Fui ativista estudantil (1967/68). Militante clandestino (1969/70). Preso político (1970/71). Tenho travado o bom combate, lutando por um Brasil mais justo, defendendo os direitos humanos, combatendo o autoritarismo.

Sou jornalista desde 1972. Crítico de música e de cinema. Cronista. Poeta. Escritor. Blogueiro.

Tentei e não consegui eleger-me vereador em São Paulo. Mas, orgulho-me de ter feito uma campanha fiel aos objetivos nortearam toda a minha vida adulta: a construção de uma sociedade igualitária e livre, tendo como prioridades máximas o bem comum e a felicidade dos seres humanos.

Em que a exploração do homem pelo homem seja substituída pela cooperação solidária do homem com os outros homens. Em que sejam finalmente concretizados os ideais mais generosos e nobres que a humanidade vem acalentando através dos tempos: justiça social e liberdade.

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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A ESQUERDA DEVE PRIORIZAR SEMPRE A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Quando decidi disputar minha primeira eleição aos 62 anos --idade que já terei completado no 1º turno--, levei em conta fatores:
  • políticos, principalmente o imperativo de lutarmos contra o processo de fascistização em São Paulo, que tende a servir como modelo para todo o País;
  • pessoais, por tratar-se de uma oportunidade para furar o bloqueio macartista que a grande imprensa me impõe, como profissional e como personagem histórico; e
  • o caráter didático que minha campanha poderia ter, ao resgatar valores essenciais da esquerda da minha geração, hoje quase esquecidos.
Dei, p. ex., máximo destaque a algo que no passado era o óbvio ululante para revolucionários formados na tradição marxista ou anarquista: que nossa participação no Legislativo e Executivo, sob o capitalismo, tem caráter eminentemente tático, servindo para acumularmos forças e prepararmos a transição revolucionária, mas não se constituindo, jamais, num objetivo em si!

Só por ter chamado a atenção para esta postura fundamental, minha campanha terá valido a pena.

Igualmente importante está sendo a ênfase que dou à união da esquerda anticapitalista, pois hoje só conseguiremos exercer uma influência marcante no processo político se atuarmos como bloco. Seria exagero dizer que unidos venceremos, mas, com certeza, somando forças obteremos algumas vitórias, ponto de partida para sairmos da atual condição de coadjuvantes.

Desunidos, pelo contrário, perderemos todas as paradas. Rivalidades clubísticas pertencem ao universo das torcidas de futebol, não ao nosso. O que conta, para nós, é o objetivo maior de transformação da sociedade.

Neste sentido, proponho uma reflexão sobre as três candidaturas que encabeçam as pesquisas eleitorais.

Vencedor, José Serra manteria a parceria fascistizante com o governador Geraldo  Opus Dei  Alckmin. Seria mais do mesmo. Mais tropas de choque na USP, mais Pinheirinhos, mais pobres e doentes sendo escorraçados para favorecer os grandes empreendedores imobiliários (aqueles que financiam  generosamente  a campanha de quase todos os candidatos promissores do  sistema).

Celso Russomanno agregaria um componente ainda mais nefasto ao processo, além dos balões de ensaio totalitários que têm marcado os sucessivos governos dos tucanos e seus aliados: a emergência de um perigosíssimo populismo de direita. É um pesadelo pensarmos no que acontecerá se as más bandeiras estiverem sendo carregadas, na periferia e nos bairros pobres, pelo exército de zumbis cegamente submissos aos pastores eletrônicos.

Os vendilhões do templo, ao menos, limitavam-se a tocar seus negócios. A versão atual vai além, vandalizando templos umbandistas, perseguindo gays, querendo impor à sociedade uma tutela moral medievalista... e hostilizando a esquerda, como fez ao chantagear a presidente Dilma Rousseff. A bancada evangélica condicionou seu apoio ao projeto de criação da Comissão da Verdade à não participação de veteranos da resistência no colegiado. Jesus Cristo e sua vara estão fazendo muita falta...

Quanto a Fernando Haddad, que os companheiros da esquerda petista reflitam friamente: pode-se dele esperar uma firme oposição à escalada autoritária ou ficará no habital meio termo dos governos do PT no século 21? Ele é homem, p. ex., para desmontar o dispositivo de estado policial que Kassab sorrateiramente implantou, começando pela imediata exoneração dos 30 subprefeitos (num total de 31) que são oficiais da reserva da PM?

Então, repito minha exortação do 1º turno de 2010: quem vê no capitalismo o principal entrave à felicidade dos homens e a maior ameaça à sobrevivência da humanidade, tem de ser coerente, prestigiando os candidatos que assumem explicitamente posição contrária à desigualdade capitalista e favorável à transformação revolucionária: Carlos Giannazi (PSOL), Ana Luíza (PSTU) e Anaí Caproni (PCO).

Voto útil pode fazer sentido no 2º turno, para barrar uma candidatura nefasta como o foi a de José Serra e seu vice troglodita na última eleição presidencial, apoiada até pelas  viúvas da ditadura.

Mas, é importante priorizarmos, no 1º turno, o crescimento da esquerda autêntica em São Paulo, até para servir como estímulo à adoção de uma postura mais combativa por parte do próprio PT --o qual, vale lembrar, ficou devendo reações bem mais contundentes às  blitzkriegs  da dupla Alckmin/Kassab.

sábado, 15 de setembro de 2012

A ELEIÇÃO PAULISTANA ESTÁ SENDO UM TRIÂNGULO DAS BERMUDAS

O quadro eleitoral em São Paulo é desalentador.

O cavalo de Tróia das  empresas  (ou seria melhor dizer  gangues?) que atuam no mercado religioso encaminha-se para o 2º turno, já que as duas máquinas políticas mais poderosas desistiram de o tentarem derrubar desde já.

vira-casaca  e o  bebê de proveta  lançam sua munição mais pesada um contra o outro, apostando nas muitas vulnerabilidades do  explorador da fé acidental. Acreditam que, chegando lá, o vencerão facilmente no confronto final.

É uma aposta arriscada e que, no passado, muitas vezes teve resultados catastróficos --como catastrófica indubitavelmente seria a afirmação dos neopentecostais como força política de primeira grandeza, consequência óbvia se o tiro sair pela culatra.

A última chance de escaparmos deste  triângulo das Bermudas  são os debates eleitorais.

Se algum dos restantes sair-se muito bem, poderá atropelar na reta final, aproveitando a evidente falta de entusiasmo do eleitorado com o  bobo, o  mau  e o  feio  (a identificação com o filme famoso de Sergio Leone só não é total porque nem mesmo na acepção sarcástica do mestre do bangue-bangue à italiana o Fernando Haddad poderia ser considerado  bom, embora caia como uma luva quanto à maldade do Russomanno e à feiúra do Serra...).

Torço para que o companheiro Carlos Giannazi assuma-se como o candidato realmente antípoda do  sistema, a exemplo do Lula dos bons tempos. Assim, na pior das hipóteses, deixará sua marca impressa em cores vivas; e, para nós, a luta não acabará em outubro nem em novembro. Trata-se apenas de uma batalha e o que queremos é ganhar a guerra.

Que Giannazi, enfim, marque a diferença em termos ideológicos, pois jamais vai conseguir grande destaque numa disputa de quem virá a ser o melhor administrador em termos convencionais. Aí prevalecem inevitavelmente os que têm mais tempo no horário eleitoral e maior exposição na mídia.

A chance que lhe resta é uma só: convencer os eleitores de que se trata do único capaz de resgatar São Paulo das garras dos poderosos, evitando que a administração municipal continue priorizando negócios & negociatas em detrimento dos cidadãos.

Para quem sabe das coisas, trata-se do óbvio ululante. Os debates serão a última oportunidade para o Giannazi tornar o eleitorado ciente disto.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

DISSECANDO O DEBATE ELEITORAL, SEM PAPAS NA LÍNGUA

Debates eleitorais me provocam a mesma reação que, em tempos idos, um grande escritor teve ao ver um filme de Hollywood.

Desavisadamente, ele aceitou uma encomenda de roteiro. Mas, não frequentava cinemas nem tinha a menor idéia da besteirinha que dele esperavam. 

Os produtores, gentilmente, convidaram-no para assistir, na cabine, a uma fita mais ou menos na linha daquela que pretendiam fazer. Depois de uns 10 minutos ele foi embora, perplexo e enojado. Abandonou, claro, o projeto. Jamais desceria tanto.

No debate de candidatos a prefeito promovido na 2ª feira (3) pela Folha de S. Paulo e Rede Manchete, fiquei com pena do companheiro Carlos Giannazi, obrigado a tentar abrir caminho em meio a tantas imposturas e tantos farsantes.

A maior de todas imposturas, claro, é o fingimento de que o prefeito seja uma espécie de gerentão que toma conhecimento e supervisiona pessoalmente cada ação administrativa, com liberdade para decidir o que bem entender. Eu vou fazer, eu vou acontecer, no meu governo isto, no meu governo aquilo... que comédia de mau gosto!

Trata-se de uma ilusão forjada para  adequar a política ao consumismo que, como mola-mestra do capitalismo terminal e putrefato dos dia de hoje, é o canto de sereia que nos arrasta para as profundezas da depressão econômica e das catástrofes ambientais.

Os candidatos não passam de produtos e como tais são vendidos, quase sempre por meio de propaganda enganosa. Uns garantem que não são cavalo de tróia dos mercadores da fé, outros que ficaram alheios à corrupção com a qual estão, isto sim, amalgamados. Quem consome cervejas associando-as a mulheres gostosas e não vê diferença entre os repulsivos bancos e as doces crianças, talvez engula também os protestos de inocência desses patéticos canastrões.

Governantes, sob o capitalismo, são meros títeres do poder econômico, obrigados a obedecer caninamente àqueles que realmente mandam. Quanto maior a importância da decisão a ser tomada, menor é a sua autonomia. Cuidam do acessório e fazem o que deles se espera no fundamental.

Eleições se travam entre grupos de interesses, representados pelos partidos. O que conta, em última análise, são as agremiações e as barganhas que elas acertam ou intermediam, não as características pessoais dos que são pinçados para aparecer na vitrine. Talvez um dia se chegue à perfeição de escolhê-los nas agências de modelos.

AVALIAÇÃO DOS INTÉRPRETES

Haddad não tem o charme de Chris Sarandon
e o eleitorado vai cravar-lhe uma estaca
Uma das minhas tarefas, quando atuava em assessorias de comunicação, era treinar sapos empresários para que parecessem garbosos príncipes ao darem entrevistas. Tinha ganas de vomitar quando um desses tacanhos ganhadores de dinheiro aparentava brilhantismo repetindo uma frase que eu criara para ele (às vezes tendo de a explicar pacientemente, pois o energúmeno não captava seu sentido...).

Então, avaliando criticamente as  interpretações, considero que se desincumbiu bem do seu papel Celso Russomanno, lobo quase perfeito em sua pele de cordeiro graças à experiência adquirida na TV. Mas derrapou ao deixar transparecer homofobia quando disse que seu partido aceita ATÉ  homossexuais. [Aliás, o que mais se poderia esperar de um partideco que aceita ATÉ pastores eletrônicos dedicados ao estelionato, curandeirismo, lavagem cerebral e instigação do ódio?]

Fernando Haddad lembra fisicamente o vampirão do primeiro A hora do espanto (interpretado por Chris Sarandon), só que sem o charme. A agência de modelos teria dúzias de opções melhores para sugerir. Ao vivo e em cores, com sua total falta de jeito e de carisma, desconstrói a enganação que os marqueteiros laboriosamente criam.

Ouso antecipar que não vai ser ele o adversário do Russomanno no segundo turno, pois se apresentará canhestramente em todos os debates; nesse aí não há Duda Mendonça que dê jeito. Anotem e me cobrem depois.

José Serra é carta fora do baralho. O monopólio de poder tucano no estado e na cidade cansou, a retórica do Serra mais ainda e, para piorar, ele carrega uma mala sem alça chamada Gilberto Kassab. Doravante só conseguirá eleger-se deputado federal, como o Maluf.

José Serra não assusta mais ninguém: final
melancólico de quem já travou o bom combate
Cruelmente, o comentarista Fernando Rodrigues notou que Serra muito fez para simular jovialidade aos 70 anos, mas ficou é parecendo gagá ao trocar as bolas, confundindo o dirigente do PRB ao qual Russomanno se referira:
"...é o candidato com a idade mais avançada. Luta para parecer demonstrar vigor. De maneira subliminar, emitiu um sinal oposto".
Ex-presidente da UNE e ex-exilado político (quem te viu, quem te vê...) deveria mirar-se no exemplo dado por Plínio de Arruda Sampaio no último pleito presidencial. Não tentou em momento algum disfarçar sua condição de octogenário. Perdeu a eleição, mas ganhou respeito e admiração, além de sair com a dignidade intacta. Como não forçou a barra subindo em skates, deles não despencou.

Soninha Francine é outra que está brigando com a certidão de nascimento. Faz caras e bocas de uma moçoila de 18 anos, mas tem 45. Não deveria insistir no estereótipo MTV. As pessoas percebem.

Fez-me lembrar Heloísa Perissé, fingindo ter um terço de sua idade real (46), ao contracenar com os realmente jovens em O diário de Tati (o que um bom pai não suporta por suas princesas?!).

Levy Fideles é candidato de si mesmo e mais ninguém; deve gostar muito de sua imagem no espelho.

Paulinho da Força se esforça, mas a referência à pequena bancada do PSOL foi infame. Lênin provocou risos no primeiro semestre de 1917, ao afirmar que seu minúsculo Partido Bolchevique estava pronto para assumir as responsabilidades do poder na Rússia. No semestre seguinte ele provou que estava.

Este é o verdadeiro palco para os candidatos
de esquerda: aqui Giannazi prevalece
Gabriel Chalita é o simpático galã com que o Lula sonhava ao impor a candidatura de um eterno coadjuvante (Haddad). Poderá vir a ser a cara nova para a qual o eleitorado se voltará, até porque seus passaralhos de professores no passado não pegam tão mal quanto as  ligações perigosas  e projetos disparatados do Russomanno.

Quanto ao Giannazi, tem trajetória irrepreensível, uma história edificante (quantos, hoje em dia, prefeririam ser expulsos do partido do que trair seus eleitores e suas convicções?) e representa aos que travamos o bom combate. 

Ele é o que o Serra um dia foi e os demais nunca foram nem serão: um personagem de envergadura histórica. 

Mas, ao que tudo indica, não conseguirá sobressair como é necessário  se continuar respeitando as regras de um jogo de cartas marcadas. 

Com suas promessas mirabolantes, imagens recauchutadas/maquiladas por marqueteiros, máquinas políticas poderosas e investimentos maciços em propaganda (uma frase imortal do Zé Celso Martinez Correa: "Os publicitários são filhos de Goebbels"), os candidatos do sistema conseguirão convencer o eleitorado de que serão melhores prefeitos, tendo como referencial o perfil desideologizado de prefeito que a indústria cultural martela dia e noite.

Eu tentaria me apresentar aos telespectadores como a alternativa: o prefeito dos humilhados, ofendidos, explorados e excluídos, em contraposição aos que não passam de candidatos... a humildes serviçais dos poderosos. 

Está na hora de ouvirmos a palavra revolução orgulhosamente proferida num desses debates de TV, como o objetivo final dos nossos esforços. Os ventos de mudança, aliás, sopram em nosso favor. 

Como disse um dos maiores heróis deste país que tão poucos produziu, cabe-nos ousar lutar, ousar vencer, assumindo o que temos de melhor e o que mais nos diferencia desses farsantes: somos revolucionários!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

MANIFESTO DA CANDIDATURA DO LUNGARETTI

Faltando pouco mais de um mês para as eleições municipais, é o momento de eu ter uma conversa franca com os companheiros que acompanham minha atuação nas redes sociais. A aposta que fiz só resultará se eu receber o apoio de quem trava o bom combate ou com ele simpatiza. Pelos meios rotineiros de se fazer campanha política, minha chance é nenhuma.

Depois dos dramáticos anos de 2004 e 2005, quando, desempregado e cinquentão, atravessei uma terrível crise financeira  e tive de lutar desesperadamente para que a Comissão de Anistia respeitasse seus próprios critérios de priorização dos casos a serem julgados --pois, àquela altura, a reparação de vítima da ditadura militar era a tábua de salvação que me restava--, comecei o ano de 2006 com perspectivas bem diferentes.

O recebimento da minha pensão me permitiu voltar à tona. E o esclarecimento de episódios polêmicos do passado, culminando no lançamento do meu livro Náufrago da Utopia, me devolveu credibilidade para fazer o que sempre sonhara: desempenhar um papel nas lutas do presente. 

Lutar contra o arbítrio fardado nunca fora o objetivo último dos revolucionários da minha geração: apenas o imediato, naquele momento em que a reconquista da liberdade era condição  sine qua non  para tudo mais. 

Ficáramos devendo a construção de um país igualitário e justo, meta que continua não só inalcançada como longínqua: apesar de algumas políticas sociais que atenuaram a miséria,  o Brasil continua sendo uma das nações mais desiguais, subjugadas aos interesses do grande capital e submetidas aos caprichos dos poderosos, em todo o planeta.

Ao longo destes seis anos e meio de atuação virtual sistemática, tive a enorme satisfação de contribuir para a salvação do companheiro Cesare Battisti, na luta que algumas dezenas de idealistas solidários travamos contra os reacionários de dois continentes e a tendenciosíssima indústria cultural.

Também superei várias tentativas de intimidação, fiz o que estava ao meu alcance para reentronizar a defesa dos direitos humanos como um valor fundamental para os revolucionários e fui dos primeiros a alertar contra a escalada autoritária em São Paulo, identificando-a desde o nascedouro como balão de ensaio dos que tentam reinstaurar o totalitarismo.

O convite do PSOL para disputar uma vereança me seduziu, principalmente, por três motivos:
  • a necessidade de quebrarmos a espinha dos reacionários em São Paulo, ainda mais depois dos três gravíssimos episódios recentes (a blietzkrieg para escorraçar a pontapés os dependentes químicos, liberando a cracolândia para os especuladores imobiliários; a barbárie desencadeada pelo mesmíssimo motivo no Pinheirinho, incluindo a morte de um idoso, após ser sequestrado pelas autoridades para que a imprensa não tomasse conhecimento de quão bestialmente fora agredido; e a ocupação militar da USP, lembrando os piores tempos da ditadura);
  • a oportunidade de dar maior amplitude às minhas lutas, já que a imprensa tudo faz para circunscrever-me à internet (negando-me não só oportunidade para exercer profissionalmente meu ofício, como o de, tanto na condição de leitor quanto na de personagem histórico, reagir à sua desinformação programada, restabelecendo a verdade em episódios nos quais meu direito de fazê-lo é indiscutível); e
  • a possibilidade de alavancar minha principal cruzada atual, no sentido de que nos reconheçamos, em PRIMEIRO LUGAR, como membros do CAMPO DA ESQUERDA ANTICAPITALISTA,  acima de siglas e divisões que só convêm aos nossos inimigos de classe.
É algo que aprendemos da pior maneira possível nos  anos de chumbo. Perdemos tempo imenso disputando espaço uns com os outros, em função de questões que verdadeiramente não interferiam nas tarefas imediatas (como o caráter socialista ou nacional-popular da revolução)  e só nos unimos à beira do abismo, quando a correlação de forças se tornara francamente desfavorável para nós.

Lamento constatar que hoje o quadro se repete: para confrontarmos com mínima chance de êxito as poderosas máquinas políticas dos conservadores/reacionários, dos reformistas e dos fisiológicos, precisaríamos ao menos estar unidos. Continuamos pulverizados.

O que nos impede de formarmos uma frente anticapitalista? Por que não aproveitamos a lição da maior das vitórias que a esquerda brasileira conquistou nos últimos anos, exatamente a do Caso Battisti e obttida exatamente porque a solidariedade falou mais alto do que a mesquinhez?

No fundo, padecemos por não levarmos às últimas consequências o que pregamos. Se tivéssemos em conta que o partido revolucionário só se afirma nas etapas finais do processo de libertação da sociedade e não nas iniciais, não daríamos tanta importância a nossas legendas atuais, que são meros instrumentos para cumprirmos as tarefas desta fase, não merecendo zelo idêntico ao que a galinha dedica a seus pintinhos...

Que importa, afinal, a quantidade de governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores que cada um de nossos partidos detenha sob o capitalismo? O PT fez até presidente da República, três vezes, mas não fez a revolução brasileira avançar.

Então, é mais do que hora de passarmos a priorizar a conquista de posições no Executivo e no Legislativo para o CAMPO DA ESQUERDA COMO UM TODO E NÃO PARA CADA AGREMIAÇÃO EM PARTICULAR. Em termos práticos, tudo fazermos para contarmos com um número cada vez maior de representantes da esquerda, e os melhores possíveis (não qualquer jogador de futebol ou besteirinha de TV apenas pelo critério de ser conhecido...).

E de vermos a obtenção desses mandatos como parte das nossas táticas, não como fim estratégico. Servem para acumularmos força e, neste sentido, eles são importantes, mas não vitais

Isto não nos exime de os exercermos com dignidade e empenho. Pelo contrário, como constituem uma espécie de cartão de visitas pelo qual o cidadão comum nos julgará, temos de nos desincumbir de maneira exemplar, em termos de acuidade política, produtividade e integridade pessoal. 

Devemos evidenciar para a opinião pública que os revolucionários não nos dedicamos à politicalha medíocre dos que querem apenas garantir reeleições, não nos mancomunamos com a fisiologia, não abdicamos dos nossos valores em nome de governabilidade nenhuma e não deixamos jamais de defender os fracos contra os poderosos. 

Então, por me considerar um dos melhores quadros para desempenhar tal papel num contexto em que nossas forças ainda são muito inferiores às dos inimigos de classe e as características pessoais às vezes nos permitem obter vitórias improváveis, peço o apoio dos companheiros de esquerda, indistintamente, pois a contribuição que eu posso dar também é indistinta: beneficiará a toda a esquerda revolucionária.

Acredito na necessidade de nos contituírmos como campo de esquerda e quero contribuir na teoria e na prática para tanto, lançando na Câmara Municipal as mesmas pontes que Carlos Giannazi (PSOL), Adriano Diogo (PT) e Lecy Brandão (PCdoB) estabeleceram na Assembléia Legislativa, ao colocarem a afinidade ideológica acima de considerações menores. 

Não somos pequenos comerciantes disputando mercado. Somos companheiros numa empreitada de importância transcendental, por objetivos muito maiores do que cada um de nós. É assim que temos de nos enxergar.

domingo, 26 de agosto de 2012

O QUE EU FAÇO NO MEIO DESTA ELEIÇÃO?

Apesar de existirem milhares de filmes que podemos baixar na internet, ainda não consegui colar no meu álbum algumas  figurinhas carimbadas. Pacientemente, torno a procurá-las de tempos em tempos, apostando em que algum internauta as acabará disponibilizando para download.

Caso de uma western humorístico que vi há quatro décadas, O que eu faço no meio desta revolução?, dirigido por um mestre do bangue-bangue à italiana (Sergio Corbucci) e protagonizado pelo extraordinário Vittorio Gassman. Como ninguém postou legendas, de nada me adianta o torrent do filme, pois não entendo de ouvido o idioma dos meus avós.

Lembro-me remotamente das agruras do ator que, em turnê pelo México, envolve-se casualmente com a revolução de Villa e Zapata, passa o tempo todo tentando safar-se do imbroglio, mas, no final, a acaba assumindo e, parece-me, tendo morte heróica.

É como às vezes me sinto em relação à campanha eleitoral.

A Folha de S. Paulo mancheteia neste domingo que 64% dos paulistanos querem ver mantida a obrigatoriedade do horário eleitoral em rádio e TV. O horror, o horror!

Nem o fato de que qualquer dia aparecerei durante segundos na propaganda do PSOL (o suficiente apenas para cruzar os braços e encarar os telespectadores...), me faz ter a mais remota simpatia pelo interminável desfile de candidatos patéticos, que sempre relacionei a outra fita italiana, esta uma obra-prima de Ettore Scola: Feios, sujos e malvados (1976, c/ Nino Manfredi).

Para quem vê na política o instrumento para transformar a sociedade, no sentido de despertá-la do pesadelo capitalista e propiciar o advento da "terra da amizade, onde o homem ajuda o homem" (belíssimos versos de um dos temas musicais de Arena conta Zumbi), nada pode ser mais depressivo do que tal demagogia grotesca e delirante, tal toma lá o voto sem quase nunca darem cá a ninharia que prometem, tal carnavalização como forma de chamar atenção, tais ambições pequenas de pessoas idem.

O que o Giannazi, um homem idealista, articulado e de trajetória política exemplar, tem em comum com esses farsantes medíocres, esses Russomannos, Haddads e Chalitas? Nada, absolutamente nada. 

É um Gulliver obrigado a disputar espaço com liliputianos... que, se não conseguirmos tirar leite de pedra, acabarão prevalecendo sobre ele por terem poderosas máquinas partidárias, muito mais recursos financeiros, exposição maior na mídia e no horário eleitoral, mensagens que vêm ao encontro das aspirações dos eleitores aferidas em pesquisas qualitativas, etc.

Tratar uma candidatura como produto tem tudo a ver com a sociedade de consumo; é a linguagem a que o grande público está habituado e condicionado. Quem se propõe a aclarar as consciências ao invés de embotá-las leva enorme desvantagem.

O verdadeiro palco para a esquerda sempre foram  as escolas, as ruas, campos e construções, onde o contato com as massas é direto e dramático, não as telinhas que separam  os homens dos outros homens para que, cada um por si, sucumbam mais facilmente à manipulação e à desumanização. 

Mas, se participarmos do mafuá eleitoral gratuíto é ruim, pior ainda seria se nem esta ínfima brecha aproveitássemos para tentar sensibilizar os corações e despertar as mentes.

Em circunstâncias muito raras e especiais, os Davis conseguem vencer os Golias. Só que, se não formos com nossas fundas para o campo de batalha, nunca saberemos se estávamos ou não diante de uma dessas oportunidades únicas. 

Como disse o Vandré numa canção de homenagem ao Che, "Quem afrouxa na saída/ Ou se entrega na chegada/ Não perde nenhuma guerra/ Mas também não ganha nada".

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A TRAGÉDIA FOI COLLOR; RUSSOMANNO PODERÁ SER A FARSA TRÁGICA

"Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa." (Karl Marx, O 18 de brumário de Louis Bonaparte)

Talvez estejamos prestes a presenciar uma farsa de consequências quase tão funestas quanto a tragédia da eleição de Fernando Collor para presidente da República. Então, vale a pena, primeiramente, recapitularmos o que aconteceu em 1989.

Naquele ano a Agência Estado incumbiu-me de entrevistar os candidatos a presidente da República bem no comecinho da campanha. Fernando Collor aparecia em segundo lugar numa rara pesquisa de intenção de votos feita naquele mês de abril. Nenhum analista político importante apostava um centavo nas suas chances contra Mário Covas, Leonel Brizola, Paulo Maluf, Ulysses Guimarães, etc. 

O consenso era de que, quando a campanha esquentasse, o autoproclamado  caçador de marajás, conhecido apenas no Nordeste, seria desalojado das primeiras posições pelos candidatos que marcavam presença no noticiário político nacional há décadas.

Fui, talvez, o primeiro a desconfiar que Collor não seria  fogo de palha. Era imenso o desencanto com o desgoverno de José Sarney e seus recordes inflacionários que convulsionavam a vida do cidadão comum; e a rejeição se estendia aos outros políticos mais notórios. 

O eleitorado queria uma  nova cara  e Collor atendia a tal expectativa: era desconhecido, carismático e apresentava-se como o guerreiro que teria confrontado com êxito as velhas oligarquias nordestinas. 

E, se a  panca de valente  lhe servia como trunfo em relação ao povão, suas promessas de modernização tecnológica (a Lei de Informática e outros protecionismos travavam nosso desenvolvimento econômico) e  estado mínimo  seduziam parte da classe média.

Os meses foram passando e, ao invés de Collor definhar, passou a ser o líder das pesquisas.

Mesmo assim, os realmente poderosos tentatam alavancar candidatos que lhes seriam mais dóceis, como Aureliano Chaves, Guilherme Afif Domingos e até Mário Covas. Tinham um certo receio daquela incógnita que vinha da periferia do sistema e queria impor-se a ele. Temiam, com razão, que se revelasse um novo Jânio Quadros, imprevisível e destrambelhado.

Mas, nenhuma das opções tentadas colou. A grande imprensa passou, p. ex., umas duas semanas privilegiando um Afif Domingos, com enormes entrevistas nos jornais, exposição privilegiada na TV, matérias de capa nas revistas; era o  candidato do momento. Mas, quando as pesquisas não revelaram um crescimento significativo, direcionou seus holofotes para Covas, igualmente em vão. Então, curvando-se à evidência dos dados, em agosto o sistema optou por Collor como seu paladino para derrotar a esquerda.

Na outra trincheira também uma  nova cara  se impôs. O fantasma que assombrava os poderosos desde que ficaram evidenciados o fracasso e a exaustão da ditadura militar era Brizola. Foi por temerem sua eleição, dada como certa, que manobraram para impedir a aprovação da emenda Dante de Oliveira, favorecendo, em seguida, a eleição indireta de Tancredo Neves (os parlamentares da bancada governista liderados por José Sarney foram, e não por acaso, o fiel da balança nas duas votações, daí ele ser recompensado com a vice-Presidência na  Nova República  que já nasceu velha...).

Mas, no frigir dos ovos, foi Luiz Inácio Lula da Silva quem conquistou a vaga para o 2º turno, ao obter 454 mil votos mais do que Brizola (em termos percentuais, o primeiro ficou com 16,08% e o segundo com 15,45%).

Depois de apostar suas fichas em Collor já no 1º turno, levando-o a obter sozinho tantos votos quanto Covas, Maluf, Afif, Ulysses Guimarães e Aureliano Chaves somados, a direita jogou mais pesado ainda no 2º turno, garantindo-lhe a vitória... e condenando o Brasil à turbulência collorida e à mediocridade de Itamar Franco.

O CAVALO DE TRÓIA DE EDIR MACEDO

Há óbvios pontos de contato com a eleição paulistana de 2012, como a saturação com o domínio muito prolongado e cada vez mais estéril dos tucanos e seus aliados no estado e na cidade de São Paulo, bem como o desalento do cidadão comum com a política e os políticos (mais ainda porque a campanha começa quando o principal assunto do noticiário é o julgamento do mensalão).

Então, como Collor em 1989, a  nova cara  (Celso Russomanno) surpreendeu nas pesquisas iniciais ao aparecer na segunda colocação e mais ainda agora, ao assumir a ponta. Quem dava como favas contadas que ele seria  fogo de palha  começa a ficar com a pulga atrás da orelha.

Uma diferença importante é a que, por enquanto, não há um espectro da esquerda que assuste tanto o sistema quanto Brizola e Lula em 1989. O único que poderá desempenhar tal papel é Carlos Giannazi, se deslanchar.

Mas, a persistir o esvaziamento de José Serra, poderemos chegar a uma situação em que a disputa se decida entre Fernando Haddad e Celso Russomanno.

Como se percebe um nítido empenho dos poderosos e sua indústria cultural em esvaziarem Lula, favorecendo uma candidatura de Dilma Rousseff à reeleição (para começarem a torpedeá-la no dia seguinte à sua homologação pelo PT...), podemos temer, sim, que eles pavimentem o terreno para Russomanno chegar à Prefeitura. A derrota do seu  bebê de proveta  seria o golpe de misericórdia nas aspirações presidenciais de Lula.

Mas, se Russomanno repete Collor quanto a ser uma  nova cara  e ter dotes de bom comunicador, não é messiânico nem arrojado. Trata-se de um oportunista de voos curtos, ligações/episódios nebulosos (ver aqui) e um histórico legislativo de projetos disparatados (ver aqui).

Em termos pessoais, dele só há a temermos que venha a ser outro prefeito lacaio do grande capital e patético como Gilberto Kassab.

Mas, sua eleição aumentaria em muito o poder de fogo político da Igreja Universal do Reino de Deus e outras  empresas  dedicadas à exploração da fé.

O papel extremamente nocivo dessas bancadas evangélicas devotas do bezerro de ouro evidencia-se cada vez mais: satanização dos cultos afro-brasileiros, perseguição aos gays, campanhas extremadas e obscurantistas contra o aborto, reacionarismo (foram elas, p. ex., que condicionaram a aprovação do projeto da Comissão da Verdade à não participação de vítimas da ditadura)... e, claro, fisiologismo escancarado.  

Então, a eleição de Russomanno não seria, talvez, uma tragédia. Mas, leva todo jeito de, lembrando uma velha comédia macabra com Boris Karloff e Vicent Price, vir a tornar-se uma  farsa trágica.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

URGENTE: GIANNAZI SERÁ ENTREVISTADO LOGO MAIS PELO ESTADÃO. ASSISTA AO VIVO!

O professor e deputado estadual Carlos Giannazi inaugurará logo mais a série de entrevistas que o jornal O Estado de S. Paulo vai promover a partir desta 5ª feira com os candidatos à prefeitura paulistana.

Durante 30 minutos, Giannazi apresentará suas propostas e seus programas de governo, respondendo às perguntas de três jornalistas do Estadão.

Os leitores também podem participar com o envio de perguntas pela página da editoria de Política do Estado no Facebook ou pelo Twitter, usando a hashtag  #estadao.

A entrevista começará às 15 horas e poderá ser acompanhada ao vivo na TV Estadão, no portal do jornal (acesse-o aqui).

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

OS QUE DESPEJAM "CHEQUES E PROMESSAS NA PRAÇA". E OS BOICOTADOS PELA MÍDIA

O jornalista Rogério Gentile, em sua coluna desta 5ª feira (9) na Folha de S. Paulo, Mentirinhas de campanha (acesse íntegra aqui), constata:
"A eleição municipal [paulistana] mal começou, (...) mas, mesmo assim, os candidatos já estão completamente desenvoltos, despejando cheques e promessas na praça.

Em um mês de campanha, os quatro principais candidatos à Prefeitura de São Paulo (Serra, Russomanno, Chalita e Haddad) já desembolsaram, oficialmente, quase R$ 15 milhões e fizeram mais de cem promessas.

Serra, por exemplo, prometeu construir mais 217 km de vias para bicicletas (hoje existem 183 km) e um corredor de ônibus na Radial Leste, além de erguer o museu do automóvel, o museu da moda e o museu da canção brasileira.

Haddad não fez por menos.

Disse que vai entregar mil novos leitos hospitalares (hoje atualmente 3.308 na rede municipal), criar o bilhete único mensal e regularizar a situação dos camelôs, além de aumentar a carga horária escolar para sete horas por dia.
 É difícil saber o que é efetivamente viável, considerando os custos e a complexidade dos problemas da cidade de São Paulo, e o que não passa da tradicional 'mentirinha de campanha'. Orientado por marqueteiros e pesquisas de opinião, o candidato promete tudo e mais um pouco. Depois de eleito, só então vai olhar o que é possível fazer de verdade".
Elementar, meu caro Gentile.

Mas, os macacos da grande imprensa esquecem de olhar o próprio rabo: se "os quatro principais candidatos" praticam o mais repulsivo clientelismo, por que a mídia não abre eu já nem diria um espaço, mas uma  fresta, para os que tratam o eleitor como um verdadeiro cidadão e não como um pobre coitado mendigante de benesses e favores da corte?

Se a política brasileira virou um deserto de ideais e um lodaçal ético, grande parte da culpa cabe à indústria cultural, que tudo faz para dificultar a caminhada de quem se propõe a despertar a consciência dos cidadãos, ao invés de a embotar cada vez mais.

Sim, esses quatro são fiéis expressões do que há de pior na cena política brasileira: do autoritarismo de Serra (que abdicou do seu passado como quem troca de sapatos) ao oportunismo de Chalita e Russomanno (que trocam de partidos e de  padrinhos  também como quem troca de sapatos), passando pela insignificância de Haddad (inepto até para administrar o Enem e sem fibra para confrontar os homófobos no caso do  kit gay).

Mas, há um Carlos Giannazi nesta mesma eleição, com um inatacável passado de lutas e as propostas mais consistentes no presente. O que faz a mídia? Esconde-o, sob o pretexto de está bem abaixo, no ranking das intenções de voto, daqueles que despejam cheques e promessas na praça.

É um círculo vicioso: minimizam-no noticiário por estar atrás nas pesquisas e, ao negar-lhe visibilidade, impedem que o eleitorado o fique conhecendo e possa compará-lo, p. ex., com esses quatro patéticos representantes da velha política (caras novas de nada adiantam quando as práticas continuam arcaicas em sua essência, a única mudança sendo a atual capacidade dos marqueteiros de fabricarem  candidaturas populistas sem carisma...).

Lá vai o Brasil, descendo a ladeira. O retrocesso parece não ter fim.

Só nos resta lutarmos contra ele, marchando contra a corrente, do jeito que der, com a cara, a coragem e a certeza de sermos a alternativa ao  inferno pamonha  para o qual os poderosos e sua indústria cultural arrastam insensivelmente os brasileiros.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

UM APOIO DO QUAL EU E O GIANNAZI MUITO NOS ORGULHAMOS: O DE CARLOS LUNGARZO

POLÍTICA E DIREITOS HUMANOS

Carlos A. Lungarzo (*)

O ativismo em Direitos Humanos é uma área da atividade moral e social dos que o praticam, e sua doutrina uma subteoria da sociologia e a ética em sentido acadêmico, mas não é uma área da política, entendida como praxe, nem da "ciência" política, quando esta é entidade como teoria.

Entretanto, apesar de ser coisas diferentes, têm um núcleo comum. Parte desse núcleo é negativo. Lutar pelos direitos humanos significa combater as políticas que os obstruem, o que significa estar contra mais ou menos os 80% das posições que controlam o poder no planeta. Por outro lado, significa apoiar os movimentos sociais, ou inclusive alguns governos que zelam por esses direitos.

Ou seja, embora os direitos humanos pareçam incompatíveis com a política prática (que procura a dominação, seja a nível global ou nível nacional), os DH interessam na atividade política por dois motivos:

É impossível uma sociedade verdadeira civilizada sem uma organização política que torne os direitos humanos uma prioridade, acima de outros atributos, sejam soberania, independência, riqueza e até liberdade. DH exige mais que a democracia, como o prova a existência de 102 países da comunidade internacional, nos quais se praticam graves violações aos DH, e dos quais pelo menos 2/3 são democráticos. 

Duas vezes premiê da Suécia, Olof Palme foi
assassinado quando saía de um cinema, em  1986.
O país considerado às vezes como paradigma de democracia, os EEUU, mantém a pena de morte, tortura a população de outros países e, com sua atitude belicista, dá pretexto a outras países para manter seus exércitos.

Por outro lado, quando se respeitam os DH, é possível embora não seja fácil, aspirar a um socialismo real e humano.

Os ativistas de DH temos especial desconforto com a  realpolitk. Embora muitas vezes devemos trabalhar em harmonia com os governos para preservar vidas de pessoas ou de grupos e culturas, sabemos que, nesse 80% ou mais dos casos que mencionei, os DH são apenas uma cortina de fumaça para atingir o poder e ainda simular altruísmo.

Em muitos países, na década de 1980, foram criadas secretarias de DH com a principal finalidade de impedir o avanço dos militantes independentes. Como dizia a nobreza siciliano: "Vamos mudar a aparência de alguma coisa, para que nosso poder continue o mesmo".

Mas, houve e há exceções. Não deve esquecer-se que a Suécia que hoje persegue Julian Assange, já foi governada pelo socialismo de Olof Palme, que foi o modelo mais próximo de sociedade perfeita. O Chile que hoje é um balcão de negócios da burguesia corrupta, teve 3 anos da primavera do socialismo da Unidade Popular. E há outros exemplos, inclusive hoje.

Salvador Allende, o  companheiro presidente,
morreu resistindo ao  pinochetazzo, em 1973
Por isso, não acredito incorrer em nenhuma contradição ao difundir o manifesto de Celso Lungaretti [este aqui], pois, como ele disse, é outro tipo de política. Da mesma maneira, é o caso do candidato a prefeito pela mesma chapa Carlos Giannazi, uma pessoa que coloca a ênfase em praticamente a única ativdade humana que pode derrotar a violência do dinheiro, as armas, e as crendices: a educação. Ter um verdadeiro educador como líder é um luxo para qualquer sociedade.

A filosofia dos DH não produz, quando tomada seriamente, nem prestígio, nem influências, nem sossego. Todo o contrário, é uma atividade perigosa, onde se ganham os mais poderosos e cruéis inimigos.

Por isso, normalmente os ativistas de DH não militam em partidos políticos, onde o objetivo, mesmo nos casos de honestidade pública, é o poder e não a igualdade.

Pessoalmente, creio que o Partido Socialista e Liberdade, como outros pequenos partidos de esquerda do Brasil, ou de pequenos grupos de esquerda que ficam no PT ainda, é diferente da  realpolitk  que conhecemos. Mesmo assim, não estou assumindo um compromisso com ele, em seu conjunto, porque tenho críticas em algumas políticas.

Mas desejo sim manifestar meu apoio a Giannazi e Lungaretti, e a todos os que apóiam uma linha similar ou fraterna com eles.

* professor da Unicamp, defensor histórico dos DH, foi um dos principais defensores do escritor italiano Cesare Battisti, na luta vitoriosa para evitar sua extradição.

sábado, 21 de julho de 2012

QUE CONCLUSÔES EXTRAIRMOS DA PESQUISA DO DATA FOLHA PARA SAMPA?

Sinal dos tempos: hoje é o PSOL que faz campanha nas ruas...
Pesquisas de intenção de voto, quando a campanha eleitoral ainda não esquentou, servem apenas para detectarmos tendências e (re)orientarmos a atuação.

A do Datafolha, relativa aos dias 19 e 20, nos permite concluir que:

José Serra (PSDB), com 30% e todo o peso da administração estadual colocado a seu serviço, está bem abaixo do esperado. Todo mundo (99%) já o conhece, de forma que dificilmente terá crescimento significativo doravante. E é o campeão da rejeição, com 37%. Delineia-se como o candidato predestinado a chegar ao 2º turno... e eleger o adversário.

Fernando Haddad (PT), com ridículos 7%, é outro que não está empolgando o eleitorado. Com a agravante de que dificilmente a grande imprensa  manipulará  em seu favor. Dá para percebermos que mídia quer mais é levantar a bola da Dilma, para que seja ela e não Lula o candidato do PT na eleição presidencial de 2014. Como uma derrota acachapante de Haddad terá impacto devastador sobre as pretensões do Lula, não serão as principais rádios e TVs, os jornalões e as revistonas que fornecerão combutível para Haddad decolar. Podem anotar e conferir.

...enquanto o PT frequenta as piores mansões.
Celso Russomanno, do PRB, lembra o monstro de Frankenstein --é uma criatura disforme (ideologicamente, no caso...) que fugiu do controle do criador, Paulo Maluf. Trata-se do primeiro beneficiário (espero que o  definitivo  venha a ser o Giannazi...) do desalento do eleitorado com as candidaturas das duas principais máquinas políticas. Seus 26% são ilusórios, decorrem apenas do prestígio como comunicador. É uma bolha que vai desinflar nos próximos meses; acabará com uns 10%, pouco mais, pouco menos.
 
Gabriel Chalita não está na eleição para vencer, apenas para puxar votos, ajudando a eleger muitos vereadores. A vocação atual do PMDB não é ocupar as casas mais importantes do tabuleiro político, mas ser sempre imprescindível para os prefeitos, governadores e presidentes de outros partidos aprovarem seus projetos no Legislativo --de forma que estes, em nome da maldita  governabilidade (pretexto para toda  imoralidade!), sejam obrigados a ceder consideráveis nacos de poder para os insaciáveis peemedebistas.

Soninha Francine , do PPS (7%) e Paulinho da Força, do PDT (5%) não estão disputando pra valer a Prefeitura, apenas acumulam capital político para a eleição seguinte. Dependendo da quantidade de votos que obtiverem, decidirão se dá para tentar a Câmara Federal ou é melhor se garantirem na Assembléia Legislativa.

Quanto ao Carlos Giannazi, do PSOL (1%), o candidato com mais consistência ideológica e brilho pessoal, seus índices deverão melhorar naturalmente quando a exposição na mídia aumentar, de agosto em diante. 

A única chance de vitória, contudo, é ele ter um desempenho consagrador nos debates eleitorais e  estourar  na arrancada final, cavando uma vaga no 2º turno. Mas, qualquer que seja o cenário a prevalecer, o Giannazi, INEVITAVELMENTE, levará ao PSOL a um patamar muito superior ao da última eleição (0,67%). Podem anotar e conferir.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A LEGITIMIDADE DE CADA BICICLETADA

A bicicleta, quem diria, virou tema de campanha na eleição paulistana.

Tudo começou quando o Diário Oficial do Estado estampou em sua capa, no último dia 11, uma matéria extremamente perniciosa, como se evidencia já no título: Mais ciclistas, mais acidentes (ver aqui).

Fui dos primeiros a levantar o assunto na blogosfera, manifestando meu repúdio no artigo Governo de SP não quer bicicletas atrapalhando os veículos poluentes (ver aqui)

Depois, contrapus a tal obtusidade ambiental as lições de um ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, em cuja gestão (1998/2001) foram implantados mais de 300 km de ciclovias: A cidade mais avançada não é aquela em que os pedestres andam de carro... mas aquela em que os ricos usam transporte público (ver aqui).

Houve também esculhambações na grande imprensa, o que deve ter motivado José Serra e Gabriel Chalita a sairem dando pedaladas eleitoreiras no fim de semana, o que ironizei no meu novo blogue, Diário de campanha do Lungaretti (ver aqui), qualificando de "forçação de barra" a atitude "dos candidatos a prefeito de São Paulo que se fantasiaram de ciclistas no último sábado, fazendo pose para os cinegrafistas e fotógrafos que os assessores de imprensa ciosamente arregimentaram".

Por quê? Não é elogiável a promessa de Serra, de "expandir o total de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas da cidade de 183 quilômetros para 400 quilômetros, por meio de parceria com o governo estadual", conforme noticiou O Estado de S. Paulo?

Para um oposicionista que nunca houvesse administrado a cidade, com certeza seria. Mas Serra já teve a oportunidade de construir todas as ciclovias que lhe aprouvessem durante os 15 meses em que foi prefeito de São Paulo, entre 2005 e 2006. Não o fez.

E, desde o 1º de abril de 2006, quem está no poder é o seu aliado Gilberto Kassab, que também não priorizou as duas rodas, muito pelo contrário.

Por falar em 1º de abril, o Serra será sempre lembrado como o candidato que mentiu ao eleitorado paulistano quando colocou sua assinatura num compromisso solene de, caso fosse eleito, não renunciar à Prefeitura para disputar o governo do Estado. Quem garante ele agora cumpriria a promessa de expandir as ciclovias?

Quanto à "parceria com o governo estadual", vale também recordar que os tucanos estão empoleirados no Palácio dos Bandeirantes desde 1º de janeiro de 1995, enfileirando seis sucessivos mandatos de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, afora os vices que assumiram quando os dois últimos renunciaram para quebrarem o bico em tentativas de voos maiores (foram derrotados por Lula e Dilma nas eleições presidenciais de 2006 e 2010).

Então, se há 17 anos não é reconhecido o imperativo de se desestimular o uso do carro próprio e o transporte individual no Estado de São Paulo, favorecendo sua progressiva substituição pelo transporte coletivo e o alternativo, isto se deve às sucessivas administrações do PSDB. Como bem ressaltou o colombiano Peñalosa, a questão de como dividimos o espaço viário entre pedestres, bicicletas, ônibus e carros "é uma decisão política, não técnica".

O PSOL, ao contrário do PSDB de Serra e do PMDB de Chalita, sempre defendeu o investimento público no transporte de massa e nas modalidades alternativas, como única opção  face aos engarrafamentos cada dia maiores, que privam os cidadãos das grandes cidades de horas valiosas para seu lazer e repouso, além de maximizarem a poluição ambiental.

Tem legitimidade, portanto, a bicicletada da qual o deputado estadual Carlos Giannazi participará neste sábado (21), a partir das 9h30, partindo da Praça do Ciclista (localizada no canteiro central da av. Paulista, entre as ruas da Consolação e Bela Cintra) em direção à sede do PSOL (esquina da rua Alberto Leal com a av. Armando Arruda Pereira). A atividade é uma parceria com a Ciclocidade e o CicloBR.

Pois, no seu caso, não se trata de conveniências ou estelionatos eleitorais. Sendo um partido comprometido com os ideais de igualdade e justiça social,  acredita em (e trabalha para) cidades nas quais os interesses de todas as pessoas sejam levados em consideração, não apenas os dos ricos e dos exclusivistas.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

EU, CELSO L., 61 ANOS, EX-RESISTENTE, TORTURADO E... VEREADOR?!

Sou o candidato a vereador nº 50005 da cidade de São Paulo, pelo Partido Socialismo e Liberdade.

Os que acompanham minha trajetória, provavelmente estranharão: por que entrar na política oficial aos 61 anos, depois de uma jornada tão atribulada? Não deveria estar curtindo esta fase tranquila da vida familiar, dedicando-me às filhas e netos?

Parafraseando Brecht: eu não consigo agir assim.

Os objetivos que, aos 16 anos, me motivaram a contestar uma ditadura sanguinária ainda não foram atingidos. Nem considero este Brasil com democracia tão imperfeita e desigualdade tão gritante, suficiente para justificar a perda de 20 companheiros estimados e os terríveis sofrimentos impostos a tantos outros.

Como sobrevivente de uma luta que tragou alguns dos melhores cidadãos que este país já produziu, assumi o compromisso de dedicar o resto dos meus anos aos ideais pelos quais eles se sacrificaram.

Foi assim que em 1986, mesmo sem as facilidades da internet, consegui, com um golpe de sorte, evitar que a greve de fome dos quatro de Salvador  terminasse em tragédia.

E o advento da web facilitou em muito as cruzadas em defesa dos direitos humanos, como a vitória épica que ajudei a conquistarmos no Caso Battisti, contra a perseguição inquisitorial e as pressões arrogantes de um país do 1º mundo, apoiado pelo que havia de pior na Justiça, na imprensa e na política brasileiras.

Mas, a influência das redes sociais não é ilimitada e, em várias outras lutas, tenho me chocado com o boicote da grande imprensa que, além de me negar o direito de exercer a minha profissão de jornalista,  esconde-me  como personagem histórico e participante de embates políticos marcantes. Nem o direito de resposta ou de apresentar o outro lado ela me concede, mesmo quando são incontestáveis à luz das boas práticas jornalísticas e não há ninguém para os exercer além de mim.

Não nego: é terrível a sensação de impotência que sinto por não estarmos conseguindo obter a responsabilização dos culpados pela barbárie no Pinheirinho nem o levantamento imediato da ocupação militar da USP, dentre outros episódios inadmissíveis numa verdadeira democracia.

Os balões de ensaio para testar a resistência dos brasileiros a uma recaída totalitária não estão tendo resposta à altura; daí minha ansiedade em buscar maior amplitude de atuação. E, como este novo macartismo vigente no Brasil tenta me transformar num fantasma virtual, quero mais é mostrar ao sistema que estou bem vivo, firme e forte.

Se não me mataram nos porões nem conseguiram me destruir com a estigmatização por eles ensejada, tampouco me farão recuar com ameaças, pressões nem manipulações midiáticas.

Foi um motivo a mais para eu ter aceitado de pronto o convite do professor Carlos Giannazi, no sentido de somar forças com ele na campanha municipal de 2012.

Ou outros são a concordância básica que temos na maioria dos assuntos e o fato de vê-lo como o único candidato da esquerda anticapitalista com reais chances de derrotar a direita e os reformistas na cidade mais importante do País.

Tenho razões para crer que o PSOL não só tende a adquirir a influência que o PT adquiriu, como pode obtê-la sem abandonar suas principais bandeiras pelo caminho.

Até porque o mundo começa a ser varrido por uma nova onda revolucionária, potencializada pela depressão que o capitalismo está engendrando; e, neste novo cenário, o PSOL tem-se alinhado decididamente com a contestação nas ruas (o que é um antídoto ao deslumbramento com os gabinetes do poder...).

Não há nenhum fatalismo histórico a tanger os partidos de esquerda ao comprometimento com o status quo como condição indispensável para crescerem; a decisão que o PT tomou há uma década, de negociar com banqueiros e grandes capitalistas a  permissão  para chegar ao poder e as concessões que teria de fazer em troca, não foi imposta pelos deuses, foi decidida por homens.

Agora, é imperativo provarmos ao cidadão comum que a esquerda pode decidir noutro sentido, mantendo a fidelidade a seus grandes ideais em quaisquer circunstâncias; até porque disto depende o ressurgimento da esperança na política. A minha parte eu farei.

Também quero ajudar a manter vivos alguns valores dos revolucionários da década de 1960, como o de que os vários agrupamentos da esquerda anticapitalista devem ver a si próprios como integrantes de um  campo, parceiros e aliados no bom combate, e não como adversários na disputa por migalhas de poder numa sociedade desumana.

O de que mandatos legislativos e posições no Executivo só se justificam no nosso caso quando colocados a serviço dos explorados e injustiçados, e se nos permitirem acumular forças para a mudança maior da sociedade. São meios, nunca fins em si. Nosso objetivo não é ganharmos a eleição seguinte, é prepararmos o terreno para o  reino da liberdade, para além da necessidade (Marx).

O de que honestidade pessoal e coerência para nós não são méritos, apenas obrigação.

E o de que temos de honrar os mandatos, pois nossos ideais serão julgados pelo desempenho visível. Vereador ou presidente da República, cabe-nos dar o exemplo de como age um militante de esquerda, tanto em termos de probidade, quanto de competência e coragem.

A partir daqui os meus textos referentes à campanha separam-se das comunicações costumeiras, a menos que os donos de cada espaço os autorizarem. Peço a todos que passem a acompanhá-los no blogue Diário de Campanha do Lungaretti, cujo endereço é este aqui: http://quero50005.blogspot.com.br/

E que, concordando com minhas propostas e conteúdos, ajudem-me a torná-los conhecidas no Facebook, no Orkut e no twitter, bem como seguindo e divulgando o novo blogue –no qual tentarei oferecer um enfoque bem diferente de uma campanha eleitoral, mais reflexivo, jornalístico e literário–, até porque é isto que os leitores habituais esperam de mim. Sempre considerarei mais importante propagar os nossos ideais do que convencer alguém a votar em mim. Manterei esta linha.

De resto, inexperiente, sem mobilização na base e sem recursos, só terei sucesso se os internautas alavancarem a minha campanha, que vai ser bem do tipo  tostão contra milhão. [Se receber doações, produzirei folhetos caseiros e vou distribui-los pessoalmente; quem quiser me dar uma força, por favor, escreva p/ lungaretti@gmail.com.]

E peço antecipadamente desculpas pelos textos mais ligeiros que produzirei, até o 7 de outubro, para os outros espaços e tribunas. De qualquer forma, o compromisso há muito assumido de colocar todo dia algo novo no blogue Náufrago da Utopia será respeitado.

A sorte está lançada. 

COMPANHEIROS E AMIGOS: AJUDEM-ME NESTA NOVA FRENTE DE ATUAÇÃO!

Neste sábado (16), o Partido Socialismo e Liberdade vai realizar a convenção em que será homologada a candidatura do professor Carlos Giannazi a prefeito de São Paulo e a chapa de candidatos a vereadores, da qual faço parte. 

Como todas as decisões foram tomadas nas prévias, o que terá lugar no auditório Franco Montoro da Assembléia Legislativa, a partir das 14 horas, vai ser uma reunião festiva, para a qual todos estão convidados. 

Quem me conhece, decerto perguntará: por que me lanço na política oficial, nesta altura da vida? Afinal, estarei completando 62 anos na véspera do 1º turno e, ao contrário das mulheres ansiosas por casar e do José Serra ao tornar-se septuagenário, não escondo idade...

Um motivo é a afinidade com as propostas do PSOL e do Giannazi, a quem conheço desde que em 2006 o procurei, como o deputado estadual mais influente na área da educação,  para tentar viabilizar um antigo sonho: o de conseguir que uma escola de SP recebesse o nome do meu amigo de infância, colega de escola e companheiro de militância Eremias Delizoicov, assassinado pela ditadura militar em 1969, aos 18 anos. 

Seu corpo ficou tão desfigurado pelas dezenas de disparos que os executores, no primeiro momento, anunciaram a morte do ex-sargento José Araújo Nóbrega.

A equipe do Giannazi bem que tentou, mas a comunidade aceitar algo assim ainda é difícil no Brasilde hoje. Daí, p. ex., ele  não ter conseguido que fossem aprovadas na Assembléia suas propostas  de dar a vias públicas os nomes de Carlos Lamarca e Carlos Marighella; e, para que uma escola fosse batizada com o de Cazuza, usou o artifício de apresentar como homenageado Agenor de Miranda Araújo Neto, driblando a vigilância dos deputados hostis, que só o conheciam pelo nome artístico.

Nos anos seguintes, várias vezes nos encontramos nas mesmas trincheiras, o Giannazi e eu. Fez com que um artigo meu fosse incluído nas atas da Assembléia, interpelou o governador Geraldo Alckmin a respeito dos elogios à ditadura na página virtual da Rota (bandeira por mim levantada) e, inspirado noutro dos meus textos, conseguiu que fosse instituído em SP o Dia Estadual de Memória dos Mortos e Desaparecidos Políticos.

Tanto quanto eu, o Giannazi é adepto e partícipe das novas formas de luta que cada vez mais se avolumam na era da  internet, alimentando a esperança de que voltemos a ver o capitalismo contestado em escala internacional, com as ondas revolucionárias novamente varrendo o mundo.

Por tudo isto, considerei com muito carinho o convite do PSOL para disputar a vereança.

O MACARTISMO QUE NÃO OUSA DIZER SEU NOME

Pesou também o ostracismo a que a indústria cultural tenta me relegar, não só fechando suas tribunas para mim enquanto jornalista profissional, como  escondendo  minha condição de personagem histórico, sonegando-me o direito de resposta e de apresentar o outro lado  em relação a assuntos que me dizem diretamente respeito, omitindo minha participação em lutas importantes, etc. O macartismo, com sua caça às bruxas e suas listas negras, não acabou com McCarthy e Nixon;existe até hoje no Brasil, de forma mais discreta. 

A visibilidade que hoje tenho na internet é suficiente em algumas lutas que travo, noutras não. Para dar a contribuição que almejo, no sentido de forjarmos uma esquerda anticapitalista capaz de se tornar uma alternativa de poder no Brasil, preciso ampliar --e muito-- o alcance da minha atuação. Tentarei, portanto, fazer o sistema me engolir.

Vi, ainda, a oportunidade de resgatar velhos e bons valores, como a noção de campo da esquerda. Por força da legislação eleitoral, pertenço a um partido; por coerência com meus ideais, vou defender sempre as bandeiras e posturas anticapitalistas, ao lado de todos os que as defendem e tudo fazendo para estimular a união de forças em torno do objetivo maior de transformarmos a sociedade.
Diferentemente de  botequineiros disputando a freguesia do bairro, o que nos importa, como revolucionários, não são os nichos e nacos de poder na sociedade atual, mas sim o uso que, juntos, possamos dar a eles para impulsionarmos as grandes mudanças que são a nossa própria razão de existência política. 

Quanto a ser exemplo de honestidade e competência, como alternativa à putrefação  exposta diariamente no noticiário, isto não é mérito para um homem de esquerda, mas tão somente,  obrigação

Por último: não tenho recursos financeiros, comitê, apoiadores organizados, experiência em campanhas, nada. Tudo está por ser feito  --ou não. Este projeto dependerá inteiramente da adesão e do voluntariado dos companheiros. Espero que ele represente algo para vocês, como significa para mim.

O certo é que, do jeito que der e com quantos contar, vou lutar até o fim, como sempre.
 Obs.: texto divulgado no dia 15/06/2012