Fui ativista estudantil (1967/68). Militante clandestino (1969/70). Preso político (1970/71). Tenho travado o bom combate, lutando por um Brasil mais justo, defendendo os direitos humanos, combatendo o autoritarismo.

Sou jornalista desde 1972. Crítico de música e de cinema. Cronista. Poeta. Escritor. Blogueiro.

Tentei e não consegui eleger-me vereador em São Paulo. Mas, orgulho-me de ter feito uma campanha fiel aos objetivos nortearam toda a minha vida adulta: a construção de uma sociedade igualitária e livre, tendo como prioridades máximas o bem comum e a felicidade dos seres humanos.

Em que a exploração do homem pelo homem seja substituída pela cooperação solidária do homem com os outros homens. Em que sejam finalmente concretizados os ideais mais generosos e nobres que a humanidade vem acalentando através dos tempos: justiça social e liberdade.

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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

MENSAGEM FINAL DA CAMPANHA, NA HORA DA DECISÃO

Para quem tem uma longa estrada atrás de si, o aniversário convida à reflexão, a fazer um inventário dos sonhos concretizados, pendentes e desfeitos.

Mais ainda quando, como é o meu caso, ocorre exatamente na véspera de um dia decisivo: no domingo saberei se o meu último sonho terá sido, parafraseando meu velho amigo Raulzito, um sonho que sonhei só ou um sonho que se sonha junto e vira realidade.

Como estou desde os 17 anos empurrando pedras para o topo da montanha e várias vezes elas despencaram (algumas de forma extremamente sofrida, como quando tantos  imprescindíveis  se imolaram numa guerra impossível de ser vencida), não encaro uma eventual derrota como tragédia. O importante é lutarmos pelos objetivos corretos, de forma íntegra e dando o melhor de nós.

Até porque os combatentes da justiça social e da liberdade perseguimos um ideal milenar, sem que a vitória até agora nos sorrisse. Aproximamo-nos e distanciamo-nos dela, apenas. A humanidade irmanada na priorização do bem comum e do pleno atendimento das necessidades humanas continua existindo apenas na imaginação de poetas como John Lennon, de profetas como Karl Marx e de bravos guerreiros como Che Guevara.

Não existe, contudo, nada de mais nobre a que dedicarmos nossa existência. Quem trava o bom combate e o faz como bom combatente é o sal da Terra, o arauto da solidariedade e o portador da esperança.

Os que nos propomos a desempenhar tal papel não nascemos prontos. Tentamos construirmo-nos como homens novos ao longo da jornada, conscientes de que as pessoas estarão sempre atentas, avaliando nossos sonhos pelo que fizermos. Ninguém sonhará junto se nós mesmos não nos mostrarmos à altura dos ideais que professamos.

Então, refleti muito antes desta incursão tardia pela política convencional. Estava consciente de que me exporia à incompreensão de alguns e à desqualificação por parte de outros; e que a mentalidade clubística ainda predominante na esquerda me faria, deixando de ser independente, perder espaços e tribunas na internet.

Havia, no entanto, valores mais importante a considerar do que meus ônus pessoais.

Desde 2007 eu vinha denunciando os balões de ensaio fascistizantes na capital paulista. Com os tucanos e seus aliados monopolizando os governos estadual e municipal, a cidade se torna, cada vez mais, o laboratório no qual se testam as fórmulas para um novo totalitarismo, aferindo-se a resistência da sociedade ao estado policial.

A escalada autoritária veio intensificando-se de ano a ano:
  • as  invasões bárbaras  da USP começaram com o ingresso das mais truculentas tropas de choque da Polícia Militar em algumas situações e acabaram com a ocupação permanente da Cidade Universitária, evocando os piores tempos da ditadura militar;
  • a repressão da Marcha da Maconha também representou uma volta àquele passado infame em que se atentava impunemente contra a liberdade de expressão e de manifestação;
  • a forma como dependentes químicos foram escorraçados da cracolândia a pontapés fez lembrar o próprio nazismo;
  • na desocupação do Pinheirinho, chegou-se ao absurdo de desconsiderar uma ordem judicial para cumprir outra e de sequestrar um idoso para que a imprensa não constatasse seu estado lastimável após o espancamento sofrido (com a agravante de que ele faleceria três semanas depois);
  • a prática, adotada pela PM sob as vistas grossas do governo do Estado, de maquilar execuções a sangue-frio como mortes decorrentes de resistência à prisão tem merecido repúdio universal;
  • a designação de oficiais da reserva da PM para gerirem 30 das 31 subprefeituras paulistanas implica a adoção da mentalidade policial no trato dos problemas sociais e para fins de controle político, com os excessos intimidatórios já sendo notados na periferia e bairros pobres (a vandalização do Sarau do Binho é um exemplo).
A DECISÃO DE LEVAR A LUTA AO CAMPO DO INIMIGO

A influência exercida pela web no Caso Battisti só se repetiu no episódio da proibição da Marcha da Maconha, quando os saudosos do arbítrio foram obrigados a recuar. Mas, mostrou-se insuficiente nos demais casos, principalmente o do Pinheirinho, quando havia gritantes motivos para se exigir o impeachment do governador Alckmin, mas nem sequer foi tentada uma mobilização neste sentido (embora eu tenha lançado sucessivas exortações e estimulado de todas as maneiras tal iniciativa).

Então, levando em conta o menor impacto atual das redes sociais em batalhas importantíssimas e o fato de estar sendo boicotado pela grande imprensa (que, macartista como nunca, fechou-se para mim como profissional e nem sequer permite que meu nome seja citado como personagem histórico e participante de acontecimentos atuais), decidi abrir uma segunda frente, levando a luta para o campo do inimigo.

Qualquer que seja o resultado do pleito, não me arrependo. Era o que havia a ser feito. Quando portas se fecham, os revolucionários temos de abrir outras, jamais deixando que nos reduzam à impotência. Cumpri o meu papel.

Também acredito ter contribuído para aclarar noções sobre como deve comportar-se um candidato de esquerda em processos eleitorais que, no nosso caso, devem ser encarados sempre como oportunidades táticas para acumulação de forças e não como objetivos estratégicos.

Por mais que este conceito seja tido como axiomático em termos teóricos, a compulsão de vencer a qualquer preço acaba contaminando muitos companheiros, que incorporam acriticamente as práticas das campanhas dos candidatos do sistema, em todos os sentidos:
  • buscando evidenciar-se melhor do que eles na gestão das miudezas paroquiais, quando nossas campanhas devem ser sempre ideológicas, por princípio e até por eficácia (correndo na mesma faixa dos direitistas e reformistas, sempre perderemos para seus recursos e sua máquina de comunicação infinitamente superiores);
  • personalizando as campanhas como eles fazem, o que vem ao encontro da intenção da burguesia e sua indústria cultural, de desideologizar as eleições, tornando-as semelhantes à escolha de ítens para consumo;
  • e até repetindo a prática repulsiva de convidar os eleitores a votarem em alguém apenas por ser filhote deste ou daquele, e não por ter as melhores aptidões e antecedentes na luta revolucionária.
Do meu pai herdei o exemplo, os princípios morais e a educação que ele, com tanto sacrifício me proporcionou. Nunca precisei de outros pais, nem os procurei. Desde os 17 anos venho escrevendo minha própria história.

E é ela que deve justificar, ou não, a escolha dos eleitores e o apoio dos companheiros que ainda venham a contribuir para uma arrancada final.

No fundo, trata-se de mais uma luta de Davi contra Golias. Mesmo quando todas as carta parecem estar todas marcadas contra nós, temos de manter o ânimo e lutar até o fim. Às vezes, como no Caso Battisti, o aparentemente impossível acontece.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A ESQUERDA DEVE PRIORIZAR SEMPRE A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Quando decidi disputar minha primeira eleição aos 62 anos --idade que já terei completado no 1º turno--, levei em conta fatores:
  • políticos, principalmente o imperativo de lutarmos contra o processo de fascistização em São Paulo, que tende a servir como modelo para todo o País;
  • pessoais, por tratar-se de uma oportunidade para furar o bloqueio macartista que a grande imprensa me impõe, como profissional e como personagem histórico; e
  • o caráter didático que minha campanha poderia ter, ao resgatar valores essenciais da esquerda da minha geração, hoje quase esquecidos.
Dei, p. ex., máximo destaque a algo que no passado era o óbvio ululante para revolucionários formados na tradição marxista ou anarquista: que nossa participação no Legislativo e Executivo, sob o capitalismo, tem caráter eminentemente tático, servindo para acumularmos forças e prepararmos a transição revolucionária, mas não se constituindo, jamais, num objetivo em si!

Só por ter chamado a atenção para esta postura fundamental, minha campanha terá valido a pena.

Igualmente importante está sendo a ênfase que dou à união da esquerda anticapitalista, pois hoje só conseguiremos exercer uma influência marcante no processo político se atuarmos como bloco. Seria exagero dizer que unidos venceremos, mas, com certeza, somando forças obteremos algumas vitórias, ponto de partida para sairmos da atual condição de coadjuvantes.

Desunidos, pelo contrário, perderemos todas as paradas. Rivalidades clubísticas pertencem ao universo das torcidas de futebol, não ao nosso. O que conta, para nós, é o objetivo maior de transformação da sociedade.

Neste sentido, proponho uma reflexão sobre as três candidaturas que encabeçam as pesquisas eleitorais.

Vencedor, José Serra manteria a parceria fascistizante com o governador Geraldo  Opus Dei  Alckmin. Seria mais do mesmo. Mais tropas de choque na USP, mais Pinheirinhos, mais pobres e doentes sendo escorraçados para favorecer os grandes empreendedores imobiliários (aqueles que financiam  generosamente  a campanha de quase todos os candidatos promissores do  sistema).

Celso Russomanno agregaria um componente ainda mais nefasto ao processo, além dos balões de ensaio totalitários que têm marcado os sucessivos governos dos tucanos e seus aliados: a emergência de um perigosíssimo populismo de direita. É um pesadelo pensarmos no que acontecerá se as más bandeiras estiverem sendo carregadas, na periferia e nos bairros pobres, pelo exército de zumbis cegamente submissos aos pastores eletrônicos.

Os vendilhões do templo, ao menos, limitavam-se a tocar seus negócios. A versão atual vai além, vandalizando templos umbandistas, perseguindo gays, querendo impor à sociedade uma tutela moral medievalista... e hostilizando a esquerda, como fez ao chantagear a presidente Dilma Rousseff. A bancada evangélica condicionou seu apoio ao projeto de criação da Comissão da Verdade à não participação de veteranos da resistência no colegiado. Jesus Cristo e sua vara estão fazendo muita falta...

Quanto a Fernando Haddad, que os companheiros da esquerda petista reflitam friamente: pode-se dele esperar uma firme oposição à escalada autoritária ou ficará no habital meio termo dos governos do PT no século 21? Ele é homem, p. ex., para desmontar o dispositivo de estado policial que Kassab sorrateiramente implantou, começando pela imediata exoneração dos 30 subprefeitos (num total de 31) que são oficiais da reserva da PM?

Então, repito minha exortação do 1º turno de 2010: quem vê no capitalismo o principal entrave à felicidade dos homens e a maior ameaça à sobrevivência da humanidade, tem de ser coerente, prestigiando os candidatos que assumem explicitamente posição contrária à desigualdade capitalista e favorável à transformação revolucionária: Carlos Giannazi (PSOL), Ana Luíza (PSTU) e Anaí Caproni (PCO).

Voto útil pode fazer sentido no 2º turno, para barrar uma candidatura nefasta como o foi a de José Serra e seu vice troglodita na última eleição presidencial, apoiada até pelas  viúvas da ditadura.

Mas, é importante priorizarmos, no 1º turno, o crescimento da esquerda autêntica em São Paulo, até para servir como estímulo à adoção de uma postura mais combativa por parte do próprio PT --o qual, vale lembrar, ficou devendo reações bem mais contundentes às  blitzkriegs  da dupla Alckmin/Kassab.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

UMA CANDIDATURA CONTRA A FASCISTIZAÇÃO

"Agora vou terminar
Agora vou discorrer
Quem sabe tudo e diz logo
Fica sem nada a dizer"
(Gilberto Gil, Roda)

Restando apenas uma quinzena  de campanha eleitoral, chega a hora de dizer exatamente a que venho e por que nela estou. A sinceridade é sempre o melhor caminho.

Eterno otimista, durante o Caso Battisti eu superestimei o papel da internet como ferramenta para o bom combate. Pensei que continuaria obtendo a mesma repercussão nas lutas vindouras.

As decepções se sucederam: a ocupação militar da USP, que representa um retrocesso aos tempos nefandos da ditadura de 1964/85; a higiene social na Cracolândia, desumanidade a serviço da especulação imobiliária; e a barbárie no Pinheirinho, que em qualquer país civilizado acarretaria o impeachment do principal culpado, o governador do estado.

Parte da esquerda  não quis  reagir à altura, nos três episódios. Eu  muito tentei e me esforcei, mas não obtive resultados concretos. E estou com os três entalados na garganta até hoje.

Não só pelo que eles têm de incompatíveis com tudo em que acredito e com todos os valores que prego. Mas, também, por saber que são apenas a ponta de um iceberg. O perigo é muito maior do que a maioria supõe.

Desde o Cansei! venho alertando: São Paulo é o principal laboratório de testes e aprimoramento do totalitarismo que a extrema-direita gostaria de implantar no País.

As  viuvas da ditadura  e os   cuervos   por elas criados haviam participado, como efetivos secundários, da tentativa de impedimento do presidente Lula por conta do escândalo do  mensalão, como forma de evitar sua reeleição.

Quem conduziu o espetáculo, contudo, foram os tucanos, seus aliados e a imprensa que caninamente os serve. E se tratava apenas de  meio-golpe, objetivando não a instalação de uma ditadura, mas apenas a recondução ao poder, na eleição seguinte, dos derrotados em 2002.

Lula, contudo, segurou a onda.  E, logo no início do segundo mandato, a direita troglodita mostrou suas garras, tentando reeditar o figurino golpista de 1964 com uma versão 2007 da  Marcha da família, com Deus, pela liberdade. A partir daí, São Paulo assumiria a vanguarda... da incubação do ovo da serpente.

Do fiasco retumbante do Cansei! os golpistas extraíram a mesma lição de 1961 (quando a resistência do governador gaúcho Leonel Brizola e dos subalternos das Forças Armada frustrou o complô direitista para impedir a posse do vice-presidente João  Goulart): recuaram, reagruparam suas forças e estão se preparando bem melhor para a próxima tentativa.

Então, o que temos visto em São Paulo, nos últimos cinco anos, são sucessivos balões de ensaio para se testar a resistência da sociedade a um novo totalitarismo.

As sucessivas intimidações e vandalizações que os herdeiros de Erasmo Dias promoveram na USP saíram baratas.

O dantesco escorraçamento a pontapés dos dependentes químicos que vegetavam no centro velho, idem.

Mas, a brutal repressão da  Marcha da Maconha   pegou tão mal que os brutamontes fardados se viram obrigados a recuar, saindo moralmente derrotados.

O impacto ainda mais negativo do festival de arbitrariedades no Pinheirinho, culminando no sequestro de um idoso para que a imprensa não constatasse seu estado lastimável após o espancamento sofrido (a ponto de duas semanas depois ele falecer), deve ter feito soar um sinal de alarme no QG golpista. Estão sendo evitadas as ações que possam causar impacto equivalente.

O que não impede a Polícia Militar paulista de continuar atuando como força exterminadora, segundo o modelo sinistro do  mate primeiro e maquile depois!. Com o aval e defesa entusiástica do governador adepto do ideário do Opus Dei.

Os episódios de mortes de suspeitos por  alegada resistência à prisão  se multiplicam, com a cumplicidade da imprensa que não os denuncia como as chacinas que são. Em tiroteios reais há feridos e mortos, não apenas mortos. Quando todas as testemunhas morrem, é porque foram executadas. Simples assim.

O controle  (talvez seja melhor dizer  terror) policial nos bairros pobres chega a abater-se até sobre os inocentes saraus dos jovens, mais uma vez evocando os  anos de chumbo, quando as forças auxiliares da ditadura vandalizavam teatros e agrediam atores. 

E a existência de uma articulação mais ampla, direcionada para o estado policial, evidencia-se na insólita designação de oficiais da reserva da PM para gerirem 30 das 31 subprefeituras da capital paulista.

Quem conhece a cultura dessa corporação, satelizada pelas Forças Armadas durante o período do arbítrio, sabe muito bem o que isto representa. Até recentemente, sua unidade mais truculenta, a Rota, mantinha no portal do Governo paulista um elogio explícito ao golpismo, só o deletando sob vara da ministra de Direitos Humanos.

O dispositivo golpista já está montado em São Paulo, devendo servir como modelo para outras cidades e estados. A oportunidade golpista, contudo, ainda não surgiu.

Pode demorar  anos --foram quase três, entre o fracasso de agosto/1961 e o sucesso em abril/1964-- ou nem sequer se apresentar. A desconstrução da imagem do PT a partir do julgamento do  mensalão  talvez torne desnecessária uma virada de mesa; os grupos cujos interesses estão sendo contrariados poderão, eventualmente, atingir seus objetivos pela via eleitoral.

Mas, não é confortável vivermos com uma lâmina de guilhotina pendente sobre a cabeça.

Então, o sentido maior da minha candidatura é este: tendo a internet sido insuficiente para esmagarmos o ovo de serpente que incumbaram em São Paulo, tanto que o ofídio não só nasceu como se fortalece cada dia mais, resolvi ir à luta em outras frentes. Pois assumo como minha grande missão atuar com eficiência e contundência contra esta ameaça que tenho visto crescer e já fazer bastante mal, além de prenunciar ocorrências muito mais graves. 

Mas, perguntarão os leitores, por que eu? Não sou o candidato de esquerda mais douto, nem o mais enraizado nos movimentos sociais, muito menos o mais popular --admito-o francamente.

No entanto, por um destino insólito, tive de lutar sozinho durante muito tempo e aprendi a travar batalhas de opinião nas circunstâncias mais adversas, seja para salvar em 1986 os  quatro de Salvador  que faziam greve de fome sem o apoio de quase ninguém, seja para obter em 2005 uma anistia à qual tinha pleno direito mas a União teimava em postergar, seja para restabelecer a verdade histórica a meu respeito.

Foi a experiência acumuladas nestas e outras batalhas que me ensinaram a encontrar o foco certo em termos jurídicos e a palavra certa para sensibilizar as pessoas imbuídas de espírito de justiça. 

Quem acompanhou o Caso Battisti deve lembrar-se que eu tinha visão clara do rumo que os acontecimentos tomariam e a utilizava para propor as linhas de ação mais adequadas para nosso comitê de solidariedade.

Acostumado a travar lutas desiguais, rechaçava o sectarismo,  tudo fazendo para agregar todos os bons cidadãos à nossa causa. A união foi essencial para nocautearmos um inimigo do 1º mundo e todos os seus quinta-colunas no Brasil (principalmente na imprensa, cuja tendenciosidade atingiu o paroxismo). Éramos poucos, éramos fracos, mas soubemos nos aglutinar e dar sempre os passos certos.
Não podemos nos associar aos inimigos de classe, mas são admissíveis e justificáveis as alianças táticas com forças pertencentes ao campo da esquerda ou que tenham uma tradição de esquerda, desde que o objetivo do momento seja comum.

Então, como participante de uma bancada de esquerda que tenderá a ser minoritária, acredito poder dar contribuição destacada para estimular a união das forças progressistas, denunciar/atrapalhar as maracutaias dos poderosos, desencavar razões legais para colocar suas políticas em xeque e fazer com que tais questões repercutam na sociedade, trazendo a opinião pública para nosso lado.

O que me manteve vivo, depois da derrota trágica nos anos de chumbo,  foi a esperança de ainda contribuir para que frutificassem os ideais da minha geração, em nome dos quais tantos companheiros imprescindíveis foram martirizados ou destruídos.

Preparei-me durante quatro décadas para o papel que me proponho a desempenhar na luta contra a fascistização; mas, travá-la em melhores condições e com mais visibilidade, dependerá da confiança e do apoio que receber dos companheiros. 

É o último apelo que lanço pois tudo que eu tinha para dizer, está dito.

E a sorte, lançada. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

MANIFESTO DA CANDIDATURA DO LUNGARETTI

Faltando pouco mais de um mês para as eleições municipais, é o momento de eu ter uma conversa franca com os companheiros que acompanham minha atuação nas redes sociais. A aposta que fiz só resultará se eu receber o apoio de quem trava o bom combate ou com ele simpatiza. Pelos meios rotineiros de se fazer campanha política, minha chance é nenhuma.

Depois dos dramáticos anos de 2004 e 2005, quando, desempregado e cinquentão, atravessei uma terrível crise financeira  e tive de lutar desesperadamente para que a Comissão de Anistia respeitasse seus próprios critérios de priorização dos casos a serem julgados --pois, àquela altura, a reparação de vítima da ditadura militar era a tábua de salvação que me restava--, comecei o ano de 2006 com perspectivas bem diferentes.

O recebimento da minha pensão me permitiu voltar à tona. E o esclarecimento de episódios polêmicos do passado, culminando no lançamento do meu livro Náufrago da Utopia, me devolveu credibilidade para fazer o que sempre sonhara: desempenhar um papel nas lutas do presente. 

Lutar contra o arbítrio fardado nunca fora o objetivo último dos revolucionários da minha geração: apenas o imediato, naquele momento em que a reconquista da liberdade era condição  sine qua non  para tudo mais. 

Ficáramos devendo a construção de um país igualitário e justo, meta que continua não só inalcançada como longínqua: apesar de algumas políticas sociais que atenuaram a miséria,  o Brasil continua sendo uma das nações mais desiguais, subjugadas aos interesses do grande capital e submetidas aos caprichos dos poderosos, em todo o planeta.

Ao longo destes seis anos e meio de atuação virtual sistemática, tive a enorme satisfação de contribuir para a salvação do companheiro Cesare Battisti, na luta que algumas dezenas de idealistas solidários travamos contra os reacionários de dois continentes e a tendenciosíssima indústria cultural.

Também superei várias tentativas de intimidação, fiz o que estava ao meu alcance para reentronizar a defesa dos direitos humanos como um valor fundamental para os revolucionários e fui dos primeiros a alertar contra a escalada autoritária em São Paulo, identificando-a desde o nascedouro como balão de ensaio dos que tentam reinstaurar o totalitarismo.

O convite do PSOL para disputar uma vereança me seduziu, principalmente, por três motivos:
  • a necessidade de quebrarmos a espinha dos reacionários em São Paulo, ainda mais depois dos três gravíssimos episódios recentes (a blietzkrieg para escorraçar a pontapés os dependentes químicos, liberando a cracolândia para os especuladores imobiliários; a barbárie desencadeada pelo mesmíssimo motivo no Pinheirinho, incluindo a morte de um idoso, após ser sequestrado pelas autoridades para que a imprensa não tomasse conhecimento de quão bestialmente fora agredido; e a ocupação militar da USP, lembrando os piores tempos da ditadura);
  • a oportunidade de dar maior amplitude às minhas lutas, já que a imprensa tudo faz para circunscrever-me à internet (negando-me não só oportunidade para exercer profissionalmente meu ofício, como o de, tanto na condição de leitor quanto na de personagem histórico, reagir à sua desinformação programada, restabelecendo a verdade em episódios nos quais meu direito de fazê-lo é indiscutível); e
  • a possibilidade de alavancar minha principal cruzada atual, no sentido de que nos reconheçamos, em PRIMEIRO LUGAR, como membros do CAMPO DA ESQUERDA ANTICAPITALISTA,  acima de siglas e divisões que só convêm aos nossos inimigos de classe.
É algo que aprendemos da pior maneira possível nos  anos de chumbo. Perdemos tempo imenso disputando espaço uns com os outros, em função de questões que verdadeiramente não interferiam nas tarefas imediatas (como o caráter socialista ou nacional-popular da revolução)  e só nos unimos à beira do abismo, quando a correlação de forças se tornara francamente desfavorável para nós.

Lamento constatar que hoje o quadro se repete: para confrontarmos com mínima chance de êxito as poderosas máquinas políticas dos conservadores/reacionários, dos reformistas e dos fisiológicos, precisaríamos ao menos estar unidos. Continuamos pulverizados.

O que nos impede de formarmos uma frente anticapitalista? Por que não aproveitamos a lição da maior das vitórias que a esquerda brasileira conquistou nos últimos anos, exatamente a do Caso Battisti e obttida exatamente porque a solidariedade falou mais alto do que a mesquinhez?

No fundo, padecemos por não levarmos às últimas consequências o que pregamos. Se tivéssemos em conta que o partido revolucionário só se afirma nas etapas finais do processo de libertação da sociedade e não nas iniciais, não daríamos tanta importância a nossas legendas atuais, que são meros instrumentos para cumprirmos as tarefas desta fase, não merecendo zelo idêntico ao que a galinha dedica a seus pintinhos...

Que importa, afinal, a quantidade de governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores que cada um de nossos partidos detenha sob o capitalismo? O PT fez até presidente da República, três vezes, mas não fez a revolução brasileira avançar.

Então, é mais do que hora de passarmos a priorizar a conquista de posições no Executivo e no Legislativo para o CAMPO DA ESQUERDA COMO UM TODO E NÃO PARA CADA AGREMIAÇÃO EM PARTICULAR. Em termos práticos, tudo fazermos para contarmos com um número cada vez maior de representantes da esquerda, e os melhores possíveis (não qualquer jogador de futebol ou besteirinha de TV apenas pelo critério de ser conhecido...).

E de vermos a obtenção desses mandatos como parte das nossas táticas, não como fim estratégico. Servem para acumularmos força e, neste sentido, eles são importantes, mas não vitais

Isto não nos exime de os exercermos com dignidade e empenho. Pelo contrário, como constituem uma espécie de cartão de visitas pelo qual o cidadão comum nos julgará, temos de nos desincumbir de maneira exemplar, em termos de acuidade política, produtividade e integridade pessoal. 

Devemos evidenciar para a opinião pública que os revolucionários não nos dedicamos à politicalha medíocre dos que querem apenas garantir reeleições, não nos mancomunamos com a fisiologia, não abdicamos dos nossos valores em nome de governabilidade nenhuma e não deixamos jamais de defender os fracos contra os poderosos. 

Então, por me considerar um dos melhores quadros para desempenhar tal papel num contexto em que nossas forças ainda são muito inferiores às dos inimigos de classe e as características pessoais às vezes nos permitem obter vitórias improváveis, peço o apoio dos companheiros de esquerda, indistintamente, pois a contribuição que eu posso dar também é indistinta: beneficiará a toda a esquerda revolucionária.

Acredito na necessidade de nos contituírmos como campo de esquerda e quero contribuir na teoria e na prática para tanto, lançando na Câmara Municipal as mesmas pontes que Carlos Giannazi (PSOL), Adriano Diogo (PT) e Lecy Brandão (PCdoB) estabeleceram na Assembléia Legislativa, ao colocarem a afinidade ideológica acima de considerações menores. 

Não somos pequenos comerciantes disputando mercado. Somos companheiros numa empreitada de importância transcendental, por objetivos muito maiores do que cada um de nós. É assim que temos de nos enxergar.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

MINHA CAMPANHA COMEÇA EM RITMO ROQUEIRO...

...mas, sendo eu um ex-crítico de rock, não se trata de uma forçação de barra como a dos candidatos a prefeito de São Paulo que se fantasiaram de ciclistas no último sábado, fazendo pose para os cinegrafistas e fotógrafos que os assessores de imprensa ciosamente arregimentaram.

Foi muito engraçado ver o José Serra pedalando, como se isto lhe desse ares de correção política, e também de juvenilidade.

E isto foi só quatro dias depois do tucano empoleirado no Palácio dos Bandeirantes ter saído muito mal na foto com a publicação, logo na capa do Diário Oficial do Estado, de uma reportagem fazendo puro terrorismo contra a utilização de bibicletas no trânsito de São Paulo (vide aqui).

O Governo Alckmin deu a perceber  eeennnooorrrmmmeee  preocupação... não com a vida e a integridade física dos ciclistas expostos a politraumatismos (como enfatiza o texto alarmista), mas com a despesa de R$ 3,25 milhões que tais acidentes geraram para o SUS paulista.

Como a repercussão da matéria foi péssima, a encenação midiática do Serra pode ter sido uma forma de marcar distância da obtusidade ambiental do seu maior aliado; afinal, todos sabem que eles são aves que não se bicam.

O outro provável objetivo, projetar uma imagem mais dinâmica, tem tudo a ver com o fato de Serra haver abafado o quanto pôde a singela informação de que, no último dia 19 de março, ele se tornou septuagenário. Teme que os eleitores o julguem velho demais para prefeito...

Too old to rock'n roll: too young to die! (velho demais para o rock'n roll, jovem demais para morrer!) é, por sinal, a faixa-título do álbum de 1976 do superlativo conjunto de rock britânico Jethro Tull, liderado pelo flautista Ian Anderson.

Era uma das minhas bandas prediletas quando, com o pseudônimo de André Mauro, editava revistas como a Rock Stars, Rock Show e Rock Passion, na distante década de 1980.

Então, aproveito a deixa para entrar no meu assunto principal.

Numa noite destas, o frio paulistano me deixou febril e com calafrios; nem debaixo dos cobertores conseguia me esquentar.

Tais situações sempre me trazem à lembrança os pobres sem-tetos que perambulam pela cidade e, por extensão, os versos terríveis de um dos maiores sucessos do Jethro Tull, "Acqualung", sobre um velho mendigo que, no gélido inverno londrino, mal consegue respirar e emite sons estertóreos como os de um escafandrista:
"Você ainda se lembra
da geada nebulosa de dezembro,
quando o gelo que se
agarra na sua barba
grita de agonia
e você apanha seus últimos suspiros,
arquejando com sons
de mergulhador no fundo do mar?"
A imagem evocada por esta música sempre me impressionou --ainda mais após ter lido que os desabrigados às vezes tentam espantar o frio com cachaça, o que lhes proporciona um momentâneo alívio mas, queimando suas calorias e levando-os a dormirem, acaba fazendo com que morram congelados.

Já morei bem próximo de um vão de viaduto no qual entidades filantrópicas distribuíam alimentos aos sem-teto, que acabavam permanecendo por lá. Via-os da minha janela no 2º andar, matando-se aos poucos com seus cachimbos de crack, copulando, defecando, vez por outra hostilizando transeuntes.

Eram detestados pelos moradores. Ouvi um comerciante jurar que, se ganhasse na loteria, encheria um caminhão com mantimentos para os distribuir bem na calçada da casa do cardeal, atraindo os mendigos para lá...

A mim me incomodava --e muito!-- ver seres humanos em tal estado de penúria, embrutecimento e degradação. Doía-me não ter meios e poderes para lhes dar uma ajuda real; filantropia nada resolve.

Devem ser encarados como doentes, que não podem mais cuidarem de si mesmos. Têm de ser tratados. Têm de recuperar sua dignidade e auto-estima.

A blitzkrieg que o governador Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab desfecharam na cracolândia, em janeiro último, foi um exemplo gritante do que como uma autoridade não deve proceder. Não havia sequer abrigos para os acolher. Foram truculentamente escorraçados para atender aos interesses da especulação imobiliária e ficaram vagando como zumbis pela cidade. 

Cruzei com alguns deles e fiquei com tanta raiva que, se o Kassab estivesse ali, eu teria muita dificuldade para me conter. Gente assim, DESUMANA AO EXTREMO, despachava os judeus para os fornos crematórios!

Bem ao contrário do que relatou Enrique Peñalosa, ex-prefeito CIVILIZADO da capital colombiana (ver sua entrevista aqui):
"Em Bogotá, acabamos com uma zona que era cem vezes pior que a cracolândia, onde havia alto consumo de drogas e os piores índices de violência do planeta. Ficava a dois quarteirões do Palácio do Governo. Desapropriamos uma área de 23 hectares, demolimos mais de 600 construções e fizemos um parque. Junto, tivemos um amplo trabalho de reabilitação. Chegamos a ter mais de mil pessoas que eram moradores de rua e que foram reabilitadas e contratadas pela prefeitura".
Então, se a moeda cair em pé e eu me tornar vereador paulistano, vou priorizar e fazer tudo que puder para salvar os nossos  acqualungs, espelhando-me em Peñalosa e nunca, jamais, na dupla sinistra Alckmin-Kassab!
Obs.: para assistir ao vídeo legendado de "Acqualung", acesse http://youtu.be/LCfEk9tl0Bs

segunda-feira, 16 de julho de 2012

DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS É PRIORIDADE MÁXIMA EM SP

Cinco anos se passaram desde que, tentando enfiar goela adentro da comunidade uspiana quatro decretos autoritários, o então governador José Serra deu o pontapé inicial numa escalada de arbitrariedades que foi intensificando-se cada vez mais, até chegarmos às recentes e gravíssimas violações dosdireitos humanos em São Paulo.

Então, ao promover um seminário sobre os DH em Sampa, o PSOL almeja algo bem maior do que o aprimoramento do seuprograma, visando futuras disputas eleitorais: quer estimular os outros agrupamentos verdadeiramente de esquerda a também priorizarem a luta contra a barbárie e o retrocesso, inscrevendo-a em suas diretrizes e abrindo-se a iniciativas de união das forças progressistas para o enfrentamento do inimigo comum.


Há várias formas de avaliarmos tais episódios: podemos, p. ex., vê-los como consequência dos excessos e provocações dos remanescentes da ditadura militar até hoje enquistados na máquina governamental; como nova demonstração do despreparo de algumas autoridades para o exercício de suas funções numa democracia; e até como balões deensaio golpistas, para se testar a resistência da sociedade brasileira ao restabelecimento do estado policial. 

Todos sabem que eu fui o primeiro a alertar para a última possibilidade. Mas, qualquer que seja o motivo, NÃO PODEMOS, DE MANEIRA NENHUMA, CRUZAR OS BRAÇOS DIANTE DO QUE ESTÁ OCORRENDO! Tanto quanto nos  anos de chumbo, a defesa intransigente dos direitos humanos se tornou um imperativo para os militantes de esquerda em SP.  

Daí eu pedir a contribuição de todos os companheiros, no sentido de começarmos a construir a reação organizada do CAMPO DA ESQUERDA ao avanço da DIREITA SELVAGEM na cidade e no estado de São Paulo.


COMO DETERMOS A ESCALADA DE GRAVES
VIOLAÇÕES DOS DIREITOS HUMANOS EM SP?


O PSOL está abrindo a discussão sobre os problemas candentes da atualidade brasileira, em seminários que servem para a identificação de propostas a serem incorporadas ao programa do partido em relação a questões relacionadas à educação, saúde, meio ambiente, juventude, LGBT, etc.

Neste sentido, vai promover amanhã (4a. feira, 30), a partir das 19 horas, o Seminário de Programa: Direitos Humanos, que terá lugar no Sinsprev (rua Antonio de Godoy, 88, 2o. andar, ao lado do Largo do Paissandu, no centro velho de São Paulo).

Os debatedores já confirmados são o militante histórico da Anistia Internacional Carlos Lungarzo e o jornalista e ex-preso político Celso Lungaretti, que tiveram participação destacada na luta pela liberdade de Cesare Battisti; e Fabiana Leibl, da ONG Conectas Direitos Humanos.

Estão convidados não só os filiados ao PSOL, mas os militantes de DH e todos os interessados em darem uma contribuição positiva para o aclaramento e aprofundamento de assuntos que vão desde a persistência da tortura policial contra presos comuns até hoje e as condições de vida e de trabalho desumanas impostas a grande parte da população, até a escalada autoritária em curso na cidade e no Estado (repressão da Marcha da Maconha, faxina social na Cracolândia, barbárie no Pinheirinho, ocupação militar da USP, etc.).

Obs.: texto divulgado no dia 29/05/2012

DIREITOS HUMANOS EM DEBATE NA 4a. FEIRA: COMPAREÇA!

Uma iniciativa das mais louváveis do PSOL é abrir a discussão sobre os problemas candentes da atualidade brasileira, em seminários que servem para a identificação de propostas a serem incorporadas ao programa do partido em relação a tais questões: educação, saúde, meio ambiente, juventude, LGBT, etc. Programas partidários devem ser construídos assim, de baixo para cima, com a participação mais ampla possível.

Neste sentido, eu e companheiro Carlos Lungarzo, da Anistia Internacional, estaremos nesta 4a. feira (30) entre os debatedores do Seminário de Programa: Direitos Humanos, que terá lugar no Sinsprev (rua Antonio de Godoy, 88, 2o. andar, ao lado do Largo do Paissandu, no centro velho de São Paulo), a partir das 19 horas.

Estão convidados não só os filiados ao PSOL, mas os militantes de DH e todos os interessados em darem uma contribuição positiva para o aclaramento e aprofundamento de assuntos que vão desde a persistência da tortura policial contra presos comuns até hoje e as condições de vida e de trabalho desumanas impostas a grande parte da população, até a escalada autoritária em curso na cidade e no Estado (repressão da Marcha da Maconha, faxina social na Cracolândia, barbárie no Pinheirinho, ocupação militar da USP, etc.).

É chocante que, um quarto de século depois de finda a ditadura militar, a defesa dos DH volte a ser uma prioridade na vida nacional.O RETROCESSO PRECISA SER DETIDO! 

O que hoje ocorre em São Paulo são balões de ensaio para as forças reacionárias aquilatarem a resistência dos brasileiros ao restabelecimento do estado policial. Cada omissão e cada resposta pífia a transgressões gravíssimas dos DH nos aproximam de um passado tenebroso. O bom senso manda esmagarmos os ovos de serpentes antes de eclodirem, pois a tarefa se tornará bem mais complicada adiante.
Obs.: texto divulgado no dia 28/05/2012