BLOGUE DE UMA CAMPANHA À VEREANÇA PAULISTANA QUE PROCUROU, AFORA O OBJETIVO IMEDIATO E NÃO ATINGIDO, FIXAR PRINCÍPIOS E POSTURAS PARA AS CANDIDATURAS DE ESQUERDA EM QUAISQUER ELEIÇÕES, DAÍ SUA MANUTENÇÃO NO AR DEPOIS DA FASE DE CAÇA AO VOTO.
Sou jornalista desde 1972. Crítico de música e de cinema. Cronista. Poeta. Escritor. Blogueiro.
Tentei e não consegui eleger-me vereador em São Paulo. Mas, orgulho-me de ter feito uma campanha fiel aos objetivos nortearam toda a minha vida adulta: a construção de uma sociedade igualitária e livre, tendo como prioridades máximas o bem comum e a felicidade dos seres humanos.
Em que a exploração do homem pelo homem seja substituída pela cooperação solidária do homem com os outros homens. Em que sejam finalmente concretizados os ideais mais generosos e nobres que a humanidade vem acalentando através dos tempos: justiça social e liberdade.
domingo, 30 de setembro de 2012
'VOCÊ PODE DIZER QUE EU SOU UM SONHADOR, MAS NÃO SOU O ÚNICO" (Lennon)
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sábado, 29 de setembro de 2012
QUEM CHOCOU O OVO DA SERPENTE?
O trabalho de conclusão de curso da minha esposa foi sobre a Igreja Universal.
As informações que ela coletou e algumas que nâo pôde utilizar por motivos vários --principalmente para evitar retaliações contra suas fontes, pois se trata de gente perigosa-- me chocaram. Ofereci-o até, como livro, a duas editoras católicas, que não quiseram comprar a briga.
Também me incomoda que as evidências gritantes de crimes, contidas nas denúncias de promotores e numa série de reportagens irrefutáveis que O Estado de S. Paulo publicou em meados da década retrasada, não tenham desembocado em condenações e em medidas efetivas para proteger as vítimas --as que são privadas até do último centavo e as que perdem a saúde ou a vida por acreditarem em orientação médica de quem não é médico.
Pude, ainda, constatar que Edir Macedo é muito eficiente naquilo a que se propôs, o que o torna personagem das mais temíveis ao estender seus tentáculos para a política.
Então, fiquei estarrecido e indignado ao ler a notícia abaixo da Folha de S. Paulo, confirmando que, independentemente do efeito Russomanno, o PT continuará favorecendo o crescimento do partido da Igreja Universal, cuja criação foi estimulada pelo Lula.
É o que nunca me passou pela garganta no caso do ex-presidente: ele raciocina unicamente em função de conveniências políticas imediatas e menores. Quer que o PT vença eleições, pouco ligando para o fato de que um partideco reacionário por ele estimulado poderá um dia se tornar um partidão de características nazistóides e com influência extremamente nefasta na política brasileira.
Muitos colocam Lula nas alturas porque conduziu o PT à Presidência da República e colocou algumas migalhas a mais na mesa dos pobres.
Omitem, no entanto, que seu pragmatismo tosco levou à desideologização e descaracterização do PT, privando o Brasil de um partido revolucionário que poderia torná-lo um país igualitário, ao invés de um dos mais desiguais do planeta; e um país que oferecesse qualidade de vida ao seu povo, ao invés do que ostenta Índice de Desenvolvimento Humano tão ínfimo.
Governando numa conjuntura internacional extremamente favorável ao Brasil, Lula fez bem menos do que poderia, pois cumpriu religiosamente o pacto firmado com o grande capital em 2002, no sentido de manter as linhas mestras da política econômica neoliberal de FHC.
Está na hora de tomarmos dos capitalistas para distribuirmos ao povo, ao invés de apenas distribuirmos ao povo a merreca de que os capitalistas admitam abrir mão.
Delfim Netto, outro que Lula jamais deveria aceitar como companheiro de jornada, dizia, no tempo da ditadura, que era preciso esperarmos pacientemente o bolo crescer, para que depois pudesse ser dividido.
As informações que ela coletou e algumas que nâo pôde utilizar por motivos vários --principalmente para evitar retaliações contra suas fontes, pois se trata de gente perigosa-- me chocaram. Ofereci-o até, como livro, a duas editoras católicas, que não quiseram comprar a briga.
Também me incomoda que as evidências gritantes de crimes, contidas nas denúncias de promotores e numa série de reportagens irrefutáveis que O Estado de S. Paulo publicou em meados da década retrasada, não tenham desembocado em condenações e em medidas efetivas para proteger as vítimas --as que são privadas até do último centavo e as que perdem a saúde ou a vida por acreditarem em orientação médica de quem não é médico.
Pude, ainda, constatar que Edir Macedo é muito eficiente naquilo a que se propôs, o que o torna personagem das mais temíveis ao estender seus tentáculos para a política.
Então, fiquei estarrecido e indignado ao ler a notícia abaixo da Folha de S. Paulo, confirmando que, independentemente do efeito Russomanno, o PT continuará favorecendo o crescimento do partido da Igreja Universal, cuja criação foi estimulada pelo Lula.
É o que nunca me passou pela garganta no caso do ex-presidente: ele raciocina unicamente em função de conveniências políticas imediatas e menores. Quer que o PT vença eleições, pouco ligando para o fato de que um partideco reacionário por ele estimulado poderá um dia se tornar um partidão de características nazistóides e com influência extremamente nefasta na política brasileira.
Muitos colocam Lula nas alturas porque conduziu o PT à Presidência da República e colocou algumas migalhas a mais na mesa dos pobres.
Omitem, no entanto, que seu pragmatismo tosco levou à desideologização e descaracterização do PT, privando o Brasil de um partido revolucionário que poderia torná-lo um país igualitário, ao invés de um dos mais desiguais do planeta; e um país que oferecesse qualidade de vida ao seu povo, ao invés do que ostenta Índice de Desenvolvimento Humano tão ínfimo.
Governando numa conjuntura internacional extremamente favorável ao Brasil, Lula fez bem menos do que poderia, pois cumpriu religiosamente o pacto firmado com o grande capital em 2002, no sentido de manter as linhas mestras da política econômica neoliberal de FHC.
Está na hora de tomarmos dos capitalistas para distribuirmos ao povo, ao invés de apenas distribuirmos ao povo a merreca de que os capitalistas admitam abrir mão.
Delfim Netto, outro que Lula jamais deveria aceitar como companheiro de jornada, dizia, no tempo da ditadura, que era preciso esperarmos pacientemente o bolo crescer, para que depois pudesse ser dividido.
Já
cresceu, mas continuamos vendo a divisão por um binóculo. Enquanto
permanecermos de braços cruzados, esperando a boa vontade dos que
usurpam os frutos do trabalho alheio, não passaremos de pobres coitados.
Revolucionário existe para tornar o povo o sujeito da História. A diferença é enorme com os que querem mantê-lo na eterna dependência de homens providenciais, votando no partido que lhe oferece um tiquinho a mais do que as outras forças políticas, ao invés de exigir tudo a que tem direito.
Eis o esclarecedor texto do repórter Bernardo Mello Franco:
O PT pretende poupar a Igreja Universal de ataques caso Fernando Haddad passe ao segundo turno contra o líder Celso Russomanno (PRB), cujo partido é controlado pela denominação.
Os petistas temem uma retaliação da TV Record ao governo Dilma Rousseff e devem usar o ministro da Pesca, Marcelo Crivella (PRB), para negociar um pacto de não agressão na disputa.
Além disso, o ex-presidente Lula costurou a aproximação entre o PT e a igreja do bispo Edir Macedo e incentivou a criação da sigla aliada.
O vínculo do partido de Russomanno com a igreja do bispo Edir Macedo tem sido usado por José Serra (PSDB) e Gabriel Chalita (PMDB) como principal arma contra o líder das pesquisas.
Haddad, no entanto, tem evitado a polêmica. Limita-se a criticar, de forma genérica, o uso de máquinas religiosas em campanhas rivais.
"Nossa linha será desconstruir Russomanno pela ausência de propostas, sem entrar nessa coisa de igreja", diz o deputado estadual Simão Pedro, que integra a coordenação da campanha petista.
Bispo licenciado da Universal e ex-executivo da Record, o presidente do PRB, Marcos Pereira, diz estar "certo" de que o PT não usará a igreja contra seu candidato.
"Eles já optaram por não fazer isso", afirma. "Se o PT tentar dizer que as nossas propostas são falhas, é aceitável. O que não pode é levar essa questão da religião."
Revolucionário existe para tornar o povo o sujeito da História. A diferença é enorme com os que querem mantê-lo na eterna dependência de homens providenciais, votando no partido que lhe oferece um tiquinho a mais do que as outras forças políticas, ao invés de exigir tudo a que tem direito.
Eis o esclarecedor texto do repórter Bernardo Mello Franco:
O PT pretende poupar a Igreja Universal de ataques caso Fernando Haddad passe ao segundo turno contra o líder Celso Russomanno (PRB), cujo partido é controlado pela denominação.
Os petistas temem uma retaliação da TV Record ao governo Dilma Rousseff e devem usar o ministro da Pesca, Marcelo Crivella (PRB), para negociar um pacto de não agressão na disputa.
Além disso, o ex-presidente Lula costurou a aproximação entre o PT e a igreja do bispo Edir Macedo e incentivou a criação da sigla aliada.
O vínculo do partido de Russomanno com a igreja do bispo Edir Macedo tem sido usado por José Serra (PSDB) e Gabriel Chalita (PMDB) como principal arma contra o líder das pesquisas.
Haddad, no entanto, tem evitado a polêmica. Limita-se a criticar, de forma genérica, o uso de máquinas religiosas em campanhas rivais.
"Nossa linha será desconstruir Russomanno pela ausência de propostas, sem entrar nessa coisa de igreja", diz o deputado estadual Simão Pedro, que integra a coordenação da campanha petista.
Bispo licenciado da Universal e ex-executivo da Record, o presidente do PRB, Marcos Pereira, diz estar "certo" de que o PT não usará a igreja contra seu candidato.
"Eles já optaram por não fazer isso", afirma. "Se o PT tentar dizer que as nossas propostas são falhas, é aceitável. O que não pode é levar essa questão da religião."
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sexta-feira, 28 de setembro de 2012
NASCE UM MONSTRO
Está na Folha de S. Paulo:
Os personagens citados nesta notícia dão uma boa idéia do que Russomanno realmente representa. Dize-me com quem andas...
Estevam Hernandes foi acusado, em dezembro de 2006, de estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro pela Justiça brasileira, que bloqueou seus bens e os da bispa Sônia Hernandes.
Antes de ser preso no Brasil, o casal fugiu para os EUA e foi detido pelo FBI na alfândega da Flórida, por estar contrabandeando US$ 56 mil. Até uma Bíblia estava sendo usada para ocultar a grana.
Os dois tiveram de usar aquelas tornozeleiras de monitoração eletrônica ao deixarem a prisão sob fiança.
Confessaram-se culpados e a pena foi de 10 meses de prisão. A Justiça dos EUA também determinou o fechamento de todos os templos da Igreja Renascer, com exceção da sede, rebatizada como Reborn in Christ.
Apesar do empenho de vários promotores, a Justiça brasileira ainda não tomou decisão semelhante --nem mesmo quando o teto de um templo malconservado desabou em 2009 na zona sul paulistana, matando nove coitado, e surgiram fortes suspeitas de que a fiscalização teria sido subornada.
Edir Macedo foi preso em 1992 sob acusações de charlatanismo, curandeirismo e envolvimento com tráfico de drogas. Nem mesmo as reportagens consistentes, fundamentadas e acachapantes de O Estado de S. Paulo conseguiram fazer com que o caso avançasse na Justiça, nem que a ficha caísse para os fiéis.
Idem quando o Jornal Nacional levou ao ar, em 1995, um vídeo mostrando como Macedo ensinava seus pastores a depenarem os crédulos e como ele festejava a receita auferida. Fez lembrar o Tio Patinhas nadando na piscina de dinheiro...
Voltou ao noticiário policial em 2009: o Ministério Público de São Paulo o acusou de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Safou-se no ano seguinte, não por ter provado inocência, mas porque a investigação foi considerada ilegal.
Quanto a Marcelo Crivella, seu grande momento às avessas foi quando convenceu o Governo Federal a colocar tropas do Exército no Morro da Providência (RJ) para favorecer seu projeto eleitoreiro Cimento Social, em 2008. Os militares entregaram três jovens para serem executado por uma facção criminosa, a repercussão foi horrorosa e Crivella, até então um dos candidatos favoritos para a Prefeitura, não chegou nem no 2º turno.
Com madrinhas como estas ao lado do berço, os perspicazes logo concluirão que estamos assistindo é uma reprise do filme trash de 1974, Nasce um monstro...
"O candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, recebeu ontem uma oração do apóstolo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo.
Também ouviu o ministro da Pesca, Marcelo Crivella, dizer que os evangélicos não dependem do governo e defender o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal.
Senador licenciado pelo PRB, Crivella é sobrinho de Macedo e um dos bispos da Universal no alto escalão da sigla de Russomanno".
Estevam Hernandes foi acusado, em dezembro de 2006, de estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro pela Justiça brasileira, que bloqueou seus bens e os da bispa Sônia Hernandes.
Antes de ser preso no Brasil, o casal fugiu para os EUA e foi detido pelo FBI na alfândega da Flórida, por estar contrabandeando US$ 56 mil. Até uma Bíblia estava sendo usada para ocultar a grana.
Os dois tiveram de usar aquelas tornozeleiras de monitoração eletrônica ao deixarem a prisão sob fiança.
Confessaram-se culpados e a pena foi de 10 meses de prisão. A Justiça dos EUA também determinou o fechamento de todos os templos da Igreja Renascer, com exceção da sede, rebatizada como Reborn in Christ.
Apesar do empenho de vários promotores, a Justiça brasileira ainda não tomou decisão semelhante --nem mesmo quando o teto de um templo malconservado desabou em 2009 na zona sul paulistana, matando nove coitado, e surgiram fortes suspeitas de que a fiscalização teria sido subornada.
Edir Macedo foi preso em 1992 sob acusações de charlatanismo, curandeirismo e envolvimento com tráfico de drogas. Nem mesmo as reportagens consistentes, fundamentadas e acachapantes de O Estado de S. Paulo conseguiram fazer com que o caso avançasse na Justiça, nem que a ficha caísse para os fiéis.
Idem quando o Jornal Nacional levou ao ar, em 1995, um vídeo mostrando como Macedo ensinava seus pastores a depenarem os crédulos e como ele festejava a receita auferida. Fez lembrar o Tio Patinhas nadando na piscina de dinheiro...
Voltou ao noticiário policial em 2009: o Ministério Público de São Paulo o acusou de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Safou-se no ano seguinte, não por ter provado inocência, mas porque a investigação foi considerada ilegal.
Quanto a Marcelo Crivella, seu grande momento às avessas foi quando convenceu o Governo Federal a colocar tropas do Exército no Morro da Providência (RJ) para favorecer seu projeto eleitoreiro Cimento Social, em 2008. Os militares entregaram três jovens para serem executado por uma facção criminosa, a repercussão foi horrorosa e Crivella, até então um dos candidatos favoritos para a Prefeitura, não chegou nem no 2º turno.
Com madrinhas como estas ao lado do berço, os perspicazes logo concluirão que estamos assistindo é uma reprise do filme trash de 1974, Nasce um monstro...
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quinta-feira, 27 de setembro de 2012
"QUEM NÃO GOSTA DE SAMBA, BOM SUJEITO NÃO É...
...É RUIM DA CABEÇA OU DOENTE DO PÉ!"
Os fotógrafos estão sendo cruéis com o José Serra na campanha eleitoral paulistana.
Depois de terem clicado a cara de pânico ao escorregar do skate e a cara de bobo ao cobrar o pênalti e ficar sem sapato, agora captaram sua cara de desagrado ao receber, com a boca bem fechada, o beijo da eleitora.
Já vi gente mais animada em enterros.
Depois de terem clicado a cara de pânico ao escorregar do skate e a cara de bobo ao cobrar o pênalti e ficar sem sapato, agora captaram sua cara de desagrado ao receber, com a boca bem fechada, o beijo da eleitora.
Já vi gente mais animada em enterros.
FOLHETO SECUNDÁRIO
ENCAIXOTANDO RUSSOMANNO
O bom jornalista Gilberto Dimenstein tocou num ponto interessante em seu artigo Russomanno está debochando?. Mas, nossas conclusões diferem um pouco.
Comecemos pelo Dimenstein:
Comecemos pelo Dimenstein:
"Geralmente (quase sempre, aliás) planos de governo e promessas de campanha quase se confundem em sua inutilidade. São apenas peças para atrair votos. Muitas das 'propostas' são elaboradas não por técnicos, mas por marqueteiros.
Uma vez eleito, o candidato é limitado pela realidade dos números --e os eleitores logo esquecem, afinal, resignam-se, 'todos os políticos são iguais'. Celso Russomanno, porém, parece estar conseguindo debochar ainda mais o que já é debochado.
Cobrado nos debates por não ter um programa, requentou (isso para ser generoso) um programa que entregou, por obrigação, ao tribunal eleitoral. Nenhuma --e nenhuma aqui não é força de expressão-- meta detalhada em números.
Algumas possibilidades, todas complicadas para quem se diz defensor dos direitos do consumidor:
- Ele não imaginava que iria tão longe na disputa eleitoral e que seria cobrado nos debates;
- Não acha plano de governo importante;
- Não acha que o eleitor ache plano de governo importante. E, portanto, tanta faz como tanto fez;
- Não dispõe de gente qualificada para, no mínimo, inventar um plano de governo.
Deveríamos inventar um Código de Defesa do Eleitor".
Russomanno deve mesmo ser combatido como o pior
dos candidatos à Prefeitura paulitana, nem tanto pelo que é --não passa
de um oportunistazinho que, por si só, nunca voaria alto--, mas por
servir como cavalo de Tróia para Edir Macedo, este sim um vilão considerável, daqueles que constroem impérios do mal. Versão brasileira do satânico Dr. Moon.
Todos os alarmes já deveriam ter soado quando se verificou a união de algumas empresas religiosas que, via de regra, competem encarniçadamente pelos otários a serem depenados.
Todos os alarmes já deveriam ter soado quando se verificou a união de algumas empresas religiosas que, via de regra, competem encarniçadamente pelos otários a serem depenados.
Se
os vendilhões do templo somarem permanentemente as forças, como já
fazem suas bancadas no Congresso, muita coisa ruim poderá acontecer.
Afinal, têm um exército de zumbis para colocar nas ruas, o que hoje
falta a quase todos os partidos, inclusive os de esquerda.
Hitler também era insignificante quando começou a discursar em cervejarias, daí ter sido tão subestimado. Deu no que deu.
E
alguns de seus truques estão sendo bisados, como a demonização de
qualquer grupo como espantalho contra o qual unir o rebanho. Naquele
tempo eram os judeus, agora são os devotos do cultos afrobrasileiros, os
gays, os defensores do direito das mulheres ao aborto, etc. Nada se
cria, tudo se copia.
Mesmo assim, sou obrigado, por minhas convicções, a fazer uma meia-defesa do Russomanno: plano de governo não tem mesmo importância nenhuma!
Hitler também era insignificante quando começou a discursar em cervejarias, daí ter sido tão subestimado. Deu no que deu.
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Intolerância: o príncipio... |
Mesmo assim, sou obrigado, por minhas convicções, a fazer uma meia-defesa do Russomanno: plano de governo não tem mesmo importância nenhuma!
Trata-se
de uma das muitas imposturas que a indústria cultural martela na cabeça
dos eleitores, no sentido de reduzir as eleições a um mero cotejo de
bonequinhos de ventríloquos a recitarem o blablablá dos marqueteiros,
propostas mirabolantes e miudezas paroquiais.
O governador Geraldo Alckmin, evidentemente, não colocou na sua proposta de governo que detonaria os coitadezas da cracolândia e do Pinheirinho, nem que concederia à PM licença para matar (salvo no período eleitoral, quando, para salvar as aparências, age como acaba de agir: substituiu sofregamente um comandante da Rota que ele mesmo empossara e de cujos antecedentes --envolvimento no Massacre do Carandiru-- tinha a obrigação de estar ciente, não podendo alegar surpresa quando ocorre um mais do que previsível aumento da taxa de homicídios oficializados).
O que deveria realmente ser considerado pelos eleitores é o programa do partido. Havendo um comprometimento com valores políticos e ideológicos bem definidos, o papel do eleito seria esforçar-se ao máximo para traduzir tais princípios na prática administrativa.
Mas, claro,
não interessa ao sistema fortalecer os partidos, pois os de esquerda
teriam consistência muito maior. Então, a lavagem cerebral midiática é
toda ela no sentido de personalizar a escolha.
O que vem ao encontro da cultura consumista: assim como se opta por uma marca de sabão, opta-se por um candidato. E ambos são embalados e promovidos da mesmíssima forma.
Então, melhor do que cobrar um plano de governo do Russomanno seria cobrar-lhe uma explicação pormenorizada sobre o que o atraiu no programa do PFL, no do PSDB, no do PPB/PP e no do PRB, já que são partidos com diretrizes e ideologias bem diferentes; por que saiu de um e ingressou no outro; se o atual é definitivo ou será trocado ao sabor das conveniências, etc.
Duvido que ele conseguisse encontrar alguma argumentação plausível para justificar sua ziguezagueante trajetória, típica de quem é movido pela ambição e por convicções.
O governador Geraldo Alckmin, evidentemente, não colocou na sua proposta de governo que detonaria os coitadezas da cracolândia e do Pinheirinho, nem que concederia à PM licença para matar (salvo no período eleitoral, quando, para salvar as aparências, age como acaba de agir: substituiu sofregamente um comandante da Rota que ele mesmo empossara e de cujos antecedentes --envolvimento no Massacre do Carandiru-- tinha a obrigação de estar ciente, não podendo alegar surpresa quando ocorre um mais do que previsível aumento da taxa de homicídios oficializados).
O que deveria realmente ser considerado pelos eleitores é o programa do partido. Havendo um comprometimento com valores políticos e ideológicos bem definidos, o papel do eleito seria esforçar-se ao máximo para traduzir tais princípios na prática administrativa.
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...e o fim. |
O que vem ao encontro da cultura consumista: assim como se opta por uma marca de sabão, opta-se por um candidato. E ambos são embalados e promovidos da mesmíssima forma.
Então, melhor do que cobrar um plano de governo do Russomanno seria cobrar-lhe uma explicação pormenorizada sobre o que o atraiu no programa do PFL, no do PSDB, no do PPB/PP e no do PRB, já que são partidos com diretrizes e ideologias bem diferentes; por que saiu de um e ingressou no outro; se o atual é definitivo ou será trocado ao sabor das conveniências, etc.
Duvido que ele conseguisse encontrar alguma argumentação plausível para justificar sua ziguezagueante trajetória, típica de quem é movido pela ambição e por convicções.
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Rota
terça-feira, 25 de setembro de 2012
SAMPA QUER ELEGER UM NOVO CONSERVADOR. ARGH!
O jornalista Paulo Francis estava certíssimo ao qualificar a sociedade de consumo de inferno pamonha, ou bocó. Acertou na mosca.
Até a segunda metade do século passado, as criticadas elites procuravam, pelo menos, tornar o cidadão comum melhor do que era. Podia-se, claro, discordar do tipo de melhora que tinham em mente, mas não do conceito de que nossa jornada na Terra deva ser evolutiva. Não nascemos prontos, construímo-nos ao longo da vida.
A sociedade de consumo modificou para pior, bem pior, tal equação.
Os homens deixaram de ser tratados como cidadãos. Passaram a ser encarados, isto sim, como consumidores. Não são mais gente, são mercado.
Então, não se questionam mais seus desejos. Se alguém estiver querendo comprar, haverá alguém disposto a vender. Literalmente tudo, seja às escâncaras ou por baixo do pano.
Em termos psicológicos, isto significa, simplesmente, que as pessoas são mantidas numa eterna infância. Não superam mais o narcisismo inicial. Não encontram mais a justa medida entre o que querem e o que podem. Não aprendem que sua felicidade depende da felicidade dos outros, que sua satisfação e seu prazer serão muito mais completos se compartilhados.
Ao mesmo tempo, os objetos de consumo pelos quais tanto anseiam nunca são plenamente satisfatórios. E as vítimas da engrenagem infernal do sistema passam a vida inteira correndo atrás do que jamais obtêm, adquirindo o que não precisam e trabalhando sofregamente sem que haja justificativa real para tanto estresse e tanto enfarte.
Este é o motivo maior do declínio da esquerda nas últimas décadas. O que oferecíamos era uma perspectiva de sociedade melhor, na qual as pessoas se tornariam melhores: era o ideal do homem novo.
Os consumistas passam a vida apaixonados pelo próprio umbigo e querendo ter o mundo como espelho, pois anseiam pateticamente por verem-se nele refletidos. Não o pretendem melhorar, o que gostariam é de melhorar a própria posição numa sociedade desumana e injusta. Vai daí que hoje são bem poucos os que se dispõem a dedicar a vida aos grandes ideais.
Há meio século a Escola de Frankfurt previu que chegaríamos exatamente a este inferno pamonha, no qual os indivíduos perderiam o controle sobre suas próprias vidas, sem nem mesmo atinarem com os motivos de sua infelicidade, mesmerizadas pela influência atordoante da indústria cultural.
O que fazer? --indagaria Lênin.
Herbert Marcuse apostava que tal manipulação cientificamente implementada seria capaz de evitar que a maioria formasse uma consciência crítica, mas não que acontecessem, em determinadas circuntâncias, explosões espontâneas de revolta. Não dá para represar-se tudo. E as contradições insolúveis do capitalismo estão aí para fornecerem os estopins de tais explosões espontâneas; caso da crise econômica global.
Como nós, da esquerda, devemos nos comportar nos intervalos entre tais explosões espontâneas, nas marés vazantes, quando as massas não estiverem dispostas a nos acompanharem em voos mais altos?
É uma questão crucial.
Podemos manter a coerência com nossos ideais e, mesmo não influindo decisivamente nos acontecimentos políticos, continuarmos contestando as injustiças sociais, as formas mais sofisticadas de exploração do homem pelo homem que hoje predominam, a desumanização que o capitalismo promove e barbárie à qual nos conduz. Assim, estaremos nos qualificando para liderar contingentes mais amplos quando estes acordarem do coma induzido pelo sistema.
Há os que preferem combater o monstro com as armas do monstro, acreditando que não se tornarão monstruosos. No entanto, acabam é igualando-se ao que combatem. Não mudam o mundo; são mudados pelo mundo.
Até a segunda metade do século passado, as criticadas elites procuravam, pelo menos, tornar o cidadão comum melhor do que era. Podia-se, claro, discordar do tipo de melhora que tinham em mente, mas não do conceito de que nossa jornada na Terra deva ser evolutiva. Não nascemos prontos, construímo-nos ao longo da vida.
A sociedade de consumo modificou para pior, bem pior, tal equação.
Os homens deixaram de ser tratados como cidadãos. Passaram a ser encarados, isto sim, como consumidores. Não são mais gente, são mercado.
Então, não se questionam mais seus desejos. Se alguém estiver querendo comprar, haverá alguém disposto a vender. Literalmente tudo, seja às escâncaras ou por baixo do pano.
Em termos psicológicos, isto significa, simplesmente, que as pessoas são mantidas numa eterna infância. Não superam mais o narcisismo inicial. Não encontram mais a justa medida entre o que querem e o que podem. Não aprendem que sua felicidade depende da felicidade dos outros, que sua satisfação e seu prazer serão muito mais completos se compartilhados.
Ao mesmo tempo, os objetos de consumo pelos quais tanto anseiam nunca são plenamente satisfatórios. E as vítimas da engrenagem infernal do sistema passam a vida inteira correndo atrás do que jamais obtêm, adquirindo o que não precisam e trabalhando sofregamente sem que haja justificativa real para tanto estresse e tanto enfarte.
Este é o motivo maior do declínio da esquerda nas últimas décadas. O que oferecíamos era uma perspectiva de sociedade melhor, na qual as pessoas se tornariam melhores: era o ideal do homem novo.
Os consumistas passam a vida apaixonados pelo próprio umbigo e querendo ter o mundo como espelho, pois anseiam pateticamente por verem-se nele refletidos. Não o pretendem melhorar, o que gostariam é de melhorar a própria posição numa sociedade desumana e injusta. Vai daí que hoje são bem poucos os que se dispõem a dedicar a vida aos grandes ideais.
Há meio século a Escola de Frankfurt previu que chegaríamos exatamente a este inferno pamonha, no qual os indivíduos perderiam o controle sobre suas próprias vidas, sem nem mesmo atinarem com os motivos de sua infelicidade, mesmerizadas pela influência atordoante da indústria cultural.
O que fazer? --indagaria Lênin.
Herbert Marcuse apostava que tal manipulação cientificamente implementada seria capaz de evitar que a maioria formasse uma consciência crítica, mas não que acontecessem, em determinadas circuntâncias, explosões espontâneas de revolta. Não dá para represar-se tudo. E as contradições insolúveis do capitalismo estão aí para fornecerem os estopins de tais explosões espontâneas; caso da crise econômica global.
Como nós, da esquerda, devemos nos comportar nos intervalos entre tais explosões espontâneas, nas marés vazantes, quando as massas não estiverem dispostas a nos acompanharem em voos mais altos?
É uma questão crucial.
Podemos manter a coerência com nossos ideais e, mesmo não influindo decisivamente nos acontecimentos políticos, continuarmos contestando as injustiças sociais, as formas mais sofisticadas de exploração do homem pelo homem que hoje predominam, a desumanização que o capitalismo promove e barbárie à qual nos conduz. Assim, estaremos nos qualificando para liderar contingentes mais amplos quando estes acordarem do coma induzido pelo sistema.
Há os que preferem combater o monstro com as armas do monstro, acreditando que não se tornarão monstruosos. No entanto, acabam é igualando-se ao que combatem. Não mudam o mundo; são mudados pelo mundo.
CANDIDATURAS IDEOLÓGICAS x CANDIDATURAS DE CONSUMO
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Se o que os eleitores queriam era um monstro... |
Na eleição paulistana, o produto assim determinado como o de maior aceitação potencial no mercado seria um candidato ao mesmo tempo novo e conservador.
Isto explica o empenho do Lula em impor o Fernando Haddad, que nem de longe tem a cara do PT, mas se encaixa na imagem do novo.
O PMDB também apostou numa figura de galã de telenovela, Gabriel Chalita.
O PSDB pensou que desse para maquilar o (hoje) conservador José Serra, fazendo-o parecer bem mais novo do que é. Botou-o para pedalar, para subir em skates, para bater pênaltis, etc., mas a mágica besta não funcionou: ele quase caiu do skate, isolou o sapato e mergulhou o ridículo, tornando-se o alívio cômico da campanha na internet.
Como já tinha a preferência de cabresto dos evangélicos zumbificados e dos videotas acostumados a vê-lo posar de paladino dos consumidores, o novo conservador para o qual o eleitorado está pendendo é Celso Russomanno.
Pior: com parcela substancial de votos tradicionalmente petistas.
Então, é hora de o PT fazer uma profunda reflexão sobre se compensou abandonar as candidaturas ideológicas e aderir às candidaturas de consumo.
![]() |
...encontraram: esta imagem atesta o acerto da escolha. |
Agora, o candidato petista é propagandeado da mesmíssima forma e faz as mesmíssimas promessas mirabolantes dos centristas, direitistas e dos meros fisiológicos. Não tem mais sequer os cabos eleitorais voluntários, precisa contratar tarefeiros.
Então, quando a figura não convence, como o insosso Haddad, o atual eleitorado petista migra insensivelmente para um antípoda ideológico como o Russomanno.
E, se um dia houver crise grave, nestes tristes trópicos em que o golpismo nunca se torna prática definitivamente sepultada, jamais lutará pelo governante que escolheu.
O grande Plínio de Arruda Sampaio certa vez colocou o dedo na ferida: valeu a pena o PT ter chegado à Presidência com o compromisso de manter intocada a política econômica neoliberal, ou seja, limitado a gerenciar os negócios capitalistas como um FHC o faria?
Da mesma forma, não seria melhor, vencendo ou perdendo a eleição, educar o eleitorado, tentando convencê-lo de que precisa, isto sim, de um contestador, pouco importando se novo ou velho? Pois, prostrando-nos desta forma aos humores momentâneos das massas, o que faremos quando a maré for fascista? Escolheremos um candidato que seja clone do Mussolini?!
Há dois milênios, Jesus Cristo já dizia que não: "O que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?" (Mateus, 26:16).
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segunda-feira, 24 de setembro de 2012
A ESQUERDA DEVE PRIORIZAR SEMPRE A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
Quando decidi disputar minha primeira eleição aos 62 anos --idade que já terei completado no 1º turno--, levei em conta fatores:
Só por ter chamado a atenção para esta postura fundamental, minha campanha terá valido a pena.
Igualmente importante está sendo a ênfase que dou à união da esquerda anticapitalista, pois hoje só conseguiremos exercer uma influência marcante no processo político se atuarmos como bloco. Seria exagero dizer que unidos venceremos, mas, com certeza, somando forças obteremos algumas vitórias, ponto de partida para sairmos da atual condição de coadjuvantes.
Desunidos, pelo contrário, perderemos todas as paradas. Rivalidades clubísticas pertencem ao universo das torcidas de futebol, não ao nosso. O que conta, para nós, é o objetivo maior de transformação da sociedade.
Neste sentido, proponho uma reflexão sobre as três candidaturas que encabeçam as pesquisas eleitorais.
Vencedor, José Serra manteria a parceria fascistizante com o governador Geraldo Opus Dei Alckmin. Seria mais do mesmo. Mais tropas de choque na USP, mais Pinheirinhos, mais pobres e doentes sendo escorraçados para favorecer os grandes empreendedores imobiliários (aqueles que financiam generosamente a campanha de quase todos os candidatos promissores do sistema).
Celso Russomanno agregaria um componente ainda mais nefasto ao processo, além dos balões de ensaio totalitários que têm marcado os sucessivos governos dos tucanos e seus aliados: a emergência de um perigosíssimo populismo de direita. É um pesadelo pensarmos no que acontecerá se as más bandeiras estiverem sendo carregadas, na periferia e nos bairros pobres, pelo exército de zumbis cegamente submissos aos pastores eletrônicos.
Os vendilhões do templo, ao menos, limitavam-se a tocar seus negócios. A versão atual vai além, vandalizando templos umbandistas, perseguindo gays, querendo impor à sociedade uma tutela moral medievalista... e hostilizando a esquerda, como fez ao chantagear a presidente Dilma Rousseff. A bancada evangélica condicionou seu apoio ao projeto de criação da Comissão da Verdade à não participação de veteranos da resistência no colegiado. Jesus Cristo e sua vara estão fazendo muita falta...
Quanto a Fernando Haddad, que os companheiros da esquerda petista reflitam friamente: pode-se dele esperar uma firme oposição à escalada autoritária ou ficará no habital meio termo dos governos do PT no século 21? Ele é homem, p. ex., para desmontar o dispositivo de estado policial que Kassab sorrateiramente implantou, começando pela imediata exoneração dos 30 subprefeitos (num total de 31) que são oficiais da reserva da PM?
Então, repito minha exortação do 1º turno de 2010: quem vê no capitalismo o principal entrave à felicidade dos homens e a maior ameaça à sobrevivência da humanidade, tem de ser coerente, prestigiando os candidatos que assumem explicitamente posição contrária à desigualdade capitalista e favorável à transformação revolucionária: Carlos Giannazi (PSOL), Ana Luíza (PSTU) e Anaí Caproni (PCO).
Voto útil pode fazer sentido no 2º turno, para barrar uma candidatura nefasta como o foi a de José Serra e seu vice troglodita na última eleição presidencial, apoiada até pelas viúvas da ditadura.
Mas, é importante priorizarmos, no 1º turno, o crescimento da esquerda autêntica em São Paulo, até para servir como estímulo à adoção de uma postura mais combativa por parte do próprio PT --o qual, vale lembrar, ficou devendo reações bem mais contundentes às blitzkriegs da dupla Alckmin/Kassab.
- políticos, principalmente o imperativo de lutarmos contra o processo de fascistização em São Paulo, que tende a servir como modelo para todo o País;
- pessoais, por tratar-se de uma oportunidade para furar o bloqueio macartista que a grande imprensa me impõe, como profissional e como personagem histórico; e
- o caráter didático que minha campanha poderia ter, ao resgatar valores essenciais da esquerda da minha geração, hoje quase esquecidos.
Só por ter chamado a atenção para esta postura fundamental, minha campanha terá valido a pena.
Igualmente importante está sendo a ênfase que dou à união da esquerda anticapitalista, pois hoje só conseguiremos exercer uma influência marcante no processo político se atuarmos como bloco. Seria exagero dizer que unidos venceremos, mas, com certeza, somando forças obteremos algumas vitórias, ponto de partida para sairmos da atual condição de coadjuvantes.
Desunidos, pelo contrário, perderemos todas as paradas. Rivalidades clubísticas pertencem ao universo das torcidas de futebol, não ao nosso. O que conta, para nós, é o objetivo maior de transformação da sociedade.
Neste sentido, proponho uma reflexão sobre as três candidaturas que encabeçam as pesquisas eleitorais.
Vencedor, José Serra manteria a parceria fascistizante com o governador Geraldo Opus Dei Alckmin. Seria mais do mesmo. Mais tropas de choque na USP, mais Pinheirinhos, mais pobres e doentes sendo escorraçados para favorecer os grandes empreendedores imobiliários (aqueles que financiam generosamente a campanha de quase todos os candidatos promissores do sistema).
Celso Russomanno agregaria um componente ainda mais nefasto ao processo, além dos balões de ensaio totalitários que têm marcado os sucessivos governos dos tucanos e seus aliados: a emergência de um perigosíssimo populismo de direita. É um pesadelo pensarmos no que acontecerá se as más bandeiras estiverem sendo carregadas, na periferia e nos bairros pobres, pelo exército de zumbis cegamente submissos aos pastores eletrônicos.
Os vendilhões do templo, ao menos, limitavam-se a tocar seus negócios. A versão atual vai além, vandalizando templos umbandistas, perseguindo gays, querendo impor à sociedade uma tutela moral medievalista... e hostilizando a esquerda, como fez ao chantagear a presidente Dilma Rousseff. A bancada evangélica condicionou seu apoio ao projeto de criação da Comissão da Verdade à não participação de veteranos da resistência no colegiado. Jesus Cristo e sua vara estão fazendo muita falta...
Quanto a Fernando Haddad, que os companheiros da esquerda petista reflitam friamente: pode-se dele esperar uma firme oposição à escalada autoritária ou ficará no habital meio termo dos governos do PT no século 21? Ele é homem, p. ex., para desmontar o dispositivo de estado policial que Kassab sorrateiramente implantou, começando pela imediata exoneração dos 30 subprefeitos (num total de 31) que são oficiais da reserva da PM?
Então, repito minha exortação do 1º turno de 2010: quem vê no capitalismo o principal entrave à felicidade dos homens e a maior ameaça à sobrevivência da humanidade, tem de ser coerente, prestigiando os candidatos que assumem explicitamente posição contrária à desigualdade capitalista e favorável à transformação revolucionária: Carlos Giannazi (PSOL), Ana Luíza (PSTU) e Anaí Caproni (PCO).
Voto útil pode fazer sentido no 2º turno, para barrar uma candidatura nefasta como o foi a de José Serra e seu vice troglodita na última eleição presidencial, apoiada até pelas viúvas da ditadura.
Mas, é importante priorizarmos, no 1º turno, o crescimento da esquerda autêntica em São Paulo, até para servir como estímulo à adoção de uma postura mais combativa por parte do próprio PT --o qual, vale lembrar, ficou devendo reações bem mais contundentes às blitzkriegs da dupla Alckmin/Kassab.
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domingo, 23 de setembro de 2012
SONHOS
é só um sonho que se sonha só.
Mas, sonho que se sonha junto
é realidade"
(Raul Seixas, Prelúdio)
Lá
por 1974 ou 1975 cheguei a uma encruzilhada decisiva e optei pelo
caminho mais difícil, porque era o que minha consciência ditava.
Participara
do movimento estudantil não apenas porque eu era jovem e a rebeldia
estava no espírito da época; minha identificação foi bem mais profunda.
Desde as remotas leituras de Monteiro Lobato os objetivos das pessoas sob o capitalismo não me seduziam.
Ganhar
dinheiro e me cercar do bom e do melhor em termos materiais não era o
que eu buscava na vida. Queria algo maior, que ainda não conseguia
discernir direito. Só sabia que não era aquele sucesso convencional pelo qual meus parentes, amigos e colegas tanto ansiavam.
E não
porque já dispusesse dos objetos de desejo dos jovens da minha idade.
Pelo contrário, em casa nunca houve fartura. Vivíamos com o dinheiro
contadinho, não tínhamos luxo nenhum e fomos dos últimos a comprar TV.
Quem inicia a vida nessas circunstâncias, ou se torna obcecado por obter
tudo que lhe faltou e ainda mais, ou habitua-se ao despojamento.
Lembrando
a frase de um filme da época (Pierrot Le Fou, de Jean-Luc Godard), o
marxismo "foi meu primeiro, meu único sonho". O projeto de construção de
uma sociedade igualitária e livre me atingiu como um raio. Eu
encontrara, finalmente, meu objetivo na vida!
Daí não
haver hesitado em optar pela luta armada, quando o AI-5 pôs fim à
temporada de manifestações pacíficas, deixando-nos apenas três opções:
assumirmos o risco extremo, preservarmo-nos para melhores dias ou
iludirmo-nos com ações irrelevantes (como a de deixar em sanitários
públicos panfletos que os usuários tinham medo de ler).
Tratava-se
de uma luta impossível de ser vencida, tamanha a desigualdade de
efetivos e de recursos, além da desvantagem de não podermos utilizar os
métodos que nos destruíam (a repressão ditatorial infringia
insensivelmente as leis da guerra e os mais sagrados valores da
civilização, mas para nós era inconcebível incidirmos na desumanidade
contra a qual lutávamos).
A
derrota foi das mais sofridas, até porque caí numa armadilha da
História que durante muito tempo impediu-me de lutar como gostaria.
Mas, ao contrário de muitos que aceitaram arcar com culpas alheias e fazer o papel de bodes expiatórios porque a esquerda, na esteira de uma derrota terrível, optou por personalizar responsabilidades difusas, recusei a proposta de ser reabilitado como penitente, pois isto implicaria abrir mão de lutar pelo reconhecimento da minha inocência quanto à principal acusação que me faziam. Decidi esperar o tempo que fosse necessário para tornar conhecida toda a verdade.
Nem de longe imaginava que seriam três décadas. Francamente, não sei o que teria decidido se soubesse o que me aguardava. Só sei que tal decisão acabou se evidenciando como a melhor, já que sobrevivi moralmente e acabei dando a volta por cima sem fazer concessões que me repugnavam.
Mas, ao contrário de muitos que aceitaram arcar com culpas alheias e fazer o papel de bodes expiatórios porque a esquerda, na esteira de uma derrota terrível, optou por personalizar responsabilidades difusas, recusei a proposta de ser reabilitado como penitente, pois isto implicaria abrir mão de lutar pelo reconhecimento da minha inocência quanto à principal acusação que me faziam. Decidi esperar o tempo que fosse necessário para tornar conhecida toda a verdade.
Nem de longe imaginava que seriam três décadas. Francamente, não sei o que teria decidido se soubesse o que me aguardava. Só sei que tal decisão acabou se evidenciando como a melhor, já que sobrevivi moralmente e acabei dando a volta por cima sem fazer concessões que me repugnavam.
A TRAVESSIA DO DESERTO
Mesmo assim, consegui uma grande vitória: foi minha a idéia e a iniciativa que transformaram em vitória a greve de fome dos quatro de Salvador,
militantes desatinados aos quais a esquerda voltou as costas porque a
prejudicavam eleitoralmente (já em 1986, aquilo que deveríamos encarar
apenas como parte das nossas táticas pesava mais do que a solidariedade,
um princípio fundamental...).
E, escrevendo um artigo em apoio ao Paulo de Tarso Venceslau, que o Jornal da Tarde
publicou, orgulho-me de ter sido um dos poucos a reagir à
descaracterização do PT, no mais dramático confronto entre os princípios
e as conveniências até então travado em seu seio.
Naquele ano de 1998, o partido optou pela laranja podre
(o empresário lobbista Roberto Teixeira) em detrimento do
revolucionário íntegro. Admitiu incidir nas mesmas práticas imorais das
agremiações que criticávamos. Em nome da vil politicalha, desautorizou o
parecer do seu próprio Conselho de Ética, que recomendara a expulsão
tanto do PT Venceslau (por vazar um assunto interno para a imprensa burguesa)
quanto do Teixeira (por ser um indiscutível corruptor).
Curiosamente, o JT colocou abaixo do meu, na página de Opinião,
um texto de apoio à decisão petista e de crítica à série de reportagens de Luiz
Maklouf Carvalho. Seu autor: João Paulo Cunha. Se tivesse sido menos
condescendente com as ligações perigosas, não estaria na situação em que se encontra hoje...
Eu
interpretei o episódio como um ovo da serpente; e era. Desde então o PT
não parou mais de atirar os princípios no lixo, a ponto de
mancomunar-se com os banqueiros e o grande capital para que lhe fosse
permitido assumir a Presidência do Brasil --melhor seria dizer a gerência dos negócios capitalistas no País, já que se comprometeu a não alterar as linhas mestras da política econômica implantada por FHC.
Pouco
mais pude fazer no período de ostracismo. Atuava no circuíto
alternativo, espalhava livros e textos que tinham repercussão mínima,
lançava alertas que ninguém escutava (como o de que a esquerda deveria
combater a falsa terceirização --a contratação, como prestadores de
serviços, de trabalhadores que nada tinham de autônomos, sendo, na
verdade, funcionários-- como uma praga, pois feriria de morte o
sindicalismo).
Em
2004/05, contudo, tive de enfrentar diversas crises simultâneas e, em
circunstâncias dramáticas, lutar por minha anistia que a União protelava
indefinidamente e se tornara minha última possibilidade de salvação.
Como se o destino quisesse me compensar pelo enorme azar que eu tivera em 1970, os acasos começaram a me favorecer:
- tomei conhecimento de um relatório secreto militar que me permitiu reposicionar acontecimentos antigos, comprovando que eu havia sido muito injustiçado;
- a partir desta reviravolta, na qual pesou muito o apoio que recebi do historiador Jacob Gorender, meu processo de anistia desencalhou e chegou a bom desfecho; e
- pude finalmente apresentar ao público o meu lado nas questões polêmicas dos anos de chumbo, com o lançamento do livro Náufrago da Utopia.
OÁSIS OU MIRAGEM?
Durante
três décadas e meia, duas grandes metas me haviam mantido de pé: tornar
conhecida a verdade a meu respeito, para, em seguida, contribuir de
forma efetiva para a gestação de uma nova esquerda, capaz de recolocar a
revolução anticapitalista na ordem do dia.
A
repercussão que meus artigos começaram a obter na web atingiu o auge no
Caso Battisti, fazendo-me acreditar que estava próximo de realizar o
último objetivo. Até deixei de priorizar o segundo livro, teórico, no
qual pretendia discorrer sobre as propostas e posturas da nova esquerda;
fui distribuindo minhas teses pelos artigos diários.
Se pelo menos um dos cineastas que cogitaram levar o Náufrago
às telas tivesse conseguido viabilizar financeiramente o projeto, as
coisas poderiam ser diferentes. Era o momento que eu esperava para
lançar o pacote teórico com alguma chance de obter repercussão.
Finalmente,
constatei em 2012 que não bastava continuar seguindo o mesmo rumo. Já
chegara tão longe quanto possível na internet e não era suficiente (a
sensação de impotência que a barbárie impune do Pinheirinho me deu foi
terrível!). A grande imprensa está fechada e lacrada para mim. E, como
no final de 1968, não admito desistir porque a dificuldade ficou maior.
A primeira tentativa de furar o bloqueio foi a minha anticandidatura à Comissão da Verdade,
no sentido de acrescentar um componente combativo a um colegiado
provavelmente amorfo. [E também porque não me passava pela goela o fato
de a presidente Dilma Rousseff haver cedido à chantagem
da bancada evangélica, que condicionou seu apoio ao projeto à não
participação de veteranos da resistência, colocando-nos no mesmo plano
dos algozes!]
Entre a parte da esquerda que diz sempre amém! a tudo que vem do Olimpo... quer dizer, do Planalto, e a outra parte que diz sempre estou fora!, não sobrou ninguém para defender minha indicação.
A
aceitação do veto evangélico veio ao encontro da propaganda enganosa
que as viúvas da ditadura espalham desde sempre: já que não têm como
negar as atrocidades perpetradas pelo regime militar, saem pela tangente
de que os dois lados teriam se igualado nos excessos.
Ou
seja, foi simplesmente infame a esquerda não ter batido pé quanto à
presença de pelo menos um ex-resistente na Comissão, que não precisaria
ser eu (aliás, várias vezes sugeri o nome do companheiro Ivan Seixas
como alternativa, pois o fundamental era o princípio, não a pessoa).
A
segunda tentativa é a que estou fazendo agora, de me eleger vereador
paulistano para tornar bem mais contundente a atuação da esquerda na
Câmara.
Está na hora de voltarmos a ter atuação e mantermos postura EMINENTEMENTE IDEOLÓGICAS no Legislativo e no Executivo. Está na hora de proclamarmos, em alto e bom som, que somos REVOLUCIONÁRIOS
e nos orgulhamos disto. E de, mesmo integrando bancadas minoritárias,
descobrirmos formas de atrapalhar os poderosos e de escancarar suas
maracutaias para o cidadão comum.
Não sei se será desta vez ou em uma das próximas que conseguirei fazer a transição do sonho que se sonha só para o sonho que se sonha junto.
Só sei não descansarei até conseguir, ou até morrer. O que chegar antes.
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sábado, 22 de setembro de 2012
"F...-SE O MUNDO!" DEIXOU DE SER GRACEJO
Primeiro
vieram os alertas de que as alterações climáticas convulsionariam o
planeta, ameaçando a própria sobrevivência da espécie humana.
Depois, os que lucram com as práticas causadoras do aquecimento global e da dilapidação de recursos essenciais para continuarmos a existir, contra-atacaram com uma verdadeira blietzkrieg de propaganda enganosa.
Depois, os que lucram com as práticas causadoras do aquecimento global e da dilapidação de recursos essenciais para continuarmos a existir, contra-atacaram com uma verdadeira blietzkrieg de propaganda enganosa.
No
capitalismo todos se vendem, até cientistas. Então, não foi difícil
encontrar quem preferisse um bom saldo bancário do que boas perspectivas
para os pósteros. É a velha história do "eu não me chamo Raimundo".
Mesmo
quando "f...-se o mundo!" deixou de ser gracejo, tornando-se
possibilidade concreta.
Veio Fukushima e poucos notaram que as inundações e terremotos causados pelos distúrbios do clima poderão ter efeito semelhante em qualquer usina nuclear do planeta. São bombas-relógio que armamos para nós mesmos. Passamos tanto tempo temendo que o fim do mundo viesse com as superpotências iniciando uma guerra atômica e não nos demos conta de que a radiação poderá se abater sobre nós... por acaso.
Mas, os grandes poluidores e os grandes devastadores continuam auferindo grandes lucros. Já as chances de haver um século 22 deixaram de ser grandes e diminuem cada vez mais.
E ainda há quem acredite que uma campanha eleitoral deva centrar-se em miudezas paroquiais, quando deveríamos, isto sim, estar tentando deter a marcha da insanidade, na economia e no clima.
Eis um novo alerta, desta vez do colunista Marcelo Leite, da Folha de S. Paulo. Faz lembrar um filme agourento do mestre Robert Altman, Quinteto (1979), sobre os estertores da humanidade sob uma nova Era Glacial. Leiam e reflitam:
Veio Fukushima e poucos notaram que as inundações e terremotos causados pelos distúrbios do clima poderão ter efeito semelhante em qualquer usina nuclear do planeta. São bombas-relógio que armamos para nós mesmos. Passamos tanto tempo temendo que o fim do mundo viesse com as superpotências iniciando uma guerra atômica e não nos demos conta de que a radiação poderá se abater sobre nós... por acaso.
Mas, os grandes poluidores e os grandes devastadores continuam auferindo grandes lucros. Já as chances de haver um século 22 deixaram de ser grandes e diminuem cada vez mais.
E ainda há quem acredite que uma campanha eleitoral deva centrar-se em miudezas paroquiais, quando deveríamos, isto sim, estar tentando deter a marcha da insanidade, na economia e no clima.
Eis um novo alerta, desta vez do colunista Marcelo Leite, da Folha de S. Paulo. Faz lembrar um filme agourento do mestre Robert Altman, Quinteto (1979), sobre os estertores da humanidade sob uma nova Era Glacial. Leiam e reflitam:
"Seis dias atrás, o oceano Ártico alcançou um recorde notado por pouca gente. A calota de gelo que flutua sobre ele, na região do polo Norte, encolheu para a menor área já registrada: 3,4 milhões de km² (para comparar, o território do Brasil tem 8,5 milhões de km²).
...são fortes os indícios (...) de uma tendência para sobrar cada vez menos gelo.
Essa tendência foi prevista por sucessivos relatórios do vilipendiado Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, nos quais se apontava que o aquecimento global seria mais rápido e intenso no hemisfério Norte. Só que as projeções do IPCC indicavam um Ártico livre de gelo no verão ali por 2100, e agora parece cada vez mais provável que esse evento descomunal ocorra já nesta década.
Por trás da aparente aceleração estaria o 'feedback positivo' temido por climatologistas, ou seja, uma tendência que se realimenta de si própria -uma reação em cadeia.
Menos gelo significa uma área menor de superfície branca para refletir a luz do sol, radiação que passa a ser absorvida pela água escura. Mais quente, o oceano forma menos gelo, e assim por diante.
...um Ártico sem gelo tumultuaria o clima no hemisfério Norte. Paradoxalmente, prevê-se que seus invernos fiquem mais rigorosos.
Por isso, se lá por dezembro ou janeiro caírem nevascas gigantes na Europa ou nos EUA, fique esperto com os murmúrios de que o aquecimento global é pura farsa".
LEIA TAMBÉM OS TEXTOS RECENTES DO BLOGUE NÁUFRAGO DA UTOPIA (clique p/ abrir):
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sexta-feira, 21 de setembro de 2012
TIRIRICA COVER ALEGRA A ELEIÇÃO PAULISTANA
UMA CANDIDATURA CONTRA A FASCISTIZAÇÃO
Agora vou discorrer
Quem sabe tudo e diz logo
Fica sem nada a dizer"
(Gilberto Gil, Roda)
Restando
apenas uma quinzena de campanha eleitoral, chega a hora de dizer
exatamente a que venho e por que nela estou. A sinceridade é sempre o
melhor caminho.
Eterno
otimista, durante o Caso Battisti eu superestimei o papel da internet
como ferramenta para o bom combate. Pensei que continuaria obtendo a
mesma repercussão nas lutas vindouras.
As
decepções se sucederam: a ocupação militar da USP, que representa um
retrocesso aos tempos nefandos da ditadura de 1964/85; a higiene social
na Cracolândia, desumanidade a serviço da especulação imobiliária; e a
barbárie no Pinheirinho, que em qualquer país civilizado acarretaria o
impeachment do principal culpado, o governador do estado.
Parte da esquerda não quis reagir à altura, nos três episódios. Eu muito tentei e me esforcei, mas não obtive resultados concretos. E estou com os três entalados na garganta até hoje.
Não
só pelo que eles têm de incompatíveis com tudo em que acredito e com
todos os valores que prego. Mas, também, por saber que são apenas a
ponta de um iceberg. O perigo é muito maior do que a maioria supõe.
Desde o Cansei!
venho alertando: São Paulo é o principal laboratório de testes e
aprimoramento do totalitarismo que a extrema-direita gostaria de
implantar no País.
As viuvas da ditadura e os cuervos
por elas criados haviam participado, como efetivos secundários, da
tentativa de impedimento do presidente Lula por conta do escândalo do mensalão, como forma de evitar sua reeleição.
Quem
conduziu o espetáculo, contudo, foram os tucanos, seus aliados e a
imprensa que caninamente os serve. E se tratava apenas de meio-golpe, objetivando não a instalação de uma ditadura, mas apenas a recondução ao poder, na eleição seguinte, dos derrotados em 2002.
Lula,
contudo, segurou a onda. E, logo no início do segundo mandato, a
direita troglodita mostrou suas garras, tentando reeditar o figurino
golpista de 1964 com uma versão 2007 da Marcha da família, com Deus, pela liberdade. A partir daí, São Paulo assumiria a vanguarda... da incubação do ovo da serpente.
Do fiasco retumbante do Cansei!
os golpistas extraíram a mesma lição de 1961 (quando a resistência do
governador gaúcho Leonel Brizola e dos subalternos das Forças Armada
frustrou o complô direitista para impedir a posse do vice-presidente
João Goulart): recuaram, reagruparam suas forças e estão se preparando
bem melhor para a próxima tentativa.
Então,
o que temos visto em São Paulo, nos últimos cinco anos, são sucessivos
balões de ensaio para se testar a resistência da sociedade a um novo
totalitarismo.
As sucessivas intimidações e vandalizações que os herdeiros de Erasmo Dias promoveram na USP saíram baratas.
O dantesco escorraçamento a pontapés dos dependentes químicos que vegetavam no centro velho, idem.
Mas, a brutal repressão da Marcha da Maconha pegou tão mal que os brutamontes fardados se viram obrigados a recuar, saindo moralmente derrotados.
O
impacto ainda mais negativo do festival de arbitrariedades no
Pinheirinho, culminando no sequestro de um idoso para que a imprensa não
constatasse seu estado lastimável após o espancamento sofrido (a ponto
de duas semanas depois ele falecer), deve ter feito soar um sinal de
alarme no QG golpista. Estão sendo evitadas as ações que possam causar impacto equivalente.
O que não impede a Polícia Militar paulista de continuar atuando como força exterminadora, segundo o modelo sinistro do mate primeiro e maquile depois!. Com o aval e defesa entusiástica do governador adepto do ideário do Opus Dei.
Os episódios de mortes de suspeitos por alegada resistência à prisão
se multiplicam, com a cumplicidade da imprensa que não os denuncia como
as chacinas que são. Em tiroteios reais há feridos e mortos, não apenas
mortos. Quando todas as testemunhas morrem, é porque foram executadas.
Simples assim.
O controle (talvez seja melhor dizer terror) policial nos bairros pobres chega a abater-se até sobre os inocentes saraus dos jovens, mais uma vez evocando os anos de chumbo, quando as forças auxiliares da ditadura vandalizavam teatros e agrediam atores.
E
a existência de uma articulação mais ampla, direcionada para o estado
policial, evidencia-se na insólita designação de oficiais da reserva da
PM para gerirem 30 das 31 subprefeituras da capital paulista.
Quem conhece a cultura dessa corporação, satelizada pelas Forças Armadas durante o período do arbítrio, sabe muito bem o que isto representa. Até recentemente, sua unidade mais truculenta, a Rota, mantinha no portal do Governo paulista um elogio explícito ao golpismo, só o deletando sob vara da ministra de Direitos Humanos.
Quem conhece a cultura dessa corporação, satelizada pelas Forças Armadas durante o período do arbítrio, sabe muito bem o que isto representa. Até recentemente, sua unidade mais truculenta, a Rota, mantinha no portal do Governo paulista um elogio explícito ao golpismo, só o deletando sob vara da ministra de Direitos Humanos.
O dispositivo golpista já está montado em São Paulo, devendo servir como modelo para outras cidades e estados. A oportunidade golpista, contudo, ainda não surgiu.
Pode
demorar anos --foram quase três, entre o fracasso de agosto/1961 e o
sucesso em abril/1964-- ou nem sequer se apresentar. A desconstrução da
imagem do PT a partir do julgamento do mensalão
talvez torne desnecessária uma virada de mesa; os grupos cujos
interesses estão sendo contrariados poderão, eventualmente, atingir seus
objetivos pela via eleitoral.
Mas, não é confortável vivermos com uma lâmina de guilhotina pendente sobre a cabeça.
Então,
o sentido maior da minha candidatura é este: tendo a internet sido
insuficiente para esmagarmos o ovo de serpente que incumbaram em São
Paulo, tanto que o ofídio não só nasceu como se fortalece cada dia mais,
resolvi ir à luta em outras frentes. Pois assumo como minha grande
missão atuar com eficiência e contundência contra esta ameaça que tenho
visto crescer e já fazer bastante mal, além de prenunciar ocorrências
muito mais graves.
Mas,
perguntarão os leitores, por que eu? Não sou o candidato de esquerda
mais douto, nem o mais enraizado nos movimentos sociais, muito menos o
mais popular --admito-o francamente.
No
entanto, por um destino insólito, tive de lutar sozinho durante muito
tempo e aprendi a travar batalhas de opinião nas circunstâncias mais
adversas, seja para salvar em 1986 os quatro de Salvador
que faziam greve de fome sem o apoio de quase ninguém, seja para obter
em 2005 uma anistia à qual tinha pleno direito mas a União teimava em
postergar, seja para restabelecer a verdade histórica a meu respeito.
Foi
a experiência acumuladas nestas e outras batalhas que me ensinaram a
encontrar o foco certo em termos jurídicos e a palavra certa para
sensibilizar as pessoas imbuídas de espírito de justiça.
Quem
acompanhou o Caso Battisti deve lembrar-se que eu tinha visão clara do
rumo que os acontecimentos tomariam e a utilizava para propor as linhas
de ação mais adequadas para nosso comitê de solidariedade.
Acostumado
a travar lutas desiguais, rechaçava o sectarismo, tudo fazendo para
agregar todos os bons cidadãos à nossa causa. A união foi essencial para
nocautearmos um inimigo do 1º mundo e todos os seus quinta-colunas no
Brasil (principalmente na imprensa, cuja tendenciosidade atingiu o
paroxismo). Éramos poucos, éramos fracos, mas soubemos nos aglutinar e
dar sempre os passos certos.
Não
podemos nos associar aos inimigos de classe, mas são admissíveis e
justificáveis as alianças táticas com forças pertencentes ao campo da
esquerda ou que tenham uma tradição de esquerda, desde que o objetivo do
momento seja comum.
Então,
como participante de uma bancada de esquerda que tenderá a ser
minoritária, acredito poder dar contribuição destacada para estimular a
união das forças progressistas, denunciar/atrapalhar as maracutaias dos
poderosos, desencavar razões legais para colocar suas políticas em xeque
e fazer com que tais questões repercutam na sociedade, trazendo a
opinião pública para nosso lado.
O
que me manteve vivo, depois da derrota trágica nos anos de chumbo, foi
a esperança de ainda contribuir para que frutificassem os ideais da
minha geração, em nome dos quais tantos companheiros imprescindíveis
foram martirizados ou destruídos.
Preparei-me
durante quatro décadas para o papel que me proponho a desempenhar na
luta contra a fascistização; mas, travá-la em melhores condições e com
mais visibilidade, dependerá da confiança e do apoio que receber dos
companheiros.
É o último apelo que lanço pois tudo que eu tinha para dizer, está dito.
E a sorte, lançada.
E a sorte, lançada.
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quarta-feira, 19 de setembro de 2012
QUEM É BURRO, PEDE A DEUS QUE O MATE E AO DIABO QUE O CARREGUE
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O problema do Haddad é ainda não ter encontrado os parceiros ideais |
Por um punhado de segundos a mais no horário eleitoral de São Paulo, o seu símbolo primordial, o ex-presidente Lula, pagou o mico de posar para repulsivas e criticadíssimas fotos na Mansão Maluf.
O candidato Fernando Haddad, por sua vez, além do constrangimento de ser zoado como a Dona Flor de dois improváveis maridos, ainda viu bater asas a vice ideal, Luíza Erundina, que seguiu os ventos da dignidade.
Agora, na tentativa de tirar do ar uma rotineira propaganda adversária, nova catástrofe em termos de comunicação!
A peça tucana vincula Haddad a José Dirceu, Delúbio Soares e Paulo Maluf. "Sabe o que acontece quando você vota no PT? Você vota, ele volta", diz o narrador, a cada foto de vilão exibida.
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Na política, a falta de perspicácia produz invariavelmente este resultado |
"A publicidade é manifestamente degradante porque promove uma indevida associação entre Fernando Haddad e pessoas envolvidas em processos criminais e ações de improbidade administrativa.
Sempre que [Haddad] teve poder de nomeação [quando era ministro], nunca nomeou Delúbio, Maluf ou Dirceu.
Se tais pessoas jamais foram nomeadas por Fernando Haddad, o que sobra então a intenção dessa propaganda? Sobra a intenção de degradar através da associação da imagem do candidato às pessoas que surgem na tela".
Em termos práticos, o resultado foi ele receber um calaboca do juiz:
"...não se há que falar em degradação e ridicularização quando se estabelece a ligação entre o candidato e outros filiados a seu partido ou a partido coligado, ligação esta de conhecimento público e notório.
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Expor-se ao ridículo é crime sem perdão na era da internet |
Da mesma forma que um candidato pode ser beneficiado pelo apoio de correligionários bem avaliados pela população, pode ele ser prejudicado pela associação feita a políticos não tão bem avaliados".
Em termos políticos, a sua patética ingenuidade rendeu uma manchete intriguenta da Folha de S. Paulo, que trombeteou: Haddad diz que associá-lo a Zé Dirceu é degradante.
Isto porque o advogado do PSDB, ao ser comunicado da ação, deve ter corrido a alertar os dirigentes sobre a vacilada; e estes devem ter corrido a oferecer o furo à Folha.
Isto porque o advogado do PSDB, ao ser comunicado da ação, deve ter corrido a alertar os dirigentes sobre a vacilada; e estes devem ter corrido a oferecer o furo à Folha.
Como o padrinho Lula terá recebido a informação de que seu afilhado
jamais nomearia Zé Dirceu e Delúbio (que ele nomeou) e Maluf (cujo
apoio ele buscou)? Conhecendo bem o pupilo, deve ter pensado com
seus botões que, quem é burro, pede a Deus que o mate e ao diabo que o
carregue...
Para os petistas que ignoram como essas coisas se passam, Haddad parecerá um traíra que abandona os companheiros em desgraça.
Para os petistas que ignoram como essas coisas se passam, Haddad parecerá um traíra que abandona os companheiros em desgraça.
Para os mais perspicazes, um bobalhão que não controla direito sua campanha, dando trunfos de mão beijada ao inimigo.
O que não passaria de uma reprise das trapalhadas por ele cometidas ao organizar o Enem...
O que não passaria de uma reprise das trapalhadas por ele cometidas ao organizar o Enem...
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segunda-feira, 17 de setembro de 2012
CINZAS EM SETEMBRO
No finalzinho de 2003 fiquei desempregado e sem carro. Levei cinco anos para voltar a ter um --exatamente quando a minha caçula nascia.
Aliás, foi só depois de trazer ambas para casa que eu pude ir retirá-lo na concessionário. Tardaram as burocratices e acabei saindo de lá com noite fechada e chovendo a cântaros.
Não conhecia direito os controles, o vidro embaçava e eu apanhava dos caminhos da região. Estava destreinado. Foi um pesadelo. Mas cheguei inteiro.
Logo fui pegando o jeito de novo. Quem é do mar não enjoa.
Mas, se a quarentena me fizera bem --estava mais cuidadoso e paciente--, a piora coletiva dos motoristas era chocante. E veio intensificando-se ano a ano desde então.
A impressão que me dá é de pessoas estressadas no limite extremo, correndo riscos imensos para lucrar míseros segundos, querendo afirmar-se umas sobre as outras, cada vez mais incapazes de perceber o quadro geral: fazem impulsivamente o que lhes convêm e danem-se os demais, se não conseguirem brecar em tempo!
Afora as motos que surgem do nada e ultrapassam pela direita sem sequer darem uma buzinada de aviso.
Desde que retomei o volante, quantos desastres evitei, quantos motoristas e motoqueiros preservei de pagarem caro por suas imprudências? Perdi a conta.
E basta rodar alguns quilômetros para constatar o quanto todos perdem em função do seu egoísmo e irracionalidade. Com um pouco de bom senso e espírito cooperativo, não só se livrariam de ferimentos e danos, como se estressariam muito menos e até ganhariam... tempo! O tempo que tentam lucrar fechando os outros e forçando a barra às raias da insanidade.
É o retrato do capitalismo: o sacrifício inútil. Pessoas enfartando porque lhes foram incutidas as prioridades erradas e não as ousaram questionar. E o trabalho se tornando cada vez mais deprimente e aviltado, dele hoje não se extrai prazer nem perfazimento, sentimento de realização.
A política convencional passa longe desses problemas. Uma nova ainda está em gestação. E o resultado é esse imenso desalento que impregna a eleição atual, com as pessoas comuns votando em quem lhe oferece alguma vantagem e as melhores tão céticas que nem se animam mais a buscar alternativas.
"E no entanto, é preciso cantar, é preciso cantar e alegrar a cidade", como bem disse o poetinha Vinícius de Moraes, numa outra 4ª feira de cinzas, quando ingenuamente acreditávamos que seria bem mais fácil trazer de volta o carnaval.
O desafio continua diante de nós. E, na eleição ou fora dela, temos de encontrar forças para reagir. Pensamos que 1985 seria o recomeço, mas foi só troca da guarda, saíram os de farda e seu lugar foi imediatamente ocupado pelos de terno. Aqueles marrom-pútrido que se ocultavam por trás dos verde-oliva.
Temos de empurrar a pedra de novo para o topo da montanha. Quiçá a música nos inspire!
"A tristeza que a gente tem, qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir, voltou a esperança
É o povo que dança, contente da vida feliz a cantar
Porque são tão tantas coisas azuis, há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar que a gente nem sabe
Quem me dera viver pra ver e brincar outros carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz"
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