornalística (e tudo indica que estejam), ao exporem tais procedimentos ilícitos, que desvirtuam a campanha e têm de ser rigorosamente apurados pelo TRE.

A reportagem da Folha deste domingo caracteriza o uso ilegal e espúrio, para atividades políticas, de imóveis que alegadamente abrigam templos religiosos e, como tais, são inclusive beneficiados por isenção fiscal.

Com isto é infringida, p. ex., a Lei nº 9.504, de 30/09/1997, cujo artigo 24 estabelece:
É vedado, a partido e candidato, receber direta ou indiretamente doação em dinheiro ou estimável em dinheiro, inclusive por meio de publicidade de qualquer espécie, procedente de:
VIII - entidades beneficentes e religiosas
Tal restrição foi mantida na Lei nº 11.300, de 10/05/2006.

O templo e a kombi: ilegalidade flagrada.
Como a aquisição ou aluguel de imóvel para funcionamento de um comitê eleitoral é "estimável em dinheiro", a burla da lei eleitoral é evidente. Leiam e constatem:
"O principal templo da Igreja Universal do Reino de Deus em São Paulo vem sendo usado pela campanha do candidato do PRB à prefeitura, Celso Russomanno, como um tipo de comitê informal.

O estacionamento do templo da av. João Dias, em Santo Amaro (zona sul), é ponto de encontro de equipes que saem diariamente para fazer campanha nas ruas. À tarde, retornam ao local para devolver materiais de campanha como bandeiras e adesivos.

O partido de Russomanno é comandado por pastores e bispos da Universal, e alguns deles ocupam os principais cargos da coordenação de sua campanha...

A Folha acompanhou quando cerca de 50 cabos eleitorais chegaram ao local, anteontem, por volta de 17h30. Bandeiras em mãos, eles entraram pela lateral do prédio, que dá acesso ao estacionamento, frequentado por fiéis que vão aos cultos.

Os trabalhadores, todos jovens, se dirigiram a uma mesa caraterizada como sendo da Força Jovem Brasil, grupo da juventude da Universal.

Eles formaram filas para deixar ali as bandeiras, que foram colocadas em duas peruas 'adesivadas' com propaganda de Russomanno e do pastor Jean Madeira, líder da Força Jovem, que concorre à Câmara pelo PRB.

Os veículos estavam estacionados dentro do templo.
No interior do prédio, a reportagem foi convidada para trabalhar na campanha de Russomanno por um jovem. Ele ofereceu R$ 150 por semana para uma jornada diária de sete horas. Disse que o pagamento é feito no local.
O cabo eleitoral afirmou ainda que, caso a oferta fosse aceita, ele poderia ser encontrado no próprio estacionamento da igreja após o culto, do qual iria participar.

Questionados se trabalhavam para a campanha do candidato a prefeito ou do pastor Madeira, os cabos eleitorais disseram que eram funcionários de Russomanno.
Eles portavam alguns materiais de propaganda exclusivos do candidato, como adesivos com a inscrição 'sou padrinho' de Russomanno.

Os jovens disseram que atuam no largo 13 de Maio. No momento em que a reportagem esteve no templo, eles participavam de uma reunião em que se discutia a escala de trabalho nas ruas..."

sábado, 8 de setembro de 2012

LÁ VEM O RUSSOMANNO COM SEU EXÉRCITO DE ZUMBIS.DEUS NOS ACUDA!

Está na Folha de S. Paulo:
"Pastores da Assembleia de Deus - Ministério de Santo Amaro transformaram um culto de aniversário de seu presidente, pastor Marcos Galdino, ontem à noite, em um ato da campanha de Celso Russomanno à Prefeitura.

Os pregadores pediram que cada fiel consiga cem votos para o candidato do PRB, que teve seu número de urna divulgado no púlpito.

'Eu quero pedir um presente pra vocês. Levem o nome do Celso Russomanno para mais cem pessoas. Vocês têm família, parentes, pessoas onde vocês trabalham. Temos uma meta a ser alcançada', disse o pastor Galdino.

Ele afirmou que a sede da igreja, em Santo Amaro (zona sul), recebeu 2.000 pessoas ao longo do dia. 'Se todos alcançarem [a meta], com certeza conseguiremos mais de 500 mil votos pra abençoar sua vida', continuou.
O pastor também instou os fiéis a gritar 'glória a Deus' se quisessem 'melhor saúde, transporte e educação para nossa cidade' e que os que acreditassem na vitória de Russomanno levantassem a mão. 'Vocês creem que ele será o próximo prefeito de São Paulo?', pregou.
Boa parte da plateia levantou a mão, aos gritos de 'aleluia'. O pastor disse que falava como 'profeta de Deus'.
Após uma oração para que Russomanno seja 'bem sucedido em prol dos desígnios dessa cidade', Galdino orientou cada fiel a cumprimentar a pessoa ao seu lado no templo falando 'dez, dez abraços', em referência ao número do PRB na urna eletrônica.
Ele também criticou o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e o candidato do PSDB, José Serra, que teriam sido apoiados pela igreja no passado".
É o que venho alertando há algum tempo: os  pa$tore$ eletrônico$, que propagam e tornam cada vez mais rentável o culto ao bezerro de ouro, podem se tornar uma força política de primeira grandeza caso se apossem do governo e passem a gerir o orçamento da principal cidade brasileira.

Lembrem-se: Hitler só foi tão longe porque suas futuras vítimas o subestimaram. Começando pelos socialistas que, desatinadamente, atacaram a democracia alemã pela esquerda enquanto os nazistas o faziam pela direita.   

Contando com um exército de zumbis que atuarão como cabos e tarefeiros eleitorais gratuítos, até onde os exploradores da fé poderão chegar? O céu é o limite. 

Mas, para a democracia brasileira, o quadro que se delineia é o de um inferno. Deus nos acuda!

Não tenho dúvidas: o principal inimigo a ser enfrentado pelos cidadãos conscientes, na eleição paulistana, é Celso Russomanno.

José Serra já não oferece risco nenhum.  O monopólio tucano no estado e na cidade de São Paulo saturou--e a pregação monocórdia do velho vira-casaca, mais ainda. É um cadáver político pronto para ser definitivamente sepultado no dia 7 de outubro.

Mesmo que Fernando Haddad seja, desta vez, carregado para o poder por seus tutores presidenciais, pela máquina petista e pela melhor propaganda enganosa que o dinheiro pode comprar, é ave de voo curto. Com seu carisma zero nem a governador chegará.

O papel de Gabriel Chalita na eleição se resume a puxar votos para vereadores. A vocação do PMDB não é mais a de governar, mas sim a de ser muito bem recompensado para servir aos que governam, trocando o apoio de sua bancada pelas melhores Pastas. São os  profiissionais da governabilidade...

Já o projeto concebido para Russomanno pelos mentores de sua candidatura é muito mais ambicioso. Tanto que consegue unir todos os comerciantes que atuam em tal nicho do mercado, superando as querelas habituais entre os que disputam a mesma freguesia. 

Afora o padrinho principal (aquele que ficou imortalizado no vídeo da  apoteóse do butim), Russomanno está sendo apoiado também por aqueles que escondem dólares na bíblia para burlar alfândegas e cujos templos malconservados desabam na cabeça dos fiéis.

E, como se pode ver acima, também pela Assembléia de Deus. E sei lá quantos outros   mais do mesmo.

Repito: Deus nos acuda!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A AMEAÇA RUSSOMANNO: O QUE É QUE EU VOU DIZER LÁ EM CASA?!

O bordão do locutor esportivo Sílvio Luiz cai como uma luva neste momento em que o eleitorado paulistano se mostra propenso a repetir a bobagem que fez elegendo Jânio Quadros prefeito e votando maciçamente nele para governador e presidente; assim como quando votou maciçamente em Fernando Collor para presidente.

Foram outras candidaturas de aparentes  outsiders, cuja filiação a partidos nanicos ajudou a criar a ilusão de que marchavam contra a corrente, dispostos a confrontar as elites políticas que o eleitorado não suportava mais.

Ledo engano. A podridão foi a mesma, acrescida de turbulências causadas pela insuficiência dos seus esquemas de sustentação.  

O primeiro perdia votações importantes no Congresso e tentou virar a mesa, mas sua tentativa amadoresca de golpe de estado não só deu com os burros n'água, como colocou o país na direção de uma longa ditadura.

Quanto ao Collor, acabou defenestrado porque, mesmo tendo as forças dominantes no parlamento contra si, cometeu erros primários como o de manter um tesoureiro que deixava as digitais impressas em todas as ilegalidades.

O que se poderá esperar caso a principal cidade do país caia nas garras de um partido fantasmagórico chamado PRB, cavalo de tróia dos mais vorazes exploradores da fé? Que o  mensalão  vire   dizimão?

Pior: o tal PRB está menos na linha do PDC de Jânio, pequeno porém decente, e mais na do PRN de Collor, que foi um típico  partido gazua  para arrombar os cofres públicos.

Celso Russomanno tem outra semelhança marcante com Collor: antes de vestir a pele de cordeiro, fez parte das piores alcatéias.

No caso de Collor, a Arena --partido que dizia amém às atrocidades da ditadura militar.

No caso de Russomanno, o PFL --para o qual migraram os arenosos que queriam perpetuar-se no poder em plena redemocratização.

O primeiro posava de caçador de marajás, o que fez da bela canção do Milton Nascimento, "Caçador de mim", uma piada pronta.

O segundo se beneficia da candura de eleitores gratos pela existência de espaços para a defesa do consumidor na TV e incapazes de perceber que o mérito não é do apresentador. Trata-se do mesmo tipo de gente que hostiliza vilãos de telenovela quando os encontra na rua.

Depois de passar pelo PFL, PSDB, PPB e PP, Russomanno viu a luz: melhor do que ser mero coadjuvante nos grandes partidos ou ter como padrinho um Paulo Maluf já descendo a ladeira é pedir a benção a Edir Macedo, garantindo, de cara, os votos de um rebanho de mesmerizados.

Ou, mesmo que  rebanho  seja um coletivo um tanto impróprio neste caso, de  avestruzes: afinal, enterraram a cabeça na areia quando as evidências gritantes de estelionato estavam sendo escancaradas pela imprensa (com direito a um vídeo repulsivo de  celebração do butim).

Tais zumbis certamente fechariam os olhos aos podres do passado de Russomanno. Eleitorado cativo é bom ponto de partida para qualquer candidatura.

Ter a seu dispor uma rede de TV também ajuda --e muito! Começando pela permanência no ar até cinco meses antes das eleições, o que pode não ser ilegal mas, sem dúvida, é imoral. Os candidatos sem beneplácito da  máquina de fazer doidos  que o digam.

E, se certos métodos dão tão certo em atividades empresariais do segmento religioso, por que não aplicá-los com o mesmíssimo fim nas do segmento político? 

Então, deve estar tendo grande serventia para Russomanno o know-how de figurões da Igreja Universal, como o  bispo  Marcos Pereira (presidente nacional do PRB e seu coordenador de campanha) e o  pastor  Vinicius Carvalho (presidente estadual do PRB e responsável por sua agenda do candidato).

Isto para não falar do tesoureiro  Aildo Rodrigues Ferreira...

Quem não aprende com as lições da História, está fadado a passar de novo pelas mesmas agruras e tragédias. 

E também por alguns vexames.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

DISSECANDO O DEBATE ELEITORAL, SEM PAPAS NA LÍNGUA

Debates eleitorais me provocam a mesma reação que, em tempos idos, um grande escritor teve ao ver um filme de Hollywood.

Desavisadamente, ele aceitou uma encomenda de roteiro. Mas, não frequentava cinemas nem tinha a menor idéia da besteirinha que dele esperavam. 

Os produtores, gentilmente, convidaram-no para assistir, na cabine, a uma fita mais ou menos na linha daquela que pretendiam fazer. Depois de uns 10 minutos ele foi embora, perplexo e enojado. Abandonou, claro, o projeto. Jamais desceria tanto.

No debate de candidatos a prefeito promovido na 2ª feira (3) pela Folha de S. Paulo e Rede Manchete, fiquei com pena do companheiro Carlos Giannazi, obrigado a tentar abrir caminho em meio a tantas imposturas e tantos farsantes.

A maior de todas imposturas, claro, é o fingimento de que o prefeito seja uma espécie de gerentão que toma conhecimento e supervisiona pessoalmente cada ação administrativa, com liberdade para decidir o que bem entender. Eu vou fazer, eu vou acontecer, no meu governo isto, no meu governo aquilo... que comédia de mau gosto!

Trata-se de uma ilusão forjada para  adequar a política ao consumismo que, como mola-mestra do capitalismo terminal e putrefato dos dia de hoje, é o canto de sereia que nos arrasta para as profundezas da depressão econômica e das catástrofes ambientais.

Os candidatos não passam de produtos e como tais são vendidos, quase sempre por meio de propaganda enganosa. Uns garantem que não são cavalo de tróia dos mercadores da fé, outros que ficaram alheios à corrupção com a qual estão, isto sim, amalgamados. Quem consome cervejas associando-as a mulheres gostosas e não vê diferença entre os repulsivos bancos e as doces crianças, talvez engula também os protestos de inocência desses patéticos canastrões.

Governantes, sob o capitalismo, são meros títeres do poder econômico, obrigados a obedecer caninamente àqueles que realmente mandam. Quanto maior a importância da decisão a ser tomada, menor é a sua autonomia. Cuidam do acessório e fazem o que deles se espera no fundamental.

Eleições se travam entre grupos de interesses, representados pelos partidos. O que conta, em última análise, são as agremiações e as barganhas que elas acertam ou intermediam, não as características pessoais dos que são pinçados para aparecer na vitrine. Talvez um dia se chegue à perfeição de escolhê-los nas agências de modelos.

AVALIAÇÃO DOS INTÉRPRETES

Haddad não tem o charme de Chris Sarandon
e o eleitorado vai cravar-lhe uma estaca
Uma das minhas tarefas, quando atuava em assessorias de comunicação, era treinar sapos empresários para que parecessem garbosos príncipes ao darem entrevistas. Tinha ganas de vomitar quando um desses tacanhos ganhadores de dinheiro aparentava brilhantismo repetindo uma frase que eu criara para ele (às vezes tendo de a explicar pacientemente, pois o energúmeno não captava seu sentido...).

Então, avaliando criticamente as  interpretações, considero que se desincumbiu bem do seu papel Celso Russomanno, lobo quase perfeito em sua pele de cordeiro graças à experiência adquirida na TV. Mas derrapou ao deixar transparecer homofobia quando disse que seu partido aceita ATÉ  homossexuais. [Aliás, o que mais se poderia esperar de um partideco que aceita ATÉ pastores eletrônicos dedicados ao estelionato, curandeirismo, lavagem cerebral e instigação do ódio?]

Fernando Haddad lembra fisicamente o vampirão do primeiro A hora do espanto (interpretado por Chris Sarandon), só que sem o charme. A agência de modelos teria dúzias de opções melhores para sugerir. Ao vivo e em cores, com sua total falta de jeito e de carisma, desconstrói a enganação que os marqueteiros laboriosamente criam.

Ouso antecipar que não vai ser ele o adversário do Russomanno no segundo turno, pois se apresentará canhestramente em todos os debates; nesse aí não há Duda Mendonça que dê jeito. Anotem e me cobrem depois.

José Serra é carta fora do baralho. O monopólio de poder tucano no estado e na cidade cansou, a retórica do Serra mais ainda e, para piorar, ele carrega uma mala sem alça chamada Gilberto Kassab. Doravante só conseguirá eleger-se deputado federal, como o Maluf.

José Serra não assusta mais ninguém: final
melancólico de quem já travou o bom combate
Cruelmente, o comentarista Fernando Rodrigues notou que Serra muito fez para simular jovialidade aos 70 anos, mas ficou é parecendo gagá ao trocar as bolas, confundindo o dirigente do PRB ao qual Russomanno se referira:
"...é o candidato com a idade mais avançada. Luta para parecer demonstrar vigor. De maneira subliminar, emitiu um sinal oposto".
Ex-presidente da UNE e ex-exilado político (quem te viu, quem te vê...) deveria mirar-se no exemplo dado por Plínio de Arruda Sampaio no último pleito presidencial. Não tentou em momento algum disfarçar sua condição de octogenário. Perdeu a eleição, mas ganhou respeito e admiração, além de sair com a dignidade intacta. Como não forçou a barra subindo em skates, deles não despencou.

Soninha Francine é outra que está brigando com a certidão de nascimento. Faz caras e bocas de uma moçoila de 18 anos, mas tem 45. Não deveria insistir no estereótipo MTV. As pessoas percebem.

Fez-me lembrar Heloísa Perissé, fingindo ter um terço de sua idade real (46), ao contracenar com os realmente jovens em O diário de Tati (o que um bom pai não suporta por suas princesas?!).

Levy Fideles é candidato de si mesmo e mais ninguém; deve gostar muito de sua imagem no espelho.

Paulinho da Força se esforça, mas a referência à pequena bancada do PSOL foi infame. Lênin provocou risos no primeiro semestre de 1917, ao afirmar que seu minúsculo Partido Bolchevique estava pronto para assumir as responsabilidades do poder na Rússia. No semestre seguinte ele provou que estava.

Este é o verdadeiro palco para os candidatos
de esquerda: aqui Giannazi prevalece
Gabriel Chalita é o simpático galã com que o Lula sonhava ao impor a candidatura de um eterno coadjuvante (Haddad). Poderá vir a ser a cara nova para a qual o eleitorado se voltará, até porque seus passaralhos de professores no passado não pegam tão mal quanto as  ligações perigosas  e projetos disparatados do Russomanno.

Quanto ao Giannazi, tem trajetória irrepreensível, uma história edificante (quantos, hoje em dia, prefeririam ser expulsos do partido do que trair seus eleitores e suas convicções?) e representa aos que travamos o bom combate. 

Ele é o que o Serra um dia foi e os demais nunca foram nem serão: um personagem de envergadura histórica. 

Mas, ao que tudo indica, não conseguirá sobressair como é necessário  se continuar respeitando as regras de um jogo de cartas marcadas. 

Com suas promessas mirabolantes, imagens recauchutadas/maquiladas por marqueteiros, máquinas políticas poderosas e investimentos maciços em propaganda (uma frase imortal do Zé Celso Martinez Correa: "Os publicitários são filhos de Goebbels"), os candidatos do sistema conseguirão convencer o eleitorado de que serão melhores prefeitos, tendo como referencial o perfil desideologizado de prefeito que a indústria cultural martela dia e noite.

Eu tentaria me apresentar aos telespectadores como a alternativa: o prefeito dos humilhados, ofendidos, explorados e excluídos, em contraposição aos que não passam de candidatos... a humildes serviçais dos poderosos. 

Está na hora de ouvirmos a palavra revolução orgulhosamente proferida num desses debates de TV, como o objetivo final dos nossos esforços. Os ventos de mudança, aliás, sopram em nosso favor. 

Como disse um dos maiores heróis deste país que tão poucos produziu, cabe-nos ousar lutar, ousar vencer, assumindo o que temos de melhor e o que mais nos diferencia desses farsantes: somos revolucionários!

domingo, 26 de agosto de 2012

O QUE EU FAÇO NO MEIO DESTA ELEIÇÃO?

Apesar de existirem milhares de filmes que podemos baixar na internet, ainda não consegui colar no meu álbum algumas  figurinhas carimbadas. Pacientemente, torno a procurá-las de tempos em tempos, apostando em que algum internauta as acabará disponibilizando para download.

Caso de uma western humorístico que vi há quatro décadas, O que eu faço no meio desta revolução?, dirigido por um mestre do bangue-bangue à italiana (Sergio Corbucci) e protagonizado pelo extraordinário Vittorio Gassman. Como ninguém postou legendas, de nada me adianta o torrent do filme, pois não entendo de ouvido o idioma dos meus avós.

Lembro-me remotamente das agruras do ator que, em turnê pelo México, envolve-se casualmente com a revolução de Villa e Zapata, passa o tempo todo tentando safar-se do imbroglio, mas, no final, a acaba assumindo e, parece-me, tendo morte heróica.

É como às vezes me sinto em relação à campanha eleitoral.

A Folha de S. Paulo mancheteia neste domingo que 64% dos paulistanos querem ver mantida a obrigatoriedade do horário eleitoral em rádio e TV. O horror, o horror!

Nem o fato de que qualquer dia aparecerei durante segundos na propaganda do PSOL (o suficiente apenas para cruzar os braços e encarar os telespectadores...), me faz ter a mais remota simpatia pelo interminável desfile de candidatos patéticos, que sempre relacionei a outra fita italiana, esta uma obra-prima de Ettore Scola: Feios, sujos e malvados (1976, c/ Nino Manfredi).

Para quem vê na política o instrumento para transformar a sociedade, no sentido de despertá-la do pesadelo capitalista e propiciar o advento da "terra da amizade, onde o homem ajuda o homem" (belíssimos versos de um dos temas musicais de Arena conta Zumbi), nada pode ser mais depressivo do que tal demagogia grotesca e delirante, tal toma lá o voto sem quase nunca darem cá a ninharia que prometem, tal carnavalização como forma de chamar atenção, tais ambições pequenas de pessoas idem.

O que o Giannazi, um homem idealista, articulado e de trajetória política exemplar, tem em comum com esses farsantes medíocres, esses Russomannos, Haddads e Chalitas? Nada, absolutamente nada. 

É um Gulliver obrigado a disputar espaço com liliputianos... que, se não conseguirmos tirar leite de pedra, acabarão prevalecendo sobre ele por terem poderosas máquinas partidárias, muito mais recursos financeiros, exposição maior na mídia e no horário eleitoral, mensagens que vêm ao encontro das aspirações dos eleitores aferidas em pesquisas qualitativas, etc.

Tratar uma candidatura como produto tem tudo a ver com a sociedade de consumo; é a linguagem a que o grande público está habituado e condicionado. Quem se propõe a aclarar as consciências ao invés de embotá-las leva enorme desvantagem.

O verdadeiro palco para a esquerda sempre foram  as escolas, as ruas, campos e construções, onde o contato com as massas é direto e dramático, não as telinhas que separam  os homens dos outros homens para que, cada um por si, sucumbam mais facilmente à manipulação e à desumanização. 

Mas, se participarmos do mafuá eleitoral gratuíto é ruim, pior ainda seria se nem esta ínfima brecha aproveitássemos para tentar sensibilizar os corações e despertar as mentes.

Em circunstâncias muito raras e especiais, os Davis conseguem vencer os Golias. Só que, se não formos com nossas fundas para o campo de batalha, nunca saberemos se estávamos ou não diante de uma dessas oportunidades únicas. 

Como disse o Vandré numa canção de homenagem ao Che, "Quem afrouxa na saída/ Ou se entrega na chegada/ Não perde nenhuma guerra/ Mas também não ganha nada".

sábado, 25 de agosto de 2012

A MÍDIA ESCANCARA OS PODRES DO RUSSOMANNO... COM ANOS DE ATRASO!

Um leitor me mandou e-mail sugerindo que apresentasse metas de campanha e planos para a cidade, ao invés de expor o ridículo de candidatos como Celso Russomanno.

É como a indústria cultural quer que sejam tratadas as eleições municipais: sem confronto ideológico.

É como a indústria cultura conseguiu tornar chatíssimos os debates televisivos, transformando-os em mera formalidade que não altera o resultado da eleição, quase sempre ditado pelo poder econômico.

Enquanto isto, os jornalões multiplicam as denúncias, exumando maracutaias antigas que há muito deveriam ter sido escancaradas. Só o são quando isto convém aos barões da mídia e aos interesses que eles representam.


Caso da trajetória política de Celso Russomanno, um mar de impropriedades, prováveis ilicitudes, demagogia grosseira e projetos estapafúrdios.

Por que não se trouxe tudo isso à baila antes de ele assumir a liderança das pesquisas de intenção de voto para a Prefeitura de São Paulo? Eram pecadilhos para um deputado e são pecados mortais para um prefeito?

Como se trata de um dos piores candidatos paulistanos e de uma grave ameaça à democracia (pois poderá garantir para os devotos do cordeiro de ouro a conquista de um bastião político de primeira grandeza, contribuindo para alastrar ainda mais o fisiologismo na política), vou reproduzir trechos da notícia deste sábado da Folha de S. Paulo.

Mas, insistindo em que a informação deve ser sempre disponibilizada para os leitores, ao invés de arquivada para uso (ou não) em momentos estratégicos. É bem mais fácil esmagarmos os ovos de serpente do que combatermos os ofídios já crescidos.


"O candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, que deu impulso a sua carreira política trabalhando pela defesa dos consumidores, procurou o governo federal em 2004 para defender interesses de uma empresa que deu calote em 110 mil pessoas e quebrou pouco tempo depois.

A empresa chama-se Valor Capitalização e era controlada pelo Banco Santos, que foi à lona em 2004. A empresa e o banco estão em processo de liquidação judicial.

Russomanno, que na época era deputado federal, levou à Advocacia-Geral da União uma proposta da Valor para que os bingos, fechados em fevereiro de 2004, fossem autorizados a vender títulos de capitalização.

Segundo ele, seria uma maneira de ocupar os imóveis que ficaram ociosos com o fim dos bingos e dar emprego aos seus ex-funcionários. Para a Valor, seria uma maneira de ampliar suas vendas e salvar o negócio.

A situação da Valor quando Russomanno tentou ajudá-la era nebulosa por conta das operações que fazia com o Banco Santos.

No balanço de 2004, os auditores dizem que 'não é possível' apurar a saúde financeira da empresa. Em dezembro daquele ano, o Banco Central interveio no Santos por conta de um rombo que chegou a R$ 2,6 bilhões.

...Russomanno pediu à Advocacia-Geral da União um 'parecer técnico' sobre a proposta da Valor. Os pareceres da AGU, quando aprovados pelo presidente da República, têm caráter normativo e valem como se fossem lei.

O pedido foi rejeitado por consultores do Ministério da Fazenda que examinaram o caso a pedido da AGU. 'A proposta (...) não se mantém do ponto de vista legal', escreveram num parecer de abril de 2007. 'Não há como substituir uma ilegalidade, uma atividade já interditada'.

Na época da proposta, a empresa era alvo de reclamações de investidores que se consideravam lesados por ela. No fim de 2004, havia 186 processos nos Procons e 1.957 processos na Justiça, segundo o balanço.

A Valor foi liquidada em janeiro de 2006. A dívida da empresa está calculada hoje em R$ 41 milhões, dos quais R$ 10 milhões com ex-funcionários...

Investigações do BC apontam que a Valor foi usada pelo Banco Santos para fraudar seus relatórios financeiros."