Fui ativista estudantil (1967/68). Militante clandestino (1969/70). Preso político (1970/71). Tenho travado o bom combate, lutando por um Brasil mais justo, defendendo os direitos humanos, combatendo o autoritarismo.

Sou jornalista desde 1972. Crítico de música e de cinema. Cronista. Poeta. Escritor. Blogueiro.

Tentei e não consegui eleger-me vereador em São Paulo. Mas, orgulho-me de ter feito uma campanha fiel aos objetivos nortearam toda a minha vida adulta: a construção de uma sociedade igualitária e livre, tendo como prioridades máximas o bem comum e a felicidade dos seres humanos.

Em que a exploração do homem pelo homem seja substituída pela cooperação solidária do homem com os outros homens. Em que sejam finalmente concretizados os ideais mais generosos e nobres que a humanidade vem acalentando através dos tempos: justiça social e liberdade.

sábado, 21 de julho de 2012

QUE CONCLUSÔES EXTRAIRMOS DA PESQUISA DO DATA FOLHA PARA SAMPA?

Sinal dos tempos: hoje é o PSOL que faz campanha nas ruas...
Pesquisas de intenção de voto, quando a campanha eleitoral ainda não esquentou, servem apenas para detectarmos tendências e (re)orientarmos a atuação.

A do Datafolha, relativa aos dias 19 e 20, nos permite concluir que:

José Serra (PSDB), com 30% e todo o peso da administração estadual colocado a seu serviço, está bem abaixo do esperado. Todo mundo (99%) já o conhece, de forma que dificilmente terá crescimento significativo doravante. E é o campeão da rejeição, com 37%. Delineia-se como o candidato predestinado a chegar ao 2º turno... e eleger o adversário.

Fernando Haddad (PT), com ridículos 7%, é outro que não está empolgando o eleitorado. Com a agravante de que dificilmente a grande imprensa  manipulará  em seu favor. Dá para percebermos que mídia quer mais é levantar a bola da Dilma, para que seja ela e não Lula o candidato do PT na eleição presidencial de 2014. Como uma derrota acachapante de Haddad terá impacto devastador sobre as pretensões do Lula, não serão as principais rádios e TVs, os jornalões e as revistonas que fornecerão combutível para Haddad decolar. Podem anotar e conferir.

...enquanto o PT frequenta as piores mansões.
Celso Russomanno, do PRB, lembra o monstro de Frankenstein --é uma criatura disforme (ideologicamente, no caso...) que fugiu do controle do criador, Paulo Maluf. Trata-se do primeiro beneficiário (espero que o  definitivo  venha a ser o Giannazi...) do desalento do eleitorado com as candidaturas das duas principais máquinas políticas. Seus 26% são ilusórios, decorrem apenas do prestígio como comunicador. É uma bolha que vai desinflar nos próximos meses; acabará com uns 10%, pouco mais, pouco menos.
 
Gabriel Chalita não está na eleição para vencer, apenas para puxar votos, ajudando a eleger muitos vereadores. A vocação atual do PMDB não é ocupar as casas mais importantes do tabuleiro político, mas ser sempre imprescindível para os prefeitos, governadores e presidentes de outros partidos aprovarem seus projetos no Legislativo --de forma que estes, em nome da maldita  governabilidade (pretexto para toda  imoralidade!), sejam obrigados a ceder consideráveis nacos de poder para os insaciáveis peemedebistas.

Soninha Francine , do PPS (7%) e Paulinho da Força, do PDT (5%) não estão disputando pra valer a Prefeitura, apenas acumulam capital político para a eleição seguinte. Dependendo da quantidade de votos que obtiverem, decidirão se dá para tentar a Câmara Federal ou é melhor se garantirem na Assembléia Legislativa.

Quanto ao Carlos Giannazi, do PSOL (1%), o candidato com mais consistência ideológica e brilho pessoal, seus índices deverão melhorar naturalmente quando a exposição na mídia aumentar, de agosto em diante. 

A única chance de vitória, contudo, é ele ter um desempenho consagrador nos debates eleitorais e  estourar  na arrancada final, cavando uma vaga no 2º turno. Mas, qualquer que seja o cenário a prevalecer, o Giannazi, INEVITAVELMENTE, levará ao PSOL a um patamar muito superior ao da última eleição (0,67%). Podem anotar e conferir.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A LEGITIMIDADE DE CADA BICICLETADA

A bicicleta, quem diria, virou tema de campanha na eleição paulistana.

Tudo começou quando o Diário Oficial do Estado estampou em sua capa, no último dia 11, uma matéria extremamente perniciosa, como se evidencia já no título: Mais ciclistas, mais acidentes (ver aqui).

Fui dos primeiros a levantar o assunto na blogosfera, manifestando meu repúdio no artigo Governo de SP não quer bicicletas atrapalhando os veículos poluentes (ver aqui)

Depois, contrapus a tal obtusidade ambiental as lições de um ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, em cuja gestão (1998/2001) foram implantados mais de 300 km de ciclovias: A cidade mais avançada não é aquela em que os pedestres andam de carro... mas aquela em que os ricos usam transporte público (ver aqui).

Houve também esculhambações na grande imprensa, o que deve ter motivado José Serra e Gabriel Chalita a sairem dando pedaladas eleitoreiras no fim de semana, o que ironizei no meu novo blogue, Diário de campanha do Lungaretti (ver aqui), qualificando de "forçação de barra" a atitude "dos candidatos a prefeito de São Paulo que se fantasiaram de ciclistas no último sábado, fazendo pose para os cinegrafistas e fotógrafos que os assessores de imprensa ciosamente arregimentaram".

Por quê? Não é elogiável a promessa de Serra, de "expandir o total de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas da cidade de 183 quilômetros para 400 quilômetros, por meio de parceria com o governo estadual", conforme noticiou O Estado de S. Paulo?

Para um oposicionista que nunca houvesse administrado a cidade, com certeza seria. Mas Serra já teve a oportunidade de construir todas as ciclovias que lhe aprouvessem durante os 15 meses em que foi prefeito de São Paulo, entre 2005 e 2006. Não o fez.

E, desde o 1º de abril de 2006, quem está no poder é o seu aliado Gilberto Kassab, que também não priorizou as duas rodas, muito pelo contrário.

Por falar em 1º de abril, o Serra será sempre lembrado como o candidato que mentiu ao eleitorado paulistano quando colocou sua assinatura num compromisso solene de, caso fosse eleito, não renunciar à Prefeitura para disputar o governo do Estado. Quem garante ele agora cumpriria a promessa de expandir as ciclovias?

Quanto à "parceria com o governo estadual", vale também recordar que os tucanos estão empoleirados no Palácio dos Bandeirantes desde 1º de janeiro de 1995, enfileirando seis sucessivos mandatos de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, afora os vices que assumiram quando os dois últimos renunciaram para quebrarem o bico em tentativas de voos maiores (foram derrotados por Lula e Dilma nas eleições presidenciais de 2006 e 2010).

Então, se há 17 anos não é reconhecido o imperativo de se desestimular o uso do carro próprio e o transporte individual no Estado de São Paulo, favorecendo sua progressiva substituição pelo transporte coletivo e o alternativo, isto se deve às sucessivas administrações do PSDB. Como bem ressaltou o colombiano Peñalosa, a questão de como dividimos o espaço viário entre pedestres, bicicletas, ônibus e carros "é uma decisão política, não técnica".

O PSOL, ao contrário do PSDB de Serra e do PMDB de Chalita, sempre defendeu o investimento público no transporte de massa e nas modalidades alternativas, como única opção  face aos engarrafamentos cada dia maiores, que privam os cidadãos das grandes cidades de horas valiosas para seu lazer e repouso, além de maximizarem a poluição ambiental.

Tem legitimidade, portanto, a bicicletada da qual o deputado estadual Carlos Giannazi participará neste sábado (21), a partir das 9h30, partindo da Praça do Ciclista (localizada no canteiro central da av. Paulista, entre as ruas da Consolação e Bela Cintra) em direção à sede do PSOL (esquina da rua Alberto Leal com a av. Armando Arruda Pereira). A atividade é uma parceria com a Ciclocidade e o CicloBR.

Pois, no seu caso, não se trata de conveniências ou estelionatos eleitorais. Sendo um partido comprometido com os ideais de igualdade e justiça social,  acredita em (e trabalha para) cidades nas quais os interesses de todas as pessoas sejam levados em consideração, não apenas os dos ricos e dos exclusivistas.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O PT FEZ PACTO COM O DIABO OU COALIZÃO COM JUDAS?

Em seu editorial desta 5ª feira (19), É dando que se recebe (ver íntegra aqui), a Folha de S. Paulo constata: houve um "repentino e acentuado aumento de emendas parlamentares liberadas em benefício do Partido Progressista (PP), do deputado federal paulista Paulo Maluf ... paralelamente à aproximação entre a agremiação malufista e o PT para apoiar a candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo".

Sem quê nem pra quê, a quinta maior bancada do Legislativo se tornou a segunda em acesso ao cofre da  viúva, superando o próprio PT e só ficando atrás do PMDB.

Os dados exibidos pelo jornal da  ditabranda  (cujas opiniões e interpretações costumam ser, no mínimo, discutíveis, mas que jamais ousaria distorcer informações que qualquer um pode checar) são conclusivos:
"Desde janeiro, o PP fora contemplado com a liberação de R$ 7,2 milhões. Nos últimos 30 dias, já obteve concessão para emendas [no Orçamento federal] que atingem R$ 36,6 milhões".
Desta vez, não há como discordarmos da conclusão da Folha:
"A estrutura pública, que deveria ser mantida à distância do jogo eleitoral, é instrumentalizada para servir a candidaturas e interesses partidários".
Não considero Maluf (veja seu perfil aqui) o pior diabo com quem o PT já fez pactos para atender a interesses eleitoreiros ou garantir a  governabilidade ao preço da amoralidade. Eu colocaria Antônio Carlos Magalhães, José Sarney e Fernando Collor no mesmíssimo patamar infernal. 

E faço questão de deixar registrado meu repúdio à promiscuidade do Partido dos Trabalhadores (ao qual me filiei antes mesmo de ele obter o registro na Justiça Eleitoral e do qual me desfiliei quando começou a negociar sua alma) com capetas menores como Renan Calheiros e Jader Barbalho.

Aliás, numa de suas frases mais infelizes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou perceber qual a imagem que realmente tem desses aliados circunstanciais: ele os equiparou a ninguém menos do que Judas, além de invocar o santo nome do Senhor em vão, para tentar justificar o injustificável:
"Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão".
O que explica a facilidade com que ele aparece aos beijos e abraços com o  Judas  da vez.

E não hesita em favorecê-lo escancaradamente, usando como moeda de troca os recursos de que o Governo petista é depositário (não proprietário) e, por respeito à democracia e também às suas bandeiras de outrora, deveria destinar aos usos mais urgentes e necessários para a coletividade, não aos que sirvam para aumentar o prestígio de tal ou qual partido.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

MINHA CAMPANHA COMEÇA EM RITMO ROQUEIRO...

...mas, sendo eu um ex-crítico de rock, não se trata de uma forçação de barra como a dos candidatos a prefeito de São Paulo que se fantasiaram de ciclistas no último sábado, fazendo pose para os cinegrafistas e fotógrafos que os assessores de imprensa ciosamente arregimentaram.

Foi muito engraçado ver o José Serra pedalando, como se isto lhe desse ares de correção política, e também de juvenilidade.

E isto foi só quatro dias depois do tucano empoleirado no Palácio dos Bandeirantes ter saído muito mal na foto com a publicação, logo na capa do Diário Oficial do Estado, de uma reportagem fazendo puro terrorismo contra a utilização de bibicletas no trânsito de São Paulo (vide aqui).

O Governo Alckmin deu a perceber  eeennnooorrrmmmeee  preocupação... não com a vida e a integridade física dos ciclistas expostos a politraumatismos (como enfatiza o texto alarmista), mas com a despesa de R$ 3,25 milhões que tais acidentes geraram para o SUS paulista.

Como a repercussão da matéria foi péssima, a encenação midiática do Serra pode ter sido uma forma de marcar distância da obtusidade ambiental do seu maior aliado; afinal, todos sabem que eles são aves que não se bicam.

O outro provável objetivo, projetar uma imagem mais dinâmica, tem tudo a ver com o fato de Serra haver abafado o quanto pôde a singela informação de que, no último dia 19 de março, ele se tornou septuagenário. Teme que os eleitores o julguem velho demais para prefeito...

Too old to rock'n roll: too young to die! (velho demais para o rock'n roll, jovem demais para morrer!) é, por sinal, a faixa-título do álbum de 1976 do superlativo conjunto de rock britânico Jethro Tull, liderado pelo flautista Ian Anderson.

Era uma das minhas bandas prediletas quando, com o pseudônimo de André Mauro, editava revistas como a Rock Stars, Rock Show e Rock Passion, na distante década de 1980.

Então, aproveito a deixa para entrar no meu assunto principal.

Numa noite destas, o frio paulistano me deixou febril e com calafrios; nem debaixo dos cobertores conseguia me esquentar.

Tais situações sempre me trazem à lembrança os pobres sem-tetos que perambulam pela cidade e, por extensão, os versos terríveis de um dos maiores sucessos do Jethro Tull, "Acqualung", sobre um velho mendigo que, no gélido inverno londrino, mal consegue respirar e emite sons estertóreos como os de um escafandrista:
"Você ainda se lembra
da geada nebulosa de dezembro,
quando o gelo que se
agarra na sua barba
grita de agonia
e você apanha seus últimos suspiros,
arquejando com sons
de mergulhador no fundo do mar?"
A imagem evocada por esta música sempre me impressionou --ainda mais após ter lido que os desabrigados às vezes tentam espantar o frio com cachaça, o que lhes proporciona um momentâneo alívio mas, queimando suas calorias e levando-os a dormirem, acaba fazendo com que morram congelados.

Já morei bem próximo de um vão de viaduto no qual entidades filantrópicas distribuíam alimentos aos sem-teto, que acabavam permanecendo por lá. Via-os da minha janela no 2º andar, matando-se aos poucos com seus cachimbos de crack, copulando, defecando, vez por outra hostilizando transeuntes.

Eram detestados pelos moradores. Ouvi um comerciante jurar que, se ganhasse na loteria, encheria um caminhão com mantimentos para os distribuir bem na calçada da casa do cardeal, atraindo os mendigos para lá...

A mim me incomodava --e muito!-- ver seres humanos em tal estado de penúria, embrutecimento e degradação. Doía-me não ter meios e poderes para lhes dar uma ajuda real; filantropia nada resolve.

Devem ser encarados como doentes, que não podem mais cuidarem de si mesmos. Têm de ser tratados. Têm de recuperar sua dignidade e auto-estima.

A blitzkrieg que o governador Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab desfecharam na cracolândia, em janeiro último, foi um exemplo gritante do que como uma autoridade não deve proceder. Não havia sequer abrigos para os acolher. Foram truculentamente escorraçados para atender aos interesses da especulação imobiliária e ficaram vagando como zumbis pela cidade. 

Cruzei com alguns deles e fiquei com tanta raiva que, se o Kassab estivesse ali, eu teria muita dificuldade para me conter. Gente assim, DESUMANA AO EXTREMO, despachava os judeus para os fornos crematórios!

Bem ao contrário do que relatou Enrique Peñalosa, ex-prefeito CIVILIZADO da capital colombiana (ver sua entrevista aqui):
"Em Bogotá, acabamos com uma zona que era cem vezes pior que a cracolândia, onde havia alto consumo de drogas e os piores índices de violência do planeta. Ficava a dois quarteirões do Palácio do Governo. Desapropriamos uma área de 23 hectares, demolimos mais de 600 construções e fizemos um parque. Junto, tivemos um amplo trabalho de reabilitação. Chegamos a ter mais de mil pessoas que eram moradores de rua e que foram reabilitadas e contratadas pela prefeitura".
Então, se a moeda cair em pé e eu me tornar vereador paulistano, vou priorizar e fazer tudo que puder para salvar os nossos  acqualungs, espelhando-me em Peñalosa e nunca, jamais, na dupla sinistra Alckmin-Kassab!
Obs.: para assistir ao vídeo legendado de "Acqualung", acesse http://youtu.be/LCfEk9tl0Bs

terça-feira, 17 de julho de 2012

COERÊNCIA GANHA ELEIÇÃO?

Ao redigir o texto de lançamento da minha campanha na internet, não me veio fácil um título apropriado. À falta de idéia melhor, resolvi fazer blague com um filmezinho chinfrim (Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída), brincando com os paradoxos.

O principal é o de que minhas aptidões não parecem ser as de um vereador. Aliás, antes do advento da internet, eu nem tentaria uma empreitada destas, por sabê-la destinada inexoravelmente ao fracasso.

Hoje, contudo, há uma chance de que os apreciadores das minhas lutas e meus textos deem a força necessária para eu, assumido azarão, ganhar o páreo.

Nunca levei jeito para dar tapinhas nas costas, jogar conversa fora e comer coxinhas engorduradas, como fazem os candidatos em campanha. Nem tento, pois as pessoas captam a insinceridade e, entre discreto e hipócrita, prefiro ficar com a primeira imagem.

Minha formação de esquerda também me impede de fazer promessas demagógicas, vendendo o que não tenho certeza de poder entregar.

O barbeiro do bairro, torcedor da Portuguesa e músico nas horas vagas, me cobra sempre: "Apresente projetos. É com eles que se ganha eleição!". 

É bem possível que, comprometendo-me a viabilizar meia dúzia de pontes, viadutos, creches, instalações de iluminação pública e que tais, os necessitados de tais obras me elegessem. Mas, e depois?

Eu e a empolgada rapaziada do PSOL faremos tudo que pudermos para eleger o Giannazi, mas seria ridículo negar que o favoritimo é dos que contam com poderosas máquinas políticas e as utilizarão intensamente em benefício dos seus candidatos (Serra e Haddad), no pior figurino clientelista.

Se as circunstâncias ajudarem e os adversários errarem muito --como o Lula errou ao confraternizar impudicamente com o Maluf--, podemos, sim, surpreender.

Mas, nem de longe dá para termos hoje a certeza de fazer o prefeito e contar com a maior bancada. 

Então, promessas de obras públicas, no meu caso, beirariam o estelionato eleitoral. Se a Prefeitura couber ao tucano, é praticamente certo que os investimentos continuarão sendo escolhidos a dedo para levantarem a bola da bancada situacionista. E nada indica que o petista não opte também por favorecer os seus.

Evidentemente, como vereador de uma provável bancada minoritária de esquerda, eu proporia obras realmente necessárias para a comunidade, empenhando-me ao máximo por sua aprovação (desde que isto não implicasse nenhum toma-lá-dá-cá indigno). 

Mas, daí a utilizar estas possibilidades, por enquanto remotas, como chamarizes eleitorais, iria uma grande diferença.

O clientelismo é uma praga. Coloca os humildes na dependência dos favores dos poderosos, servindo para manter o status quo, jamais para o revolucionar.

Lamento que antigos companheiros de ideais, antes inimigos figadais do status quo, agora considerem interessante a sua perpetuação e incidam desavergonhadamente em práticas clientelistas. Quem te viu, quem te vê...

Eu seguirei meu caminho, prometendo apenas coerência e combatividade na defesa dos explorados, excluídos, injustiçados e prejudicados pelo capitalismo. 

Se isto for suficiente para minha eleição, ótimo. Caso contrário, lutarei em outras frentes. Mas nunca me tornarei um mercador de ilusões.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

EU, CELSO L., 61 ANOS, EX-RESISTENTE, TORTURADO E... VEREADOR?!

Sou o candidato a vereador nº 50005 da cidade de São Paulo, pelo Partido Socialismo e Liberdade.

Os que acompanham minha trajetória, provavelmente estranharão: por que entrar na política oficial aos 61 anos, depois de uma jornada tão atribulada? Não deveria estar curtindo esta fase tranquila da vida familiar, dedicando-me às filhas e netos?

Parafraseando Brecht: eu não consigo agir assim.

Os objetivos que, aos 16 anos, me motivaram a contestar uma ditadura sanguinária ainda não foram atingidos. Nem considero este Brasil com democracia tão imperfeita e desigualdade tão gritante, suficiente para justificar a perda de 20 companheiros estimados e os terríveis sofrimentos impostos a tantos outros.

Como sobrevivente de uma luta que tragou alguns dos melhores cidadãos que este país já produziu, assumi o compromisso de dedicar o resto dos meus anos aos ideais pelos quais eles se sacrificaram.

Foi assim que em 1986, mesmo sem as facilidades da internet, consegui, com um golpe de sorte, evitar que a greve de fome dos quatro de Salvador  terminasse em tragédia.

E o advento da web facilitou em muito as cruzadas em defesa dos direitos humanos, como a vitória épica que ajudei a conquistarmos no Caso Battisti, contra a perseguição inquisitorial e as pressões arrogantes de um país do 1º mundo, apoiado pelo que havia de pior na Justiça, na imprensa e na política brasileiras.

Mas, a influência das redes sociais não é ilimitada e, em várias outras lutas, tenho me chocado com o boicote da grande imprensa que, além de me negar o direito de exercer a minha profissão de jornalista,  esconde-me  como personagem histórico e participante de embates políticos marcantes. Nem o direito de resposta ou de apresentar o outro lado ela me concede, mesmo quando são incontestáveis à luz das boas práticas jornalísticas e não há ninguém para os exercer além de mim.

Não nego: é terrível a sensação de impotência que sinto por não estarmos conseguindo obter a responsabilização dos culpados pela barbárie no Pinheirinho nem o levantamento imediato da ocupação militar da USP, dentre outros episódios inadmissíveis numa verdadeira democracia.

Os balões de ensaio para testar a resistência dos brasileiros a uma recaída totalitária não estão tendo resposta à altura; daí minha ansiedade em buscar maior amplitude de atuação. E, como este novo macartismo vigente no Brasil tenta me transformar num fantasma virtual, quero mais é mostrar ao sistema que estou bem vivo, firme e forte.

Se não me mataram nos porões nem conseguiram me destruir com a estigmatização por eles ensejada, tampouco me farão recuar com ameaças, pressões nem manipulações midiáticas.

Foi um motivo a mais para eu ter aceitado de pronto o convite do professor Carlos Giannazi, no sentido de somar forças com ele na campanha municipal de 2012.

Ou outros são a concordância básica que temos na maioria dos assuntos e o fato de vê-lo como o único candidato da esquerda anticapitalista com reais chances de derrotar a direita e os reformistas na cidade mais importante do País.

Tenho razões para crer que o PSOL não só tende a adquirir a influência que o PT adquiriu, como pode obtê-la sem abandonar suas principais bandeiras pelo caminho.

Até porque o mundo começa a ser varrido por uma nova onda revolucionária, potencializada pela depressão que o capitalismo está engendrando; e, neste novo cenário, o PSOL tem-se alinhado decididamente com a contestação nas ruas (o que é um antídoto ao deslumbramento com os gabinetes do poder...).

Não há nenhum fatalismo histórico a tanger os partidos de esquerda ao comprometimento com o status quo como condição indispensável para crescerem; a decisão que o PT tomou há uma década, de negociar com banqueiros e grandes capitalistas a  permissão  para chegar ao poder e as concessões que teria de fazer em troca, não foi imposta pelos deuses, foi decidida por homens.

Agora, é imperativo provarmos ao cidadão comum que a esquerda pode decidir noutro sentido, mantendo a fidelidade a seus grandes ideais em quaisquer circunstâncias; até porque disto depende o ressurgimento da esperança na política. A minha parte eu farei.

Também quero ajudar a manter vivos alguns valores dos revolucionários da década de 1960, como o de que os vários agrupamentos da esquerda anticapitalista devem ver a si próprios como integrantes de um  campo, parceiros e aliados no bom combate, e não como adversários na disputa por migalhas de poder numa sociedade desumana.

O de que mandatos legislativos e posições no Executivo só se justificam no nosso caso quando colocados a serviço dos explorados e injustiçados, e se nos permitirem acumular forças para a mudança maior da sociedade. São meios, nunca fins em si. Nosso objetivo não é ganharmos a eleição seguinte, é prepararmos o terreno para o  reino da liberdade, para além da necessidade (Marx).

O de que honestidade pessoal e coerência para nós não são méritos, apenas obrigação.

E o de que temos de honrar os mandatos, pois nossos ideais serão julgados pelo desempenho visível. Vereador ou presidente da República, cabe-nos dar o exemplo de como age um militante de esquerda, tanto em termos de probidade, quanto de competência e coragem.

A partir daqui os meus textos referentes à campanha separam-se das comunicações costumeiras, a menos que os donos de cada espaço os autorizarem. Peço a todos que passem a acompanhá-los no blogue Diário de Campanha do Lungaretti, cujo endereço é este aqui: http://quero50005.blogspot.com.br/

E que, concordando com minhas propostas e conteúdos, ajudem-me a torná-los conhecidas no Facebook, no Orkut e no twitter, bem como seguindo e divulgando o novo blogue –no qual tentarei oferecer um enfoque bem diferente de uma campanha eleitoral, mais reflexivo, jornalístico e literário–, até porque é isto que os leitores habituais esperam de mim. Sempre considerarei mais importante propagar os nossos ideais do que convencer alguém a votar em mim. Manterei esta linha.

De resto, inexperiente, sem mobilização na base e sem recursos, só terei sucesso se os internautas alavancarem a minha campanha, que vai ser bem do tipo  tostão contra milhão. [Se receber doações, produzirei folhetos caseiros e vou distribui-los pessoalmente; quem quiser me dar uma força, por favor, escreva p/ lungaretti@gmail.com.]

E peço antecipadamente desculpas pelos textos mais ligeiros que produzirei, até o 7 de outubro, para os outros espaços e tribunas. De qualquer forma, o compromisso há muito assumido de colocar todo dia algo novo no blogue Náufrago da Utopia será respeitado.

A sorte está lançada. 

COMPANHEIROS E AMIGOS: AJUDEM-ME NESTA NOVA FRENTE DE ATUAÇÃO!

Neste sábado (16), o Partido Socialismo e Liberdade vai realizar a convenção em que será homologada a candidatura do professor Carlos Giannazi a prefeito de São Paulo e a chapa de candidatos a vereadores, da qual faço parte. 

Como todas as decisões foram tomadas nas prévias, o que terá lugar no auditório Franco Montoro da Assembléia Legislativa, a partir das 14 horas, vai ser uma reunião festiva, para a qual todos estão convidados. 

Quem me conhece, decerto perguntará: por que me lanço na política oficial, nesta altura da vida? Afinal, estarei completando 62 anos na véspera do 1º turno e, ao contrário das mulheres ansiosas por casar e do José Serra ao tornar-se septuagenário, não escondo idade...

Um motivo é a afinidade com as propostas do PSOL e do Giannazi, a quem conheço desde que em 2006 o procurei, como o deputado estadual mais influente na área da educação,  para tentar viabilizar um antigo sonho: o de conseguir que uma escola de SP recebesse o nome do meu amigo de infância, colega de escola e companheiro de militância Eremias Delizoicov, assassinado pela ditadura militar em 1969, aos 18 anos. 

Seu corpo ficou tão desfigurado pelas dezenas de disparos que os executores, no primeiro momento, anunciaram a morte do ex-sargento José Araújo Nóbrega.

A equipe do Giannazi bem que tentou, mas a comunidade aceitar algo assim ainda é difícil no Brasilde hoje. Daí, p. ex., ele  não ter conseguido que fossem aprovadas na Assembléia suas propostas  de dar a vias públicas os nomes de Carlos Lamarca e Carlos Marighella; e, para que uma escola fosse batizada com o de Cazuza, usou o artifício de apresentar como homenageado Agenor de Miranda Araújo Neto, driblando a vigilância dos deputados hostis, que só o conheciam pelo nome artístico.

Nos anos seguintes, várias vezes nos encontramos nas mesmas trincheiras, o Giannazi e eu. Fez com que um artigo meu fosse incluído nas atas da Assembléia, interpelou o governador Geraldo Alckmin a respeito dos elogios à ditadura na página virtual da Rota (bandeira por mim levantada) e, inspirado noutro dos meus textos, conseguiu que fosse instituído em SP o Dia Estadual de Memória dos Mortos e Desaparecidos Políticos.

Tanto quanto eu, o Giannazi é adepto e partícipe das novas formas de luta que cada vez mais se avolumam na era da  internet, alimentando a esperança de que voltemos a ver o capitalismo contestado em escala internacional, com as ondas revolucionárias novamente varrendo o mundo.

Por tudo isto, considerei com muito carinho o convite do PSOL para disputar a vereança.

O MACARTISMO QUE NÃO OUSA DIZER SEU NOME

Pesou também o ostracismo a que a indústria cultural tenta me relegar, não só fechando suas tribunas para mim enquanto jornalista profissional, como  escondendo  minha condição de personagem histórico, sonegando-me o direito de resposta e de apresentar o outro lado  em relação a assuntos que me dizem diretamente respeito, omitindo minha participação em lutas importantes, etc. O macartismo, com sua caça às bruxas e suas listas negras, não acabou com McCarthy e Nixon;existe até hoje no Brasil, de forma mais discreta. 

A visibilidade que hoje tenho na internet é suficiente em algumas lutas que travo, noutras não. Para dar a contribuição que almejo, no sentido de forjarmos uma esquerda anticapitalista capaz de se tornar uma alternativa de poder no Brasil, preciso ampliar --e muito-- o alcance da minha atuação. Tentarei, portanto, fazer o sistema me engolir.

Vi, ainda, a oportunidade de resgatar velhos e bons valores, como a noção de campo da esquerda. Por força da legislação eleitoral, pertenço a um partido; por coerência com meus ideais, vou defender sempre as bandeiras e posturas anticapitalistas, ao lado de todos os que as defendem e tudo fazendo para estimular a união de forças em torno do objetivo maior de transformarmos a sociedade.
Diferentemente de  botequineiros disputando a freguesia do bairro, o que nos importa, como revolucionários, não são os nichos e nacos de poder na sociedade atual, mas sim o uso que, juntos, possamos dar a eles para impulsionarmos as grandes mudanças que são a nossa própria razão de existência política. 

Quanto a ser exemplo de honestidade e competência, como alternativa à putrefação  exposta diariamente no noticiário, isto não é mérito para um homem de esquerda, mas tão somente,  obrigação

Por último: não tenho recursos financeiros, comitê, apoiadores organizados, experiência em campanhas, nada. Tudo está por ser feito  --ou não. Este projeto dependerá inteiramente da adesão e do voluntariado dos companheiros. Espero que ele represente algo para vocês, como significa para mim.

O certo é que, do jeito que der e com quantos contar, vou lutar até o fim, como sempre.
 Obs.: texto divulgado no dia 15/06/2012